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Das aprendizagens do passado

por t2para4, em 10.05.20

O medo paralisa, o medo impede-nos de sermos racionais. O medo ativa-nos mecanismos de sobrevivência ou desencadeia ações impulsivas. Mas o medo faz parte da nossa condição, o medo existe. Conseguimos doseá-lo de forma mais ou menos saudável mas ele está cá.

 



Há uns tempos - não vou dizer se foram meses ou anos, isso não interessa - eu e algumas pessoas do meu círculo social estivemos em contacto com um individuo portador do bacilo da tuberculose. Tinha dado positivo nos testes. Fazia parte do nosso círculo de pessoas com quem temos contacto mais do que ocasional. Fiquei em pânico. Temos as vacinas, é certo, mas ainda assim, podemos vir a ter tuberculose. E passá-la a alguém. E, ao contrário do que se possa pensar, há bastantes casos e há sempre movimento no BCG exatamente pelos mesmos motivos: alguém esteve em contacto com alguém com tuberculose e é preciso fazer testes de despiste.



A primeira coisa que fiz foi, de imediato, informar o pediatra das piolhas, relatar pormenorizadamente toda a situação e pedir aconselhamento. E eu avançar para testes de despiste. Já não ia ao BCG desde os tempos da faculdade, tirar as velhinhas micros para entregar na Secretaria Geral aquando das matrículas. Não vou entrar em detalhes mas fiz a micro e prova tuberculina. Uma deu negativo, a outra fez reação. Não tinha tuberculose mas, algures no meu período de vida passado, estive em contacto com o bacilo. Já tinha acontecido em 1995. Foi necessário repetir e passaram-se meses até ser dispensada.

 



Este pequeno episódio não me traumatizou nem me trouxe propriamente medo por mim mas um pânico enorme pelas minhas filhas. Eu sei que é impossível protegê-las de tudo e, vamos ser racionais, com quantos vírus, bactérias, parasitas lidamos todos os dias, até dentro da nossa casa, e nem sequer sabemos? Mas quando tempos um nome e uma proximidade com um inimigo invisível, a nossa perspetiva muda radicalmente.

 



O meu medo em relação ao novo vírus é isto: medo de eu lhes passar a elas, de eu apanhar e ser incapaz de cuidar delas, de elas apanharem e... nem me atrevo a verbalizar todo estes medos. Não é assim que lido racionalmente com eles. Mas aperta-nos o coração e causa-nos uma sensação de impotência avassalora. Não somos grupo de risco mas não suporto a ideia de imaginar as minhas filhas numa cama a lutar contra um inimigo destes. Por isso, tentamos fazer a nossa parte tanto quanto possível sem cair em extremismos. E, cruel ou egoísta que possa soar, agradeço a escola estar fechada pois se elas tivessem de ir, não iriam. Não nestes moldes tentativa-e-erro, vamos-experimentar-a-ver-no-que-dá. Em Setembro, regressaremos às salas de aula, de uma forma ou de outra, não tenho dúvidas, mas precisamos de um plano eficaz para não colocarmos esta geração em risco. Vamos ter que saber adaptar-nos e saber viver com este vírus - e outros - e com os efeitos adversos que nos trouxe. Mas, preferencialmente, sem nos colocarmos desnecessariamente em risco.



Atenção que em local algum eu refiro que devemos enfiar-nos numa bolha e viver lá, enrolados sobre os nossos joelhos.

Mas, apesar de tudo, ainda temos o direito a temer pelos nossos e a querer levar as coisas com calma.

Eu aprendi mais esse ensinamento.

 

 

 

 

 

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publicado às 13:42

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