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Da teoria à vida real...

... da internet segura ao que realmente deve ser feito

por t2para4, em 30.06.20

Das aprendizagens que se fazem e da realidade como ela é e até do papel dos pais.

As piolhas tiveram o seu primeiro ataque por um bot. Foi algo muito feio e cruel. Foram feitos screenshots de algumas das suas publicações e legendagens que incitam ao suicídio, em forma de hate mail. Elas, ensinadas e já prevenidas por nós e pelas palestras sobre net segura da escola, desconfiaram que poderia ser um bot ou um troll, mas que, seria, à partida, mesmo um bot e aquilo basicamente seria linguagem de programação feita para ser assim mesmo. Então, o que fizeram? Fizeram print do que encontraram e das mensagens enviadas e um post sobre o assunto, denunciaram à rede social em causa, bloquearam a personagem e apagaram os posts visados e as mensagens enviadas.

E, mais importante, apesar de se ter passado isto, não se sentiram tristes ou ameaçadas ou ansiosas. E souberam o que fazer. E, desenrascadas como são, até o fizeram sozinhas.Não andamos a criar florzinhas de estufa nem, ao contrário do que dizem algumas pessoas, elas não têm entendimento. Têm sim. Sabem que o mundo não é uma nuvem de algodão doce. São inteligentes, sabem em quem confiar e tiraram lições importantíssimas das suas vivências - mesmo as más. São miúdas incríveis que se ultrapassam todos os dias.

Por isso, bots ou não bots, pessoas de carne e osso ou não, em relação a este assunto, tomem lá, in your face.

 

 

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publicado às 08:56

Chega esta semana ao fim o remendo possível, a solução encontrada e longe de ser a ideal mas, de novo, a solução possível, do ensino à distância, 13 semanas depois. Um período completo ao longe mas com os professores por perto, a fazer o necessário para que os alunos não fizessem apenas mas, algures no processo, também aprendessem.
Aqui, além desse esforço do fazer mas também aprender alguma coisa, do verificar se o apoio de educação especial estaria a resultar, foram 13 semanas de absoluta paz, 13 semanas sem um único episódio de bullying e, por mais incrível que pareça, 13 semanas sem um único de cyberbullying (algo que começou logo no verão passado, ainda as aulas não tinham começado, mal saiu a relação de turmas).

Numa das suas muitas fichas de autoavaliação, uma das piolhas queria escrever "gosto mais destas aulas do que na escola". Não deixei que escrevesse. Doeu-me um pouco o coração ao ler aquilo. Tanto que daqui se pode interpretar... E não venham com a tradicional atribuição de culpas à mãe porque vai já com os cães! Quantos de nós, apesar dos horários mais esticados, não descobriram que o teletrabalho pode ser uma pequena maravilha porque não há deslocações, não temos que aturar um mau ambiente, não precisamos de lidar com colegas parvos?
Foi um ano atípico desde o início e que ficou ainda pior quando só faltavam 3 meses para terminarmos. Houve muitas muitas mudanças: de escola, de ciclo, de colegas, de professores, de quantidade de disciplinas, de abordagens aos conteúdos, de pedidos de trabalho e, quando se pensava que não poderia ser pior, ainda veio uma pandemia...

A escola - a nossa escola - sempre colaborou connosco na tentativa de minimizar problemas, de resolver os episódios de bullying, de conversarmos sobre estratégias, etc. Fizemos tanto. Houve momentos de interregno e pensávamos "ok, o pior já passou, vai melhorar". Foi um choque para nós - para elas mesmas - passar das coqueluches da turma, da escola, onde toda a gente as mimava e acarinhava para as apontadas a dedo, sem percebermos muito bem o que raio se passou nesta transição. No entanto, tenhamos em mente que esta é apenas uma de muitas questões sociais do autismo no feminino e que já aqui partilhei algumas vezes.

O ensino à distância não foi o ideal e não é a solução perfeita mas foi o que se pôde arranjar à pressa, apesar das milhentas críticas que já li ao longo destas 13 semanas. O engraçado é que não li nem uma única proposta de solução além da "enfiem-se os miúdos todos dentro da escola de novo". Não vou tecer comentários sobre esta dinâmica online, muito já se falou sobre isso. Não é o ideal, ponto assente; é o que se pode arranjar num instante. Sobre o próximo ano letivo, suposições há muitas, certezas nem por isso, portanto, temos que aguardar, ainda nem sequer saíram os respetivos despachos.

Mas, de novo, para nós, para as piolhas, foi a calma necessária para que pudessem sentir-se elas mesmas novamente. Foi a aprendizagem paralela de gestão de tempo e conteúdos, de autonomia, de literacia digital, de interpretação até da personalidade de alguns professores mediante as respostas dadas às suas perguntas. Foi paz e sossego, no verdadeiro significado da palavra. Foi trabalharem sem batota (porque eu não posso nem é correto fazer os trabalhos por elas, não sou eu a aluna. Supervisionar e ajudar, sim, fazer não). Foi sentir um orgulho imenso quando chegavam à 5ª feira e já tinham os trabalhos da semana todos concluídos. Foi conviver com os colegas à distância sem um único ataque, sem uma única boca foleira, sem um único foco de gozo, sem uma única forma de insulto.

E a questão social?, podem perguntar-me. Tendo em consideração que desde que as piolhas frequentam a escola - desde os 2 anos - que, todos os verões, por mais ou menos 3 meses, o contacto com os colegas é zero (não por falha da parte delas), eu acho que elas sobrevivem bem a este contratempo escolar e a questão social é a última das minhas preocupações neste momento.

O texto já vai longo e eu quero apenas rematar: foi um ano extremamente longo, exaustivo, cansativo, trabalhoso, atípico, difícil. Mas foi um ano de aprendizagens profundas, de viragem na história - social, pessoal, escolar, académica. Porque a nova realidade já foi alterada. Já temos muitas coisas que estão a ser feitas de forma diferente e que assim continuarão. Nada ficou igual ao que era antes.
E, de alguma forma, conseguimos sobreviver a isso. Não foi da forma ideal mas da forma possível.
E, assim mesmo, de repente, chegámos ao 8º ano. Estamos todos de parabéns.

 

 
 
 
 
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publicado às 09:07

10 causas “científicas” do autismo

por t2para4, em 08.06.20

A começar já, sem rodeios.

10 – Mães frigorífico: Essas insensíveis de temperatura corporal abaixo de zero, dignas de um caso de estudo científico e que deveriam viver num ambiente semelhante ao de Mercúrio durante a noite, são a causa primordial de autismo. Incapazes de aquecer e de amar, coitadinhas, dariam ótimas estátuas decorativas no palácio do filme “007 Die Another Day” mas ousaram ter filhos e pumbas, deram-lhes autismo. Ai não está relacionado com a temperatura corporal? Oops… erro meu.

9 – “Eles”. Há sempre um “eles”. A culpa é “deles”. “Eles” andam aí. “Eles” tratam disso. Ninguém sabem verdadeiramente quem são “eles” mas culpa do autismo é “deles”. “Eles” é que fizeram as coisas – seja lá o que isso for – para que o autismo esteja a caminho de uma epidemia.

8 – A lua: ao estilo lobisomem, a lua é a culpada do autismo na Terra, pois, certamente noutros mundos não há pois se não se veem, toda a gente sabe que não existem. Se a NASA estivesse estado quieta e não tivesse mandado para lá a Apollo 11 e o Neil não tivesse posto o pezito em solo lunar, não teria desalinhado os chakras nem mexido nos cristais. How dared he? Ah não? Não houve alunagem? Foi tudo uma encenação num estúdio? Ah, ok, ok, então e o autismo não vem daí? Ah, é como as marés, tem a ver com as fases da lua, é isso? Ah, ok, bastante mais esclarecida.

7- Parto por cesariana: mães que ousam parir sem dor, sem rasgões no pipi e optam por uma cesariana, ainda que a vossa vida e a dos vossos filhos dependa disso, vocês não só colocam o vosso pipi em primeira prioridade como, ainda por cima, não sabem ser mães, o que vos pode remeter para o ponto 10 desta compilação bem como traz seguramente autismo aos vossos filhos. Parem de se preocupar com o pipi!

6 – Paracetamol: Essa invenção do demo que foi propositadamente criada para controlar as nossas ondas cerebrais e desabituar-nos do prazer da dor é causador de autismo ainda in útero! Não se pode tomar comprimidos nem supositórios nem xaropes que tenham este princípio ativo. Toda a gente sabe que não há nada como fazer como faziam os antigos barbeiros do século XVIII e XIX: é beber até entrar em coma alcoólico. Não há dor que resista. A vida sem dor é sobrevalorizada.

5 – Fluor. Pensavam que a nossa água tinha uma percentagem de fluor por segurança? Engano vosso. A ideia é causar autismo. Pensavam que os tratamentos dentários mais eficazes que recorrem ao fluor são seguros? Nada disso. O fluor, como toda a gente sabe, causa autismo. Elimine-se o fluor das nossas vidas e viremos uns alegres cariados ou desdentados que, como toda a gente também sabe, até pode ser o próximo patamar da evolução facial humana que até pode vir a ter influências linguísticas pois passaremos todos a falar à sopinha de massa mas com gengivas rijas.

4 – Sexo. Tão bom que até os bichinhos gostam MAS a raiz de todos os males. A grande causa de todas as doenças e problemas do mundo. Vá, rezem 300 pais-nossos e 500 avés-marias e façam uma oferenda aos pobres. Abstinência é o melhor curativo de todas as doenças. E um contracetivo 100% eficaz.

3 – Chemtrails. Sabem aqueles risquinhos brancos tipo nuvem que ficam como rasto de alguns aviões? Pois, são químicos perigosíssimos lançados por aviões controlados por “eles” (ver ponto 9”) para nos causar autismo e mais umas quantas outras coisas boas. Se verificarmos esta hipótese com rigor científico verão que se confirma. Somos todos autistas porque todos nós levamos com os chemtrails e nada fazemos contra essa ameaça velada contra nós. Mas uns disfarçam melhor que outros. Não queremos combater o poder “deles” e, por isso, “eles” continuam a fazer o que querem.

2 – Tecnologia 5G. Cuidado que vem aí o apocalipse. Os pássaros caem do céu, as formigas morrem na terra (eu ficaria verdadeiramente surpreendida se fosse ao contrário, mas ok, “eles” lá sabem) e até há relatos de cenas supersónicas, ao estilo trinados alienígenas que nunca passariam pela cabeça do produtor dos X-Files. Estamos condenados. A hipótese de as crianças nascerem com ou desenvolverem autismo é superior a 1000% e estamos todos a permitir que isso aconteça com o nosso desejo de ligações web mais rápidas e WiFi disponível até na Fossa Mariana.

1 – Vacinas. É óbvio que este tinha de vir em primeiro lugar. Toda a gente sabe que quem aceita voluntariamente injetar corpos estranhos no seu próprio organismo para criar anticorpos contra doenças graves e fatais não pode ser bom da cabeça. E, como bónus, ainda pode “ganhar” autismo. Morrer de varíola ou ficar com sequelas de poliomielite é mil vezes melhor do que arriscar a ter um microchip instalado no nosso corpo via vacina para que o Bill Gates nos controle, uma vez que ele está verdadeiramente interessado em saber o que cerca de 7 biliões de pessoas fazem das suas vidas tão interessantes.

Agora que sei que afinal o autismo é sinal que tenho crianças cristal e que o amor cura tudo, qual antibiótico antivírico (cura bactérias E vírus, é um all in one, como as pastilhas da máquina de lavar louça), fico muito mais descansada e vou ver se tenho uma conversa com o Big Foot. Sim, porque alguém humanoide que só deixa vestígios, tem um comprometimento a nível da linguagem/comunicação + interação social + comportamento, só pode ser autista – diagnóstico grátis com o alto patrocínio do Dr. Google.

 

 

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publicado às 09:00

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