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Há quase 13 anos, depois de semanas a dormir sentada e rodeada de almofadas, farta de estar grávida e de mal conseguir mexer-me em condições, com dores excruciantes nos rins, ganhei uma viagem alucinante até à maternidade. Ninguém nasceu nesse dia, nem no seguinte, nem no a seguir. Ainda foi preciso esperar uma semana para o grande acontecimento do ano.


As partes mais loucas de que lembro dessa noite é de exigir vestir uma túnica branca - que basicamente era das pouquíssimas coisas que ainda me servia sem eu ficar a parecer um barril - e das luzes de aviso dos travões do carro que entraram em sobreaquecimento (memo to myself: há anos que o marido deseja secretamente um curso de condução evasiva e defensiva, mas sinceramente, só se for por causa do papel pois ele mete muito condutor profissional a um canto. Um dia ofereço-lhe essa prenda).
O diagnóstico foi simples de fazer: as duas bebés sentadas estavam a fazer demasiada pressão nos meus rins, o que complicou ali a coisa e fez voltar as contrações que estavam mais ou menos controladas desde as 32 semanas. Estávamos nas 34 semanas e uns dias.


Não fiquei no mesmo quarto onde ficara nos internamentos anteriores.
Lembro de estarmos na pausa de temporadas do Lost mas de conseguir ver o novíssimo filme dos "Piratas das Caraíbas: nos confins do mundo" e de ficar impressionadíssima com o grafismo visual do que seria o fim do mar representativo do fim do mundo, qual pintura medieval. Refugiava-me nos vídeos que levava no computador e no fórum em que participava e devorei todos os livros de Isabel Allende que uma grande amiga me emprestara. E fazer palavras cruzadas aos molhos. A minha colega de quarto era cheia de teorias da conspiração que me exasperavam. Ela assustava-me, porra.
Lembro-me ainda de tomar bastantes relaxantes musculares (que acabaram por me causar uma pequena reação alérgica), de fazer milhentos toques durante o dia (e amaldiçoar essa técnica de despiste de dilatação), de fitas apertadas em volta da barriga e dos habituais "carregue aqui sempre que sentir o bebé" e de estar constantemente a carregar pois havia sempre uma com soluços, o que significava voltar a repetir aquilo tudo mas sem marcar os soluços.
E, lembro-me de querer ver as pequeninas trigémeas minhas companheiras de barriga que haviam nascido um mês antes mas não poder sair da cama...
Lembro-me distintamente de outras questões relacionadas com trabalhos que só chateavam. E de ter as malas da maternidade prontas a usar.


O resto é tudo confuso e enevoado. E nem acredito que já se passou todo este tempo. Estávamos tão perto - tão perto - de embarcar na maior e mais louca aventura das nossas vidas. E sem nenhum livro de instruções ou páginas web úteis.
Memórias que surgem    

 

 

 

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publicado às 22:00

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