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Funcional e com incapacidade?

por t2para4, em 12.10.20

Ser funcional e ter, ao mesmo tempo, uma incapacidade é algo que intriga os demais. Às vezes, é algo mais que isso: chega mesmo a incomodar. Como é possível ter-se uma incapacidade, uma deficiência, MAS TAMBÉM, ser-se autónomo, capaz, funcional? Não são todas as deficiências incapacitantes? São, a bem dizer. Todas as deficiências, todos os problemas de saúde, todas as condições, são, em certa medida, incapacitantes. Daí, haver até uma avaliação para que se atribua uma percentagem a essa incapacidade e, através de um longo processo de análise, relatórios e um documento específico, atestar isso mesmo. Uma enxaqueca galopante traz consigo a incapacidade de conduzir, por exemplo, mas não me torna disfuncional a ponto de não conseguir abrir o carro ou colocá-lo a trabalhar, se for absolutamente necessário.


Infelizmente, ainda se associa muito a incapacidade visível e quase total à deficiência, em especial, à deficiência severa e grave. E o que é invisível, o que é funcional, não tem grau de gravidade. Não é uma crítica. É uma constatação.
Um indivíduo com autismo pode ser funcional. Um indivíduo com paralisia cerebral pode ser funcional. Um indivíduo com epilepsia pode ser funcional. Um indivíduo com osteogénese pode ser funcional. Como em tudo, a sua funcionalidade dependerá da gravidade da sua condição. E é – ou, pelo menos, deverá ser – assim que se baseia a intervenção terapêutica, clínica, técnica a seguir. Um caso mais leve, um caso funcional, não deixa de necessitar de ajuda; deve é ser uma ajuda adequada às suas necessidades e potencialidades. Um caso mais leve, um caso funcional, continua a necessitar de intervenção, não vem roubar direitos a casos mais graves, não vem encurtar ou aumentar listas de espera, não vem destabilizar números ou estatísticas. As coisas são como são. As comparações erróneas e injustas não devem ser o fator decisivo da atribuição de apoios porque a necessidade de apoio está lá – difere é na sua execução e na sua aplicação e na sua engrenagem e na sua concretização e até nos seus resultados.É muito comum comparar-se a funcionalidade. “Comparado com xxxx, isso não é nada”. Sim, de facto, comparado com o Vietname, o Ultramar não foi nada – estão a ver, mais ou menos, a comparação? É errado, injusto, desadequado, impróprio. Apesar das escalas de avaliação seguirem uma norma padronizada, é nas alterações ao padrão, àquilo que é o desvio, que nos podemos centrar. Não importa comparar a gravidade e a severidade e a curva desse desvio. O que realmente importa é agir com os devidos cuidados e promover o sucesso para a tal funcionalidade, se tal for possível. É possibilitar que sejam dadas ferramentas para trabalhar, adequadas à condição deste ou daquele indivíduo, independentemente do caso d e A, de B ou de C.


Não podemos deixar-nos cair em clichés porque é fácil fazê-lo. As coisas nunca são tão lineares como aparentam ser, há algo maior por detrás. Na esmagadora maioria dos casos, num indivíduo funcional com uma deficiência, adolescente ou jovem, estão anos e anos infindáveis de trabalho, uma família que nunca desistiu, uma equipa organizada para dar as tais ferramentas necessárias. E isso não se vê.

 

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publicado às 11:18

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