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Podemos colocar-nos no lugar do outro?

por t2para4, em 23.11.20

À partida, não terei nenhum diagnóstico (embora a minha mãe me tivesse pedido uma avaliação para hiperatividade quando era muito miúda) mas confesso que talvez tenha uma queda para a hiperatividade ou para o síndroma de pensamento acelerado - não está nos meus planos imediatos fazer uma avaliação. Quem me conhece deve estar, neste momento, a abanar a cabeça em semiconcordância... Mas, a verdade é que, ainda hoje, tenho alguma dificuldade em encaixar-me. E consigo entender pelo que passam miúdos como os que têm as cadernetas cheias de recados ou os que são demasiado criativos e distraídos. Ou as piolhas.

A nossa vida é constituída por demasiados círculos que podem, por exemplo, ser a família próxima, a família alargada, amigos, colegas, pessoas do trabalho, pessoas que conhecemos de vista, etc. Para cada círculo, é expectável um determinado comportamento e forma de agir, uma determinada linguagem. Sem nos apercebermos, passamos o dia a saltitar de atitudes em atitudes, a tomar milhares de microdecisões, em constante adaptação. Para quem lida com pessoas, seja de que idade for, maior é a exigência dessa adaptação.
Tenho alguma dificuldade em encaixar-me em e seguir determinados padrões e, talvez por isso, na minha profissão, eu sinta um desgaste cada vez maior porque a minha tendência natural é preocupar-me, muitas vezes, em demasia. É colocar-me constantemente no lugar do outro e fazer pelos alunos o que espero que façam pelas minhas piolhas ou tivessem feito por mim quando era a minha vez nos bancos da escola. E isto é extenuante. Porque ninguém quer saber. Exceto eu.
Encaixar num mundo em que tudo nos é exigido e onde pouco espaço há para o que é diferente custa muito. Exige muito. Cansa muito. Cada vez mais.
Noto esta dificuldade mais recorrente. O confinamento, o distanciamento, o individualismo, o umbiguismo que se sente não têm facilitado a transição entre círculos de forma mais suave e quase impercetível. A exigência é imensa. E a empatia, a entreajuda, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro estão a perder terreno…

Hoje, escrevo estas linhas no carro, em frente a um rio, num estacionamento completamente deserto porque, hoje, em particular, não consigo encaixar-me, não consigo diminuir a velocidade do que passa pela cabeça, não sinto vontade de integrar círculos onde o esforço é grande. Sou adulta, bem resolvida com a vida e feliz. Imagine-se o que sente uma criança, um adolescente, um jovem com autismo, com perturbações sociais, neurológicas, etc. Podemos colocar-nos no lugar do outro e facilitar a transição entre círculos? Ficamos todos a ganhar.

 

 

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publicado às 13:24

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