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Leituras para 2021 - livro 4 - "1984"

por t2para4, em 26.02.21

Desta feita, foi "1984", de George Orwell.


De toda a obra, que já conhecia vagamente pelas inúmeras referências que se foram fazendo ao longo dos anos (é um livro dos finais dos anos 1940) em relação ao Grande Irmão e à forma como levamos e nos levam a liberdade, o que mais me marcou foi, de tudo mesmo, que, na minha ótica seria expectável, o controlo do pensamento. O policiamento do pensamento (há até uma Polícia das Ideias). A importância dada ao pensamento livre. Bem, livre, não, porque a noção (e a palavra) "livre" foi abolida porque não há essa ideia do livre/preso. É ortodoxia. "(...) significa não pensar- não ter necessidade de pensar. Ortodoxia é inconsciência". E é essa a doutrina declarada verdadeira em Oceânia. No mundo.


Tudo é controlável. E nem sequer são necessárias as famigeradas teletelas para isso. Tudo - mesmo tudo - pode ser controlado. E a personagem principal, Winston, revela-nos isso mesmo ao longo do livro - contra a nossa vontade e desejo. Não importa que axiomas admitamos, se na nossa história, no nosso passado, no nosso dogma "dois mais dois é igual a quatro". Se o Partido decidir que são 5, 5 serão. E tudo o que é contrário a isso, é reescrito. Todo o passado é reescrito. Deixa de haver provas, documentos. E resta a memória. Mas qual memória? O Partido, logo abaixo do Grande Irmão na pirâmide, quer, pode e manda. E ninguém nos salvará disso, por muito que se acredite, pois tudo pode ser alterado.


Mas as pessoas continuam a viver, certo? Sim, se é que o controlo absoluto pode chamar-se vida. Não é o controlo ao estilo redes sociais ou câmaras; é algo muito maior e muito mais abrangente e omnipotente até. É o poder absoluto de reescrever tudo, desde a própria História à vida pessoal do mais inútil do humano. E com isso dá-se a assimilação total, a aniquilação do livre-arbítrio, das aprendizagens com o passado, do desejo de um futuro.


Podemos questionar se será para aí que caminhamos. Eu acho, na minha modesta opinião, que andamos em órbita de. Orbitamos mais próximos desse controlo e aniquilação (vejamos o controlo nazi, o desejo de apuramento da raça de Hitler, por exemplo) e mais afastados (criação da carta dos Direitos Humanos, por exemplo) mas mais próximos de novo (invasão de países por motivos financeiros com a desculpa política da proteção do povo) e mais afastados de novo (criação de organizações de apoio a países em desenvolvimento) e por aí fora.


Não é uma leitura fácil. É assustador um grau de controlo até da mínima emoção, onde tudo parece estar numa linha de montagem. Mas é uma leitura que deve ser feita, pelo menos uma vez na vida. E que nos impulsiona um pouco a valorizar os bens preciosos que temos.

 

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publicado às 23:10

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