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Um sentimento de "closure"

por t2para4, em 18.05.21

Respostas.
Um sentimento de ciclo fechado, de "closure".
É o que se sente quando se recebe um diagnóstico, seja ele qual for, venha ele em que idade vier.

Nos últimos tempos, obtive respostas e o tal sentimento de closure (à falta da palavra ideal em português, desculpem lá). É aquele momento em que nos recostamos na cadeira, respiramos fundo e pensamos "eu sabia; faz todo - mas todo - o sentido". Aquele momento que até aos pais faz sentido.
Se vai mudar alguma coisa na minha vida? Não. Não vou fazer da minha neurodivergência ou dos meus "defeitos" de nascença (há mais, pois claro; sou, toda eu, uma admirável caixa de surpresas descobertas aos 40 anos) um estandarte a seguir, não vou mudar a minha personalidade, não vou passar a agir de forma absurdamente diferente, não vou fazer medicação nem terapia, não vou reduzir a ansiedade ou o overthinking, não vou mudar quem eu verdadeiramente sou. Mas, graças a essas respostas, a essas certezas, a essas realidades, já sei como minimizar desconforto (e até dor), como agir em conformidade e, mais importante, o que fazer e a quem recorrer em caso de crise.

Acredito que, de uma forma ou de outra, o número de neurodivergentes seja bem maior do que o que se calcula, estatisticamente. E acredito também que, tal como eu, seja em adulto que muitas dessas respostas surjam. E não mudará quase nada nas nossas vidas, apenas nos trará a tal "closure" e a certeza de que sabíamos que se passava algo - e, muitas vezes, até os nossos pais sabiam, só não havia os recursos que há hoje. E, na minha ótica - o mais importante -, ajuda-nos a saber como agir naqueles dias em que, simplesmente, não funcionamos e andamos ali em piloto-automático.
Ser neurodivergente sem o saber concretamente nunca me prejudicou diretamente mas, indiretamente, obrigou-me a um esforço maior do que o exigido aos meus pares, trouxe-me problemas de saúde físicos (enxaquecas graves, em parte, depressão, esgotamento, etc.), explica a minha impulsividade quase cega (aquele "explodir para a frente", como dizia uma amiga), o falar quase incessante (a minha oratória é literalmente demais) e uma cabeça que não para nem de dia nem de noite. Não vou mudar só porque sei que terei PHDA mas, agora, sei como melhor agir para melhor me salvaguardar. Não preciso de metilfenidato nem de terapia. Preciso apenas de descanso, acompanhamento médico adequado para as outras maleitas, e não viver a vida como se eu fosse uma pilha recarregável ou andar na red line.
Se me sinto diferente? Não. Não me aquece nem me arrefece. Fiquei bem mais interessada na minha válvula mitral num exame recente. Mas, a verdade é que sinto-me mais eu. Mas isso é porque a flunarizina (profilaxia da enxaqueca) já começa a fazer efeito. De resto, é continuar a aturar-me como sempre.

 

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publicado às 10:35

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