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Não chega e não chegará nunca...

por t2para4, em 20.06.21

Não chega e desconfio que nunca chegará. Tenho a sensação de que perco tempo e oportunidades neurológicas fundamentais se não estudar mais um pouco, se não tirar mais este curso, se não tentar mais esta abordagem (todas as abordagens que fizemos com as piolhas são devidamente acreditadas, renomeadas e validades por universidades internacionais) porque o medo de falhar, o medo de não conseguir estar presente para mais, o medo do que poderia ter sido se não tivesse tentado existe. Não é o mesmo que fazer dos nossos filhos cobaias, nada disso. É unicamente não permitir que se instale a mínima dúvida quando temos um caminhado já trilhado e supostamente desbastado e que é só percorrer.

O trabalho diário é sempre disfarçado: o treino de autonomia vem com uma indicação de "aviar recados" ou "fazer tarefas" com as noções de responsabilidade e cumprimento por detrás. É preciso arrumar a louça da máquina, limpar e lavar o lavatório e banca da cozinha, preparar a mochila para amanhã e escolher as roupas a usar de acordo com a metereologia do telemóvel e, se for preciso ajuda, eu estou aqui a fazer esta tarefa, ok? Vá, toca a desenrascar e a ajudar-me.
Na rua é um pouco semelhante: eu vou andando para o dentista, tomem lá dinheiro e vão comprar o vosso lanche, depois vêm ter comigo, ok? Cuidado na rua, façam tudo com calma.
O que numa criança/adolescente neurotípico não precisa de treino porque já foi visto e vivido, aqui tem de ser treinado antes do teste final a solo. E isso é treino para pais e filhos. E uma carrada de nervos brutal. "Não podemos andar sempre a protegê-los". É verdade mas custa. É tudo tão mais fácil quando são mais pequenos...

Cansa-me sobremaneira este constante trabalho, treino, estudo. Porque nunca sei quando será suficiente, se será suficiente, se é o adequado, se lhes dará as ferramentas de que necessitarão para mais tarde, aquele mais tarde em que não seremos nós a tomar as decisões por si mesmas e aquele mais tarde em que não estaremos cá para tudo isso e mais um par de botas. E essa porra assusta. Faz parte mas assusta. E, nesse campo, precisamos de dar um passo atrás para que elas nos passem à frente e sejam elas mesmas a viver tudo isso, a decidir o que for preciso, a serem aquilo que propusemos como objetivos: felizes, autónomas, independentes.

Até lá, preciso de manter as minhas sinapses a trabalhar e irei continuar a estudar, a ler. Porque não sei de que possam precisar e assim posso antecipar algo, como sempre fomos fazendo ao longo destes quase 14 anos.

 

 

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publicado às 16:52

Terminologia cá do T2

por t2para4, em 18.06.21

Até que sejam as próprias a optar por um termo com o qual se identifiquem melhor ou considerem mais apropriado à sua situação, condição, posição, neste espaço (e todos a ele associados) utilizam-se, de maneira indiferenciada, os termos autista, criança ou indivíduo com autismo, no espectro do autismo ou ainda perturbação do autismo, PEA ou autismo.

O que nunca foi feito, ao longo deste percurso, foi trabalhar para tornar as piolhas naquilo que nunca serão: neurotípicas. Ninguém pretende que isso acontece - até porque nunca vai acontecer - e quem não perceber isso ou recusar perceber isso, pode ir por onde veio.
Terapias, abordagens terapêuticas, trabalho, tratamento são apenas algumas das terminologias para dizer que as minhas filhas foram, são e serão acompanhadas sempre e enquanto precisarem, sejamos nós ou elas a decidir.

Este caminho, as palavras mais indicadas a utilizar, a terminologia mais apropriada não são o mais importante neste caminho. As nossas prioridades estão como sempre estiveram: bem definidas e sem dúvidas: Elas - com letra maiúscula porque elas são de facto grandes.

 

 

 

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publicado às 17:24

Dia do orgulho autista

por t2para4, em 18.06.21

Mais uma vez, eis-nos chegados à efeméride anual do orgulho autista - repare-se que é "orgulho autista" e não "orgulho no/do autista". Seja o que isso for e com respeito a todos os autistas.
Aqui, casa maioritariamente neurodivergente, tem-se orgulho no que somos, apesar de. Há algo que nos é intrínseco mas não nos define e não nos faz elevar estandartes de defesa de orgulho. É mais uma característica entre outras, uma vez que faz parte de nós mas não nos define nem podemos dissociarmo-nos dela.


Orgulho imenso nas piolhas, sempre; no autismo, não. Ainda não. Não consigo ver o copo cheio nem meio cheio neste campo. Não quando o facto de ser autista ou outro tipo de neurodivergente ainda é sinónimo de exclusão ou de bullying ou de incumprimento de direitos. Lamento mas ainda não dá.

 

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publicado às 14:22

O corpo é meu.

por t2para4, em 11.06.21

Demorei anos a aceitar-me como sou, foi um percurso que demorou os meus quase 40 anos.
Durante muitos anos, em especial na adolescência, não tirava fotos a sorrir porque o queixo era comprido, os caninos acentuados e parecia um vampiro.
Durante muitos anos, esforçava-me ao máximo por esticar o cabelo (o que era, afinal, contraproducente) porque todos tinham cabelos esticadinhos e bonitos e o meu era tão rebelde que quase tinha vida própria e impulsos assassinos.
Durante muitos anos, tentei imitar estilos de atrizes da moda a ver se também me ficavam bem e deixava de ser tão gozada.
Durante muitos anos, deixei de usar saltos altos porque todos eram mais baixos que eu.
Durante muitos anos, já casada e mãe, desisti(ra) de usar calções, saias, vestidos porque a celulite pusera-me as pernas feias. Usar bikini era uma exceção pois não me sentia tão mal no mundo real com outros corpos reais por perto.


Em quase todas estas situações houve gozo, bocas foleiras, humilhação, body shaming. Ou era alta demais ou magra demais ou comprida demais ou "com corpo bem feito mas nada gira de cara" ou "bonitinha mas demasiado magra" ou "fazia-te bem mais uns kg" (algo que ainda hoje ouço) ou "isso já é celulite" ou mais uma data de merdas sem nexo e sem jeiteira nenhuma.
Não quero isto para as minhas filhas. Elas são lindas, magras, altas, morenas, etc ao jeito delas. E são como são e não há mais nada a fazer.


Demorei demasiado tempo a aceitar que o meu corpo é resultado de uma vida vivida, de batalhas travadas, de conquistas feitas. O meu corpo não é de plástico, não sou um manequim de loja, não sou nem quero ser perfeita.
Não quero ceder nem voltar a ceder a pressões sociais. Não tenciono limar os dentes caninos nem fazer cirurgias plásticas, não tenciono pintar os meus brancos (cada vez em maior quantidade), não tenciono fazer cenas estranhas para acabar com a celulite (que mito tão grande...), não tenciono esfalfar-me num qualquer ginásio x/h/dia para culto do corpo - sou demasiado preguiçosa e estou demasiado cansada para isso e não vejo objetivo nisso.


Sou como sou, alta, magra, com rugas de expressão cada vez mais vincadas, com pernas com celulite, uma barriga a mostrar alguma flacidez (em especial ao final do dia), um cabelo rebelde que não gosta de ser penteado, os meus característicos dentes de vampiro e um queixo comprido. Sou assim e mais nada, quem não gosta põe no bordo do prato.
Abracei vestidos, calções, saias, fatos de banho. Mostro a perna e ainda ponho pulseiras nos pés. Uso batons vermelhos/castanhos/roxos/púrpura escura. Não penteio o cabelo. Fiz mais furos nas orelhas. Uso calções justinhos por baixo de saias e vestidos para as pernas não roçarem uma na outra. Uso saias de escritório com sapatilhas e calções com sandálias. E ainda pinto as unhas dos pés a combinar com as das mãos. E até uso calças curtas com botins, se me apetecer, e leggings com DocMartens. Não saio de casa sem lápis nos olhos e usei sempre baton no ensino à distância. Detesto caras cheias de betume em que tudo é igual a tudo e demasiado artificial.
Não pretendo agradar a mais ninguém a não ser a mim mesma e esquecer que, um dia, cedi ao body shaming e às pressões do "não uses", "não faças". Não quero que as piolhas sintam vergonha de si mesmas e peçam para serem diferentes do que são - como eu o fazia. Porque nada disto, absolutamente NADA disto é natural.
Como é que dizia o anúncio: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?". Autoestima é importante, os outros não. As opiniões destrutivas e discriminativas não dão ordenado nem tempo de serviço.

 

 

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publicado às 15:53

Amazing gifts (aqui) é tal e qual a palavra: AMAZING! E é quase impossível resistir porque é preciso muita força de vontade para resistir. A Patrícia é de uma simpatia e de um profissionalismo fantásticos e tem muita criatividade. Aliás, criatividade aqui como palavra-chave. Basta ver pelas fotos abaixo pois a t-shirt foi algo completamente deixado nas suas competentes mãos e imaginativa mente 😉

Quando escrevo sobre alguma coisa é porque realmente acredito e gosto. Ninguém me pagou para fazer publicidade, mas há coisas que eu acho que devem ser feitas e o que é bem feito deve ser visualizado e valorizado, por isso, bora lá que há lá coisas muito giras e a página vai crescer mais (ah, importante! As canetas vinham seguras em papel reciclado!).

Além disso, a Patrícia é uma mãe atípica e os lucros obtidos vão direitinhos para pagar as terapias do seu piolho – o habitual, certo? As respostas nunca chegam para todos e os pais têm de se desenrascar. Por isso, mais uma forte razão para visitas (e compras!)

A loja está muito agradável e intuitiva, visitem! (Aqui, a página)

 

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publicado às 18:55

É só mais um brinco!

por t2para4, em 09.06.21

Sempre que passo por um sufoco de saúde daqueles que me obriga mesmo a repensar a vida e me força a tomar opções muito difícieis, faço um furo extra (ainda preciso de mais um furo extra (provavelmente na outra orelha)).


Não me custa nada, faço-o na farmácia ou numa ourivesaria e a cicatrização costuma ser traquila, embora desta vez tenha precisado de algo mais pois inflamou um pouquinho. Acabei por trocar por um brinco mais pequeno (em tamanho e comprimento) porque me picava quando me deitava.
As piolhas não querem furar as orelhas, nunca o fizemos pois achamos que deve ser uma escolha pessoal. Eu fi-lo aos 12 anos, pela 1ª vez. E depois já entradota nos 30 e agora aos 40. Só o faço onde ainda há "chicha" e está fora de questão furar cartilagem. Por isso, devo ficar-me por aqui, até porque, como gosto de usar brincos maiorzinhos, não gosto de furos muito próximos.


Todos os loucos têm uma hora por dia, eu tenho algumas dispersas que se juntam 😛

 

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publicado às 12:47

Pausa - time off

por t2para4, em 05.06.21

Estarão aqui atingidos todos os clichés? Posso acrescentar que também estava de chapéu de palha e óculos de sol 😛
Estou a adorar o livro. Afinal já tinha uma ideia de parte da trama, só não tinha associado a Oscar Wilde.
Quanto ao resto, eu cá dou-me muito bem com a boa vida. Ou a vida boa.

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E, nos entretantos, fizemos o Algarve de ponta a ponta - ou de costa a costa -, de Vila do Bispo quase na ponta de Sagres até Vila Real de Santo António.
A N125 já está percorrida, quase sem planear. Venham mais estradas icónicas que nós tratamos dos quilómetros! 😊😁
E como diz uma das piolhas "já fizemos a Route 66 do Algarve, yay!"

 

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publicado às 18:45

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