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Os temas de que muito poucos querem falar na adolescência e que, no entanto, tão necessários são: bullying, orientação sexual, identidade sexual, amizades, namoro, relação com os pais/tutores, escola, exames, aulas, viagens de estudo, doenças mentais (distúrbios alimentares, automutilação).
Fui apresentada a esta série, em BD, pelas minhas filhas, ativistas por um mundo onde não sejamos discriminados por não seguirmos o que alguém/alguéns denomin(ou)aram como norma. Nick e Charlie são um casal que se vai conhecendo, que vive o seu namoro como qualquer outro casal e que não impõem a sua relação a ninguém, que têm um grupo de amigos, famílias, professores. Apesar de algumas reações homofóbicas e bastantes deceções, acaba por conseguir levar a sua relação a sério e viver sem se martirizarem com o que os outros poderão pensar. É mais difícil do que se pensa perceber quem somos, mostra-nos Nick. E é verdade.
Temos uma visão de uma sociedade onde a inclusão pode existir se nos esforçarmos: é possível respeitar a comunidade LGTBQ+, é possível ajudar alguém com uma doença mental, é possível sermos quem somos só por respeitarmos os que nos rodeiam.
Acabo por entender porque o livro 1 foi incluído no nosso Plano Nacional de Leitura. Há muito mais do que a vista alcança na adolescência e esta série é escrita pelos olhos do adolescente, das suas vivências, dos seus medos, das suas relações, das suas reações.
Gostei e recomendo. Lê-se de uma assentada só e acaba por ensinar algo.

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Victoria Hislop traz-nos a continuação de "A Ilha" com este seu recente "Uma noite de Agosto". Centra-se, mais uma vez, nas personagens centrais da sua última obra: Anna, Manolis, Maria e personagens alargadas: Nikos, Andreas, Giorgios, por exemplo.
A ilha de Spinalonga acaba de perder os seus habitantes, aí enviados, não para morrer, mas para viver com a lepra. A cura foi descoberta, as pessoas exiladas recuperaram e voltaram às suas terras natal. Alguns com marcas, outros sem nada que denuncie a condição curada mas todos o estigma.
A lepra não é uma epidemia, nem uma praga bíblica e pode estar dormente durante décadas. Erradicada na Europa e países desenvolvidos, é ainda muito frequente em países mais pobres e subdesenvolvidos, onde ainda grassa a vergonha e toda a ostracização associada, o que impede o rápido e correto acesso ao medicamentos que, de facto, curam.
Maria, curada, regressa à sua aldeia, Plaka, de onde se vê a ilha onde esteve exilada, deveria estar agora pronta para retomar a sua vida, ao lado do médico que a salvou. Mas, quis um crime passional ditar-lhe uma mudança radical na sua vida e ela terá de se adaptar e tomar uma decisão muito difícil.
Manolis, amante da sua irmã, sai de Creta e recupera do seu coração partido no continente, antes de embarcar de vez e para sempre, para a Austrália, onde já vive uma grande comunidade grega.
De vivências da ocupação nazi, às anteriores invasões otomanas, à lepra, temos uma panóplia de temas que são abordados de forma humana e quase palpável. Porque as memórias ainda vivem.
Uma escritora notável. Recomendo.

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"Estavas linda, Inês, posta em sossego..."
Poucas serão as pessoas que não conhecem a história de amor de Inês e Pedro, em terras de Coimbra, os namoros e beijos na Fonte das Lágrimas, as suas gotas de sangue, a vingança terrível de D. Pedro contra os assassinos de Inês, a rainha que foi Inês depois de morta.
Isabel Stilwell traz-nos uma visão mais completa de Inês: a mulher bela que foi espia, amante (barregã) e rainha. A sua história está intrinsecamente ligada à de Pedro de Portugal e os pormenores das suas vidas esculpidos no túmulo de D. Pedro, no Mosteiro de Alcobaça onde encontrava refúgio e aconselhamento (e compreensão) devido à sua perturbação da comunicação, uma vez que D. Pedro tinha gaguez.
Romance histórico de extrema qualidade, com aquele sentimento de pertença, em especial para quem vive na zona de Coimbra. Inês, a galega que é tão portuguesa e tão trágica, Inês, a protagonista de uma historia de amor que não deveria ter terminado de forma tão cruel... A roda da fortuna não para de girar...

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"Luís Vaz faz do verbo amar o seu verbo maior".
A vida de Camões, mais do que a sua obra, aos olhos das mulheres que o amaram com toda a profundeza das suas almas: da sua mãe de leite até à Condessa de Linhares.
Luís Vaz, que tantas arrelias e preocupações, deu à sua mãe, Ana de Sá, desde miúdo, passando pelos seus tempos na Universidade de Coimbra, o seu tempo de soldado em Ceuta (onde foi ferido no olho, acabando por perdê-lo), à sua viagem para a Índia, à escrita apaixonada da sua epopeia e ao seu regresso a Lisboa.
Luís Vaz, cheio de amor sem saber bem o que era o amor, para si, algo plural, pois o seu amor maior seria a Pátria, que se finou no mesmo tempo que o Poeta.
Luís Vaz, que desde tenra idade, sabia que iria escrever uma epopeia, uma que estaria na mesma prateleira que a Ilíada e, ao longo de tantos anos, foi compondo os cantos, em versos decassilábicos, salvando os cantos que já conseguira escrever na Índia do naufrágio onde perdeu Dinamene, um grande amor.
Luís Vaz que conseguiu "levar à estampa" a sua obra e que, apesar dos elogios, não foi arrebatada por D. Sebastião, aquele rei tão desejado e que tanto perigou o país ao recusar matrimónio e descendência, e apenas ficou a receber uma vença mínima em comparação com outros do Reino.
Luís Vaz, que tanto amou e tanto foi amado, morreu por causa da peste, tendo ao seu lado a sua mãe adotiva, o seu criado jau, o velho Chiado (poeta vagabundo e citadino) e D. Manuel de Bragança, que lhe deu o lençol onde foi embrulhado a sepultar, sem que por ele dobrassem os sinos, numa sepultura destinada às vítimas da peste, pobre e esquecido. A sua morte coincide com a perda do Reino para D. Filipe II, rei de Espanha, a malfadada e desgraçada campanha militar em Alcácer-Quibir onde se perderam o rei reinante e os possíveis herdeiros, a morte do cardeal D. Henrique antes de dispensa papal para contrair matrimónio e assegurar descendência, com "Os Lusíadas" impressos mas pouco divulgados, apesar de já estarem em Espanha e Itália.
A 10 de junho morre o Poeta. E o seu verdadeiro valor, como em quase tudo, surge depois da sua morte. Hoje, volvidos mais de 500 anos, o Poeta, seguramente, estará feliz e saberá que a sua epopeia é a nossa grande obra e é leitura obrigatória e faz parte dos programas escolares nacionais. A sua epopeia e a sua lírica, apaixonada, ardente, única.
"Até que o amor me mate", de Maria João Lopo de Carvalho, é leitura obrigatória para quem quiser saber mais deste nosso bon-vivant que tinha tanto amor para dar e tanto para versar.

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Em torno de enredos secretos e confissões ainda mais secretas, a trama é em torno do que achamos que conhecemos da Bíblia ou da vida de Cristo. Toca em achados reais como os pergaminhos do Mar Morto em Quram ou as ossadas que datam do século I, em Jerusalém ou até a procura do local exato do nascimento de Cristo, ali a roçar os episódios de "Expedition Unknown" do Travel Chanel.
É um livro de consumo imediato sem nos trazer nada de novo, na minha opinião. Intrigas, segredos, pouco desenvolvimento em torno do que é historicamente comprovável, muito confuso entre capítulos pois há uma série imensa de ações a decorrer ao mesmo tempo com diversas personagens, em espaços diferentes. Perdemo-nos um pouco a saltitar entre elas e obriga-nos quase a ir atrás, bem lá atrás, rever o que andou aquela personagem a fazer. Este saltitar de ação em ação baralha e é algo cansativo. No entanto, lê-se bem e dá vontade de continuar a ler. Sem spoilers, obviamente que não se espere um closure total sobre os assuntos abordados e não se espere que termina tudo em finais felizes.
É o indicado para ler na praia ou na piscina ou para desanuviar do stress do dia a dia. Não apaixona.

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