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Leituras para 2021 - livro 14 - "Contos"

por t2para4, em 07.08.21

"Contos" de Eça de Queirós traz-nos aquela escrita queirosiana em 18 textos, tão sagaz, tão sarcástica em alguns pontos, tão queirosiana porque se percebe logo quem escreve.
Esta compilação de contos aborda temas que vão desde a crítica social, claro, ou não foi o nosso Eça, a religião, a Coimbra, à sua universidade e até à Questão Coimbrã, a estórias criadas e começadas com "Era uma vez...". Faz parte do Plano Nacional de Leitura e é abordado no 9º ano nas escolas portuguesas.
Ler Eça é sempre benéfico, mesmo que nos macemos um pouco nas suas descrições. É benéfico porque nos chama a atenção para valores, para comportamentos, para a sociedade que, de então até agora, em alguns aspetos, pouco mudou.

 

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publicado às 12:56

O livro "A Pérola", de John Steinbeck, parte integrante do plano de leitura obrigatória nas escolas portuguesas, no 9º ano, é inspirado numa história mexicana de um casal índio que tem um filho que fora picado por um escorpião e faz tudo para conseguir cura-lo. Depois de muitas preces "a Deyus e aos deuses", o casal encontra uma pérola extremamente valiosa, mas que só lhes vai trará desgraças e desventuras.

E arrisco a dizer que a moral terá muito a ver com a ganância humana, a desventura atroz pelo outro, o desrespeito pelo outro mas também o amor avassalador pela família.

 

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publicado às 18:32

No original, "No place like home" de Mary Higgins Clark, é um filme de suspense, um thriller não unicamente policial, em versão livro, o que é muito melhor pois não dá para parar de ler, à medida que a trama se adensa e as personagens parecem estar todas interligadas, de alguma maneira, e a nossa imaginação é muito mais rica.
Esta é a história de Liza Barton, agora Celia Noran, a criança que acidentalmente matou a mãe ao defendê-la do padrasto violento. 24 anos depois, ilibada, é uma jovem com um filho que adora, casada em segundas núpcias, cujo mundo perfeito começa a desmoronar-se no dia em que o marido lhe oferece uma casa: a mesma casa onde o fatal acidente da sua infância ocorrera. E, como qualquer thriller que se preze, Celia/Liza será suspeita dos homicídios que por ali ocorrem, em 3 que é a base da suspeita celta de que todo o mal vem em 3.
Um livro que se lê de uma rajada porque não se consegue aguentar o suspense sem saber o que vai acontecer a seguir.
Uma ótima leitura de férias.

 

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publicado às 13:12

"Toda a arte é completamente inútil" (Oscar Wilde) não era certamente o que Dorian Gray tinha em mente ao posar para Hallway naquele que viria a ser o retrato mais intrigante, belo, apaixonante e quase mágico da sua vida. Num acesso, desejou ardentemente que nunca ele envelhecesse e pudesse ser a tela, o seu retrato a fazê-lo... E, sem cuidado pelo que se desejara porque poderia vir a tornar-se realidade, Dorian Gray ficou a conhecer-se até à medula através do quadro que tanto o cativava quanto o desejava oculto de outros, escondido no seu sótão.
Dorian Gray evolui, cresce, deixa de ser aquele modelo tímido, quase virginal para se revelar um ser humano terrível, sádico, incumpridor das regras e da moral do final do século XIX. Ficamos na dúvida em relação à sua própria sexualidade, embora não haja nada escrito explicitamente.
Dorian Gray não se separará do seu retrato. E este revelar-lhe-à quem verdadeiramente é, mesmo no final.

Gostei da obra, lê-se avidamente e transporta-nos para um filme de alguns anos, "Liga de Cavalheiros Extraordinários", imagem de um Dorian Gray que mantive ao longo da minha leitura, mesmo já sabendo o seu desfecho. A ler, pelo menos, uma vez na vida.

 

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publicado às 20:39

Corria o ano de 1989 e eu decidi que iria começar a ler uma coleção. E foi. E hoje, mais de 30 anos depois, tenho a coleção completa e leio sempre o mais recente.

O grupo, Pedro, Chico, João, gémeas Teresa e Luísa e os cães, claro, foram trabalhar como voluntários na recuperação de um teatro numa aldeia do interior, perto da fronteira, onde conhecem Abel (cujo avô mandou construir e depois recuperar o teatro), Constantino (que lhes conta histórias antigas e intrigantes) e José Silvino (um estranho simpático, todo despachado e solícito). Descobrem coisas estranhas na remodelação e acham que podia haver crime antigo embora o criminoso de carne e osso e não de ficção ande bem perto deles.
Uma aventura que envolve planos de assalto a um banco, uma casa maldita, um rio seco, cabanas com relíquias e umas ruínas inexplicáveis.
Nunca desilude. E lê-se de uma assentada (nós, pelo menos).

 

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publicado às 20:33

"Se há tantas cabeças quantas são as maneiras de pensar, há de haver tantos tipos de amor quantos são os corações.“

A obra "Anna Karenina" de Leo Tolstói decorre em torno de um grupo de personagens da aristocracia russa, ligadas entre si por relações de parentesco. O tema é, sem dúvida o amor. O amor entre esposos, o amor da esposa pelo esposo infiel, o amor do esposo infiel pelas suas infidelidades, o amor extra-conjugal, o amor pela família, o amor entre duas pessoas. E é graças a esse amor que se vão vivendo venturas e desventuras e se aborda o divórcio que não chega, o perdão que é dado, os partos difíceis (finais do século XIX), as relações pessoais com a religião e a política.
O romance está dividido em oito partes, cada com cerca de 30 capítulos. Apesar da extensão, é uma obra que se lê notavelmente bem, de forma fluida e sem grandes floreados vocabulares ou lexicais ou sintáticos. Desenganemo-nos se pensamos que a obra é na sua íntegra dedicada a Anna Karenina. O foco na personagem é em crescendo mas a trama decorre em torno de outras famílias também, geralmente organizada por capítulos em cada parte.
Era uma leitura que almejava fazer há algum tempo. E gostei.

 

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publicado às 11:40

"Madrinhas de Guerra" de Marta Martins Silva catapulta-nos, na forma escrita de cartas, areogramas ou telegramas e até postais, para a época da Guerra do Ultramar. A autora dá-nos a devida contextualização histórica do fenómeno "madrinhas de guerra" e da sua importância. E, como em tudo na vida, temos a versão politizada e quase colada ao regime e temos a versão mais livre, sem amarras que se descolava e não precisava do Movimento Nacional Feminino para se alcançar o seu objetivo primário: correspondência com soldados portugueses em comissão (mínima de dois anos) nas (agora ex-) colónias, em especial Angola, Moçambique e Guiné.


O tema fulcral é a correspondência entre soldados e madrinhas, como ocorre, como decorre, como termina. Há algumas que não dão em nada, outras que acabam quando o soldado regressa à metrópole e daí volta à sua terra natal, outras que dão em casamento.
É uma obra muito interessante, com pedaços concretos de parte da nossa História recente, que mostram um lado menos negro (e real) de uma guerra absurda.


Algumas surpresas pessoais: se a correspondência passasse pelo MNF e alguns corredores governamentais, era quase toda gratuita; a taxa de alfabetização nas raparigas acabou por crescer um pouquinho graças a este fenómeno; Portugal ainda tinha uma mentalidade muito fechada para a época (não esquecer que foi nos anos 50, 60 e 70 que se deu um boom cultural, musical e social noutros países); as comissões no Ultramar eram maiores do que imaginara.
Recomendo a leitura. Achei muito interessante.

 

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publicado às 16:41

Conheci Bruno Viera Amaral, em 2019, na Fnac de Coimbra. Conversámos (uma conversa sobre recibos verdes, impostos ao Estado e despesas de ATL) enquanto vigiávamos os nossos filhos no lançamento de um livro. Fez-me perceber, com muito agrado, que os escritores não são todos seres inalcançáveis.
Esta foi a primeira obra que li (não será seguramente a última) e fui logo arrebatada pela escrita cuidada, muito visual (que um cérebro como o meu agradece) e com um excelente uso das palavras, uma escrita crua.
"As primeiras coisas" são aquelas pequenas coisas que englobam personagens, situações e locais num "Bairro Amélia". Ficção ou realidade? Ficção E realidade. Aliás, realidades, no plural. Não só ali naquele bairro da Margem Sul - multicultural, onde o peso das palavras "retornados", "pretos", "ciganos", "velhos", "putas" não é o mesmo de hoje - mas um bocadinho por todo o Portugal pré-euro. Em todos os recantos do país há uma história de alguém que desmancha gravidezes sem ninguém saber mas todos sabem, de um desgraçado que vende atoalhados e eletrodomésticos a prestações numa carrinha e se vê aflito para reaver a totalidade do dinheiro, de um retornado com histórias (quiçá agruras) para contar, de alguém que vive numa barraca, de alguém que tem um Mercedes vermelho reluzente, de um dono de café com copos limpos a panos sebentos e escapadelas com a empregada ambiciosa no armazém, etc. É um mix muito à portuguesa dentro de um local português mas não só. A leitura vai-nos mostrando essas realidades: a dos escudos, a das barracas proibidas depois para dar lugar à ocupação de casas (concluídas ou não), a das drogas, do gangster lá do bairro, da merda de cão em todo o lado, da junção de culturas/credos/raças, por exemplo.
Não tenho uma personagem preferida mas gostei de ler Abel, o que fala crioulo com pedaços de português e inglês e muito latim. Não é qualquer um que fala latim e sabe mesmo o que significam aquelas palavras que dizem numa língua morta. Gostei de ler sobre o fantasma Manuel Morais, um pé cá e um pé lá, nas Áfricas onde tantos portugueses estavam. Gostei de ler sobre outros que vão ficando na memória.
Em última instância, é disso que se trata: não esquecer os vivos e não deixar esquecer os mortos, ao jeito de memórias, na visão, às vezes confusa, do narrador. O "Bairro Amélia" que podem ser tantos outros bairros.
Portanto, leitura recomendada, sem dúvida.

 

Pode ser uma imagem de livro

 

 

 

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publicado às 13:16

"Quando Lisboa tremeu", de Domingos Amaral, foi um livro que namorei algum tempo até finalmente o comprar. Não desilude mas também não é arrebatador, apesar da sua leitura fluida, seguida e sem dificuldades.

Antes mesmo de começar a ler, eu já tinha decidido que iria abordá-lo pelos cataclismos que ocorreram em Lisboa, naquela manhã de 1 de novembro de 1755. E, para minha surpresa, é assim que o livro está organizado: terra, água, fogo, ar.
Lisboa foi fortemente abalada por um terramoto, fortíssimo nas escalas que avaliam essa intensidade, seguido de um maremoto, depois incêndios e depois o evitar a todo o custo de pestilências e doenças. É do conhecimento basilar até no 1º ciclo do ensino básico, em especial, em altura da iniciativa "A Terra treme", portanto, até as crianças sabem o que se passou. E que pode voltar a passar-se.

 

A catástrofe ocorrida é vivida, de forma diferente, por várias personagens e narrada por uma única, ao estilo memórias. Temos então, uma freira condenada pela Inquisição que se torna fugitiva graças ao abalo, um comerciante inglês, um rapaz que busca salvar a sua irmã gémea e um pirata português, renegado, abandonado e esquecido pelo reino, também fugitivo. É ele quem nos relata o que se passa com todas estas personagens que se cruzam e entrecruzam e vivem momentos juntos. No final, há um plot twist muito interessante.
Desiluda-se quem busca saber mais sobre o Marquês de Pombal, na altura ainda sem este título, portanto, Ministro dos Negócios Estrangeiros do rei D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo. Obviamente que aparece e mostra logo que tem poder e vontade e inteligência para reerguer Lisboa (se dependesse unicamente do rei, ainda hoje teríamos escombros...) mas não é um livro sobre a sua vida e obra, em especial, sobre o que fez para reconstruir Lisboa. É um livro sobre pessoas comuns da altura, com falas comuns (ao género regionalismo), com referência a criminosos e escravos, aios e criados, povo e bandidos, frades e freiras. Para ser lido à luz dos olhos daquela época.

A maior desilusão, apesar das revisões e de eu possuir uma 15ª edição, são erros gramaticais graves, como, por exemplo, "há medida que íamos partilhando..."


Qualquer semelhança com os relatos que nos chegaram daquela época, é propositada. E, sim, custa imaginar o Terreiro do Paço inundado até ao Rossio, o Bairro Alto num monte de ruínas, a Alfandega desaparecida. Mas, sim, recuperaram e o resto já nós sabemos e é verdadeiramente História.

 

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publicado às 14:23

"Os Bichos", Miguel Torga. Leitura obrigatória - ou, pelo menos, alguns dos contos. Leu-se em menos de um dia. Optei por lê-lo agora para melhor ajudar as piolhas na escola.

Ora, como o nome indica, são 14 pequenos contos, daqueles que se leem de uma assentada só, com mais menos referências bíblicas, com mais ou menos uso de linguagem vernacular (há um "cabrão" e uma referência indecorosa ao peso dos cornos devido a uma traição), com mais ou menos vocabulário de difícil compreensão que pode até requerer o auxílio de um dicionário.
Todos os contos têm nomes próprios que poderão ser dos próprios bichos, como Vicente (o conto de estudo cá em casa, de momento), ou de humanos que se comportam - quase viram mesmo - bichos, como Madalena ou o senhor Nicolau.


Já muito se falou e interpretou a obra, o contexto histórico, o significado. O que importa, no fundo, é o que nos faz sentir. E eu acho que, para uma obra escrita na altura do Estado Novo, na década de 40 ou 50, é bastante adequada à realidade atual; em algumas passagens, a descrição da paisagem do interior dos anos 40 do século XX é quase igual ao que vemos nos anos 20 do século XXI; o instinto animal está presente, no bicho per se ou no humano-bicho.


O facto de ser uma compilação de contos, com um tema comum a todos, torna o livro mais apelativo. Não é difícil de perceber os finais de cada conto, pode é ser um pouco mais complicado perceber o que significam esses finais - e alguns dos nossos alunos ainda não terão essa maturidade - nem essa experiência ou perceção.

 

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publicado às 23:22

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