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A ignorância, ai, a ignorância...

por t2para4, em 24.05.18

Ora, antes de eu contextualizar o que me leva a escrever, vamos a umas definiçõezitas básicas, assim, coisa pouca e leve.

 

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 Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitas pessoas de uma ignorância atroz no que respeita ao autismo."

 

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Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitos locais de uma incompetência atroz no que concerne às deficiências, em especial, as neurológicas, como o autismo."

 

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Por exemplo, numa frase: "Choca-me a inércia de algumas pessoas em relação à forma como os seus filhos, que podem ou não ter autismo, são tratados."

 

 

Ora, depois destas breves considerações, vamos a pontos-chave na compreensão destes vocábulos:

- o mal do mundo não é o autismo, lamento desiludir os iluminados que acham que é bonito e prático utilizar esta palavra para caracterizar e desculpabilizar uma série de coisas. Há que ter um certo cuidado e brio na utilização das palavras. E do que significam. Por exemplo, eu sei que sou alta e sou alta; por que é que as pessoas estúpidas e burras não têm essa noção, de que são estúpidas e burras?

 

- autismo e violência estão tão relacionados um com o outro como crianças e violência. Não perceberam? Eu explico: miúdos neutotípicos (rótulo para crianças ditas normais, ou pensavam que eram só os nossos a ter rótulos?), de vez em quando, independentemente do seu berço e educação, podem pegar-se ou mandar umas bocas, certo? Reprovável ou não, ninguém vem a correr dizer "sabe, ele é assim porque é neurotípico, desculpe-o lá". Se não acham isto normal por que raio acham normalíssimo associar autismo a atos de violência? 

 

- o autismo é uma desordem neurológica que tem de ser médica e clinicamente comprovada e diagnosticada. A vizinha do lado ou a professora não são experts nesse assunto - a menos que lhes toque. Justificar o nariz vermelho do Rudolfo, os sapatos de rúbi da Dorothy ou a fome do Scooby Doo como sinais de autismo é como eu dizer que o Bruno de Carvalho é neurotípico porque tem dois braços e duas pernas. Além disso, continuo a não ver a relação entre autismo e violência.

 

- as moscas têm asas; os morcegos têm asas; logo, os morcegos são insetos. Bela falácia, hein? Ora, então, se o autismo gera violência, todos os que são violentos são autistas. Puxa, afinal os americanos tinham razão e estamos perante uma pandemia! Na volta, ainda sofremos com outro dilúvio para limpar o mundo. 

 

- aceitar que uma tal justificação possa pegar sem que contestemos e nos indignemos é pior que inércia, é compactuar. Não ando - eu e tantos ainda mais que eu - há uma data de anos a batalhar para a aceitação da diferença, a consciencializar, a explicar como são as coisas para virem pasquins, políticos acéfalos, pais sem a noção de parentalidade ou escolas sem a noção de inclusão estragar todo um caminho árduo que tem vindo a ser desbravado! E não falo só de autismo!

 

 

 

Gente ignorante, inútil, falsa, incompetente e hipócrita ide-vos fecundar mas sem vos procriardes que mal já vai o mundo e a geração seguinte não tem culpa nenhuma. Lede sem a ironia que grassa pelo texto e interiorizai sem o sarcasmo que o caracteriza.

 

 

A nossa vida -  a vida de pessoas com autismo e os seus familiares - já é suficientemente complicada sem que precisemos de - ainda - nos preocuparmos com a estupidez e ignorância alheia. Deixem-se de casas de degredos e reality shows decrépitos e estudem, leiam, cultivem um espírito. Não há nada pior nem mais perigoso que gente acéfala ignorante. É o pasto ideal para a carneirada. E eu, lamento, não faço parte da carneirada. Nem as minhas filhas. Já no outro dia o disse: não me ponham à prova senão até o diabo aprende coisas novas. 

 

 

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publicado às 13:11

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