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Chega esta semana ao fim o remendo possível, a solução encontrada e longe de ser a ideal mas, de novo, a solução possível, do ensino à distância, 13 semanas depois. Um período completo ao longe mas com os professores por perto, a fazer o necessário para que os alunos não fizessem apenas mas, algures no processo, também aprendessem.
Aqui, além desse esforço do fazer mas também aprender alguma coisa, do verificar se o apoio de educação especial estaria a resultar, foram 13 semanas de absoluta paz, 13 semanas sem um único episódio de bullying e, por mais incrível que pareça, 13 semanas sem um único de cyberbullying (algo que começou logo no verão passado, ainda as aulas não tinham começado, mal saiu a relação de turmas).

Numa das suas muitas fichas de autoavaliação, uma das piolhas queria escrever "gosto mais destas aulas do que na escola". Não deixei que escrevesse. Doeu-me um pouco o coração ao ler aquilo. Tanto que daqui se pode interpretar... E não venham com a tradicional atribuição de culpas à mãe porque vai já com os cães! Quantos de nós, apesar dos horários mais esticados, não descobriram que o teletrabalho pode ser uma pequena maravilha porque não há deslocações, não temos que aturar um mau ambiente, não precisamos de lidar com colegas parvos?
Foi um ano atípico desde o início e que ficou ainda pior quando só faltavam 3 meses para terminarmos. Houve muitas muitas mudanças: de escola, de ciclo, de colegas, de professores, de quantidade de disciplinas, de abordagens aos conteúdos, de pedidos de trabalho e, quando se pensava que não poderia ser pior, ainda veio uma pandemia...

A escola - a nossa escola - sempre colaborou connosco na tentativa de minimizar problemas, de resolver os episódios de bullying, de conversarmos sobre estratégias, etc. Fizemos tanto. Houve momentos de interregno e pensávamos "ok, o pior já passou, vai melhorar". Foi um choque para nós - para elas mesmas - passar das coqueluches da turma, da escola, onde toda a gente as mimava e acarinhava para as apontadas a dedo, sem percebermos muito bem o que raio se passou nesta transição. No entanto, tenhamos em mente que esta é apenas uma de muitas questões sociais do autismo no feminino e que já aqui partilhei algumas vezes.

O ensino à distância não foi o ideal e não é a solução perfeita mas foi o que se pôde arranjar à pressa, apesar das milhentas críticas que já li ao longo destas 13 semanas. O engraçado é que não li nem uma única proposta de solução além da "enfiem-se os miúdos todos dentro da escola de novo". Não vou tecer comentários sobre esta dinâmica online, muito já se falou sobre isso. Não é o ideal, ponto assente; é o que se pode arranjar num instante. Sobre o próximo ano letivo, suposições há muitas, certezas nem por isso, portanto, temos que aguardar, ainda nem sequer saíram os respetivos despachos.

Mas, de novo, para nós, para as piolhas, foi a calma necessária para que pudessem sentir-se elas mesmas novamente. Foi a aprendizagem paralela de gestão de tempo e conteúdos, de autonomia, de literacia digital, de interpretação até da personalidade de alguns professores mediante as respostas dadas às suas perguntas. Foi paz e sossego, no verdadeiro significado da palavra. Foi trabalharem sem batota (porque eu não posso nem é correto fazer os trabalhos por elas, não sou eu a aluna. Supervisionar e ajudar, sim, fazer não). Foi sentir um orgulho imenso quando chegavam à 5ª feira e já tinham os trabalhos da semana todos concluídos. Foi conviver com os colegas à distância sem um único ataque, sem uma única boca foleira, sem um único foco de gozo, sem uma única forma de insulto.

E a questão social?, podem perguntar-me. Tendo em consideração que desde que as piolhas frequentam a escola - desde os 2 anos - que, todos os verões, por mais ou menos 3 meses, o contacto com os colegas é zero (não por falha da parte delas), eu acho que elas sobrevivem bem a este contratempo escolar e a questão social é a última das minhas preocupações neste momento.

O texto já vai longo e eu quero apenas rematar: foi um ano extremamente longo, exaustivo, cansativo, trabalhoso, atípico, difícil. Mas foi um ano de aprendizagens profundas, de viragem na história - social, pessoal, escolar, académica. Porque a nova realidade já foi alterada. Já temos muitas coisas que estão a ser feitas de forma diferente e que assim continuarão. Nada ficou igual ao que era antes.
E, de alguma forma, conseguimos sobreviver a isso. Não foi da forma ideal mas da forma possível.
E, assim mesmo, de repente, chegámos ao 8º ano. Estamos todos de parabéns.

 

 
 
 
 
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publicado às 09:07

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2 comentários

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De uma senhora enfadada a 24.06.2020 às 08:17

Uma solução que contemple o ensino presencial e à distância, para Setembro, tem sido alvitrada pelo ME. 
Mas comportaria despesas de milhões para apoio aos alunos que não podem dar resposta... vamos ver.
São poucos os casos em que tem resultado. Pelo próprio feedback dos alunos, em casa estão mais distraídos, têm mais dificuldades em esclarecer dúvidas e realizar tarefas.
E o impacto que tem num lar é imenso... cá em casa chegamos a ser  três ao computador em sessões síncronas. Vá lá que há computadores... mas a net falha imenso.
A única vantagem da distância, para mim, é precisamente não existir indisciplina. Gostaria de um modelo misto, mas a parte presencial é sempre necessária. 
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De t2para4 a 24.06.2020 às 14:47

Sim, eu já percebi que, talvez, à partida, haja um modelo misto. Ainda assim, vou aguardar pelos despachos normativos e circulares para termos a certeza absoluta. Na página do FB fiquei surpreendida com a quantidade de comentários de progenitores que confessavam o mesmo, que os seus filhos, de uma forma ou de outra, acabaram por preferir e ter mais sucesso a nível de trabalho concreto com este modelo. E muitos falam do mesmo que eu:o bullying passou... 
As condições para este modelo são o mais dificil... nós também tivemos que fazer ajustes (adquirimos phones, uma powerline) e desenrascar com os computadores que tínhamos, não são o ideal mas são uma ferramenta de trabalho, neste momento...
Não sei, vamos ver... Concordo com a necessidade e importância da parte física. Vamos ver como decorre tudo isto. Até setembro, ainda muito pode acontecer...

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