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04/04/2023
4*
Um clássico da literatura: Bram Stoker e o seu "Dracula" - o original, o inspirado em Vlad, o Empalador - figura histórica real-, lá dos estes europeus, sanguinário qb e temido por amigos e inimigos.
A obra é um conjunto de correspondência (telegramas e cartas) e diários, por parte de várias personagens. É através delas que conhecemos o Conde Drácula com as suas características vampirescas: cabelo negro de azeviche, palidez mortal, bigode (sim, o Drácula de Bram Stoker tinha um bigode), os dentes caninos afiados e destacados, os dedos longos e esguios com unhas pontiagudas, a magreza altiva, a incapacidade de viver durante o dia, o dormir e recuperar dentro de um caixão com terra do local onde tem o seu castelo, o morder pescoços para recuperar (e alimentar-se), o não ter reflexo no espelho, a sua força sobre-humana, a capacidade de criar nevoeiro e controlar o estado do tempo ao seu redor, o controlo da mente de quem já mordeu e, last but not least, o transformar-se em morcego.
A narrativa é toda em torno da caça a esta criatura que, depois de tiranizar pelo medo o povo em redor do seu castelo, decide vir a Londres. Não corre bem pois o seu plano é logo descoberto e os autores da correspondência pedem ajuda a um médico importante e ilustre na sua área, Van Helsing. Sim, Van Helsing. É através da sua escrita que vamos conhecendo profundamente o Conde Drácula e como o aniquilar, que vamos sabendo como lidar com vampiros e como atenuar a sua força e poder: alho (em flor ou dentes) e a Sagrada Hóstia, entre outras (cruz, água benta).
O intento do grupo é alcançado e o mundo acaba por ficar livre do vampiro, pois todas as suas influências, desvanecem depois da sua morte. Drácula desfaz-se em pó, depois de levar com uma estaca no coração e ser decapitado. E com ele desfaz-se a sua magia - Mina (sim, Mina - não a amante hollywoodesca do conde mas a esposa de Jonathan Harker, o advogado que priva com o Conde e através de quem vivemos toda esta aventura) sobrevive e não chega a tornar-se vampira, escapando, assim, à morte.
A magia desfaz-se mas nunca a sua presença no imaginário de todos nós. Ironicamente, obras à parte, Drácula vive e todos nós temos uma pequena paixão secreta pelo vilão demoníaco.
Senti-me de regresso ao meu curso de literatura. Gostei de ler, apesar de ter sentido alguns momentos de monotonia. Vale a pena ler esta obra, pelo menos, uma vez na vida.
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