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23/04/2023
5*
"O Rouxinol", nome da família e nome de código; sinónimo de resistência no feminino e de sobrevivência. Baseado em factos reais, com ficção à mistura, é difícil saber onde se envolvem e se eventualmente se separaram, tal é a profundidade do principal tema em destaque: a Resistência na Segunda Guerra Mundial.
Pétain, militar alta patente condecorada e herói de guerra, rende-se (e rende a França) à Alemanha nazi. Incrédulos, os franceses organizam-se e resistem. Homens e mulheres lutam por uma França livre e recusam render-se. De Gaulle toma as rédeas e a História prossegue.
Isabelle e Vianne são irmãs e não se dão muito bem... O passado imiscui-se e é difícil lidar com temperamentos tão diferentes. Mas, à medida que a Guerra evolui e os nazi se tornam cada vez mais cruéis e lemos, entre lágrimas (eu confesso que não consegui evitar e tive mesmo de parar de ler por um pouco), os passos tomados em direção a uma solução final, as irmãs descobrem coragem e forças e resistem. Uma salva milhares de pilotos e soldados dos Aliados através de uma rota de fuga que envolve a travessia dos Pirineus em direção a Espanha, é presa e torturada e enviada para Ravensburg (campo de concentração feminino e um dos últimos a ser libertado pelo Exército Vermelho); a outra tem de saber lidar com altas patentes do exército alemão na sua casa, violência, fome, doença, uma saudade avassaladora do seu marido prisioneiro de guerra e como enfrentar filas de racionamento e ainda salvar crianças judias cujos pais foram nos comboios para campos na Alemanha. Ambas enfrentam o que de mais negro, cruel e demoníaco a humanidade tem e sobrevivem.
Resistência e sobrevivência, no feminino, são definitivamente as palavras-chave da obra.
É uma leitura pesada, dolorosa, emocionante e muito real. Porque sabemos que o que estamos a ler aconteceu na realidade. Ainda que possamos ter outros nomes que não Isabelle ou Vianne, a verdade é que esta é uma narrativa real. E dói. Mesmo quase 80 anos depois do final da Guerra.
Não podemos mudar o mundo mas podemos evitar que a História se repita. Recomendo a leitura. E um coração preparado para tudo. Tudo mesmo.

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