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Tecnologia q.b.

por t2para4, em 04.07.18

As piolhas têm acesso ao que a maioria dos nossos jovens também tem acesso. Sabem usar com destreza e qualidade um computador, um tablet, um telemóvel. Mas tudo com conta, peso e medida e, acima de tudo, regras.

Isto a propósito de alguns dos comentários que fui deixando no Facebook.

A tecnologia, em especial no computador ou tablets, ajudaram imenso as piolhas. Mas fomos nós que selecionámos o que usar e como usar. Com o acesso ao telemóvel e ao sistema de escrita inteligente, as piolhas passaram a ter mais atenção ao que escreviam e com escreviam. Notei que melhoraram o discurso escrito e o uso de alguns vocábulos. Sempre vinquei a importância de escrever sem erros, mesmo num sms.

Mas, mais uma vez, o acesso cá em casa é feito com conta, peso e medida e, acima de tudo, regras.

 

Tablet

Usávamos como distrator em viagens grandes, de auto-estrada, mas este ano já acabámos com isso. Não há mais tablets a sair de casa (à exceção de quando estão à espera uma da outra pela aula de bateria - só há uma bateria na escola).

Há um horário estabelecido por nós - e já é bem esticado - para o seu uso: depois do pequeno-almoço até às 9h e ao final da tarde entre as 18h30 e as 20h. Raras vezes há exceções para o seu uso entre estas duas hipóteses.

Como estamos em casa, no tablet há as apps que mais utilizam (maioritariamente jogos em rede - os nicks são nicks e não os nomes, obviamente -, jogos de bateria, My Town, etc.). A câmara do tablet está tapada com um pouco de fita-cola negra para evitar hackings por imagem e não têm acesso à conta que gere as apps (logo, é impossível fazerem compras, por exemplo).

As regras são bem definidas sob pena de ficarem sem o tablet: nada de apps a pagar, nada de compras em jogos, nada de cartões de jogos, nada de fotos delas, nada de dados delas.

 

Telemóvel

Ambas têm um smartphone de 2010, pequeno e maneirinho, mas com uma série de limitações que provocámos: dados móveis barrados na rede pela operadora (basta ligar a pedir), nada de apps, nada de bluetooth, lista de contactos apenas com os números uma da outra/mãe/pai, só é usado durante o dia de escola e está desligado durante as aulas, está desligado e à parte em casa desde que chegam até à manhã do dia seguinte, tarifário livre (basta um carregamento de 6 em 6 meses para manter o número). O único extra é poderem tirar fotos. Fora disso, é um telemóvel no verdadeiro significado da palavra: ligam, atendem chamadas, enviam e recebem sms.

 

Computador

Para além de usarem como ferramenta de trabalho para a escola ou de lazer com o Paint, é uma espécie de tablet com teclado físico e um rato. Costumam usar para navegar na net ou para jogar. Tal como o tablet, a câmara está tapada com fita-cola negra (todos os nossos computadores estão). Têm emails configurados do nosso servidor para uso escolar apenas.

 

Redes sociais

Não têm. A única exceção - e que é totalmente controlada por nós - é o YouTube. Criámos um canal - do qual não vou fazer publicidade nem divulgação - para que possam publicar os vídeos que vão fazendo. Que vídeos são? Coisas delas como brincadeiras com as barbies ou com os póneis onde inventam histórias tipo filme, gravações do que fazem no tablet ou no pc. 

Há regras de ouro que nunca podem ser violadas: não podem mostrar-se. Todos os vídeos onde se diga o nome delas ou elas apareçam, não são publicados, guardamos para nós, nos nossos discos. Os vídeos que publicamos só têm a voz - em inglês ou português- mas as imagens são das mãos ou dos ecrãs ou das bonecas ou dos póneis.   

 

As piolhas não são diferentes dos pares nesta fase e já perguntaram quando podem ter WhatsApp ou Facebook ou Instagram. E nós respondemos que têm de ter calma, que há um tempo para tudo e que, por regra, estas redes sociais apenas permitem criação de perfis a partir dos 16 anos (se não aldrabarmos a coisa). "Mas a nossa colega E. já tem e a S. também". Pois mas eu não sou a mãe da E. nem da S. nem elas são minhas filhas. Com a vida dos outros posso eu bem. Para já, isto é o que temos e é para quem quer senão tambem podemos, perfeitamente, passar uma semaninha a fazer um detox de tecnologia... "Não, não, está tudo bem." Claro que está.

 

Provavelmente terão acesso a essas redes antes dos 16 anos. Não vou ser hipócrita a ponto de negar ou impedir isso mas terão que ter regras e atenção ao que fazem. Se até aqui, nos jogos em rede, a maioria dos jogadores com quem jogam até conhecem na vida real, lá há alguns que não conhecem e já percebem que não se pode partilhar tudo, não se pode dizer tudo e que a Internet é sombria, também tem um lado muito negro e perigoso. E, pasmem-se, não temos bloqueios infantis ativados. Pode perfeitamente aparecer algo pornográfico ou pior se fizerem a pesquisa errada no Google, mas a realidade é essa. Elas terão de aprender a separar e a destrinçar a informação importante do lixo.

Não queremos negar o acesso à modernidade mas queremos que sejam responsáveis no seu uso, como têm sido até agora.  E, para já, o que têm já é imenso. Haverá tempo para o resto. Com calma.

A última coisa que quero que façam - e é para isso que as alerto e, às vezes, lá vem um castigo - é que se tornem umas screenagers zombificadas (screen: ecrã; agers: de idade, tipo adolescente). Tudo com conta, peso e medida.

 

 

Cool-mobile-phone-spy-app.jpg

 

 

 

 

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publicado às 19:14

A ignorância, ai, a ignorância...

por t2para4, em 24.05.18

Ora, antes de eu contextualizar o que me leva a escrever, vamos a umas definiçõezitas básicas, assim, coisa pouca e leve.

 

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 Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitas pessoas de uma ignorância atroz no que respeita ao autismo."

 

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Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitos locais de uma incompetência atroz no que concerne às deficiências, em especial, as neurológicas, como o autismo."

 

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Por exemplo, numa frase: "Choca-me a inércia de algumas pessoas em relação à forma como os seus filhos, que podem ou não ter autismo, são tratados."

 

 

Ora, depois destas breves considerações, vamos a pontos-chave na compreensão destes vocábulos:

- o mal do mundo não é o autismo, lamento desiludir os iluminados que acham que é bonito e prático utilizar esta palavra para caracterizar e desculpabilizar uma série de coisas. Há que ter um certo cuidado e brio na utilização das palavras. E do que significam. Por exemplo, eu sei que sou alta e sou alta; por que é que as pessoas estúpidas e burras não têm essa noção, de que são estúpidas e burras?

 

- autismo e violência estão tão relacionados um com o outro como crianças e violência. Não perceberam? Eu explico: miúdos neutotípicos (rótulo para crianças ditas normais, ou pensavam que eram só os nossos a ter rótulos?), de vez em quando, independentemente do seu berço e educação, podem pegar-se ou mandar umas bocas, certo? Reprovável ou não, ninguém vem a correr dizer "sabe, ele é assim porque é neurotípico, desculpe-o lá". Se não acham isto normal por que raio acham normalíssimo associar autismo a atos de violência? 

 

- o autismo é uma desordem neurológica que tem de ser médica e clinicamente comprovada e diagnosticada. A vizinha do lado ou a professora não são experts nesse assunto - a menos que lhes toque. Justificar o nariz vermelho do Rudolfo, os sapatos de rúbi da Dorothy ou a fome do Scooby Doo como sinais de autismo é como eu dizer que o Bruno de Carvalho é neurotípico porque tem dois braços e duas pernas. Além disso, continuo a não ver a relação entre autismo e violência.

 

- as moscas têm asas; os morcegos têm asas; logo, os morcegos são insetos. Bela falácia, hein? Ora, então, se o autismo gera violência, todos os que são violentos são autistas. Puxa, afinal os americanos tinham razão e estamos perante uma pandemia! Na volta, ainda sofremos com outro dilúvio para limpar o mundo. 

 

- aceitar que uma tal justificação possa pegar sem que contestemos e nos indignemos é pior que inércia, é compactuar. Não ando - eu e tantos ainda mais que eu - há uma data de anos a batalhar para a aceitação da diferença, a consciencializar, a explicar como são as coisas para virem pasquins, políticos acéfalos, pais sem a noção de parentalidade ou escolas sem a noção de inclusão estragar todo um caminho árduo que tem vindo a ser desbravado! E não falo só de autismo!

 

 

 

Gente ignorante, inútil, falsa, incompetente e hipócrita ide-vos fecundar mas sem vos procriardes que mal já vai o mundo e a geração seguinte não tem culpa nenhuma. Lede sem a ironia que grassa pelo texto e interiorizai sem o sarcasmo que o caracteriza.

 

 

A nossa vida -  a vida de pessoas com autismo e os seus familiares - já é suficientemente complicada sem que precisemos de - ainda - nos preocuparmos com a estupidez e ignorância alheia. Deixem-se de casas de degredos e reality shows decrépitos e estudem, leiam, cultivem um espírito. Não há nada pior nem mais perigoso que gente acéfala ignorante. É o pasto ideal para a carneirada. E eu, lamento, não faço parte da carneirada. Nem as minhas filhas. Já no outro dia o disse: não me ponham à prova senão até o diabo aprende coisas novas. 

 

 

377921.jpg

 

 

 

 

 

 

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publicado às 13:11

Obviamente que vacinei as minhas filhas!

por t2para4, em 20.03.18

SIM! Eu sou aquela mãe chata e irresponsável que vacinou as filhas, aquela que ousou encher as filhas de químicos. Sim, vá crucifiquem-me. A ver se me importo.

 

As piolhas fizeram todas as vacinas do Plano de Vacinação e ainda as Prevenar, na altura, não incluídas. E não me arrependo nem por um minuto. E NÃO, minha gente, as vacinas NÃO causam autismo. As piolhas JÁ nasceram com autismo. O autismo nem deveria sequer ser para aqui chamado que, sozinho, já faz mossa que chegue. Não adianta o sr A com o seu comentário sequer falar em farmaceuticas e químicos e estudos e o diabo a sete. Muitos desses estudos são falsos ou foram desacreditados, alguns dos médicos envolvidos expulsos das respetivas Ordens e proibidos de exercer e não vou sequer falar dos químicos ou de lobbys. Vivam numa bolha se querem precaver-se de tudo ou vão para Marte mas não me amolem a paciência nem JAMAIS questionem a nossa parentalidade baseado na vacinação que fazemos. 

 

Eu não me licenciei na Universidade Google nem fiz Especialização no Instituto Superior YouTube. Há coisas que devem ser tomada por garantidas. A nossa proteção e aquisição de imunidade a doenças terríveis, para mim e quem nos rodeia, não se questiona nem equaciona.

 

Graças aos doutorados na tese da banha da cobra, temos um surto de sarampo que está atingir picos absurdos. Uma vénia de agradecimento (ler com ironia, sim?). 

E caso dúvidas tenham, leia-se o seguinte texto que até está em português. Tenho dito.

 

 

Mamã, qué cóio

Vivemos num mundo onde a ciência e a tecnologia são cruciais para a nossa sobrevivência. Um mundo onde a informação - qualquer informação - está apenas à distância de um clique. Nunca, em qualquer momento da nossa história, tivemos acesso a tanta quantidade de conhecimento como agora.
Infelizmente, nem todos sabem filtrar e interpretar toda essa informação. Conduzimos automóveis, mas não sabemos como funcionam. Ligamos a televisão, mas ignoramos a ciência por detrás do seu funcionamento. Accionamos um interruptor para acender a luz e já nem nos lembramos quem teve a ideia e escreveu as equações que levaram à utilização da electricidade. E na verdade, não é possível saber isso tudo e nem somos obrigados. Mas confiamos em quem criou tudo isto, em quem construiu, distribuiu, instalou e nos vendeu esta tecnologia. Nem sequer questionamos.
Com a vacinação generalizada da população, salvaram-se milhões de pessoas, especialmente crianças. Sabiam que Portugal tem uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo? É verdade e é um motivo de orgulho. Mas sabiam que é em grande parte graças ao Plano Nacional de Vacinação?
Quantos de nós já viram crianças com sarampo? Difteria? Tosse convulsa? Poliomielite? Rubéola? Varíola? Eu nunca vi e a maioria de vós também não. Devido às vacinas. São doenças terríveis. Algumas podem parecer benignas, como o sarampo, mas, como hoje infelizmente voltámos a constatar, pode ter consequências fatais. O vírus do sarampo não quer saber da alimentação, se comes carne ou tofu, leite de vaca ou de arroz. Não quer saber se "reforças as defesas" com homeopatia ou bagas goji. Só a vacina ensina o teu corpo a defender-se do vírus.
E a polio? Já ninguém se lembra dos pulmões de ferro da década de 50. A tosse convulsa, que chega a partir costelas a bebés durante as crises de tosse.
E a rubéola? Ainda se lembram que se uma grávida contrai rubéola corre o risco de perder o bebé ou de que este nasça com graves malformações?
E as pessoas alérgicas ou que têm a sua imunidade comprometida ou que ainda não têm idade e por conseguinte não podem ser vacinadas? Quando não vacinas os teus filhos, estás a colocar também essas pessoas em risco.
Lamento muito a morte daquela adolescente. E tenho muita pena por aqueles pais. 
Por favor! Por favor! Vacinem os vossos filhos. Informem-se a sério, não vão na conversa de tretas pseudocientíficas, sem evidência de verdade, sem provas. O que está provado é que as vacinas funcionam! Salvam vidas! As vossas, as dos vossos filhos e a dos filhos dos outros! Não deixem que a ignorância e a estupidez matem num mundo tão cheio de conhecimento!

 

in https://www.facebook.com/mamaquecoio/

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:28

A realidade é cruel...

por t2para4, em 28.02.18

Depois da conversa por causa da carta da Unicef, do choque que foi o dia da internet segura/não-fumador (as piolhas foram com a turma para a biblioteca da escola ver vídeos alusivos aos temas e chegaram a casa cho-ca-das com o facto de haver pessoas que raptam outras na internet ou enganarem pessoas na internet... "Oh mãe, eu só vejo vídeos fofinhos e de desembrulhar brinquedos..." + imagens do corpo carbonizado por dentro por causa do fumo), no fim de semana, depararam-se com notícias sobre o bombardeamento na Síria com destaque de uma criança sobrevivente ensanguentada e empoeirada... E ficaram com um coração minúsculo porque não percebem por que razão alguém há de bombardear locais onde vivem pessoas e, mais grave ainda, atacar crianças... E ficaram zangadas comigo porque eu não as deixo mudar o mundo... 

 

A nossa realidade é cruel... E não há nada que eu possa ou consiga fazer para as salvaguardar de verem essa crueldade ou terem conhecimento dela. Também não quero que cresçam alheadas da realidade e da vida lá fora. É cruel eu não ter corrido a mudar de canal mas a realidade é assim crua e fria e injusta e cruel e absurda. E, às vezes, não dá mesmo para mudar o mundo. Afinal, de que serve indignarmo-nos ou partilharmos umas quantas imagens dos massacres e bombardeamentos na net? Vai fazer alguma diferença? Vai melhorar a vida daquelas crianças? Vai enterrar os mortos? Não quero parecer insensível... Participamos o melhor que podemos, neste nosso "mundo civilizado" mas ausente de conflitos, através de donativos. É pouco mas talvez estas gotas façam uma pequena corrente que possa chegar onde faz falta... Até lá, as piolhas têm aprender a ver que há mais mundo para além do mundo...

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:43

O que poderá estar na raíz do autismo

por t2para4, em 04.11.17

Sinapses. Excesso de sinapses. Sinapses aos montes, como eu já tinha referido num artigo publicado há uns anos. 

E isto faz muito mais sentido. O cérebro trabalha demasiado depressa, por assim dizer. E depois temos a influência da genética e do ambiente, claro. 

Não é uma causa, não é uma orogem. Não se sabe ainda o porquê destas sinapses acontecerem desta forma, como é que o gene específico é afetado. Sabemos isto, para já. E isto tem lógica.

 

 

"Scientists think they've found out what could be at the root of autism and, no, it's not vaccines. According to a new study, it could be caused by having too many brain connections called synapses.

"An increased number of synapses creates miscommunication among neurons in the developing brain that correlates with impairments in learning, although we don’t know how,” senior author Azad Bonni, head of the Department of Neuroscience at Washington University School of Medicine in St. Louis, explained in a statement.

Autism spectrum disorder (ASD) is a common neurodevelopmental condition affecting one in 68 people in the United States. It's generally understood that there is a genetic aspect to ASD (it often runs in families), though environmental triggers may also play a role.

Several genes have been linked to people with autism. Six of these are called ubiquitin ligases and they're responsible for attaching molecular tags called ubiquitins to proteins. Think of these genes as managers, telling their employees (the rest of the cell) how to handle the tagged proteins. Should they be discarded? Should they be taken to another part of the cell?

Some experts believe that individuals with autism have a gene mutation preventing one of their ubiquitin ligases from working correctly. To find out how and why this might be, the scientists at Washington University removed RNF8 (a ubiquitin gene) in neurons in the cerebellum (an area of the brain affected by autism) of young mice. The mice missing the gene developed an excess of synapses, which in turn affected their ability to learn.

Those mice had 50 percent more synapses than their peers, who had their RNF8 gene intact. The scientists then measured the electrical signal in the neurons and found that it was twice as strong compared to those with a normal functioning cell.

ASD affects language, attention, and movement; skills the cerebellum plays an essential role in. To see if the test mice had lower motor skills (a common symptom in people with autism), the researchers trained the mice to associate a puff of air to the eye with a blinking light. One week later, the control group avoided the irritation caused by the puff of air by closing their eyes 75 percent of the time. The test group only did so one-third of the time.

The scientists point out that a mouse that doesn’t shut its eyes when trained doesn’t quite equate to a human with autism (after all, the wiring of autistic brains is highly individualized), and more work is needed to verify the hypothesis. But it does reveal an interesting association between synapses and behavior that could one day lead to treatments."

 

in http://www.iflscience.com/health-and-medicine/scientists-may-have-found-the-root-cause-of-autism/

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:34

Anjos da guarda

por t2para4, em 18.10.17

Temos mesmo alguém que olha por nós. Já não é a primeira vez que o sinto, por muitas coisas que, inexplicavelmente acabam por se resolver da melhor maneira mas, no fatídico dia 15 de outubro, tivemos mesmo a confirmação de que algo ou alguém olha por nós.


Meio país está a arder e a nossa localidade é um verdadeiro anel de fogo. Estamos cercados por todos os lados, todas as localidades vizinhas ardem, os fogos propagaram-se e uniram-se num inferno dantesco. O marido - que trabalha a 35 km, no distrito vizinho - sai de casa com a ideia de ir por Coimbra para seguir para Viseu. Não tinham passado sequer 5 minutos da sua saída quando ele telefona a pedir-me que, sem pânicos, preparasse tudo que iríamos para casa dos meus pais que estava em perigo. Os acessos estavam já todos cortados e não saía ninguém.
Com calma, lá meti num saco reutilizável - quem é que se lembra de malas e troleis numa altura destas - umas quantas peças de roupa, medicamentos, tablets para as piolhas ocuparem o tempo no caso de faltar a luz e evitar o pânico e carregadores de telemóvel. Lá seguimos para casa dos avós. Explicámos às piolhas que o fogo estava perto mas que iria correr tudo bem porque o vento estava contra o fogo e nós estaríamos em segurança. Em casa, fechámos todos os estoros (de alumínio), espalhámos as mangueiras e deixámos pás e enxadas à mão. Preparámos também velas e isqueiros e lanternas para o caso de corte de eletricidade. Repetimos vezes sem conta que todos os nossos terrenos estavam limpos e seguros. Metemos as piolhas dentro de casa com a avó, na segurança e no conforto da casa e viemos para a rua vigiar, aguardar e tentar perceber de que lado soprava o vento, para que lado se dirigia o fogo e viamos labaredas e bolas de fogo da altura de prédios a poucos km e não tínhamos forças nem palavras para descrever.

Entretanto, pelas redes sociais, íamos sabendo como estavam as correr as coisas nas aldeias e vilas vizinhas e estava tudo muito muito mau... Amigos a viver longe em total pânico e ansiedade porque havia fogo nos quintais das casas dos pais, familiares que passaram a noite em abrigos improvisados por não conseguirem regressar a casa, colegas que perderam casas e familaires ou conhecidos, pessoas com quem convivemos diariamente a perder toda uma vida de trabalho e em perigo... É indescritível... E a sensação de impotência é assombrosa.

 

Tentámos manter as rotinas mas era quase impossível. Ninguém jantou nada de jeito, as piolhas deitaram-se mais tarde e foi dificil adormecer porque estavam excitadíssimas e acabei por ter de avisar a diretora de turma da situação pois havia teste no dia seguinte. Até os gatos sabiam que algo estava errado e mantiveram-se sempre por perto, sem irem passear como habitualmente fazem. Quando elas conseguiram adormecer, as labaredas e as nuvens de fumo eram imensas e pareciam mais próximas. Não dormimos. Dormitámos no sofá e nas cadeiras da cozinha, vestidos e calçados, alerta a qualquer som. A aguardada chuva estava longe de cair. Pela madrugada, deu-nos a sensação de que o fogo recuara e subira para outras encostas. E foi assim mesmo, foi consumir por inteiro localidades vizinhas.

 

No meio de tanta espera angustiante, soubemos, nos intermeios dos cortes de rede de telecomunicações que o posto de trabalho do marido ardera. Não se sabia nada dos funcionários. Foi um pânico e uma aflição, por todos os motivos. Entre tentar ligar para as chefias - que estavam a caminho mas presas nas estradas entretanto cortadas - e para os colegas, não se conseguia saber de nada pois a rede ia e vinha e rede fixa já nem havia - e ainda não há. Poucas horas depois lá soubemos que todos os trabalhadores se tinham abrigado no local onde o marido trabalha e que essa estrutura resistira ao fogo, que estavam todos bem. Não há palavras para o alívio mas vem logo a apreensão e as perguntas "e agora?"... Mas, no entanto, havia algo que ainda nos dizia que, ainda assim grave, não seria tão grave como pensado. E não. Felizmente aquele local dá para reconstruir e todos esses postos de trabalho serão mantidos.


E, depois dos ânimos acalmarem, depois de um dia, uma noite e uma manhã de vigilância e alerta, caímos em nós e nem queremos acreditar que possa ser coincidência a estrada estar cortada naquele momento e obrigar o marido a regressar a casa, as labaredas que se viam nunca terem lançado projeções sobre os nossos pertences e a sala de trabalho do marido, a 35 km de distância, ter sido a única estrutura que resistiu ao fogo sem partir um único vidro ou derreter uma única parte, rodeada por fogo como esteve. Temos a certeza de que algo ou alguém olha por nós e nos protege, nos une e nos impele a estarmos juntos nestas adversidades e sobreviver às dificuldades.

 

Quanto às piolhas, a quem foi, desta vez, impossível de esconder as notícias e as imagens, não sabemos como explicar-lhes o que se passa porque nem nós sabemos. Não percebemos se elas terão entendido o alcance de tudo isto mas vêm os sinais: a devastação, o cheiro horrível a queimado por todo o lado, a bandeira a meia haste, as conversas de todos com todos, os telefonemas ansiosos que vamos fazendo (e recebendo) para amigos e conhecidos para saber como estão, os pais em casa porque os acessos para irem trabalhar estão cortados ou fechados. E elas perguntam se foi como em junho, igual a junho...
Os avós têm 63. Já passaram por incêndios de grandes dimensões e guardam memórias disso mas nunca viram algo da dimensao deste, nunca foi necessário ter tudo a postos para qualquer eventualidade, nunca rezaram por coisas simples como não haver corte de água ou luz e nunca nenhum de nós viu tamanha devastação.

 

Hoje regressamos ao trabalho e ainda não há comunicações. O caminho é todo feito em silêncio. Ainda se vê fumegar e, alguns postes de telefone, ainda ardem. São km e km a perder de vista em tons de castanho e preto. As copas das árvores assaram e secaram não do fogo em si mas do calor avassalador. O cheiro entranha-se em todo o lado. É triste e doloroso. Perdemos a nossa floresta, parte da nossa serra, os nossos paraísos.

 

Foi Pedrogão 4 meses depois, repetido e aumentado de forma exponencial. Não há explicação. Só devastação e dor.

 

 

 

 

 

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publicado às 11:03

Dos meus direitos...

por t2para4, em 01.10.17

... aos meus deveres.

 

Vou votar e não farei parte dos números da abstenção. O meu voto só a mim me diz respeito. Faço-o, mais do que para escolher um representante, para exercer o meu direito ao voto e mostrá-lo às piolhas. Foi muito difícil para as mulheres - e tardio - conseguirem o direito de voto. E, à luz de novas ideologias e campanhas que considero perigosas, hoje autocarros com secções para mulheres e homens, amanhã a proibição de votar - porque, afinal, é para nosso bem. 

Não concordo e jamais poderia deixar de transmitir essa noção e esse valor às minhas filhas. Vou exercer o meu direito e aplicar o meu dever. E, assim, mostrar às minhas filhas que, apesra das ideias retrógradas de algumas pessoas, estamos num país democrático, onde há direitos básicos que são cumpridos e deveres que não nos custa nada cumprir. 

Hoje voto por elas. 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:58

É ao ler este tipo de testemunhos reais (independentemente de aqui ser em relação à maternidade) - em vez de um estudo qualquer, feito por sei lá quem, encomendado por sabe-se lá quem -, que consigo visualizar um futuro para as piolhas. Ainal, é possível. Quero acreditar que sim.
 
 
Como é ser mãe e ter autismo
 
A paciência diminui mais do que o comum, as conversas tornam-se cansativas rapidamente e as piadas ficam por perceber
 
 
 
Marisa Cardoso
 
Sempre tentei disfarçar as minhas dificuldades. Achava que não tinha interesse nenhum, que era "poucochinha". As outras pessoas pensavam que era arrogante e malcriada, porque fazia cara de poucos amigos mas era tudo para me defender. Pensava: "Ok, sinto-me mal, mas mais ninguém sabe." Por exemplo, quando as pessoas saem para se distraírem, isso para mim é um sofrimento. É muita informação a entrar, fico cansadíssima, não consigo desligar de tudo o que está a acontecer à minha volta. E é o ter de interagir… Não saber o que é que hei-de dizer às pessoas… Sinto sempre que o que vou dizer não tem interesse. Depois, as minhas reacções nas conversas são: se toda a gente está a rir, eu também me vou rir. Posso nem estar bem a ouvir a conversa mas se estão todos a rir é porque é suposto rir, portanto faço o que o grupo está a fazer. 

Com as minhas três filhas é fantástico porque sempre fui verdadeira com elas. Sempre pude ser eu na realidade e portanto com elas – que têm 14 anos, 11 e a mais nova 5 – estava bem. Não tinha que usar máscaras, não tinha de fingir que compreendia. Claro que o facto de me cansar muito depressa faz com que me irrite também rapidamente. De repente, desato a gritar, a disparatar com elas… E era muito difícil depois recuperar a partir dali. 
 
Aconteceu várias vezes com as mais velhas, principalmente, irritar-me, chegar a extremos… Agora já sei que quando estou a atingir o meu limite, aviso: "Meus amores, a mãe está a atingir o limite. Por favor ajudem a mãe a não atingir esse limite." Foi por causa de uma das minhas filhas que descobri, aos 40 anos, que tenho Asperger, aliás, chama-se agora Perturbação do Espectro do Autismo. 

A minha filha precisava de ajuda, estava com algumas dificuldades na escola, principalmente falta de concentração, e achei que ela poderia ter qualquer coisa que necessitasse de terapia. Eu e o meu marido João fomos a uma clínica fazer uma avaliação e comecei a estudar todos os tipos de diagnóstico. Gosto de saber exactamente o que é que as minhas filhas têm para poder apoiá-las ao máximo. Estudei a Perturbação de Hiperactividade/Défice de Atenção, o Transtorno Obsessivo -Compulsivo… A Síndrome de Asperger [inserida na Perturbação do Espectro do Autismo] era uma delas. Identifiquei-me. 

Já não estava a ver a minha filha mas a mim. Identificava-me com todas as coisas que lia, as dificuldades de interacção com as pessoas, o sentir-me a mais, ter uma dificuldade enorme em estar com muitas pessoas, sentir-me estoirada. 

Numa conversa com a terapeuta que fez a avaliação à minha filha, o João diz-lhe: "Ah, tem graça, a Rita acha que ela tem Asperger." A terapeuta pára tudo e diz: "Não, a Rita é claramente Asperger, não há dúvida nenhuma." 
Agora, referia-se a mim. Um dos traços do Asperger é ser muito literal, então achei que aquele "claramente" significava que toda a gente sabia mas nunca ninguém me tinha dito nada. Achei que tinha vivido 40 anos em mentira. E agora como é que ia gerir a minha nova vida? Neste processo de me encontrar entrei numa depressão muito forte, muito profunda, que durou cerca de um ano. 
 

Ser Asperger 
É muito difícil arranjar psicólogos e psiquiatras que compreendam o autismo de adultos. E de mulheres são raros. Sei que há porque na minha página do Facebook – Claramente Asperger –, que já tenho há um ano, falei com pessoas que me indicaram especialistas. Mas na altura, como é que uma pessoa faz? Vai-se ao Google, não é? "Preciso de um psicólogo para mulheres autistas." Não aparece nada. 

Os psicólogos ainda podem conhecer as características dos homens porque está tudo muito enviesado para os homens, os diagnósticos e as avaliações. Mas não conhecem as características das mulheres. Acham que o facto de eu ter seguido com a minha vida, ter casado, ter filhos é razão para eu não ser Asperger. Ou então: "Ok, eu sou Asperger mas qual é o problema? Tenho a minha vida." Mas não percebem é o que se passa no meu interior. Ninguém vê o que é que eu sinto, não está à vista. 

Quando me fui abaixo, fiquei sem amor-próprio. Preferia pensar nas outras pessoas, nas minhas filhas, no João. Era como se não existisse. Então, comecei a pedir mais tempo para mim e a dizer: "A mãe agora não pode brincar com vocês, preciso de fazer outra coisa, preciso de estar comigo." 

Elas não sentiram esta descoberta da mesma forma que eu senti. No máximo, o que sentiram foi eu ter desaparecido um ou dois dias. Geri as coisas de forma a que as minhas irmãs as fossem buscar e que elas não sentissem grande diferença e assim pude ter o meu espaço. 

Nunca choro à frente delas quando estou triste. Posso-me isolar mais, mas tento não chorar. Naquela altura precisava de estar sozinha. Elas foram percebendo o que eu tinha. Não me sentei com as minhas filhas e disse: "Olhem agora vamos falar sobre o Asperger." Mostrei-lhes a página onde escrevia e elas fizeram perguntas: "O que é isso que a mãe passa tanto tempo a fazer ao computador?" E eu fui-lhes falando naturalmente. As mais velhas reagiram sem stress mas a mais nova não faz a mínima ideia do que é. 

É normal que elas tenham curiosidade porque roubo um bocadinho do tempo com elas para escrever na página. Acho que a mensagem em relação ao autismo está mal passada. As pessoas não sabem realmente o que é o autismo. Existe um rótulo de que é algo incapacitante – mas não é. Por exemplo, falando no trabalho – sou editora de imagem –, as pessoas são muito focadas e podem ser dos melhores trabalhadores porque a entrega é total. Quando um autista gosta daquilo que está a fazer entrega-se de corpo e alma. 

É certo que sou muito rígida em termos de pensamento e é muito difícil ir um bocadinho mais para a direita ou para a esquerda, demora tempo. Mas também sou muito verdadeira. A minha relação com o meu marido é baseada na verdade, sempre lhe contei tudo e ele sempre me contou tudo também. Muitas vezes o João está a dizer algo simples e eu penso que ele me está a acusar de algo, mas não. Isso compreendemos nós agora porque eu estou a perceber o Asperger e ele também está. Estamos os dois a crescer juntos.

Artigo originalmente publicado na edição n.º 681, de 18 de Maio de 2017.  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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publicado às 12:22

Desolação

por t2para4, em 19.06.17

Amanheceu um sol laranja, completamente tapado por um filtro de cinza que nos permitia olhar para ele sem ferir os olhos. Chove cinza e o vento, quando decide soprar, arrasta ainda mas cinza vinda sabe-se lá de onde... Está um cheiro impossível. Está escuro. E já trovejou mas apenas caíram meia dúzia de gotas...

Na escola, a bandeira a meia haste e nós a tentar controlar, logo no carro, os poucos filtros das piolhas e a explicar que não precisam de tapar o nariz com a mão, que não precisam de fazer comentários alguns sobre o que se passa, que não precisam de se preocupar, que está tudo bem na nossa localidade, que bebam muita muita água.

Diz-me uma das piolhas "toma cuidado, mãe..." e o coração fica pequenino... Trabalho numa área onde o fogo lavra sei lá há quantas horas, onde já se cortaram estradas... A nossa bela serra, aquele paraíso que vejo todas as semanas a caminho do trabalho, aquele paraíso por onde nos perdemos no fim de semana passado é agora um inferno, um amontoado de cinzas... Não sei o que me espera quando chegar ao trabalho mas certamente não serão aulas. Hoje deixarei os alunos desabafar, chorar, fazerem as perguntas que quiserem, descansar se assim for. Fui à farmácia há pouco e diziam que estavam a pé desde as 2h30 a atender pessoas que vinham da Castanheira de Pêra, de Góis, da Pampilhosa da Serra e sei lá mais de onde com queimaduras... E que alguns dos meus alunos andavam ao lado dos pais e outros familiares, nas aldeolas perdidas no meio da serra, a tentar lutar contra um Golias indizível... 

Parece que estamos noutra dimensão... Há folhas inteiras queimadas em cima dos carros, nas varandas, no chão. Eu sei que as trovoadas secas são fenómenos naturais, acontecem e pronto, não dá para evitar... Mas isto? Este tamanho? Estas mortes, estas desgraças?

Estamos tristes e desolados. 

 

 

 

 

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publicado às 09:49

Tempo de antena contado

por t2para4, em 24.05.17

Ou seja, a minha idade e a minha (pouca) paciência já não me permitem dar a importância desmedida que se vê em muitos locais - infelizmente, públicos, acessíveis a qualquer pessoa - acerca do que consiste o Autismo (ou o Espectro do Autismo) e as suas consequências. E isto vem a propósito de uns comentários vergonhosos que li há pouco e que me assustam pela sua ignorância.

 

Eu entendo a busca desesperada de respostas - já o fiz. Viver na incerteza é uma angústia; não sabemos o caminho a trilhar.

Eu entendo o querer desesperadamente uma solução - já o fiz. 

Eu entendo o pesquisar incessante de toda a informação e mais alguma - já o fiz e ainda o faço.

Eu entendo as reservas em relação a alimentos, medicamentos, terapias - também tenho as minhas.

O que eu não entendo é fazer dos nossos filhos umas cobaias.

O que eu também não entendo é o pesquisar incessante de informação mas sem a filtrar e sem a questionar.

O que eu não entendo é como é que se questionam médicos e a medicina mas não se filtra nem se questiona uma página qualquer sem fundamento que está na Internet.

O que eu não entendo e jamais entenderei é como é que se atribuem diagnósticos de autismo como quem distribui pastilhas e, de repente, esses diagnosticados saem do espectro e, milagre, o autismo foi revertido ou desapareceu.

O que eu não entendo é como ainda há pessoas que juram haver uma cura porque tal e tal e tal aconteceu com a ajuda de tal e tal e tal e agora já não há pinga de autismo naquele indivíduo.

 

Entendamos de uma vez por todas: NÃO há ainda  uma cura. Há terapias, há trabalhos, há protocolos de apoio, há literatura fidedigna para ler, há estudos, há proximidade genética, há descobertas cada vez mais próximas de como poderá (futuro hipotético) surgir, há família a complementar tudo mas ainda não há cura. 

 

Não acredito nos apregoados resultados com a suposta utilização de células do cordão umbilical ou estaminais; não acredito em dietas (acredito sim em alimentação equilibrada); não acredito em filtros/quelações/lavagens/etc e tal a qualquer parte do corpo humano; não acredito em transfusões/trocas de sangue ou qualquer outro tipo de transplante; não acredito em terapias em câmaras hiperbáticas; não acredito na não-vacinação como forma de prevenção de autismo; não acredito na maior parte das supostas causas que se apontam para o autismo; não acredito que exista agora uma cura; não acredito que se possa prevenir (o autismo previne-se exatamente da mesma forma que se previne T21 ou Síndroma de Marshall, vá, previnam lá isso antes da fecundação); não acredito em terapias animais só com cães ou cavalos (quando há provas de que tantos individuos com autismo têm terapias com outros animais ou afinidade com outros animais); não acredito no retirar absoluto de minerais ou vitaminas do nosso organismo....... - assim, de repente, só para referir o que me veio agora à mente.

 

Por isso, valorizo e valorizarei literatura/artigos/estudos credíveis e cientificamente comprovados; discussões saudáveis com pais/médicos/técnicos/professores/etc.; trabalhos não-invasivos que envolvam toda uma equipa e não apenas o trabalho individualizado sem acesso ou com restrições; o suporte das terapias; a importância da família em todo um processo.

E quem estiver para atacar, pode retirar-se.

Tenho duas filhas com autismo. Ainda hoje choro com isso. Todos os dias, de manhã, ao levá-las à escola, penso se alguém as atacará, se alguém as insultará, se elas saberão defender-se, se elas algum dia serão como aqueles miúdos - quase todos meus ex-alunos - que estão tão independentes numa outra escola, se elas também farão parte de um grupo ou serão as marginalizadas lá do sítio, se constituirão família, se terao empregos estáveis, se serão adultas felizes e realizadas. Não me acusem de não saber o que isto é porque sei. Não me digam que as minhas filhas não têm nada porque quem nada não é peixe e quem nada não se afoga. Não me digam que tudo passa porque isto não passa. E ai do desgraçado do ser que me acuse de não querer saber das minhas filhas ou de colocar o futuro delas em risco só porque não danço nua no bosque em noites de luar nem mato unicórnios para lhes dar de beber o sangue. Certamente que esse ser não me conhece e não sabe do que sou capaz. Ou do que o meu marido é capaz. Ou sequer do que somos capazes juntos.

 

Por isso, para promoção de banhas de cobra ou partilha de informações erradas ou fundamentalistas, não contem comigo. Já me pronunciei sobre uma série de coisas sérias como vacinação, medicação, terapias, trabalhos, consciencialização. Não estou para me envolver em discussões que não levam a lado nenhum porque a ignorância não aceita argumentos. Não preciso de estar sempre a falar do mesmo nem de estar a dar tempo de antena a quem não merece.

 

 

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publicado às 19:05

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