Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Falta muito para as férias?

por t2para4, em 12.06.22

Não tenho memória de um ano letivo tão exigente e exaustivo como este. Talvez pelas acumulações, talvez pelo trabalho, talvez pelo excesso de burocracia.
São avaliações, rubricas, provas de equivalência à frequência, provas extraordinárias de avaliação, critérios de correção e critérios de classificação, informações-prova, provas orais, cotações. E repete a preparação das provas não uma, não duas, mas três ou quatro vezes porque as coisas não batem certo logo à primeira e há toda uma formatação excessivamente formal para manter.
São grupos de trabalho, aplicações, vigilâncias, correções, impressões, autoavaliações, grelhas, plataformas.
São festas e ensaios e poemas e desenhos e palcos e público.
São horas de downloads no IAVE para impressão de provas de treino para as piolhas e áudios e correção. E vai mais uma voltinha que, apesar de as provas não contarem para nada, sei lá eu o que o futuro nos reserva e se elas quererão fazer exames nacionais no secundário.
São conteúdos para terminar e é aquele velho malhar em ferro frio: eu já não aguento, os miúdos, então, estão de todo. Só me apetece fugir. Aulas? Rua. Todos, eu e eles. Jogos.
Almoços, jantares, lanches, café. E há almoço no frigorífico, liguem se tiverem alguma dúvida, está aqui uma lista de tarefas para fazer. Ficam sozinhas em casa mas já sabem as regras todas, em última instância, peçam ajuda aos vizinhos ou lojas ali da frente porque toda a gente vos conhece. Vão dando notícias durante o dia. E, no final das aulas, 45 km = 40 minutos.
E viroses. Puta que pariu. Eu já estou tão cansada... E ranhos e vómitos e bílis e alergias e viroses e dores de garganta e um calor que parece que estamos todos na menopausa e febre, a puta da febre, que não deixa ninguém dormir.
Estou exausta. É isto quando chego a casa. Preciso mesmo de parar um bocado, fechar os olhos, descansar a cabeça antes de me atirar ao trabalho, aquele que não se faz na escola, que não se vê, não se valoriza, ninguém conhece (a menos que seja prof) e não é, de todo, pago.
Tenho tentado acompanhar o ritmo e até pus aquele artigo para poder fazer tudo o que estava em atraso.
A coisa vai, só preciso de descansar um bocadinho.

 

286499975_3310143889307003_7839191704597334685_n.j

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 13:36

Onde está essa aldeia?

por t2para4, em 23.05.22

Dizem que é preciso uma aldeia para criar uma criança.
Onde está essa aldeia quando surge uma família atípica - tantas vezes que essa família é apenas um progenitor e a sua prole?
Onde está essa aldeia quando uma família atípica se vê sozinha?
Onde está essa aldeia quando uma família atípica não tem absolutamente ninguém no mundo?
O meu maior medo, enquanto as minhas filhas foram não verbais, era este: desmaiar ou morrer e elas não saberem o que fazer ou como pedir ajuda até aparecer alguém.
Infelizmente, para esta mãe, o seu pior pesadelo concretizou-se. E o filho esteve não um, não dois nem três dias, mas 12 (doze!!!!!!!) dias, quase 2 semanas sozinho com a mãe morta. E ninguém apareceu.
Onde está essa aldeia?

 

https://www.publico.pt/2022/05/23/impar/cronica/crianca-autista-ficou-12-dias-sozinha-casa-mae-morta-2007041

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -----------

 

publicado às 20:35

A tendência para a História se repetir

por t2para4, em 27.02.22

Falamos muito de História cá em casa, pois é tema que nos fascina. E vêm-se muitos episódios sobre acontecimentos históricos. Mas também se fala muito de realidade por cá. As piolhas sabem que já trabalhei com alunos de nacionalidades israelita, síria, ucraniana, russa, e, mais recentemente, de PALOP. À exceção destes últimos, todos os restantes tinham algo em comum: eram refugiados de guerra. Fugiram, deixando tudo para trás, do barulho e perigo das bombas, dos ataques, da vida em bunkers, da morte.
Sempre que algum desses alunos deixava escapar uma memória (lembro-me de um que fugiu da Síria para o Egito antes de ir para França e depois para Portugal), a minha mente fazia um esforço gigantesco para tentar sequer visualizar como teria sido essa provação e o meu coração encolhia até quase não bater. Nenhuma criança merece passar por isto, nenhuma. Nenhum ser humano merece fugir de uma guerra que nunca pediu e não fez nada para a despoletar.
No dia em que a Ucrânia foi invadida, eu nem conseguia imaginar a dor com que uma amiga devia estar por ver o seu país a ser destruído (vamos deixar as razões para os verdadeiros entendidos), ou tentar contactar a família. E eu deixei as piolhas na escola, no meu país seguro, na minha vila segura onde conheço quase toda a gente e todos nos conhecem e ia olhando para todos aqueles miúdos e pensava com dor como seria termos todos de fugir à pressa, no meio do caos. E fui trabalhar com o coração apertado, a imaginar cenários dantescos e a agradecer estarmos neste cantinho.
Os meus alunos não estavam muito melhor que eu... A minha aula de Inglês foi substituída por uma aula de História recente e de Cidadania. Copiei descaradamente a ideia de um professor meu amigo sobre o que faríamos, sentiríamos, colocaríamos em menos de 5 minutos numa mochila antes de fugir na direção oposta ao avanço do inimigo. Todos os nossos pensamentos foram para a família. É o mais importante.
Não devíamos ter de vivenciar estas experiências, nenhum destes conflitos bélicos. Lembro-me da Guerra do Golfo e sentia medo de que, sei lá como, cá pudesse chegar. Jamais pensei que, em pleno século XXI, ainda houvesse cenários de guerra, fosse onde fosse.

 

500x.jpg

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

 

publicado às 20:47

Deixem o Queiroz em paz

por t2para4, em 07.03.21

Desafio(s) para interpretantes pessoais que insistem em ler obras, estudar quadros/pinturas/frescos à luz de um contexto atual e sem a mínima consideração pelo devido enquadramento histórico, político, social e geográfico da obra em mãos:
- não faltem às aulas de Português (ou outras línguas) nem de História;
- verifiquem em que ano a obra foi escrita/pintada/produzida;
- verifiquem em que país se enquadra essa obra/autor;
- leia-se, veja-se, aprecie-se às luzes desse prévio trabalho;
- aprenda-se com o que se lê/vê/observa.


Querer reescrever a História (mesmo que se recorra a disclaimers) é, no mínimo, uma cena muito orwelliana e nada, nada, absolutamente nada saudável - além de que não se aprenderia nada com isso.
Querer contaminar os artistas de outrora com as visões da sociedade atual é isso mesmo: contaminação.
Haja o mínimo de noção e vejamos as coisas como elas são, no tempo em que surgiram, sim? Menos, minha gente, muito menos.

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -------------

publicado às 15:38

Novo texto em https://uptokids.pt/opiniao/cronicas/o-estado-falha-e-nao-da-o-exemplo/?fbclid=IwAR2LyAuDIosEIMk9kNNim8e2ttwcSj-SZqfJ3Mj7XGblIANn9NzP7wiu_IM

 

O Estado falha e não dá o exemplo. Mas se eu estiver à espera, quem falha sou eu.

 

O Estado falha e não dá o exemplo. Mas se eu estiver à espera, quem falha sou eu.

Quando, em 2010, aquando do diagnóstico nos foi dito que as piolhas precisavam de “terapia da fala para ontem” (sic), a primeira coisa que fizemos foi tratar do assunto e questionar a intervenção precoce nesse sentido. Acontece que, como nos fomos habituando a ouvir ao longo destes anos, há casos mais graves (apesar de elas não serem verbais na altura), a lista de espera é grande, só nos puderam dispensar uma educadora de educação especial e depois uma psicóloga – e não em simultâneo.

Ou seja, face à falta de resposta do Estado – apesar do direito das piolhas a este serviço – fomos procurar fora o que precisávamos desesperadamente – e pagámos do nosso bolso. Sem apoios, sem subsídios, sem ajudas. E não foi por falta de tentativas. Os tempos eram outros, alguns dos apoios que há agora não existiam na altura, para os que há não éramos elegíveis.

Passou-se o mesmo com terapia ocupacional.

E passou-se o mesmo com reforço de terapia da fala.

E passou-se o mesmo com psicologia.

Procurámos fora a resposta de que precisávamos e pagámos. Apesar de a legislação em vigor prever um apoio.

Passa-se o mesmo, embora numa escala profissional e um pouco difícil de ver a comparação, com o trabalho de um professor.

E eu até arrisco a dizer “professor contratado”, o tal que, apesar de fazer a mesmíssima coisa que um professor do quadro, ganha menos, não progride, não é avaliado justamente (sim, eu nunca tive um Muito Bom apesar de quantitativamente o merecer), não usufrui em pleno dos direitos previstos no Estatuto da Carreira Docente e mais uns quantos diplomas legais. Por exemplo, não posso tirar uma licença para ficar com as minhas filhas, em caso de necessidade. Uma baixa, uma licença sem vencimento, por aí, ainda vá. Não posso concorrer para ficar colocada no cu de judas e pedir aproximação à residência por motivos de deficiência/apoio a descendentes. Mas adiante. São as opções que tomo e não me arrependo. No entanto, estas minhas opções acabam por me lançar em duas vertentes: a de professora com contrato por conta de outrem e a de trabalhadora independente.

Ora, para eu sentir e saber com toda a certeza de que estou a trabalhar com as condições a que me proponho e que proponho oferecer aos meus alunos com a preparação do meu trabalho, eu preciso de material. Logo, preciso de computador/es, projetor, monitor, tablet, smart pen, manuais técnicos de apoio, programas de tradução, impressoras, internet, etc. Ou seja, eu preciso de material para preparar e apresentar as minhas aulas, com base no que eu ambiciono ter como resultados.

Numa empresa – mesmo pública – teria esse material à disposição para uso profissional e faria todo esse meu trabalho no local. Requisitaria todo o material de que necessitasse. Não precisaria de fazer de casa a extensão do meu posto de trabalho.

E esse local chama-se “Agrupamento de Escolas de Unicornilândia”.

Num agrupamento de escolas do nosso país, na maioria das vezes, os computadores demoram quase 10 minutos a arrancar, não têm os programas de que necessitamos para ler um simples ficheiro audio, a conversão online demora mais de 20 minutos (se for autorizada pela rede e se a net estiver em dia bom), faltam canetas dos quadros interativos (se tiver a sorte de ter um na minha sala – coisa que não me acontece desde… bem, desde há uns bons 6 ou mais anos), o projetor está sempre ocupado e tem lista de espera, não há uma simples extensão elétrica, nem pensar em conseguir encontrar livros técnicos recentes na biblioteca escolar quanto mais programas licenciados de tradução ou educação e, não sendo eu de educação especial, desses muito menos, e do resto nem vale a pena falar. Tablets? Monitores auxiliares? É a gargalhada geral.

Pois bem, eu cá gosto pouco de ficar à espera e, tendo em conta a dualidade público-privada-desenrascada da minha profissão, eu tenho todo esse material. Mas é MEU. Comprado e pago por MIM, sem patrocínio ou apoio estatal algum. Pago inteiramente por mim. E, por isso, não empresto a ninguém (o que incluiu colegas) e reservo-me ao direito de usá-lo na sala de aula a meu bel-prazer, de acordo com o plano de aulas que tenho preparado.

Ora, mas agora estamos em teletrabalho e o Estado deveria comparticipar esses gastos ou, pelo menos, requisitar o teu material.

Sim, deveria. Mas eu sou uma mera professora contratada a quem foi atribuído um número gigantesco de identificação para efeitos de concurso, que ninguém conhece e de quem ninguém quer saber e que também trabalha por conta própria. E que não consegue lidar com as frustrações de não conseguir trabalhar com material obsoleto e não quer desconfinar à força. E que já usa todo este material para preparar as aulas e atividades e burocracias da sua atividade como trabalhadora independente.

Percebo, com toda a legitimidade, a posição de colegas que estão contra o uso da sua propriedade por parte do Estado. E também percebo, com toda a legitimidade, a posição de colegas que não estão para mexer num vespeiro.

Mas eu preciso destas coisas.

E preciso de um salário. Preciso de tempo de serviço. E não consigo deixar de me preocupar em não conseguir fazer as coisas minimamente quando, afinal, tenho tudo de que preciso. Meu mas ao serviço do Estado, é certo. Apesar de ser o mesmo Estado que me falha em relação aos meus direitos e aos das minhas filhas.

Do que eu não preciso é de críticas e de pseudosuperioridades por parte de colegas porque todos fazemos o mesmo: procuramos soluções quando não há.

Há quem, como eu, opte por investir e ficar com material que pode usar da forma como quiser; há quem opte por se sujeitar ao que o Estado tem – e não são os top do parque tecnológico escolar.

Se eu tivesse ficado à espera do Estado e não tivesse pago por fora, as minhas filhas nunca teriam passado de não verbais para verbais; se eu me recusasse a usar o meu material neste momento, teria de voltar à escola e deixar de as apoiar (professora contratada, remember?) e sofreria penalizações por ter trabalhar como independente mas não como contratada. Nada é fácil neste retângulo à beira-mar. Mas esta é a minha posição. Não me importa o que pensam os outros. O Estado falha.

O Estado falha e não dá o exemplo. Mas se eu estiver à espera, quem falha sou eu. E isso eu não suporto.

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -------------

publicado às 16:21

Dia #1 - E@D versão 2021

por t2para4, em 09.02.21

É só o primeiro dia.
Mas só agora desliguei o computador.

Hoje houve de tudo: lágrimas de frustração e de raiva; vontade de atirar PC janela fora; vídeochamadas que foram abaixo milhentas vezes; uma piolha no computador da mãe para perceber onde estava o problema; impressão de dezenas de páginas; envelopes gordinhos com materiais para enviar hoje para alguns alunos (da minha atividade paralela); reunião geral de professores com direito a fazer a ata; agendamento de várias salas de reuniões em plataformas diferentes; atualização de classrooms; elaboração de planos de trabalho para partilha obrigatória aos alunos; elaboração da atividade de S. Valentim para miúdos e graúdos com as devidas adaptações; preparação de material para as aulas; palavras de conforto para filhas, alunas lavadas em lágrimas e pais com dificuldade em colocar os dispositivos a trabalhar; preparação do almoço e jantar; máquinas a lavar e secar; análise das nossas dificuldades técnicas; redação de dezenas de emails; um ibuprofeno para as dores.

 

Somos 3 a usar rede de internet sem possibilidade de cabo; somos 3 a exigir aos PC que trabalhem em simultâneo em conferências e partilha de ecrã com documentos; somos 3 a recorrer ao telemóvel para nos socorrermos quando há algum problema; somos 3 em aulas diferentes. Todos os dias. Durante as próximas semanas (meses?).

Tem de haver alguma condescendência, dentro da segurança e aprendizagem dos alunos, claro. Tem de haver a perceção de que os equipamentos falham. E tem de haver noção de que isto não é uma extensão do ensino presencial.

E temos de aprender a ter calma. Mesmo. Ter calma. Senão, no final da semana, estamos todos no Sobral Cid. E eu não acredito que estejam a aceitar internamentos agora.

 

1.jpg

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -------------

 

 

publicado às 00:40

Das dúvidas que não são dúvidas

por t2para4, em 06.02.21

Creio ser seguro dizer que passei cerca das últimas 48h a responder às perguntas mais disparatadas, estranhas e até absurdas. E a fazê-lo de forma polida, educada e indubitável (mesmo que me sinta o Hulk a explodir de raiva).

 

“Lamento mas não podemos ter aula via Facebook. A escola tem uma plataforma para todos os intervenientes e será essa que eu irei também utilizar".

“Lamento mas não poderá enviar os trabalhos via Messenger. A escola tem uma plataforma para todos os intervenientes e será essa que eu irei também utilizar".

“Lamento mas não podemos criar um grupo no WhatsApp, não só pelas suas limitações na partilha de imagem e documentos em ecrã como também não pretendo disponibilizar o meu número de telemóvel. A escola tem uma plataforma para todos os intervenientes e será essa que eu irei também utilizar".

“Lamento mas os prazos de entrega estipulados são para cumprir. Receberei e corrigirei os trabalhos mas, como constará dos respetivos critérios de avaliação da atividade pedida, o incumprimento do prazo implica penalização na atribuição da nota”.

“Lamento a sua dificuldade de recursos materiais. Deve expor a situação à escola e, enquanto se analisa, o seu filho/educando deverá estar presente, no telemóvel, e enviar os trabalhos pedidos. Não será penalizado pela forma de envio, por isso, pode fazer no caderno e enviar fotografia”

“Lamento mas não há lugar a compensação de aula no caso de falta do seu filho/educando. No regime presencial tal também não acontece. Deve justificar com quem de direito e esclarecer as suas dúvidas da aula comigo, se for o caso”

“Sim, a disciplina continua a ser curricular no ensino à distância e continua a obedecer aos mesmos critérios de avaliação do regime presencial”

“Sim, será esta a plataforma a usar uma vez que a escola disponibilizou para todos os intervenientes e será essa que eu irei também utilizar".

“Se o seu email institucional não funciona deverá contactar a escola para perceber o que se passa. Lamento, mas não posso ajudar”

“Sim, tem de utilizar o email institucional disponibilizado pela escola pois a plataforma não aceita outras extensões”

 

Bem-vindos ao mundo real, onde isto existe mesmo.

Socorro.

Que os anjos vos protejam, coragem, boa sorte, namastê (ou a professora exausta que há em mim saúda o semelhante que há em ti), muita cafeína, um copo à refeição até é permitido, mais cafeína e que nos valha Santo E@D.

 

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -------------

publicado às 20:49

À medida que o tempo passa e saem cada vez mais artigos científicos e estudos sobre diversos assuntos - linguísticos, clínicos, médicos, etc. -, sou levada a crer que, na verdade, a maioria das pessoas não quer saber - no sentido de ler, perceber, questionar em caso de dúvidas. O primeiro instinto é por regra a desconfiança, seguido de um ror de argumentos pseudoplausíveis a justificar a atitude. Ou seja, um bocadinho aquilo que se vive neste momento em relação à doença covid, vírus recentes, se a Terra é plana ou redonda, antivaxxers (pessoas contra vacinas), se o Homem foi mesmo à Lua, etc. Basicamente, todos os temas fracturantes que suscitem imensas teorias da conspiração. E gente que as defende. É o efeito Dunning-Kruger (ai pensavam que isto não tinha nome? Tem, pois! Um nome mais pomposo e bonito do que "estupidez").

Isto para dizer que tenho cada vez menos vontade, paciência e tolerância para me justificar enquanto mãe e para provar por a+b+c tudo o que envolve as piolhas, a outros, a terceiros. Não tenho de o fazer, não tenho de provar nada e, definitivamente, não tenho de ouvir conversas que comecem com "no meu tempo" ou "se fosse comigo".
Como dizia a nossa médica ontem, uma coisa é uma condição clínica com possível causa genética que não é nem defeito nem qualidade; outra é a estupidez que é um defeito incurável porque a pessoa assim o quer.


Avizinham-se tempos extremamente trabalhosos com escola à distância e toda a gestão pessoal e familiar e dificuldades que isso acarreta (não se iludam porque antes da Páscoa não volta ninguém à escola, dados os números em relação a contágios, infeções e internamentos de crianças de faixas etárias cada vez mais baixas) .
Noção precisa-se. E os pais atípicos não precisam de estar sempre a levar com a falta dela.

 

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -------------

publicado às 11:00

As escolas nunca fecham

por t2para4, em 19.01.21

A escola não é apenas um lugar de aprendizagem, de ensino, de experiências. Sabemos - ou deveríamos saber - que, em muitas situações - situações até demais, infelizmente, e que deveriam estar totalmente identificadas e resolvidas - funciona como centro de apoio, como porto de abrigo, refúgio até. Sim, muitas vezes, é na escola que algumas crianças têm as únicas refeições decentes do dia.


Mas, atenção quando se escreve dando exemplos generalistas descontextualizados como justificação do não encerramento atual das escolas face aos casos de covid! Fechar as escolas agora, parar as escolas no Natal, parar no Carnaval (sim, aqueles 3 habituais dias), parar na Páscoa e parar quase 3 meses para alguns anos de escolaridade vai manter as mesmas desigualdades, vai manter em risco algumas crianças, vai trazer problemas de violência e fome. Porque as escolas não funcionam 24h/dia! Mas também não fecham na totalidade! Não é só por conta do covid! Que não se use essa desculpa para não se proceder ao que deverá ser ética e medicamente mais correto neste momento!


As escolas não funcionam sozinhas. Há protocolos com juntas de freguesia, câmaras municipais, entidades (semi)públicas e privadas e mais, para que, nas pausas letivas, essas crianças não morram de fome, frio ou violência! Há CPCJ para os casos graves. As mesmas premissas que usam agora para justificar o manter as escolas abertas enquanto morrem aos Boeings cheios de gente por dia em Portugal! Estas situações manter-se-ão nas férias grandes, sabem? Ou nas férias grandes já não há problema de aulas+covid+desigualdades+etc e tal?


Para os ignorantes de serviço, tenho uma novidade: houve escolas que NUNCA fecharam de março até agora! E houve até crianças que tiveram SEMPRE aulas presenciais, com professores a sério, lá dentro de uma sala de aula! E havia SEMPRE refeições garantidas para crianças carenciadas! E havia comunicação estreita com as famílias na tentativa de se apurar se estaria tudo a correr bem - aulas à parte. E, pasme-se, as escolas sede NUNCA fecham nas férias grandes!
As escolas têm muitos defeitos mas, porra, por regra, não costumam deixar estes casos graves e sinalizados para trás, nem nas férias grandes.
Não me venham é usar esses argumentos mal usados, gastos, deturpados que até já cheiram mal como desculpa porque não há dinheiro para fechar as escolas. Assumamos que é isso! Não há! E eu percebo! Nem imagino a cratera fenomenal que a nossa paupérrima Segurança Social deverá ter. Mas não se invente que é a fome e a violência que impedem de fechar as escolas. Para esses, as escolas nunca fecharão. Terão sempre a sua refeição, terão a sua vigilância.


E, aviso desde já que se começarem os insultos, vierem mimimis desagrados ou teorias da conspiração, vão logo àquele sítio com três cestos - serão banidos e bloqueados e até denunciados. Não tenho a mínima pachorra para aturar gente acéfala quando se morre às centenas em hospitais, quando faltam ambulâncias, quando se escolhem vidas como se estivéssemos numa guerra civil do século XIX, quando há enfermeiros a alimentar doentes em ambulâncias que esperam horas para entrar nos hospitais. Querem acreditar que a Terra é plana é lá convosco mas não neguem que está a ser cada vez mais difícil escapar a um vírus que existe. E que está cientificamente provado.

 

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -------------

publicado às 23:18

A escola é minha, é tua, é nossa

por t2para4, em 15.01.21

Este é um post sobre educação, sobre escola, sobre defesa da escola pública, sobre a defesa do acesso universal à educação.
Sim, seguir a máxima - concordemos ou não, apesar da burocracia inerente - "escola de todos para todos". E isso, meus caros, inclui mesmo todos. Todos até aqueles que têm deficiência, que são neurodivergentes. Isto é sermos "todos".


Um determinado candidato presidencial e dirigente de um partido extremista - o mesmo candidato que se incomoda e faz uma birra por causa do baton vermelho de uma oponente, do que se compra no estrangeiro sobre outra, que insulta idosos (esquecendo que é para essa faixa etária que caminha) e traz à baila o que pior havia num Portugal profundo e ostracizado nas décadas de 40-50-60-70, apresenta, na sua proposta eleitoral, o que se transcreve abaixo:


"Educação: à cabeça surge a ideia de extinguir o Ministério da Educação, mantendo também aqui o governo meras funções de regulação e inspecção. “As instalações escolares passariam, num primeiro momento, para a tutela da Direcção Geral do Património que, de seguida, as ofereceria a quem nelas demonstrasse interesse, dando-se prioridade absoluta aos professores nelas leccionando nesse momento”. Seguir-se-ia a “instituição do cheque-ensino”, subsídio directo ao estudante, permitindo a este optar pela escola da sua preferência."


Ou seja, apesar de todos nós - gente do terreno, não doutores de gabinete - sabermos que o MEC tem muitas falhas, no entanto, sabemos que o MEC ainda é o que nos rege e, em algumas situações, põe mão e travão a verdadeiras atrocidades legais aos direitos dos alunos nas escolas. Uma proposta destas a concretizar-se iria traduzir-se na hora - não tenhamos dúvidas!!!!! - num regresso aos anos negros da ditadura, sem escola para todos, se lugar para aprender, sem lugar para as crianças com deficiência, com necessidades específicas.
Não nos iludamos que muitas perturbações como dislexia, défice de atenção, autismo, défice cognitivo iriam desaparecer dos decretos-lei e as deficiências mais profundas, as doenças raras nem seriam previstas. As unidades multideficiências seriam fechadas e desmanteladas, as unidades de ensino estruturado seriam reconvertidas em salas de aula típicas, os recursos humanos usualmente dedicados à área da educação especial seriam dispensados. A Educação Especial seria extinta. Extinta! Porque, à semelhança do que já fazem algumas instituições privadas, a escola, que deixaria de ser pública e de todos e para todos, privatizada, passaria a dar-se ao luxo de recusar determinados alunos, passaria a usufruir em pleno esplendor da reserva do direito à admissão.
A escola pública tem muitos problemas e não é perfeita. Mas a escola pública portuguesa é das únicas no mundo onde existe algo semelhante à inclusão, a caminho dela, num espaço de apenas 40 anos (o post que escrevi sobre isso aqui).


Política à parte, partidos à parte, vontades à parte, confinamento à parte, pensem bem se é isto que querem para os vossos filhos - típicos e atípicos-, se querem voltar a ver o nosso país - independentemente dos seus defeitos e problemas - não só mergulhado numa crise profunda mas também numa obscuridade medonha, com medo até da própria sombra. Pensem bem se vale a pena desistir do direito do voto ou não votar porque estamos zangados com o atual Governo. Pensem bem se é dar cabo do pouco bem que temos em busca de uma coisa atroz, inconstitucional certamente (artigo 43 da Constituição da República Portuguesa) e contra os direitos humanos (Declaração dos Direitos Humanos, artigo 26). Pensem bem se nos interessa ter um povo cada vez mais acéfalo, incapaz de pensar por si e sem oportunidades educativas justas de todos e para todos. Pensem bem se querem que se mexa na nossa Constituição para alterar direitos básicos que devem ser alienáveis.


Tirem o cu do sofá, façam o vosso passeio higiénico e vão votar. Quanto mais não seja para afastar "pessoas" destas de lugares aos quais não pertencem.

Hoje é um baton vermelho e um avô bêbedo, amanhã são escolas privatizadas com ensino discriminatório e elitista.


Nem eu nem as minhas filhas merecemos isso. Não é para isso que pago os meus impostos e continuo a dedicar-me à profissão, sabe lá muita gente com que sacrifício.


Concluo, repetindo-me e retirando a premissa do Decreto-Lei 54/2018: escola de todos para todos.


#escolapública #defesaescola #direitoàeducação #direitoàdiferença #neurodiversidade #deficiência #proteçãodaeducação #apeloaovoto #t2para4

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -------------

publicado às 15:08

Direitos Reservados

Algumas das fotos publicadas neste blog são retiradas da Internet, tendo assim os seus Direitos Reservados. Se o autor de alguma delas discordar da sua publicação, por favor informe que de imediato será retirada. Obrigada. Os artigos, notícias e eventos divulgados neste blog tem carácter meramente informativo. Não existe qualquer pretensão da parte deste blog de fornecer aconselhamento ou orientação médica, diagnóstico ou indicar tratamentos ou metodologias preferenciais.


Mais sobre mim

foto do autor







Parceiros


Visitas


Copyright

É proibida a reprodução parcial/total de textos deste blog, sem a indicação expressa da autoria e proveniência. Todas as imagens aqui visualizadas são retiradas da internet, com a excepção das identificadas www.t2para4.com/t2para4. Do mesmo modo, este blog faz por respeitar os direitos de autor, mas em caso de violação dos mesmos agradeço ser notificada.

Translate this page


Mensagens