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Self-care ou o cuidar de si mesmo

por t2para4, em 31.05.21

Self-care ou o cuidar de si mesmo não pode ser um luxo, não pode nem deve ser visto como uma banalidade e jamais deve ser encarado como "frescura" ou preguiça.
Self-care ou o cuidar de si mesmo tem de ser uma prioridade. Tem de ser como a tal imagem da bateria a 1% ou no vermelho e que nunca deixamos acontecer no nosso telemóvel ou portátil, logo, não podemos deixar que aconteça a nós mesmos.
Self-care ou o cuidar de si mesmo é um benefício tremendo pois só assim seremos nós mesmos, os tais que são produtivos, cuidadores, atentos, trabalhadores exímios. Andar no limite ou estar no limite das nossas capacidades é um preço demasiado elevado para pagar.
Lamento, depois de tantas cabeçadas que já levei, não me incluir também nesta equação prioritária e primária. Mas as coisas mudam atempadamente e com a devida ajuda, tudo se reajusta. Pedir ajuda - nem que seja de medicamentos - não é vergonha nem é covardia; é sinal de que se arrastou e se deu e se cedeu demais durante demasiado tempo.
Self-care ou o cuidar de si mesmo é fundamental. Quer os outros entendam ou não.
E eu tenciono ter isso presente, daqui para a frente.
Porque eu também sou uma prioridade.

 

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publicado às 18:42

Sapatilhas velhas, roupa da que não temos pena que se estrague e... as bicicletas...
 
Lembro-me, claramente, de uma terapeuta no hospital nos dizer que as piolhas tinham problemas de dissociação motora (ou seja, fazer dois movimentos diferentes com o corpo), de equilíbrio e de corrdenação. Nada de novo, portanto. Daí a dificuldade tremenda em conseguirem andar de bicicleta mas equilibrarem-se tão bem numa trotinete... Nessa altura, apercebi-me, amargamente que, talvez tenhamos negligenciado a necessidade de terapia ocupacional.
Foi há 6 anos.
Dessa data em diante, as piolhas começaram a compensar o tempo perdido com sessões semanais numa academia de motricidade e passaram a ter terapia ocupacional na escola, mas, com aquela idade, mais voltada para a área social e organizacional.
 
O tempo foi passando e as rodinhas de apoio passaram a ser uma amálgama estranha de metal meio suspensa nas bicicletas e elas sem conseguirem pedalar naquilo, sem cair. O marido - mais assertivo nestas coisas do que eu - tirou-lhes as rodinhas. Não correu bem, detestavam andar naquilo, não tinham qualquer interesse, o tempo foi passando, elas cresceram e tiveram de mudar para bicicletas maiores. A adaptação não foi má de todo mas, treinar o equilíbrio, já era demasiado trabalho quanto mais pedalar... Tentámos no nosso pátio, na rua, em trilhos lisos , até na escola quando o ATL criou um dia só para patins/trotinetes/bicicletas!! Conseguiram uma coisinha mínima e desistiram.
 
Este verão, deixei de andar a transportar bicicletas em carros e levei-as para casa da avó. A tia achou que era desta que iriam aprender. O pai insistou e chateou-se e irritou-se, as piolhas insistiram e chatearam-se e irritaram-se... Os vizinhos (gémeos também, mas de outra geração) vieram ajudar e até ajudaram a colocar no sítio as correntes que saltavam (se é para fazer, que seja como nos velhos tempos, com correntes cheias de óleo a sair e tudo!). A tia insistiu por dias. O pai insistiu.
E hoje, depois de muita insistência e chatice e reclamação e resiliência e teimosia e atitudezinhas (deusmalibre...) e subornos e ameaças e negociações e o diabo a sete, finalmente, as piolhas aprenderam a pedalar mais que um metro. Aprenderam - literalmente - a andar de bicicleta e a equilibrar-se.
Aprenderam a andar de bicicleta!!!
Conseguem até já subir pequenas e mínimas inclinações a pedalar sem se desiquilibrar. Aprenderam a andar de bicicleta, sem rodinhas, sem apoio, sem ninguém a empurrar. E, orgulhosas desta conquista, exigiam que as víssemos pedalar, transpiradas e cheias de calor, todas contentes. E chamaram o avô inúmeras vezes para que as visse.
Agora, rezo que seja mesmo como se diz popularmente, que andar de bicicleta seja coisa que nunca se esqueça.
Este foi, sem dúvida, um grande feito para nós hoje.
 
 
 

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publicado às 19:41

É o meu corpo e ponto final

por t2para4, em 04.08.18

Adoro quando regressam os dias de sol e de calor e irrompem de todo o lado mil anúncios a ginásios, dietas, cremes anti-celulite, suplementos e até exercícios localizados. Só que não.

Qual é que é o ponto de pressionar as mulheres - e os homens, já começo a ver que também surgem ataques disfarçados à figura física masculina - para se ter um suposto corpo perfeito? Mas, por acaso, a perfeição é gradualmente tornarmo-nos todas iguais umas às outras, entupidas de botox, sem expressões faciais, sem características pessoais únicas? 

Não, obrigada.

A sério.

 

Demorei anos a aceitar-me. Passei todos os meus anos de escola - todos - insegura de mim mesma: ou era o cabelo (que não era liso) ou eram as unhas (que não existiam por roê-las) ou eram as pernas (que ameaçavam celulite) ou era o aspeto (alta demais, achava-me feia) ou era o queixo (comprido demais). Por favor! Se eu pudesse voltar atrás dava a mim mesma uma carga de porrada e mostrar-me-ia que posso ser firme, segura de mim mesma e confiante sem ligar às opiniões de terceiros e sem ter que me comparar com ninguém. 

É exatamente isto que digo às piolhas sempre que surge uma oportunidade. Nunca as ouvi queixar-se do que quer que seja do seu corpo (ainda é cedo para estas crises) e quando falam de borbulhas no nariz, elas próprias, com naturalidade, dizem que é a puberdade.

 

Eu não sou perfeita Mas sou perfeitamente capaz de aceitar os meus defeitos inestéticos. Uma gravidez múltipla trouxe-me estrias na cintura e falta de definição na barriga, esticou a minha pele a um estado tal que consigo ver onde engelha por causa dessa elasticidade; uma amamentação mal sucedida e uma subida do leite inesperada trouxeram estrias às minhas mamas e fê-las descaírem; essa mesma gravidez e um aborto espontâneo há uns anos agravaram a celulite nas minhas pernas e despertaram uma rosácea terrível na minha cara que só ameniza com pomada antibiótica. 

Não estou tonificada nem morenaça nem musculada. Não tenho o cabelo esticadinho, perfeito e sempre no lugar. Não uso maquilhagem todos os dias. Já não consigo usar saltos agulha.

MAS...

Estou com um corpo incrível para quem passou por 2 cirurgias à barriga e passou por 2 gravidezes, sobreviveu a uma lesão grave intermuscular e lesões cerebrais que requereram medicação tão forte que me fez cair o cabelo, dar cabo da pele e enfraquecer as unhas.

Não tenho paciência, nem dinheiro, nem vontade de encher o cabelo de químicos. Nem sequer tenho vontade de me pentear e só o faço quando lavo o cabelo. Sigo um cronograma capilar de forma séria, arrisquei um corte de cabelo novo e ganhei caracóis e ondas que defino com creme de pentear ou espuma. E penteio-me com os dedos.

De vez em quando, quando as costas e as folgas me permitem, faço algum exercício físico. Mas, há de contar como reforço subir 3 lanços de escadas com kg de sacos de compras, materiais da escola, filhos, etc. Porque, de uma coisa estou certa, tudo isto me sai do coiro.

Tenho celulite e, este ano, depois de muitos muitos muitos anos a recusar sequer ter algo do género no meu roupeiro, usei vestidos e saias no inverno (com collants e não leggings) e estou a usar e a abusar dos calções, vestidos e saias no verão (de perna ao léu, mesmo).

Tenho uma barriga magra e lisa que não é tonificadinha mas uso bikini e bikini usarei até me fartar. 

Desisti de fazer a depilação só para, supostamente, agradar ao marido (quando ele, na realidade me confessou que não liga nada a isso) e faço por mim: porque detesto pêlos, porque é mais higiénico, porque vou usar uma saia ou um bikini e porque eu controlo esse processo (faço com máquina em casa e tenho pouquíssimos motivos de sofrimento).

Desisti de disfarçar os brancos. Ainda pintei o cabelo várias vezes com coloração permanente e com a que sai com lavagens. E, um dia, um mês depois de o ter pintado, apanhei piolhos (quando supostamente não entrariam em cabelo pintado). Apanhei uma neura tal que desisti. Estou com imensos fios brancos e quase quase na minha cor natural. E sinto-me muito bem.

Deixei de usar cremes de dia, de tarde e de noite. Além daquelas bodegas me atiçarem a rosácea, esquecia-me de usar como deveria e em dias de calor absurdo como agora, eu ficava um nojo maior. atirei tudo fora e utilizo água termal, a tal pomada quando necessário, leite de limpeza da marca Cien todas as noites. E chega que não tenho paciência para mais. Nem dinheiro.

 

O que quero daqui retirar é que, desde que aprendi a aceitar-me assim como sou e a ter a noção de que o esforço a que submeti o meu corpo e a idade que começa a fazer-se pesar, sinto um alívio imenso e me sinto realmente melhor. Não sou nenhuma hippie! Adoro usar maquilhagem e não saio de casa sem lápis/rímel e baton. Adoro salto alto (passei a optar por uns mais baixinhos ou por salto cunha) mas há looks incríveis com botins, sandálias e sapatilhas. Comecei a usar roupas com as quais me sinto verdadeiramente confortável e bem. Arranjo as unhas, quase religiosamente, há coisa de dois anos com a melhor pessoa que podia imaginar, que sabe o que faz e não arrisca estragar o pouco que há e que faz autênticos milagres.

Não quero que as minhas filhas passem pelo horror que eu passei e tenham vergonha de sorrir para uma foto porque acham que são feias. Tudo coisas parvas da nossa cabeça e sem razão para existirem. Elas são lindíssimas (eu sei que sou altamente suspeita e imparcial mas é verdade) e não precisam nem têm necessidade de pensar ou de se rebaixarem ao ponto de não se aceitarem como são. Já basta o que basta.

Tudo com conta, peso e medida. Ignorar e evitar ataques, serem saudáveis e terem cuidados básicos com a saúde (e, por acréscimo, com o corpo) e serão sempre belas. Porque envelhecer não tem que se tornar no horror e na fogueira de vaidades plastificadas e sem heterogeneidade que se apregoa por aí. Pode ser natural. 

 

Para já, espero que, como adolescentes, as piolhas não sintam nem sofram a pressão de serem uma ou outra figura. Espero e tentamos que sejam elas próprias, com o gosto delas e que saibam aceitar-se. São lindas, saudáveis e felizes. 

Como dizem os meus caríssimos e queridos Dr. Watson e Sherlock Holmes, "it is what it is".

 

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publicado às 16:48

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