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Este ano decidi não correr mais do que o estritamente necessário e, claro está, poupar também no combustível e nas refeições à pressa, fora de casa ou já feitas. Não estamos em época de vacas gordas e, muito sinceramente, estou farta de correr atrás de foguetes e de pagar para trabalhar. O que eu tenho este ano, como professora contratada em horário incompleto, sem acumulação, traz-me tudo aquilo de que eu - e, principalmente, as minhas filhas - precisamos. Os julgamentos que outros tecem a esta decisão conjunta - em família -, não me interessam até porque já diz o sábio do meu marido, pimenta no cu dos outros é refresco.
Assim, apesar de já estarmos quase no final de setembro, ainda estamos a organizar-nos. Os meus níveis de dopamina estão em alta quando se trata de preparar materiais e dar aulas mas muito em baixo quando preciso de tratar de burocracias, coisa que, pois claro, tenho arrastado até à exaustão mas de que não posso escapar. O começo das aulas tem sido tranquilo para todos os envolvidos e desejo profundamente que assim se mantenha. Já temos os nossos horários de atividades extra conjugados (e não me venham cá chatear com as atividades porque, à exceção das aulas de bateria, todas as restantes atividades são em forma de (fisio)terapia), tempo livre para descansar (sim, este ano faz parte das nossas prioridades) e espaço para termos tudo feito sem sacrifícios, sem dramas, sem roubar tempo a outras coisas.
As refeições são mais prazerosas de se pensar e de se preparar, há tempo para as fazer com calma, há até espaço à criação de lanches saudáveis e diferentes do habitual pão com manteiga e iogurte (opção nº 1 das piolhas). O mesmo vale para mim, claro. Continuarei a fazer as habituais marmitas, pois é económico, rápido e um excelente aproveitamento de sobras de refeições. E, na minha hora de almoço, poderei avançar com outras tarefas depois de comer, uma vez, que sobra tempo.
 
Será um ano diferente e exigente, com muitos desafios novos para todos. Eu voltei temporariamente à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (é desta que farei as pazes com os meus demónios do passado :D ) e quero fazer coisas novas na escola, as piolhas já têm ideias fantásticas de projetos para desenvolver e o marido anda entusiasmado com formação nova. E, continuamos a conjugar tudo com a nossa vida familiar, pessoal e laboral.
Setembro tem sabor a janeiro. Aliás, em janeiro não fazemos metade do que fazemos em setembro, igualmente longo, apesar dos seus meros 30 dias. É o mês dos regressos e das rentrées. Espero que sejam bons prenúncios.
 
A primeira semana de aulas foi uma semana intensa. Não tanto a nível de trabalho mas a nível emotivo. Tantas coisas novas e tantas expectactivas e tanta cautela... Mas também tanta coisa nova aprendida e apreendida! Idas para casa a pé; gestão de mochilas, que usam quando e se quiserem; utilização de novas app e plataformas; preparação para um amanhã que ainda dista no tempo mas para o qual já se organizam e tantas ideias boas.
O que nos surpreendeu mais e nos obrigou a ir buscar os babetes delas para colocarmos aos nossos pescoços foi grande, verdadeiramente grande: aprenderam a trabalhar em grupo... em separado, de forma voluntária; cada uma trabalha com uma equipa diferente e foi acordado entre elas, sem sugestão ou imposição dos professores, trabalharem separadas. E, com tudo o que isso acarreta, trabalhar e socializar com os novos colegas, traçar objetivos, atingir resultados - sem a influência uma da outra.
E, para além disso, lidar com o imprevisto de não poderem ir a casa almoçar quando já está tudo planeado e terem de encontrar alternativas extra escola. Acabaram por ir a um pequeno restaurante sozinhas, pela primeira vez, onde fizeram tudo direitinho, incluindo pagamentos e trocos. Até trouxeram o talão - coisa que soube porque, pois claro, acabámos por averiguar, mais tarde e sem elas saberem, como tinha corrido. E ouvimos muitos elogios.
Estou verdadeiramente feliz. Deram um pulo de crescimento em autonomia. Para pais típicos isto tudo serão peanuts mas para nós isto é algo mais do que sonháramos... é um esperado inesperado muito desejado e com um sabor a vitória indescritível. Temos as condições favoráveis para que este "pulo" tivesse ocorrido. E o desenvolvimento e a aprendizagem surgem. E isto vale tão mais e tem tanta importância que não dá para transmitir em palavras.
Elas estão de parabéns, nós estamos orgulhosos e todos estamos a fazer algo bem e bom. E as pessoas certas nas nossas vidas permitem que isto possa acontecer.
 
 
 
 
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publicado às 15:37

Sei o que fizeram este Verão

por t2para4, em 07.09.21

São iniciativas que já contam com muitos anos e foram mudando de nome ao longo do tempo mas que eram, nos anos 80 e 90, "Ocupação de Tempos Livres" e agora são "Estágios". Destinados a jovens, geralmente dos 14 aos 18 anos, estes programas eram uma excelente mais-valia nas férias grandes para aprendizagem de algo novo, promoção da autonomia e uma maneira de tirar muitos de nós de casa para fazer algo útil.
Este ano, porque a idade permitiu, as piolhas participaram neste tipo de programas, durante as férias de verão, por duas semanas. Este programa, em particular, pretendeu possibilitar aos inscritos a oportunidade de ocuparem o seu tempo livre em ambiente de trabalho real, onde foram valorizados aspetos com a assiduidade, empenho, dedicação e responsabilidade, permitindo a aquisição de competências que venham a ser úteis para a sua vida adulta.
Se o primeiro dia foi passado a limpar livros e não foi a atividade favorita delas, os restantes foram bem melhores e trouxeram as aprendizagens que pensávamos serem alcançadas. E mostraram a possibilidade de que é possível "trabalhar" em contexto real e o que esperar de quem orienta e de quem executa. Cresceram elas e crescemos nós.
As férias são excelentes para muitas atividades e esta é, sem dúvida, uma a repetir. Há tempo para tudo. Setembro pode ter tudo a ver com (re)começos mas agosto foi um mês de crescimento e de aquisição de novas competências. Um começo diferente numa época do ano diferente - ou não fôssemos nós dados à diferença.

 

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publicado às 16:06

Sapatilhas velhas, roupa da que não temos pena que se estrague e... as bicicletas...
 
Lembro-me, claramente, de uma terapeuta no hospital nos dizer que as piolhas tinham problemas de dissociação motora (ou seja, fazer dois movimentos diferentes com o corpo), de equilíbrio e de corrdenação. Nada de novo, portanto. Daí a dificuldade tremenda em conseguirem andar de bicicleta mas equilibrarem-se tão bem numa trotinete... Nessa altura, apercebi-me, amargamente que, talvez tenhamos negligenciado a necessidade de terapia ocupacional.
Foi há 6 anos.
Dessa data em diante, as piolhas começaram a compensar o tempo perdido com sessões semanais numa academia de motricidade e passaram a ter terapia ocupacional na escola, mas, com aquela idade, mais voltada para a área social e organizacional.
 
O tempo foi passando e as rodinhas de apoio passaram a ser uma amálgama estranha de metal meio suspensa nas bicicletas e elas sem conseguirem pedalar naquilo, sem cair. O marido - mais assertivo nestas coisas do que eu - tirou-lhes as rodinhas. Não correu bem, detestavam andar naquilo, não tinham qualquer interesse, o tempo foi passando, elas cresceram e tiveram de mudar para bicicletas maiores. A adaptação não foi má de todo mas, treinar o equilíbrio, já era demasiado trabalho quanto mais pedalar... Tentámos no nosso pátio, na rua, em trilhos lisos , até na escola quando o ATL criou um dia só para patins/trotinetes/bicicletas!! Conseguiram uma coisinha mínima e desistiram.
 
Este verão, deixei de andar a transportar bicicletas em carros e levei-as para casa da avó. A tia achou que era desta que iriam aprender. O pai insistou e chateou-se e irritou-se, as piolhas insistiram e chatearam-se e irritaram-se... Os vizinhos (gémeos também, mas de outra geração) vieram ajudar e até ajudaram a colocar no sítio as correntes que saltavam (se é para fazer, que seja como nos velhos tempos, com correntes cheias de óleo a sair e tudo!). A tia insistiu por dias. O pai insistiu.
E hoje, depois de muita insistência e chatice e reclamação e resiliência e teimosia e atitudezinhas (deusmalibre...) e subornos e ameaças e negociações e o diabo a sete, finalmente, as piolhas aprenderam a pedalar mais que um metro. Aprenderam - literalmente - a andar de bicicleta e a equilibrar-se.
Aprenderam a andar de bicicleta!!!
Conseguem até já subir pequenas e mínimas inclinações a pedalar sem se desiquilibrar. Aprenderam a andar de bicicleta, sem rodinhas, sem apoio, sem ninguém a empurrar. E, orgulhosas desta conquista, exigiam que as víssemos pedalar, transpiradas e cheias de calor, todas contentes. E chamaram o avô inúmeras vezes para que as visse.
Agora, rezo que seja mesmo como se diz popularmente, que andar de bicicleta seja coisa que nunca se esqueça.
Este foi, sem dúvida, um grande feito para nós hoje.
 
 
 

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publicado às 19:41

Usar o secador

por t2para4, em 31.01.18

Cada vez apostamos mais na autonomia das piolhas e no ensinar-lhes coisas que possam ser úteis mais tarde e também motivos de autonomia.

Apesar de o banho estar totalmente autónomo, quem me conhece sabe que sou muito ciente do cabelo das piolhas (ver aqui ), em especial por causa de todos os episódios desagradáveis relacionados com o mesmo, por isso, a ideia de as deixar com um secador nas mãos assustava-me um pouco, confesso. Elas têm um cabelo tão bonito que não queria que se estragasse... Mas secar ao natural no inverno está fora de questão. Logo, mais cedo ou mais tarde, esta questão do uso do secador teria que surgir.

Até que, em conversa com a prima - também mãe de gémeas - ela me sugere fazer o mesmo que faz: uma piolha seca à outra, de cabelo apanhado para não se enrolar no secador, e depois trocam. Tão magnificamente simples.

 

E, assim foi, depois de lhes lavar o cabelo (essa parte ficará para o verão), lá as ensinei a usar o secador, protegi bem o cabelo com spray térmico e dei a indicação de que tinha de ficar bem sequinho. Ensinei também um truque mais eficaz para pentearem o cabelo (que, basicamente, é fazer o mesmo que faz qualquer princesa da Disney: puxá-lo todo para um lado e pentear, depois trocar). Correu muitíssimo bem. E ambas se entreajudam sem dificuldades e acham imensa piada. Só não acham piada nenhuma ao facto de demorar... A mim aliviam-me de mais uma tarefa que me ocupava imenso tempo. A elas, a tarefa aparentemente simples mostra que são capazes de fazer cada vez mais coisas e sozinhas.

 

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Hoje, foi a vez de ensinar a secar o cabelo com a toalha, antes do uso do secador. Não correu mal mas ainda temos de treinar essa parte mais vezes. 

E, pouco a pouco, lá chegaremos. 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:50

TPC de véspera de feriado

por t2para4, em 30.11.17

Aprender a usar o micro-ondas (sem ser apenas para lhe mudar ou acertar as horas). Quem? As piolhas, claro!

 

As piolhas sempre foram crianças que não gostavam muito de leite, fosse ele materno ou artificial. A muito custo, enquano bebés da mesma idade bebiam 300 ml, elas bebiam 90 ml e já era uma vitória. Leite de vaca, aos 12 meses foi para esquecer. Lá descobrimos que gostavam de cereais láteos e lá nos desenrascamos com isso. Até que arriscámos, lá para os 3 ou 4 anos, depois dos vómitos com o de soja, o leite com chocolate e, apesar de serem seletivas com alguns sabores, lá conseguimos dar-lhes leite. Não havia a diversidade de leites vegetais que há agora e cedemos ao leite com chocolate.

As piolhas, pouco a pouco, lá foram, por ser extremamente prático, adquirindo autonomia e pouco tempo depois, já tomavam o pequeno-almoço sozinhas (são como eu, forçam-se a beber um leite só para não ficarem sem comer nada até terem vontade de comer). Chegam a beber 4 pacotes de leite por dia, o que dá 800 ml.  
Mas, se a autonomia delas me deixa orgulhosa, a quantidade de açúcar (e não foi preciso vir um deputado mostar isso; cá em casa, há leite com chocolate mas não há refrigerantes nem sumos às refeições - há água) é assustadora. Como são incapazes de beber leite branco simples, experimentámos colocar um colherzinha de chocolate em pó (Nesquick ou ColaCao) e arriscar. Correu bem e aceitaram muito bem, impressiona-as usarem uma caneca (e a tia até lhes ofereceu umas do My Little Pony muito giras). 

 

Queremos diminuir a quantidade de açúcar consumido indiretamente com o leite com chocolate e, por isso, implementámos o uso do leite com chocolate em pacote apenas em lanches fora de casa. Em casa, bebe-se leite branco com um colher de chocolate apenas, numa caneca. Para isso, e para continuar a fomentar a sua autonomia, hoje foi tempo de ensinar as piolhas a trabalhar com o micro-ondas. As canecas estão em fácil acesso e as colheres para mexer também. Foi importante frisar que as colheres - o metal - não pode ir ao micro-ondas por risco de explosão (algo que já sabiam de Estudo do Meio). Assim, vão ao frigorífico buscar o pacote do leite (há lá sempre um aberto), deitam nas canecas, colocam dentro do micro-ondas e programam um minuto no programa standard e aguardam. Depois, no final, retiram, colocam uma colher de chocolate em pó (que já está dentro da lata para ser mesmo aquela medida) e mexem com as colheres de metal. Voilà! Simples.

E elas todas orgulhosas de si mesmas.

E eu delas.

 

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publicado às 21:25

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