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"Mattias: My father [...] taught me to never take the good for granted. He’d say, “Be prepared. Just when you think you found your way, life will throw you onto a new path.”
Anna: What do you do when it does?
Mattias: Don’t give up. Take it one step at a time, and…
Anna: Just do the next right thing?
Mattias: Yeah. You got it."

Este diálogo faz parte do filme Frozen II e marcou-me. Fiquei a pensar naquilo porque esta é uma realidade que nos assenta que nem uma luva.
Desde sempre que tivemos que aprender a não tomar as coisas dadas como garantidas. E isso foi-nos ensinado de forma crua, dura.
Desde sempre que nunca pudemos traçar o nosso caminho com régua e esquadro ou inserir coordenadas num GPS. Qualquer que seja o mapa, qualquer que seja o sistema operativo do GPS, qualquer que seja a marca ou o modelo do aparelho, a verdade, a realidade é que, a vida atira-nos para um novo caminho. E nós até estamos a seguir as instruções e as placas e as coordenadas. Mas lá vamos nós. Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Mas num caminho diferente.
Gaita. Fomos enganados. Não conhecemos este caminho. temos de voltar para trás. Não dá para virar aqui. Não podemos fazer inversão de marcha. Então? Bem, vamos andando e vendo. Um passo de cada vez e logo se verá, um dia de cada vez, e cada dia uma nova etapa e uma parte de caminho percorrida.
E depois? Depois? Bem, depois continuamos ao caminho e fazemos o que achamos o mais adequado... E adaptamo-nos. E moldamo-nos. E tornamo-nos versáteis.
É isto que nos faz fortes e nos enfraquece ao mesmo tempo.
É isto que nos enrijece o coração mas nos faz amar.
É isto que nos faz viver em ansiedade mas usufruir a viagem.
É isto que nos enerve mas nos faz valorizar as pequenas coisas.
É isto que nos difere das outras pessoas. Que podem ser como nós.

"Don’t give up. Take it one step at a time, and…Just do the next right thing."

Esta "the next right thing" pode ser algo tão simples como apenas um sorriso para uma mãe cansada, um olhar simpático para uma mãe com uma criança em birra, um sms com um simples bom dia ou fica bem, um gif engraçado no messenger ou no whatsapp, um beijo, um convite para um café, uma ajuda com os TPC dos miúdos, sei lá, há tantas TANTAS pequenas grandes coisas que podemos fazer e tornar na "next right thing".

Porque a vida, às vezes, muitas vezes, muda-nos o caminho...

 

 

 

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publicado às 18:54

Postal de Natal 2019

por t2para4, em 16.12.19

"Uma coisa amorosa do Natal é que é obrigatório, como uma tempestade, e passamos por isso juntos:"
(Garrison Keillor)

 

Como não podia deixar de ser, eis o nosso postal de Natal de oficial para 2019.
Não precisamos de dizer nada pois está lá tudo: a luz, os sentimentos, a cor, a união.
É o nosso desejo para todos.

 

 

 

 

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publicado às 22:00

As piolhas tomam café diariamente com conhecimento e aval do nosso médico. Não têm comorbidades associadas ao autismo que o impeçam. O reconhecimento clínico dos benefícios da cafeína pode ler-se em vários estudos e, aquando das minhas crises de enxaquecas, os médicos que me têm atendido nas urgências avisam-me sempre para que não quebre a rotina do tomar café.
A vantagem de termos mães atípicas como amigas é a nossa capacidade incrível de pensar fora da caixa. Está mãe atípica ofereceu-me os frasquinhos da imagem que são das palhetas do seu filho adolescente que tem diabetes. Testou e descobriu que são estanques. Dado o meu quase desespero de poder enviar café para as piolhas tomarem depois do almoço na escola, em especial, em duas de maior tensão, deu-me umas quantas. Avisou que o autocolante não sai facilmente. Assim, forrei e disfarcei. O café já vai frio para o recipiente e podem tomar quando e onde quiserem, sem necessidade de se explicarem.
No ano letivo anterior, as piolhas esqueceram-se de tomar café e, como houve ali uma quebra de rotina, quiseram compensar na escola. Ninguém lhes serviu café. E elas ficaram frustradas e sem perceber a intransigência do adulto. Um dos seus professores viu-as tão alteradas, inteirou-se da situação, ligou-me logo a pedir autorização e ofereceu-lhes o café. Ficou para sempre no meu coração. Foi o único que se importou.
Este ano não quis comprar esta guerra. Podemos encher os miúdos de refrigerantes com cafeína e açúcares e ninguém comenta mas somos condenados publicamente por lhes darmos café. E, se formos a locais onde não somos conhecidos e pedimos 4 cafés na presença delas, quem nos atende fica sempre na reserva. Se pedisse um refrigerante com 80% de açúcar e 2% de cafeína e uma data de E e outras letras já era na boa.
Não tenho paciência.

 

 

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publicado às 20:16

Ílhavo aqui tão perto

por t2para4, em 09.08.19

É sempre tão difícil convencer as piolhas a sair da sua área de conforto e aventurarmo-nos a ir para além do perímetro de Coimbra e arriscar a viagens com mais de 1h de duração. Todos os verões a mesma coisa... A negociação, a chantagem, as caras feias, a minha paciência a atingir o limite, as ameaças de que terão um verão vintage igual aos que eu tinha nos anos 80 e 90 (pais conservadores e nenhum transporte, nada de piscinas ou saídas), o choro... Bah... Mas, de repente, há um click e lá percebemos o porquê da ansiedade e chegamos a acordo, cedendo de parte a parte. E, sim, o suborno também entra na equação. E funciona.

Depois de nos termos aventurado a ir a Mérida, optámos por ficar mais perto e, desta feita, seguir o itinerário preparado pela tia. Seguimos para Aveiro, onde almoçámos (embora num ambiente familiar às piolhas, deste vez, nada de fast food) e depois fomos andar de moliceiro. Foi muito bom recordar o passeio que já tínhamos feito há uns 4 anos e foi muito bom ver as piolhas a interagir, pontualmente com a tripulação. E ficaram fascinadas por terem partilhado viagem com uma família de Cardiff, Wales.

Como já conhecemos Aveiro, seguimos dali para a costa de Ílhavo, para ver algo que já estava na nossa lista há algum tempo: o Navio-Museu Santo André. Comprámos bilhete conjunto para podermos depois ir ao Museu Marítimo de Ílhavo. Não me recordo do valor correto mas creio que para nós rondou os 20 euros. 

O navio está "amarrado# a pilares de cimento, por isso, não balança. No entanto, as escadas íngremes e o chão irregular requerem alguns cuidados (uma das piolhas atingiu o estômago da tia ao tropeçar numa dessas irregularidades e deixou-me o coração parado por uns minutos). É super interessante ver a perspetiva dos marinheiros da pesca ao bacalhau dentro do barco. Eu  confesso que nem para cruzeiros presto... Temos acesso às divisões todas, desde a área de salga às camaratas e cozinha quer do pessoal quer do comandante e até temos o privilégio de podermos sentar ao leme. Não façam como eu que, armada em parva, decidi abrir a porta que dizia WC e chuveiro e fui brindada com um cheiro a realidade. 

Saímos de lá com um respeito imenso pela profissão e pelas pessoas que a escolhiam. E aprendemos muito sobre a vida no mar e a relação de Portugal com a pesca do bacalhau. Dali, seguimos uns 8 km até ao surpreendente e fascinante Museu Marítimo de Ílhavo e o seu aquário de bacalhaus que prendeu as piolhas e conseguiu impressioná-las. Foi mesmo amor à primeira vista. E isto permitiu, finalmente, abrir as portas para, mais tarde, visitarmos o Sea Life e o Oceanário, locais onde ainda não tínhamos ido por falta de interesse da parte delas (e, tendo em conta o preço dos bilhetes, teríamos mesmo de ir de muito boa vontade e desejo). Agora sabemos que não irão sentir-se assoberbadas e querem mesmo conhecer estes locais. Numa próxima. 
Este museu mostra um pouco da vida marítima na zona e tem a vantagem incrível de podermos não só andar dentro de um barco bacalhoeiro antigo, ver outros à escala, da região circundante (como os moliceiros e os que transportavam o sal) mas também de conhecer mais sobre o fiel amigo e de o ver vivo a nadar, de forma tao simpática e à superfície. É um Museu muito agradável e interativo pois podemos andar dentro do barco, como referi, mas também abrir as gavetas na sala das conchas e observar tudo em detalhe. 
O aquátio é, sem dúvida, o ex libris. 

Vale a pena visitar.

 

À saída, uns ovos moles, umas bolachinhas e we called it a day. 

 

 

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publicado às 14:23

Foi um desejo meu de há alguns anos. E preparada com alguns meses de antecedência com pesquisas em grupos de viagens nas redes sociais e em sites de viagens. Foi assim que ficámos a saber os preços das entradas nos monumentos, se há ou não passe combinado, quais as distâncias entre pontos de interesse e até onde estacionar, aproveitando também para ver os preços do alojamento - que, para uma família, ficam um bocado fora do orçamento, daí termos optado pela ida e vinda no mesmo dia, pois os custos de combustível e portagens não chegam a metade do que seria o alojamento para todos nós.

Estes foram os dois sites que consultei e levei como backup de informação: aqui e aqui. Combinámos com a tia do t2 que a saída seria às 7h e a chegada prevista lá para as 21h. As únicas paragens seriam em áreas de serviço, até chegarmos a Mérida. De véspera, preparei as nossas coisas: carregar a bateria da máquina fotográfica/telemóveis/powerbanks; preparar as mochilas com águas/toalhetes/lenços de papel/protetor solar; separar as roupas que levaríamos (algo muito leve e confortável, chapéus de sol, óculos de sol e sapatilhas) + uma muda extra, just in case. No dia, verificar óleo e água do radiador do carro, atestar, levantar dinheiro, ligar o GPS e seguir. 

 

Descemos pelas encostas até começarmos gradualmente a ver quilómetros e quilómetros e quilómetros de erva seca, pequenas árvores (talvez chaparros?), muitas vacas castanhas e estradas quase sem curvas. Tão diferente das nossas estradas com curvas acentuadas e sinuosas, montanhas, árvores altas e tantos tons de verde desde o chão à copa das árvores e vacas malhadas. Umas simpáticas estavam a ver os carros passar à beira da estrada e não se afastaram para poderem ficar na fotografia. 

 

Chegámos por volta das 11h, cerca de 300 km depois. Estacionámos num parque pago mas  valeu a pena, pois assim sabemos que o carro ficaria seguro e bem estacionado durante o tempo que precisássemos. Seguimos as indicações de "aparcamiento" (a sinalização está muito bem adequada) e aquele parque fica perto de tudo, dando-nos a vantagem de podermos visitar e conhecer um pouco da cidade a pé.

 

Primeira paragem do nosso itinerário: Ponte Romana. É uma ponte proíbida ao trânsito mas com muito movimento pedestre. Optámos por visitar o parque e ver a perspectiva de debaixo, antes de a atravessarmos e depois irmos à Alcazaba (Alcáçova - onde comprámos bilhete integrado para visitar um conjunto de 6 monumentos - 15€ adulto e 7,5€ crianças até aos 12 anos). A vista é extraordinária. Fomos saudados por um ganso de voz forte, que nadava no Guadiana e, já em cima da Ponte, por uma conterrânea sorridente.
Logo ali, à entrada da Ponte, temos uma rotunda com a Lopa Capitulina que supostamente alimentou e cuidou dos gêmeos Rómulo e Remo, com Rómulo, mais tarde, fundador e rei de Roma. As piolhas reconheceram logo a imagem dos livros de História.
Já começava a fazer-se sentir o calor, que decidimos ignorar. Também decidimos ignorar a diferença horária e seguir a hora tuga, o que, a bem ver, quando fomos ao Teatro e Anfiteatro, puxou por nós pois fazia mesmo muito muito calor. Não se via quase ninguém nas ruas e brincámos com a hora da siesta. Nós calcorreámos as ruas em busca dos monumentos do nosso mapa e percurso já idealizado. Muito calor. Mas valeu a pena. Mérida é uma cidade incrível, com História em todo o lado e monumentos muito bem conservados. E, o mais fascinante, ainda com escavações e trabalhos em execução (e, fiquei a saber que "moléstias" são incómodos, pois estava escrito em todos os locais vedados por causa de trabalhos. Achei o máximo).

 

Como optámos manter-nos com o nosso fuso horário, de manhã visitámos a Ponte e o parque, depois a Alcáçova e ruas em direção à Plaza de España onde iríamos almoçar. Dentro do que é desconhecido, estranho, estrangeiro, longe da área familiar de conforto, optamos sempre por encontrar um fio condutor e algo que seja familiar. Eu adoro petiscar em restaurantes e ando a morrer por tapas há mais de 2 anos, desde que fomos a Vigo, mas as piolhas não vão muito nisso e, obedecendo ao nosso protocolo de segurança e conforto, enfiámo-nos no Burger King da Plaza e por lá estivemos um pouco a almoçar (e a arrefecer do calor). Costumamos levá-las a um shopping, se visitarmos alguma cidade, como recompensa; aqui, na ausência de um naqueles meandros, ficámo-nos pelo restaurante fast food.

Dali, seguimos para o centro da vila e emaranhámo-nos nas várias ruas - todas elas têm pontos de interesse turístico, quase todos grátis. O primeiro da tarde foi o Templo de Diana, deusa que uma das piolhas adora e monumento que queria visitar. Andou uns meses a pedir para ir a Évora porque queria ver o Templo de Diana. Mal pôde acreditar que em Mérida também havia um em homenagem a esta deusa que atira a associação de ideias para a Mulher Maravilhosa, deusa amazona, também ela Diana. Já soltava "uau" só ao ver a traseira do edifício mas ficou boquiaberta quando viu os pilares que o caracterizam e o excelente estado de conservação em que está.
É nestes pequenos nadas que vimos que está lá tanta coisa e que, no final de tudo e depois de tantos km (de carro e a pé), vale a pena insistir para que construam memórias, tenham vivências e usufruam muito destas oportunidades. 

 

O Museo Nacional de Arte Romano também estava na lista de locais a visitar, apesar de não fazer parte do conjunto de monumentos. A entrada é apenas de 3€ adulto e 1,5€ crianças até aos 12. É um museu enorme, com cerca de 5 pisos, incluindo uma estrada romana e uma cripta. Em comparação com ordenados e tarifas de entradas em monumentos, cá é tudo bem mais caro. Não é pior nem melhor, não é isso que estou a dizer, é mais caro.
A arquitetura do museu prende-nos mal entramos: os arcos, a profundidade, a luz. É um espaço muito agradável e bem organizado.
Uma das piolhas tem esse mesmo espaço e impacto como parte favorita da visita ao museu, a outra e eu perdemo-nos com as moedas dia vários governos (a numismática) e a joalheria.
A cripta ainda tem trabalhos e escavações em curso e o acesso mostrar-nos uma estrada romana em excelente estado de conservação.


Nunca falámos espanhol ou portunhol. As pessoas com quem cruzámos nas bilheteiras e restauração não pareceram minimamente incomodadas com o nosso recurso ao português. Ao contrário do que aconteceu em Vigo com um empregado que atirou logo ao "no te entiendo", aqui foi tudo muito fluido e natural. Mas divertimo-nos imenso a tentar ler com sotaque e dizer os nomes das ruas.

 

Depois de cumprida a planificação, regressámos estafados ao carro e fomos até aos arredores da cidade, abastecer de mais água, lanchar e ficarmos pasmos com as diferenças de preços em relação ao alguns produtos iguais aos que cá se vendem. E, dali, de volta à fronteira, ao Alentejo, à Beira Baixa e depois à Beira Litoral. Mais 300 km.

Correu tudo bem e vale a pena. Mérida é uma cidade apaixonante, cheia de luz, bonita e simpática. E cheia de História, a minha parte favorita.

 

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publicado às 18:36

Há meses que as piolhas falavam do aniversário e de como era tão grande fazerem 12 anos (até a mim, ainda me espanta a rapidez com que estes 12 anos se passaram...). Já tinham planeado que queriam almoçar com os amigos (ideia que eu achei maravilhosa, logo ali na hora) e sugeri um restaurante muito cool e descontraído. E, como tem uma pastelaria, eu ficaria nessa área e elas com os amigos, sem mim à vista.

Mais próximo da data, convidaram os amigos em questão, asseguraram aos avós e tia de que estariam com eles à hora de jantar, pensámos no bolo e tratámos das reservas e encomendas. E foi, assim, simples tão simples! Simples demais... Por isso, na véspera, pelas 23h, aproveitando as sobras de uma caixa (onde vieram os manuais escolares), papel crepe e fimo com purpurinas, construí uma moldura para que tirassem fotos com os amigos e família. Ainda deu tempo de fazer uns dizeres que colei a paus de espetada, anunciando ao mundo letrado que, estas duas miúdas, já contam com 12 anos e são oficialmente adolescentes.

Chegado o dia, alguma ansiedade e muitas mensagens trocadas, e lá foram elas para o restaurante. E correu tudo maravilhosamente. A mãe apenas foi chamada para cortar o bolo, pagar a despesa e dar autorização para ainda irem ao parque uns minutos. Ah, e ajudar a meter os sacos das prendas na mala do carro. Voilà. Há lá coisa mais maravilhosa do que esta?

 

Foi das decisões mais fantásticas – e crescidas – que poderíamos ter tomado. O aniversário foi passado com as pessoas de quem mais gostam, com os seus pares, sem a pressão de tempo, sem a pressão de terem de convidar outras pessoas com quem não se identificam, sem exageros sensoriais, com tudo feito ao ritmo delas e da forma como tinham idealizado passar aquele momento. E foi isso mesmo: um momento rico, bem passado, que lhes ficará para sempre na memória, sem crises, sem ansiedades, sem se sentirem mal. Estiveram com quem as compreende e as aceita. Não precisaram de se justificar nem de aguentar uma festa de horas que lhes iria mexer com os circuitos neuronais e sobrecarregar. E tiveram, então, como vai sendo hábito, uma "festa" à sua maneira e medida.

Houve tempo para visitar a bivó e tirar fotos. Houve ainda tempo para ir buscar o segundo bolo, com o tema “música” e as baquetas de bateria a reforçar isso mesmo. Houve tempo para brincadeiras em casa dos avós no trampolim, na bateria e ainda mais fotos. Houve até tempo para lerem todas as mensagens e comentários de quem lhes desejou os parabéns e um feliz aniversário.

E, findo o dia, de coração cheio, felizes até à pontinha do nariz, deitaram-se e adormeceram logo. Foi mesmo um dia em cheio.

 

O day-after foi a descompressão. É normal, é comum, é habitual, já estava mais ou menos a contar com isso. Por isso, ficámos em casa. E elas puderam descompensar e fazer os habituais disparates (de que não se apercebem) sem ninguém a assistir, sem ninguém a julgar, sem nos enervarmos. Puderam estar no seu espaço familiar, a saltitar de atividade em atividade, a desenhar e ainda conseguirem agradecer a todos pelo carinho manifestado na véspera. Puderam descansar. E resmungar e fazer as fitas do costume por causa das férias e das tarefas e das chatices e da seca.

 

O rescaldo é o deixar essa fase passar e, depois, seguir em frente. Não há propriamente uma rotina, nos dias de férias, mas ainda há alguma estrutura. Decidimos agarrar-nos a ela e lá fomos ter as últimas aulas de bateria do ano letivo, aviar os habituais recados, encher a despensa, ir às compras a pedido (um relógio novo porque já vão para o  7º ano e não há toques + um vestido porque só têm jardineiras), almoçar fora com os pais (nem sempre nem nunca). Pelo meio, o reforço pessoal (da parte delas, em especial de uma delas) de uma consciência ecológica e a busca por materiais alternativos (por exemplo, escovas de dentes de bambu - que ainda não encontrei).

 

Porque, por cá, é assim que as coisas acontecem: um pouco em catadupa… Enquanto tentamos descortinar que tipo de verão é este que ainda não deixou que as suas sardas surgissem e por que razão a mãe insiste em querer viajar (o que lhes causa alguma ansiedade e dualidade de sentimentos – it’s a work in progress), há uma preocupação com a sua pegada ecológica e a vontade de querer mudar alguns comportamentos.

Never a dull moment, right?

 

 

 

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publicado às 16:48

Votei pelas minhas filhas

por t2para4, em 27.05.19

Ponderei muito, mesmo bastante antes de publicar este post. 


Há coisas que não discuto com ninguém: futebol, religião e política. Não discuto isto com ninguém porque acaba-se sempre numa espécie de conversão ao seu favorito e eu acho que o mundo é grande o suficiente para muitos futebóis, muitas religiões e muitas políticas, dentro do seu qb salutar.


Mas, não resisto a partilhar a mais recente das piolhas, que mostra um discernimento e um saber estar e um questionar e ponderar quase fora de série. Muitos dos nossos planeamentos são feitos dentro do carro, a caminho de alguma atividade/escola ou casa. Ontem, avisei que, domingo de manhã, iríamos votar e depois a casa dos avós. Informei que iriam comigo porque votar é um ato cívico muito importante, especialmente para as mulheres e elas, piolhas, devem fazer parte dessas ações. Elas já estão fartas de saber disso porque eu falo do assunto, sempre que há eleições. Uma delas pergunta-me, sem qualquer malícia ou agenda oculta, "Mãe, podes votar na Marisa Matias?" Perguntei porquê. "Ela é a única mulher candidata num mundo onde ainda há muitos homens na política. E precisamos de mais mulheres em cargos altos e a ganhar mais". 


Achei isto tão sem palavras, tão grande, tão elaborado que questionei se na escola alguém lhes tinha falado das eleições ou tinham apanhado alguém em propaganda. "Não, mãe, ninguém nos disse nada, nós só achamos que precisamos de mais vitórias de mulheres". Nem sequer lhes interessava o partido mas sim a figura que dava a cara. Aquela mulher. Uma mulher.
Nunca lhes falei das minhas (não)preferências políticas, eu voto no porgrama eleitoral que mais me satisfaz ou respeita, não sou seguidora de nenhum partido ou político, não pretendo alistar-me nesse mundo (embra devesse ponderar nisso ehhehehehehhe); apenas vêem os cartazes nas rotundas. E, de todos os cartazes em rotundas, das vilas e cidades por onde andámos, só havia o rosto de uma mulher. Uma única mulher a concorrer às eleições, num conjunto de quase uma vintena de partidos, com homens em destaque.


Eu estou de coração a rebentar. Estas miúdas são incríveis. E sim, só por causa disto, votei por elas. Orgulhosamente. 
E elas puseram o boletim na urna.

 

publicado às 00:20

Contexto:
As piolhas sabem que têm autismo (esta questão está para sair em breve num post), os colegas sabem que elas têm autismo, os professores e a escola idem, muita gente sabe que elas têm autismo. Não é um rótulo, é um nome para explicar o porquê de determinadas dificuldades e questões neurológicas. As piolhas não falam de autismo com ninguém, a menos que alguém lhes fale disso e, mesmo assim, elas têm indicações para dizer que "autismo é algo que têm mas não as define".

 

Num dia destes, numa ação de sensibilização à diferença - em especial a que não se vê fisicamente -, a oradora falava de Asperger. As piolhas habituaram-se, com o passar dos anos, a perguntar o que não entendem ou não sabem o que é e perguntaram o que era Asperger. A resposta foi que era uma variante de autismo. Um colega, já que falavam da diferença real, referiu que elas tinham autismo. E a oradora tentou aproveitar a deixa para ser mais coerente com o que ia apresentar e questiona as piolhas sobre o que é, para elas, ter autismo. As piolhas não souberam responder.

 

Vamos agora tentar desconstruir (não é criticar):
As piolhas ainda não estão naquela fase de maturidade neurológica que lhes permita identificar - como nós, que estamos de fora a observar - que o seu comprometimento da compreensão da linguagem/comunicação ou interação social ou determinados comportamentos são característicos de autismo. Para elas, ter autismo é algo que sempre fez parte das suas vidas e que não conseguem separar de si mesmas. Para elas, a necessidade de ferramentas que as ajudem a suplantar as suas dificuldades sempre foi uma constante, ou seja, a terapia da fala, por exemplo, faz parte das suas vidas desde que se lembram de ser gente (desde os 3 anos que têm terapia da fala de forma quase ininterrupta). Basicamente, para elas, perguntarem-lhes como é ter autismo ou em que consiste é um pouco como me perguntarem a mim como é ser alta ou ao marido como é ter olhos verdes. É algo que faz parte de nós e que nos é "natural" porque sempre esteve connosco mas que não nos define porque somos muito muito mas tão mais do que ter 1,74m ou olhos verdes ou autismo.

 

(Ainda) não cabe às piolhas explicarem-se acerca de si mesmas. Haverá uma fase em que esse entendimento sobre si mesmas e sobre o que pode condicioná-las, os seus pontos fortes e áreas mais comprometidas fará sentido e poderão ser elas mesmas a falar sobre isso. Para já, aos 11 anos, a entrar na adolescência, a experienciar toda uma série de novas mudanças físicas, mentais, neurológicas, linguísticas, psicológicas, etc, é cedo para se perceber, para ter esse entendimento. É em situações como estas que precisamos de tempo: elas, nós e os outros.

 

 

 

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publicado às 21:37

Tagarelice #61

por t2para4, em 16.02.19

Estou a cotar testes, de costas para as piolhas, com grelhas em excel abertas e concentração ali naquelas percentagens. Uma delas, sorrateiramente, aproxima-se de mim e dispara:
"O que é eróticos?"
Ainda vou ter um AVC...

 

A minha resposta foi, em modo desvaloriza-que-passa, que isso não interessava nada e que tinha a ver com coisas sexuais, desejo sexual e coisas dessas que só os adultos faziam... Uma das piolhas foi ao dicionário (página seiscentos e tal, da Porto Editora, de 2009) e decidiu ler a definição em voz alta e as palavras relacionadas com sexo a sair da boca dela até me fizeram úlceras... deusmalibre...

 

 

 

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publicado às 10:30

Tagarelice #60

por t2para4, em 15.02.19

Sábado à noite, marido a dormitar no sofá, piolhas na cama, uma comédia na TV. Faço umas pipocas no micro-ondas, rapidinho, e volto para o quentinho da sala e conforto do sofá.
- Mããããeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!! 
Até fiquei sem ar pois há anos que não me chamavam assim. Fui a correr até ao quarto.
- Que se passa?
- POR QUE É QUE CHEIRA AQUI A PIPOCAS?!
E, assim, todo o prédio ficou a saber que, pelas 22h20, eu fiz pipocas e que o cheiro foi até ao quarto delas e o meu nariz estava avariadinho de todo e não me cheirava a nada (embora me soubesse bem).
- Amanhã queremos pipocas, pode ser? É que cheira aqui mesmo a pipocas! Cheira sim!

 

 

 

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publicado às 16:21

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