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Era uma vez um espectro...

por t2para4, em 11.12.18

Imaginemos um espectro de cores, tipo anúncio da Nós, estão a ver coisa, certo? Atente-se, agora, na variedade de tons e sobretons e nuances e misturas e luzes desse mesmo espectro. Tudo muito parecido assim de repente e à primeira vista, certo? Errado. Muito errado. Tal como, na informática, cada cor e tom e sobretom e nunce tem um código único, no espectro de cores também todas elas são únicas e diferentes embora extremamente semelhantes.



As piolhas são duas cores desse espectro de luz. Quase iguais mas diferentes, ali uma nuance de diferença.

 



Agora vamos falar de outro espectro, que não o de luz nem o do Harry Potter: o espectro do autismo. Voilà. Dá para perceber a metáfora que fiz à pressão?

 



Há autistas que procuram estímulos, que se dão bem em ambientes fechados e que adoram festas; há autistas a quem o mínimo som um décibel acima já provoca uma sobrecarga sensorial; há autistas que toleram festas e concertos ao ar livre de dia; há os que toleram isso em ambientes fechados. Tal como nós - os neurotípicos (sim, há um rótulo também para os não-autistas, ou pensavam que era só dar rótulos aos outros?) - toleramos e aguentamos determinadas situações melhor do que outras.

 



As piolhas não gostam de cinema - sim, já foram ao cinema e até já viram filmes 3D -, não toleram música em espaços fechados (o seu comportamento adaptativo passa a disruptivo em menos de um nada), não aguentam a confusão nem os sons ou luzes de um espetáculo ou jogo dentro de um pavilhão gimnodesportivo. Toleram minimamente festas ou eventos e até multidões em ambientes abertos longe das colunas de som (fomos à Volvo Ocean Race em Algés e correu lindamente mas evitámos as colunas e os amontoados de pessoas em espaços pequenos).

 



Não sou eu quem impede as piolhas de irem a uma visita de estudo ou a um espetáculo ou a um concerto; são elas que não querem ir porque sabem o quanto lhes custa. Elas nem sequer participam no espetáculo da escola de música e estão incríveis na bateria...



Enquanto elas não quiserem nem aguentarem nem souberem como reagir, eu não vou forçar a nada e serei a chata de serviço. Temos pena. O que os outros vêm são duas crianças aparentemente perfeitamente normais mas que começam a abanar-se ou a gritar ou a tapar os ouvidos ou a arrancar cabelo ou a morder-se e, esses mesmos outros, vão achar, seguramente, que elas estão a fazer uma birra ou a ser mal-educadas porque, vá lá, até já são tão crescidas...



Eu sei o que tenho em casa e, em caso de sobrecarga sensorial ou disrupção comportamental, no final do dia, quem tem que saber gerir tudo isso, sou eu e o pai.

E não temos ninguém para nos auxiliar ou até compreender sem desvalorizar.



 



 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:38

Tagarelice #59

por t2para4, em 25.11.18

Parámos perto da escola de condução e um novo aprendiz saía com o carro. Comentei com as piolhas que um dia (e faltam apenas 7 anos 😱) seriam elas a aprender a conduzir.



- Parece fácil.



- Não é complicado mas tens de ter atenção a uma data de coisas, tudo ao mesmo tempo e isso pode ser dificil...



- Então, é dar à chave para por o carro a trabalhar e depois acelerar.



- Só isso?!



- Pronto, acelerar devagarinho....



 



Foi um fartote de rir. Não temos carros automáticos em casa. Mas, na ilusão dela, o que fazemos parece tão simples que ele nem se apercebe que depois de dar à chave, destravamos o carro (bem, isto ela não vê, pois o travão de mão de um dos carros é perto dos botões das luzes e é travão de pé), temos de engatar mudanças ao mesmo tempo que carregamos na embraiagem e continuamos a acelerar e usamos o volante...



O que me deixa descansada é que, quando chegar a vez de treinarem com um carro, os nossos ferros velhos do aço terão cerca de 35 anos e sei que lá dentro não se passará nada :)

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:33

É o meu corpo e ponto final

por t2para4, em 04.08.18

Adoro quando regressam os dias de sol e de calor e irrompem de todo o lado mil anúncios a ginásios, dietas, cremes anti-celulite, suplementos e até exercícios localizados. Só que não.

Qual é que é o ponto de pressionar as mulheres - e os homens, já começo a ver que também surgem ataques disfarçados à figura física masculina - para se ter um suposto corpo perfeito? Mas, por acaso, a perfeição é gradualmente tornarmo-nos todas iguais umas às outras, entupidas de botox, sem expressões faciais, sem características pessoais únicas? 

Não, obrigada.

A sério.

 

Demorei anos a aceitar-me. Passei todos os meus anos de escola - todos - insegura de mim mesma: ou era o cabelo (que não era liso) ou eram as unhas (que não existiam por roê-las) ou eram as pernas (que ameaçavam celulite) ou era o aspeto (alta demais, achava-me feia) ou era o queixo (comprido demais). Por favor! Se eu pudesse voltar atrás dava a mim mesma uma carga de porrada e mostrar-me-ia que posso ser firme, segura de mim mesma e confiante sem ligar às opiniões de terceiros e sem ter que me comparar com ninguém. 

É exatamente isto que digo às piolhas sempre que surge uma oportunidade. Nunca as ouvi queixar-se do que quer que seja do seu corpo (ainda é cedo para estas crises) e quando falam de borbulhas no nariz, elas próprias, com naturalidade, dizem que é a puberdade.

 

Eu não sou perfeita Mas sou perfeitamente capaz de aceitar os meus defeitos inestéticos. Uma gravidez múltipla trouxe-me estrias na cintura e falta de definição na barriga, esticou a minha pele a um estado tal que consigo ver onde engelha por causa dessa elasticidade; uma amamentação mal sucedida e uma subida do leite inesperada trouxeram estrias às minhas mamas e fê-las descaírem; essa mesma gravidez e um aborto espontâneo há uns anos agravaram a celulite nas minhas pernas e despertaram uma rosácea terrível na minha cara que só ameniza com pomada antibiótica. 

Não estou tonificada nem morenaça nem musculada. Não tenho o cabelo esticadinho, perfeito e sempre no lugar. Não uso maquilhagem todos os dias. Já não consigo usar saltos agulha.

MAS...

Estou com um corpo incrível para quem passou por 2 cirurgias à barriga e passou por 2 gravidezes, sobreviveu a uma lesão grave intermuscular e lesões cerebrais que requereram medicação tão forte que me fez cair o cabelo, dar cabo da pele e enfraquecer as unhas.

Não tenho paciência, nem dinheiro, nem vontade de encher o cabelo de químicos. Nem sequer tenho vontade de me pentear e só o faço quando lavo o cabelo. Sigo um cronograma capilar de forma séria, arrisquei um corte de cabelo novo e ganhei caracóis e ondas que defino com creme de pentear ou espuma. E penteio-me com os dedos.

De vez em quando, quando as costas e as folgas me permitem, faço algum exercício físico. Mas, há de contar como reforço subir 3 lanços de escadas com kg de sacos de compras, materiais da escola, filhos, etc. Porque, de uma coisa estou certa, tudo isto me sai do coiro.

Tenho celulite e, este ano, depois de muitos muitos muitos anos a recusar sequer ter algo do género no meu roupeiro, usei vestidos e saias no inverno (com collants e não leggings) e estou a usar e a abusar dos calções, vestidos e saias no verão (de perna ao léu, mesmo).

Tenho uma barriga magra e lisa que não é tonificadinha mas uso bikini e bikini usarei até me fartar. 

Desisti de fazer a depilação só para, supostamente, agradar ao marido (quando ele, na realidade me confessou que não liga nada a isso) e faço por mim: porque detesto pêlos, porque é mais higiénico, porque vou usar uma saia ou um bikini e porque eu controlo esse processo (faço com máquina em casa e tenho pouquíssimos motivos de sofrimento).

Desisti de disfarçar os brancos. Ainda pintei o cabelo várias vezes com coloração permanente e com a que sai com lavagens. E, um dia, um mês depois de o ter pintado, apanhei piolhos (quando supostamente não entrariam em cabelo pintado). Apanhei uma neura tal que desisti. Estou com imensos fios brancos e quase quase na minha cor natural. E sinto-me muito bem.

Deixei de usar cremes de dia, de tarde e de noite. Além daquelas bodegas me atiçarem a rosácea, esquecia-me de usar como deveria e em dias de calor absurdo como agora, eu ficava um nojo maior. atirei tudo fora e utilizo água termal, a tal pomada quando necessário, leite de limpeza da marca Cien todas as noites. E chega que não tenho paciência para mais. Nem dinheiro.

 

O que quero daqui retirar é que, desde que aprendi a aceitar-me assim como sou e a ter a noção de que o esforço a que submeti o meu corpo e a idade que começa a fazer-se pesar, sinto um alívio imenso e me sinto realmente melhor. Não sou nenhuma hippie! Adoro usar maquilhagem e não saio de casa sem lápis/rímel e baton. Adoro salto alto (passei a optar por uns mais baixinhos ou por salto cunha) mas há looks incríveis com botins, sandálias e sapatilhas. Comecei a usar roupas com as quais me sinto verdadeiramente confortável e bem. Arranjo as unhas, quase religiosamente, há coisa de dois anos com a melhor pessoa que podia imaginar, que sabe o que faz e não arrisca estragar o pouco que há e que faz autênticos milagres.

Não quero que as minhas filhas passem pelo horror que eu passei e tenham vergonha de sorrir para uma foto porque acham que são feias. Tudo coisas parvas da nossa cabeça e sem razão para existirem. Elas são lindíssimas (eu sei que sou altamente suspeita e imparcial mas é verdade) e não precisam nem têm necessidade de pensar ou de se rebaixarem ao ponto de não se aceitarem como são. Já basta o que basta.

Tudo com conta, peso e medida. Ignorar e evitar ataques, serem saudáveis e terem cuidados básicos com a saúde (e, por acréscimo, com o corpo) e serão sempre belas. Porque envelhecer não tem que se tornar no horror e na fogueira de vaidades plastificadas e sem heterogeneidade que se apregoa por aí. Pode ser natural. 

 

Para já, espero que, como adolescentes, as piolhas não sintam nem sofram a pressão de serem uma ou outra figura. Espero e tentamos que sejam elas próprias, com o gosto delas e que saibam aceitar-se. São lindas, saudáveis e felizes. 

Como dizem os meus caríssimos e queridos Dr. Watson e Sherlock Holmes, "it is what it is".

 

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publicado às 16:48

Tagarelice #58

por t2para4, em 30.07.18

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Costuma dizer-se que há 3 coisas que dizem a verdade: As crianças, os bêbedos e as leggings.

As minhas crianças, do alto da sua ausência de filtros sociais, são qualquer coisa de transcendente. E de hilariante. Sobretudo porque, além da fala, esta situação envolve... mamas - as minhas mamas.

 

Long story short, apareceu do nada e de repente, um quisto no quadrante esquerdo inferior da minha mama esquerda que inflamou forte e feio a ponto de ficar vermelho, com febre e dores horríveis. Além da repetição do exame (tinha feito uma eco mamária no dia 13 deste mês), envolveu vários pagamentos de taxas moderadoras e brufen fixo por uma semana de 8h em 8h, isto se correr bem e não necessitar de antibiótico.

Ontem, já com ideia de fazer consulta de reavaliação amanhã, estava a preparar-me para tomar duche enquanto as piolhas estavam a acabar de se vestir. Verifico se o caroço se nota e aviso as piolhas que no dia seguinte teriam de ir comigo à consulta e que era para se portarem bem. Entretanto, vão perguntando se me doi muito, que já não está vermelho, que pontinhos eram aqueles perto do mamilo, porque é que as minhas mamas eram diferentes. E eu respondo que era adulta e daí serem diferentes e que o mamilo/auréola é por norma acastanhado e é tudo normal. 

"Não mãe, diferentes assim, parece que estão a cair".

Very nice. Quem ia caindo era eu, já que as mamas, aparentemente, já tinham caído. E lá lhes respondo, depois de um loooooooooooooooongo suspiro, "fui mãe".

Ora, o processamento auditivo das piolhas, às vezes, também deixa a desejar.

"Fumaste??? E as mamas ficam assim?"

"Não, filha, eu    fuuuuuiiiiiiiiii   mããããããããeeeeee; não fumei; vocês nasceram e eu fui mãe."

"Ah, pensei que era fumar, eu nunca nunca vou fumar" (menos mal, venham as mamas descaídas... Já valeu a pena)

"Fui mãe, vocês não facilitaram com a amamentação, as minhas mamas nunca foram grandes e não há nada que um soutien não resolva. End of story"

 

E foi mesmo.

E eu fiquei semi deprimida a pensar que vou continuar a apostar em bons soutiens (daí a palavra que, no francês, quer dizer "apoio, suporte"). Bem preciso de "soutien" - qualquer que seja a tradução agora.

Também precisava de um gin ou de uma somersby ou assim mas com ibuprofeno é capaz de ser má ideia, pelo que, fico eu com as minhas feridas mamas semi descaídas e os meus soutiens.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:48

Oh meu rico São João

por t2para4, em 24.06.18

Foram anos a fugir ao São João e às suas celebrações. Ou passávamos as festas entre portas, com tudo fechado para não se ouvir nadinha (abençoados vidros duplos) ou íamos para longe (no ano passado, estávamos por esta altura em Espanha... ai saudade). O que nos levou a este comportamento foi tão doloroso que, mesmo sem o dizermos em voz alta, acabámos por desistir... Podem ler tudo aqui. Foi em 2012. No ano seguinte, ficámos em casa mas a avó e a tia lá fizeram um milagre acontecer e conseguiram pôr as piolhas a andar de carrossel (de tarde, claro, com a feira vazia...)

 

Este ano, depois de muitas discussões e avisos sérios da minha parte em relação ao comportamento de férias, informei que, tal como habitualmente e independentemente do meu cansaço, onde eu e o pai fossemos, as piolhas iriam também e ponto final na discussão. Assim sendo, "meninas, amanhã vamos ao São João. À noite. E não quero ouvir mais nada."

Fomos à praia de manhã, almoçámos fora, voltámos à praia para brincar na areia até estar demasiado vento para lá estarmos. Viemos para "casa" ver se o recinto da feira estaria aberto e ir aos carrinhos de choque. Não estava, logo, decidiu-se, entre os quatro, que o faríamos no final de jantar, quando ainda não houvesse muita gente por lá. 

Jantámos e, por volta das 20h45, estávamos a sair de casa, a pé, super confortáveis e eu de mochila pronta para todas as ocasiões e imprevistos. As piolhas confessaram-se ansiosas mas dissemos que era como se fosse um dia normal mas mais longo porque estávamos na noite mais curta do ano e haveria luz até mais tarde, que não haveria horários e poderiam deitar-se muito tarde e levantar-se muito tarde (spoiler: levantaram-se às 7h30).

 

No caminho até ao recinto da feira, o que mais surpreendeu as piolhas foi terem encontrado imensos colegas de escola. O choque foi tal que, a certa altura, uma delas, dizia que queria sair à noite com os amigos e perguntou-nos se podíamos ir ao bairro das tasquinhas (onde basicamente se enfiam em duas ruas estreitinhas toda a nossa localidade e concelhos vizinhos). 

 

A noite foi incrível. Conseguimos empoleirá-las num muro a ver as marchas populares, com vista de camarote; conseguimos andar nos carrinhos de choque e passear pelo recinto da feira sem confusões; encontrámos imensa gente conhecida e até pediram para tirar fotos com um manjerico iluminado gigante de fundo. No final, antes da invasão saudável e da folia do pessoal, fomos às tais ruas estreitinhas ver o ambiente e sentir o cheiro a sardinha assada e bifanas. Ainda vivemos um momento caricato no caminho: uma senhora sozinha ia à nossa frente a caminho do bairro das tasquinhas e o grupo dessa senhora (aí dos seus 70 anos) vinha atrás de nós. De repente, ela avista uma tasquinha, pára e pergunta para o ar: "Queres sardinhas?". Uma das piolhas, que vinha diretamente atrás da senhora, responde "Não obrigada, não somos grande fã de peixe." Não sei se a senhora ouviu mas eu achei o máximo. Depois lá lhe explicámos que a senhora estava a dirigir-se ao grupo dela, atrás de nós; ela não nos conhecia de lado nenhum para estar a perguntar por sardinhas...

 

O comportamento das piolhas foi de tal forma incrível que vínhamos felizes e extasiados para casa. É certo que chegámos a casa pela meia-noite qual Cinderela (mas toda a gente de sapatilhas nos pés, ninguém perdeu nada), é certo que ainda ouvimos muitos mimimimimi e muitos "que horas são" e muitos "tenho sono, estou sonolenta" mas aguentaram e usufruíram e verificaram que conseguem fazer o que fazem muitos muitos outros conhecidos - os amiguinhos incluídos. E que felizes elas ficavam quando encontravam algum e as cumprimentavam. 

 

Pasito a pasito, um de cada vez, conseguimos. Hoje estão um pouco descompensadas mas já o esperava. Não se pode ter tudo. Mas nada que se compare ao que vivemos há 6 anos. Nada mesmo. Parecem - e nós igual - outras pessoas. 

Hoje estou histericamente feliz. Com disse uma amiga "Devagar, devagarinho, se vai ao longe. Eh pá, já vos perdi de vista". E eu não poderia estar mais grata por isso.

 

 

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publicado às 15:43

Consulta record no dentista

por t2para4, em 06.06.18

Um longo caminho foi precorrido desde a primeira ida ao dentista com as piolhas. Nesta fase, já não necessitamos de preparação prévia - basta um aviso de que no dia tal há consulta, às tais horas -; já não necessitamos de negociação, chantagem, recompensa - basta um informar de que, no final do dentista, vamos às compras ou a casa da avó ou para casa-; já não necessitamos de explicar tudinho ao pormenor do que se vai fazer e utilizar - basta uma informação geral do procedimento.


As piolhas já não parecem as mesmas. Temos cumprido religiosamente as idas ao dentista de 6 em 6 meses pois as cáries e  selagens a fazer estão todas tratadas; a desmineralização dos dentes de leite está progressivamente a desaparecer à medida que caem esses dentes afetados e nascem os definitivos; os dentes definitivos estão a nascer direitinhos e nos respetivos locais. Para já tudo bem - e ainda bem!

 

A nossa última consulta foi num destes sábados, à habitual hora. Demorou menos de 5 (cinco) minutos. Com as duas! A sério! Nada de cáries, nada de lesões, dentes saudáveis a nascer, dentes a abanar no timing certo, tudo a correr bem. Desta vez, as piolhas já iam para entrar e ficar sozinhas, sem a minha presença, afinal, estão umas crescidas e, começando desde cedo a tratar dos problemas dentários, ir ao dentista não causa medos nem procedimentos mais complicados.
A próxima consulta ficou então agendada para daqui a meio ano, pois claro. Até lá, cairão imensos dentes e teremos o problema de um dos molares de uma das piolhas resolvido.

A piolha sofre de bruxismo (ranger os dentes) e partiu um dos dentes que, desde essa altura, tem estado em constante vigilância. Já abana pelo que, em breve, teremos menos uma chatice.
Quanto ao que fazer futuramente, talvez selar todos os dentes mas logo se vê.
Quanto ao bruxismo da piolha, um dia destes falarei do assunto, mas, para já e dada a fase de crescimento maxilar e dentário, não pode usar qualquer tipo de aparelho. É aguardar e vigiar. E agir, se for caso disso.

 

Convém adicionar que nunca houve qualquer tipo de mensagem egativa ou de incutir de medos em relação ao dentista. Ir ao dentista é tão natural como ir ao médico de família fazer um check up. É necessário e faz parte das nossas ações para estarmos bem e saudáveis. E um ambiente descontraído e informal faz milagres. 

 

Um passo de cada vez para chegarmos (muito) longe. E pensar que esteve em cima da mesa a hipótese de sedação e ida ao bloco... Chegámos mesmo muito longe.

 

 

 

 

 

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publicado às 16:25

Há coisas para as quais nunca estamos preparados, nunca estamos mentalizados, nunca estamos de razão plena. Este final de semana foi doloroso, foi cruel, foi injusto - ainda é. Nós tentamos seguir a lógica da lei natural e da lei da vida: os mais velhos partem primeiro. Foi a esse paradigma que nos agarrámos pela primeira vez que tivemos de abordar a morte com as piolhas.


Mas, desta vez, tudo foi não-natural, amoral, irreal quase... Tivemos de dizer às piolhas que o seu colega de escola, uma criança que conhecem desde os seus - delas e dele - 7 anos, falecera. Foi das coisas mais horríveis e difíceis que já tive de fazer. Até porque eu própria ainda estava em choque pois foi meu aluno desde os seus 7 anos, chegando até a ter aulas em casa... 

A reação delas foi inesperada: uma das piolhas cobriu-se com a manta do sofá e começou a misturar rituais na sua cabeça (seria anjo agora? teria que vestir preto? chorar seria normal?); a outra ficou zangadíssima comigo e só me gritava "guarda essas coisas más para ti própria! Por que nos estás a dizer essas coisas?". Soube, mais tarde, junto de outras mães que os filhos tiveram reações semelhantes de raiva, de descrença, de confusão. 

 

Nestas alturas, há algo em nós que morrer um bocadinho. Eu não sei explicar. Sei que, depois do choro compulsivo, da raiva pela injustiça, de repente, me senti em piloto automático como se estivesse a pairar sobre a vida que continuava, aquela mesma vida que não ousou sequer parar 5 minutos... E ficamos um bocado egoístas porque damos por nós a pensar nos nossos filhos, os nossos bens mais preciosos, e a querer protegê-los de tudo e de todos. No dia seguinte, levar as piolhas à escola e ter uma vida aparentemente normal, pareceu-me errado... Felizmente, quer as piolhas quer os seus colegas de turma tiveram o apoio da assistente operacional das piolhas e de professores que conversaram com eles e deixaram que a memória do P. fosse uma memória feliz, de uma criança que jamais esqueceriam e estaria para sempre nos seus corações.

 

A vida é demasiado cruel e muito imprevisível. Eu sei que temos de educar e preparar os nossos filhos para isto e sei que há dores que não conseguimos evitar que eles sofram. Podia ser mais fácil. Podia. Mas, infelizmente, não é. E, de repente, numa assentada só, lá tiveram elas de crescer mais um bocado e ouvir as mentiras da mãe que lhes responde que está bem quando na verdade se sente triste e dorida por dentro. E ainda terem tamanho para aconselharem a mãe de que não querem que ela chore mais. 

 

Cada vez me convenço mais de que todas estas nossas crianças são grandes. Maiores do que o mundo. 

 

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publicado às 11:58

E que não tem sido lá muito bem conjugado nos últimos tempos. Que é como quem diz, um dia destes dormirás. Mas não tão em breve como desejado...

Confesso que já não me lembrava do que era passar a noite entre levanta-deita-zombifica... As piolhas são madrugadoras (algures entre as 6h e as 7h) mas dormem a noite inteira. Exceto, como é o caso, quando há febre. E a febre, meus senhores, de benigno não tem nada. Já perdi mais horas de sono desde 6ª feira do que consigo contar. E juntemos a essas contas, as litradas de café. O estranho é que agora sinto um misto de cansaço extremo com uma energia doida.... Ia jurar que quando as piolhas eram recém-nascidas me tinha custado menos. Ou isso ou estou com Alzheimer seletivo.

 

Anyway, uma das piolhas começou com febre na 6ª feira, entre medicação dentro do timing normal das 8h em 8h e 52115541 t-shirts transpiradas numa só noite, a verdade é que passou rapidamente. Mas... ficou logo a outra piolha com febre, com direiro a telefonema da escola e tudo... E esta tem um histórico no mínimo interessante com as febres. São instáveis, inconstantes, de fácil e rápido crescendo e custam a passar, chegando muitas vezes ao recurso paracetamol-ibuprofeno-paracetamol intercalado... Com a temperatura a ser rigidamente vigiada de 1h30 ou de 2h em 2h horas, dia ou noite. Amanhã entramos naquele "ao 3º dia de febre temos de ir ao médico" e vamos ver no que dá. 

Logo na 1ª hora de febre fomos a correr para o centro de saúde porque, esta minha piolha, além de não quer tomar o pózinho do benuron em cápsulas com iogurte, acusou-me alto e bom som de a tentar envenenar (eu mereço, só pode...) e continuava com a temperatura a subir. Consegui medicar com xarope, de um dos colegas dela. O médico lá lhe prescreveu o xarope, mediante as reclamações (e para alívio) dela. Mas o pai já não foi nas cantigas dela e, após mais de meio frasco aviado (que isto agora para 30 kg dá quase uma chávena de café de xarope), lá foi insistindo com ela e hoje, comigo de coração pequenino que até dava dó, no trabalho, atendendo aos seus 38, 2º, lá a convenceu a beber um iogurte com o pózinho do benuron (o truque é a quantidade de iogurte: nunca menos de meio). Escusado será dizer que depois da grande festa que lhe fizemos, mesmo via telefone, assim que pude, fui a correr, mesmo contra a vontade da Gisele e tudo, comprar mais iogurtes líquidos. 

 

A febre voltou à hora de jantar e lá foi mais uma iogurtada. Mas, pelo menos, o benuron também foi. E dizia a irmã, para quem tomar comprimidos é tão fácil como usar um tablet, "estou tão orgulhosa de ti, mana! Dá cá um abraço, estou tão orgulhosa, boa!!!". E abraçavam-se e dançavam e a piolha febril com olhinhos a 30% da capacidade, a sorrir de lábios e nariz cheios de creme contra o cieiro, abraçada e a dar cincos à irmã. Parece uma casa de malucos e só os cabelos brancos que ganhei estes últimos dias atestam isso. 

Mas esta é a parte boa, maravilhosa, incrivel. 

O pior é que se aproxima a noite... E começa a minha rotina noturna do programar o despertador consoante a temperatura da piolha...

E, ainda só vamos a meio da semana. E nem sequer é a última semana de aulas.

 

 

 

 

 

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publicado às 20:23

Momento ahhhhhh das piolhas #16

por t2para4, em 06.03.18

É "só" isto.

 

 

 

É ou não é de encher o coração? Mesmo que não dê em nada, houve a coragem de arriscar. Estou tão orgulhosa.

 

 

 

 

 

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publicado às 14:24

A realidade é cruel...

por t2para4, em 28.02.18

Depois da conversa por causa da carta da Unicef, do choque que foi o dia da internet segura/não-fumador (as piolhas foram com a turma para a biblioteca da escola ver vídeos alusivos aos temas e chegaram a casa cho-ca-das com o facto de haver pessoas que raptam outras na internet ou enganarem pessoas na internet... "Oh mãe, eu só vejo vídeos fofinhos e de desembrulhar brinquedos..." + imagens do corpo carbonizado por dentro por causa do fumo), no fim de semana, depararam-se com notícias sobre o bombardeamento na Síria com destaque de uma criança sobrevivente ensanguentada e empoeirada... E ficaram com um coração minúsculo porque não percebem por que razão alguém há de bombardear locais onde vivem pessoas e, mais grave ainda, atacar crianças... E ficaram zangadas comigo porque eu não as deixo mudar o mundo... 

 

A nossa realidade é cruel... E não há nada que eu possa ou consiga fazer para as salvaguardar de verem essa crueldade ou terem conhecimento dela. Também não quero que cresçam alheadas da realidade e da vida lá fora. É cruel eu não ter corrido a mudar de canal mas a realidade é assim crua e fria e injusta e cruel e absurda. E, às vezes, não dá mesmo para mudar o mundo. Afinal, de que serve indignarmo-nos ou partilharmos umas quantas imagens dos massacres e bombardeamentos na net? Vai fazer alguma diferença? Vai melhorar a vida daquelas crianças? Vai enterrar os mortos? Não quero parecer insensível... Participamos o melhor que podemos, neste nosso "mundo civilizado" mas ausente de conflitos, através de donativos. É pouco mas talvez estas gotas façam uma pequena corrente que possa chegar onde faz falta... Até lá, as piolhas têm aprender a ver que há mais mundo para além do mundo...

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:43

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