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Oh meu rico São João

por t2para4, em 24.06.18

Foram anos a fugir ao São João e às suas celebrações. Ou passávamos as festas entre portas, com tudo fechado para não se ouvir nadinha (abençoados vidros duplos) ou íamos para longe (no ano passado, estávamos por esta altura em Espanha... ai saudade). O que nos levou a este comportamento foi tão doloroso que, mesmo sem o dizermos em voz alta, acabámos por desistir... Podem ler tudo aqui. Foi em 2012. No ano seguinte, ficámos em casa mas a avó e a tia lá fizeram um milagre acontecer e conseguiram pôr as piolhas a andar de carrossel (de tarde, claro, com a feira vazia...)

 

Este ano, depois de muitas discussões e avisos sérios da minha parte em relação ao comportamento de férias, informei que, tal como habitualmente e independentemente do meu cansaço, onde eu e o pai fossemos, as piolhas iriam também e ponto final na discussão. Assim sendo, "meninas, amanhã vamos ao São João. À noite. E não quero ouvir mais nada."

Fomos à praia de manhã, almoçámos fora, voltámos à praia para brincar na areia até estar demasiado vento para lá estarmos. Viemos para "casa" ver se o recinto da feira estaria aberto e ir aos carrinhos de choque. Não estava, logo, decidiu-se, entre os quatro, que o faríamos no final de jantar, quando ainda não houvesse muita gente por lá. 

Jantámos e, por volta das 20h45, estávamos a sair de casa, a pé, super confortáveis e eu de mochila pronta para todas as ocasiões e imprevistos. As piolhas confessaram-se ansiosas mas dissemos que era como se fosse um dia normal mas mais longo porque estávamos na noite mais curta do ano e haveria luz até mais tarde, que não haveria horários e poderiam deitar-se muito tarde e levantar-se muito tarde (spoiler: levantaram-se às 7h30).

 

No caminho até ao recinto da feira, o que mais surpreendeu as piolhas foi terem encontrado imensos colegas de escola. O choque foi tal que, a certa altura, uma delas, dizia que queria sair à noite com os amigos e perguntou-nos se podíamos ir ao bairro das tasquinhas (onde basicamente se enfiam em duas ruas estreitinhas toda a nossa localidade e concelhos vizinhos). 

 

A noite foi incrível. Conseguimos empoleirá-las num muro a ver as marchas populares, com vista de camarote; conseguimos andar nos carrinhos de choque e passear pelo recinto da feira sem confusões; encontrámos imensa gente conhecida e até pediram para tirar fotos com um manjerico iluminado gigante de fundo. No final, antes da invasão saudável e da folia do pessoal, fomos às tais ruas estreitinhas ver o ambiente e sentir o cheiro a sardinha assada e bifanas. Ainda vivemos um momento caricato no caminho: uma senhora sozinha ia à nossa frente a caminho do bairro das tasquinhas e o grupo dessa senhora (aí dos seus 70 anos) vinha atrás de nós. De repente, ela avista uma tasquinha, pára e pergunta para o ar: "Queres sardinhas?". Uma das piolhas, que vinha diretamente atrás da senhora, responde "Não obrigada, não somos grande fã de peixe." Não sei se a senhora ouviu mas eu achei o máximo. Depois lá lhe explicámos que a senhora estava a dirigir-se ao grupo dela, atrás de nós; ela não nos conhecia de lado nenhum para estar a perguntar por sardinhas...

 

O comportamento das piolhas foi de tal forma incrível que vínhamos felizes e extasiados para casa. É certo que chegámos a casa pela meia-noite qual Cinderela (mas toda a gente de sapatilhas nos pés, ninguém perdeu nada), é certo que ainda ouvimos muitos mimimimimi e muitos "que horas são" e muitos "tenho sono, estou sonolenta" mas aguentaram e usufruíram e verificaram que conseguem fazer o que fazem muitos muitos outros conhecidos - os amiguinhos incluídos. E que felizes elas ficavam quando encontravam algum e as cumprimentavam. 

 

Pasito a pasito, um de cada vez, conseguimos. Hoje estão um pouco descompensadas mas já o esperava. Não se pode ter tudo. Mas nada que se compare ao que vivemos há 6 anos. Nada mesmo. Parecem - e nós igual - outras pessoas. 

Hoje estou histericamente feliz. Com disse uma amiga "Devagar, devagarinho, se vai ao longe. Eh pá, já vos perdi de vista". E eu não poderia estar mais grata por isso.

 

 

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publicado às 15:43

Consulta record no dentista

por t2para4, em 06.06.18

Um longo caminho foi precorrido desde a primeira ida ao dentista com as piolhas. Nesta fase, já não necessitamos de preparação prévia - basta um aviso de que no dia tal há consulta, às tais horas -; já não necessitamos de negociação, chantagem, recompensa - basta um informar de que, no final do dentista, vamos às compras ou a casa da avó ou para casa-; já não necessitamos de explicar tudinho ao pormenor do que se vai fazer e utilizar - basta uma informação geral do procedimento.


As piolhas já não parecem as mesmas. Temos cumprido religiosamente as idas ao dentista de 6 em 6 meses pois as cáries e  selagens a fazer estão todas tratadas; a desmineralização dos dentes de leite está progressivamente a desaparecer à medida que caem esses dentes afetados e nascem os definitivos; os dentes definitivos estão a nascer direitinhos e nos respetivos locais. Para já tudo bem - e ainda bem!

 

A nossa última consulta foi num destes sábados, à habitual hora. Demorou menos de 5 (cinco) minutos. Com as duas! A sério! Nada de cáries, nada de lesões, dentes saudáveis a nascer, dentes a abanar no timing certo, tudo a correr bem. Desta vez, as piolhas já iam para entrar e ficar sozinhas, sem a minha presença, afinal, estão umas crescidas e, começando desde cedo a tratar dos problemas dentários, ir ao dentista não causa medos nem procedimentos mais complicados.
A próxima consulta ficou então agendada para daqui a meio ano, pois claro. Até lá, cairão imensos dentes e teremos o problema de um dos molares de uma das piolhas resolvido.

A piolha sofre de bruxismo (ranger os dentes) e partiu um dos dentes que, desde essa altura, tem estado em constante vigilância. Já abana pelo que, em breve, teremos menos uma chatice.
Quanto ao que fazer futuramente, talvez selar todos os dentes mas logo se vê.
Quanto ao bruxismo da piolha, um dia destes falarei do assunto, mas, para já e dada a fase de crescimento maxilar e dentário, não pode usar qualquer tipo de aparelho. É aguardar e vigiar. E agir, se for caso disso.

 

Convém adicionar que nunca houve qualquer tipo de mensagem egativa ou de incutir de medos em relação ao dentista. Ir ao dentista é tão natural como ir ao médico de família fazer um check up. É necessário e faz parte das nossas ações para estarmos bem e saudáveis. E um ambiente descontraído e informal faz milagres. 

 

Um passo de cada vez para chegarmos (muito) longe. E pensar que esteve em cima da mesa a hipótese de sedação e ida ao bloco... Chegámos mesmo muito longe.

 

 

 

 

 

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publicado às 16:25

Há coisas para as quais nunca estamos preparados, nunca estamos mentalizados, nunca estamos de razão plena. Este final de semana foi doloroso, foi cruel, foi injusto - ainda é. Nós tentamos seguir a lógica da lei natural e da lei da vida: os mais velhos partem primeiro. Foi a esse paradigma que nos agarrámos pela primeira vez que tivemos de abordar a morte com as piolhas.


Mas, desta vez, tudo foi não-natural, amoral, irreal quase... Tivemos de dizer às piolhas que o seu colega de escola, uma criança que conhecem desde os seus - delas e dele - 7 anos, falecera. Foi das coisas mais horríveis e difíceis que já tive de fazer. Até porque eu própria ainda estava em choque pois foi meu aluno desde os seus 7 anos, chegando até a ter aulas em casa... 

A reação delas foi inesperada: uma das piolhas cobriu-se com a manta do sofá e começou a misturar rituais na sua cabeça (seria anjo agora? teria que vestir preto? chorar seria normal?); a outra ficou zangadíssima comigo e só me gritava "guarda essas coisas más para ti própria! Por que nos estás a dizer essas coisas?". Soube, mais tarde, junto de outras mães que os filhos tiveram reações semelhantes de raiva, de descrença, de confusão. 

 

Nestas alturas, há algo em nós que morrer um bocadinho. Eu não sei explicar. Sei que, depois do choro compulsivo, da raiva pela injustiça, de repente, me senti em piloto automático como se estivesse a pairar sobre a vida que continuava, aquela mesma vida que não ousou sequer parar 5 minutos... E ficamos um bocado egoístas porque damos por nós a pensar nos nossos filhos, os nossos bens mais preciosos, e a querer protegê-los de tudo e de todos. No dia seguinte, levar as piolhas à escola e ter uma vida aparentemente normal, pareceu-me errado... Felizmente, quer as piolhas quer os seus colegas de turma tiveram o apoio da assistente operacional das piolhas e de professores que conversaram com eles e deixaram que a memória do P. fosse uma memória feliz, de uma criança que jamais esqueceriam e estaria para sempre nos seus corações.

 

A vida é demasiado cruel e muito imprevisível. Eu sei que temos de educar e preparar os nossos filhos para isto e sei que há dores que não conseguimos evitar que eles sofram. Podia ser mais fácil. Podia. Mas, infelizmente, não é. E, de repente, numa assentada só, lá tiveram elas de crescer mais um bocado e ouvir as mentiras da mãe que lhes responde que está bem quando na verdade se sente triste e dorida por dentro. E ainda terem tamanho para aconselharem a mãe de que não querem que ela chore mais. 

 

Cada vez me convenço mais de que todas estas nossas crianças são grandes. Maiores do que o mundo. 

 

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publicado às 11:58

E que não tem sido lá muito bem conjugado nos últimos tempos. Que é como quem diz, um dia destes dormirás. Mas não tão em breve como desejado...

Confesso que já não me lembrava do que era passar a noite entre levanta-deita-zombifica... As piolhas são madrugadoras (algures entre as 6h e as 7h) mas dormem a noite inteira. Exceto, como é o caso, quando há febre. E a febre, meus senhores, de benigno não tem nada. Já perdi mais horas de sono desde 6ª feira do que consigo contar. E juntemos a essas contas, as litradas de café. O estranho é que agora sinto um misto de cansaço extremo com uma energia doida.... Ia jurar que quando as piolhas eram recém-nascidas me tinha custado menos. Ou isso ou estou com Alzheimer seletivo.

 

Anyway, uma das piolhas começou com febre na 6ª feira, entre medicação dentro do timing normal das 8h em 8h e 52115541 t-shirts transpiradas numa só noite, a verdade é que passou rapidamente. Mas... ficou logo a outra piolha com febre, com direiro a telefonema da escola e tudo... E esta tem um histórico no mínimo interessante com as febres. São instáveis, inconstantes, de fácil e rápido crescendo e custam a passar, chegando muitas vezes ao recurso paracetamol-ibuprofeno-paracetamol intercalado... Com a temperatura a ser rigidamente vigiada de 1h30 ou de 2h em 2h horas, dia ou noite. Amanhã entramos naquele "ao 3º dia de febre temos de ir ao médico" e vamos ver no que dá. 

Logo na 1ª hora de febre fomos a correr para o centro de saúde porque, esta minha piolha, além de não quer tomar o pózinho do benuron em cápsulas com iogurte, acusou-me alto e bom som de a tentar envenenar (eu mereço, só pode...) e continuava com a temperatura a subir. Consegui medicar com xarope, de um dos colegas dela. O médico lá lhe prescreveu o xarope, mediante as reclamações (e para alívio) dela. Mas o pai já não foi nas cantigas dela e, após mais de meio frasco aviado (que isto agora para 30 kg dá quase uma chávena de café de xarope), lá foi insistindo com ela e hoje, comigo de coração pequenino que até dava dó, no trabalho, atendendo aos seus 38, 2º, lá a convenceu a beber um iogurte com o pózinho do benuron (o truque é a quantidade de iogurte: nunca menos de meio). Escusado será dizer que depois da grande festa que lhe fizemos, mesmo via telefone, assim que pude, fui a correr, mesmo contra a vontade da Gisele e tudo, comprar mais iogurtes líquidos. 

 

A febre voltou à hora de jantar e lá foi mais uma iogurtada. Mas, pelo menos, o benuron também foi. E dizia a irmã, para quem tomar comprimidos é tão fácil como usar um tablet, "estou tão orgulhosa de ti, mana! Dá cá um abraço, estou tão orgulhosa, boa!!!". E abraçavam-se e dançavam e a piolha febril com olhinhos a 30% da capacidade, a sorrir de lábios e nariz cheios de creme contra o cieiro, abraçada e a dar cincos à irmã. Parece uma casa de malucos e só os cabelos brancos que ganhei estes últimos dias atestam isso. 

Mas esta é a parte boa, maravilhosa, incrivel. 

O pior é que se aproxima a noite... E começa a minha rotina noturna do programar o despertador consoante a temperatura da piolha...

E, ainda só vamos a meio da semana. E nem sequer é a última semana de aulas.

 

 

 

 

 

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publicado às 20:23

Momento ahhhhhh das piolhas #16

por t2para4, em 06.03.18

É "só" isto.

 

 

 

É ou não é de encher o coração? Mesmo que não dê em nada, houve a coragem de arriscar. Estou tão orgulhosa.

 

 

 

 

 

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publicado às 14:24

A realidade é cruel...

por t2para4, em 28.02.18

Depois da conversa por causa da carta da Unicef, do choque que foi o dia da internet segura/não-fumador (as piolhas foram com a turma para a biblioteca da escola ver vídeos alusivos aos temas e chegaram a casa cho-ca-das com o facto de haver pessoas que raptam outras na internet ou enganarem pessoas na internet... "Oh mãe, eu só vejo vídeos fofinhos e de desembrulhar brinquedos..." + imagens do corpo carbonizado por dentro por causa do fumo), no fim de semana, depararam-se com notícias sobre o bombardeamento na Síria com destaque de uma criança sobrevivente ensanguentada e empoeirada... E ficaram com um coração minúsculo porque não percebem por que razão alguém há de bombardear locais onde vivem pessoas e, mais grave ainda, atacar crianças... E ficaram zangadas comigo porque eu não as deixo mudar o mundo... 

 

A nossa realidade é cruel... E não há nada que eu possa ou consiga fazer para as salvaguardar de verem essa crueldade ou terem conhecimento dela. Também não quero que cresçam alheadas da realidade e da vida lá fora. É cruel eu não ter corrido a mudar de canal mas a realidade é assim crua e fria e injusta e cruel e absurda. E, às vezes, não dá mesmo para mudar o mundo. Afinal, de que serve indignarmo-nos ou partilharmos umas quantas imagens dos massacres e bombardeamentos na net? Vai fazer alguma diferença? Vai melhorar a vida daquelas crianças? Vai enterrar os mortos? Não quero parecer insensível... Participamos o melhor que podemos, neste nosso "mundo civilizado" mas ausente de conflitos, através de donativos. É pouco mas talvez estas gotas façam uma pequena corrente que possa chegar onde faz falta... Até lá, as piolhas têm aprender a ver que há mais mundo para além do mundo...

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:43

To go or not to go: as prioridades...

por t2para4, em 20.02.18
Inscrevi-me numa ação de formação com nome pomposo "Diferenciação Pedagógica & do programa às Aprendizagens Essenciais" por me parecer interessante e animadora e com a perspetiva de poder aprender algo para usar nas minhas aulas, com as minhas turmas.
18h30.
Em Coimbra.
As minhas aulas terminam às 18h mas era exequível.
Mas... também é dia de as piolhas irem à piscina... E elas estavam tão entusiasmadas... E, depois, ocorreu-me que amanhã não terei tempo para almoçar (só umas sandes rápidas) pois estarei tão longe de casa a dar aulas para chegar mais cedo a casa depois e as piolhas vêm almoçar a casa, quando eu cá não estou. E eu precisei de agilizar tudo para estar tudo pronto para amanhã. E preparar o saco de Educação Física porque amanhã também começam as aulas de natação.
 
 
E ponderei: no ano letivo anterior fiz imensas ações de formação. As quotas já preenchidas da avaliação de desempenho docente impediram que a minha nota fosse mais alta. As metas obrigam-nos a ir em determinadas direções que não me parecem corretas. Acabei por não aplicar quase nada do que fui aprender porque a minha realidade escolar não o permitiu e porque adoeci e porque não consigo mudar o mundo.
 
E dei prioridade ao que é realmente mais importante: a família.
 
 
Não fui à ação. Não terei Muito Bom ou Excelente na avaliação de desempenho docente. Esta avaliação não conta para absolutamente n-a-d-a (nem progressão, nem contagem de tempo de serviço, nem majoraçao, nem bónus de ordenado, nada, niente, zero, rien)
 
Não fui à ação. Fui ver as minhas filhas nadar na piscina grande, sem pé, sem ajudas quase nenhumas. Fui verificar os últimos retoques de autonomia para que amanhã se saiam bem nos balenários e depois da aula de Ed. Física. E aprendi o que nenhuma ação de formação me pode dar jamais: que só o tempo que dedico e o modelo que tento ser fazem com que as minhas filhas possam aprender o melhor possível e serem o mais autónomas possível.
 
 
E esta é uma tarefa que não posso delegar noutros.
 
 
 

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publicado às 22:00

Tagarelice #57

por t2para4, em 16.02.18

As piolhas têm tido tantas mas tantas saídas tão fantásticas que é quase impossível escrever todas... Até tenho medo de me esquecer porque algumas são dignas de registo.

A linguagem continua a ser uma questão problemáticas para elas. A articulação de determinadas palavras, os sons, os signifucados, a literalidade, as metáforas, etc, etc, etc. Mas, ainda assim, surpreendem. Quando estamos a ler um livro, acabam por perguntar o significado de uma ou outra palavra e até aceitaram bem o não conhecerem ou o não saberem o significado do que possamos estar a dizer. Na maioria da svezes, dizem que não compreendem e perguntam o que quer dizer.

 

Não é segredo nenhum e até é motivo de orgulho que as piolhas quase passam por bilingues. O inglês está-lhes na mente com uma naturalidade espantosa: falam, escrevem, inventam, brincam com os sons, perguntam como se diz esta ou aquela palavra em inglês (mas coisas à séria tipo "cambalhota" ou "inventar" ou "tentativa") mas o oposto também acontece, ou seja, perguntar o que quer dizer esta ou aquela palavra em português.

Há pouco, na sequência de uma música que deram na aula de inglês e lhes ficou na cabeça, perguntava-me uma delas o que queria dizer "earlier" e dizia-me as letras mas como estava sem as visualizar, disse-as na ordem errada. Como eu não estava a ver o que era aquilo, pedi a frase e sai-se ela em inglês perfeito, com entoação e articulação perfeitas, "a few days earlier". Fiquei pasmada. Tenho alunos de 8º ano que não me sabem ler aquilo em condições. 

O reverso da medalha está mesmo nas nossas palavras... "Organizado" soa a "granizado" e "carregar" soa a algo vulgar (imaginem lá, vá)... Estamos em treinos e a terapia da fala continua a ser uma necessidade para elas. 

 

Para já, todas satisfeitas e orgulhosas das suas aquisições, decidiram voltar ao passado e passar a ver os seus programas de tv em... inglês, pois claro (quando eram pequeninas, na impossibilidade de encontrar as versões portuguesas de determinados desenhos animados, costumavam ver em inglês, nas versões originais). Lá foram elas às definições mudar o idioma. E eu estou pasmada. E orgulhosa, claro.

 

 

 

 

 

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publicado às 20:34

Em degraus e não em linha

por t2para4, em 10.02.18

"Como explica Gomes-Pedro, o desenvolvimento não é feito numa linha, mas em degraus. E a cada degrau há uma desorganização, que permite que ele seja ultrapassado."

 

Entre março e abril, costuma ser uma fase compliacada para as piolhas. Nota-se mesmo que há ali um ajuste qualquer entre aprendizagens, o comportamento está instável, o humor é por momentos, há mais agitação e desorganização, sente-se que elas não esão bem. E, de repente, passa e elas parecem mais maduras, mais crescidas, com aprdendizagens mais cimentadas e "espaço" para novas aprendizagens. 

Não é uma fase muiro fácil e nem sempre conseguimos aperceber-nos do que se está a passar mas, com o passar dos anos, como quase sempre coincide, já estamos em alerta. 

 

A frase acima descreve na perfeição esta fase pela qual as piolhas passam. E, tal como justifica e explica uma situação de passagem para as minhas filhas, muito provavelmente acaba por explicar também outros momentos pelos quais outras crianças passam - com autismo ou sem autismo.

 

 

 

 

 

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publicado às 10:15

O marido atirou uma carta da Unicef para o banco traseiro do carro. Na frente dizia que era uma mensagem urgente e que milhares de crianças estavam em risco. Costumamos receber deste tipo de apelos desde que ajudámos há uns valentes anos. 

Hoje saímos para ir treinar bateria a casa da avó (lembrem-se de que vivemos num apartamento T2) e uma das piolhas encontra o envelope no banco. Ficou absolutamente chocada. E, quase sem voz, recitava o número que lera, que milhares de crianças estavam em risco e que queria ajudar, como poderíamos ajudar, os pais dessas crianças deveriam estar muito preocupados... e estava já de lágrima no olho...

E, nós, (in)sensiveis q.b., lá tentámos dizer-lhe que há muitas formas de ajudarmos mas que, infelizmente, o mundo é mesmo assim: cruel, injusto, desigual. E ela pedia-nos para ajudarmos aquelas crianças. E nós lá lhe respondíamos que as coisas não são assim tão simples mas que podemos começar por valorizar o que temos, respeitar o que temos e que podemos ajudar indiretamente, através de donativos ou de contribuições. Talvez tenha ficado convencida pois já por várias vezes que entregamos roupas ou outros bens a instituições ou tentamos contribuir ajudando causas. 

 

Acho que foi a primeira vez que se apercebeu - e a irmã por acréscimo - que há mais mundo para além do nosso meio e que somos tantas vezes impotentes e que, infelizmente, não podemos mudar o mundo.

Mas podemos ir tentando fazer o mundo de alguém um bocadinho melhor.

 

Hoje, naquele instante, alguém cresceu.

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publicado às 20:35

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