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Ontem foi dia de descompensar. Foi complicado, muito complicado mesmo. Mas, pronto, entre muitas lágrimas e recriminações e dramas e ataques de adolescência pelo meio, tudo se resolveu e percebeu-se que, de vez em quando, há uns wake up calls para a vida - todos nós incluídos.
Adolescer não é fácil.
Andar na escola não é fácil (em especial quando parece que se promove a mediocridade em detrimento do esforço e do estudo e do empenho).
Encontrar a estratégia chave que funcione bem em casa E na escola não é fácil.
Estudar quando os outros não o fazem mas os pais assim o indicam, não é fácil.
Ser-se mãe e pai não é fácil.

As piolhas não são apaixonadas pela leitura - para meu grande desgosto. Na verdade, não gostam de ler. Mas têm de o fazer, não só para a disciplina que o pede como para si mesmas. E, para que não haja batotas, temos que ser criativos e inventar estratégias.
Em anexo, estão prints das nossas conversas sobre a leitura em curso. A piolha em casa, confortavelmente instalada no sofá, ao quente; a mãe a caminho do supermercado e a encostar o carro para responder ou a fazê-lo enquanto tratava das compras - o verdadeiro multitasking.
Se é o ideal? Não sei nem quero saber.
Se resulta? Sim, sem dúvida.
Se, no nosso caso, o telemóvel é tão bem mais que um simples telemóvel fonte de tantos problemas para tantos? Caraças, para nós, o telemóvel é uma ferramenta de trabalho. Mesmo através do WhatsApp.

 

No seguimento desta estratégia mui sui generis - de obrigar a piolha a ler, para sabermos quem roubou os cães - ou se eles fugiram -, eis algumas informações: o livro em leitura é da coleção "Uma Aventura", "Uma Aventura em Conímbriga", e pertence ao programa Ler Mais - uma das condições exigidas.

O que me ocorre, enquanto vamos trocando mensagens de forma a potenciar a leitura e fazer com que o trabalho seja apresentado com o devido conhecimento e rigor, é que estarei lixada com f se isto se mantiver quando chegarmos à fase do "Felizmente há luar" ou "Os Maias"...

 

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publicado às 17:32

O que aconteceu à escola?

por t2para4, em 22.10.19

Por estes dias, tenho medo da escola. Não das escolas onde trabalho ou de com quem trabalho ou da escola onde estão as piolhas ou das escolas que vejo no caminho. Tenho medo do que é a escola atualmente – “escola” como palavra que representa uma instituição. Já anteriormente referi que a escola é como se fosse uma sociedade em miniatura: os nossos filhos – e não só - estão a aprender a viver nessa espécie de sociedade. Mas, tal como na verdadeira sociedade fora dos portões da escola, há regras a cumprir e valores pelos quais nos regemos. E isso é válido para todos.

 

O que tenho visto, ouvido e tomado conhecimento nos últimos tempos ultrapassa os limites do assustador. Alunos agridem professores e funcionários; pais agridem professores e funcionários; professores perdem as estribeiras e agridem alunos; alunos agridem alunos. Isto parece uma arena de gladiadores onde não há regras, cada um escolhe a arma que quer e desfere os golpes que quer… vale tudo, incluindo arrancar olhos… E, contrariamente ao que fui lendo e vendo ao longo da minha vida, a caneta não é mais poderosa do que a espada… E, ainda que eu tenha a noção de que há sempre dois lados da história, este excesso de violência é isso mesmo: excessivo e violento.

 

Tenho medo da escola, do que anda a acontecer à escola, desde há uns anos. Está tudo – e todos - preso por arames, no limite, a passar mais tempo no local escolar do que na própria casa, a encarar aquele espaço (que deveria ser um espaço de várias aprendizagens – não somente académicas – e de felicidade e bem-estar) como um depósito ou a prisão daquele dia, a gerir (ou não) emoções variadíssimas ao longo daquelas horas, a sobreviver a mais um ano letivo. E isto é o que vejo em alunos, em professores, em funcionários.

 

Tenho medo da escola. Porque se desinvestiu nesta instituição. Porque se valorizam mais outros serviços, outros valores, outros campos, outras regiões. Porque esta instituição universal não é universal quando sai da área geográfica das duas únicas grandes cidades do país. Porque esta instituição foi sendo desrespeitada, insultada e humilhada sem que ninguém fizesse nada. Porque nem sequer se coloca a hipótese de investimento em áreas que não as académicas - as das notas, as das pautas, as dos quadros de mérito. Porque se desresponsabilizam atores importantíssimos no processo de educação. Porque se fazem leis que tantas vezes não são tidas em consideração nem respeitadas (exemplo simples: ratio funcionários-alunos; lei da iclusão)

 

Tenho medo da escola porque a violência continua a existir. Sem meios termos. Passámos dos abusivos anos ditatoriais em que era tudo corrido a reguadas e canas da índia e milho debaixo dos joelhos perpetrados pela figura autoritária do adulto para o domínio do pequeno ditador que, muitas vezes, nem sequer chega a ter uma dezena de anos mas já bate nos pais e consegue colocar uma turma de rastos e leva professores – e direções – a acionar mecanismos que não deveriam ser usados em criança alguma em circunstâncias típicas.

 

Tenho medo da escola. Porque em pleno século XXI temos de criar gabinetes e programas de combate ao bullying. E à violência escolar. E andar sempre com medo que nos deem cabo do carro ou que nos batam ou que um encarregado de educação nos aborde ou que um encarregado de educação picado por alguma coisa ou alguém aborde diretamente um aluno. Ou andar com medo que os nossos filhos cheguem a casa maltratados ou recebam mensagens de ódio no telemóvel. Imagine-se este medo exponenciado à enésima casa quando temos filhos com necessidades especificas. Ou quando os nossos filhos não são as vítimas mas sim os agressores. Ou quando só se parte para a culpa e não tentamos ver a causa…

 

Tenho medo da escola porque, por estes dias, a escola parece uma selva. E não é suposto ser assim. Como professores, não deveríamos ter medo de ir para o nosso local de trabalho, deveríamos ver nas direções colegas apoiantes e não déspotas autoritários, deveríamos sentir prazer em preparar materiais para as nossas aulas e ensinar, não deveríamos ter uma visão negra e burocrática e, por vezes, até limitada!, do ensino. É suposto sentirmo-nos bem com o que fazemos, não sermos apenas mais um a cumprir escrupulosamente um programa horrível e longo sem alternativas, não sermos apenas mais um apenas a “dar” umas aulas… deveríamos fazer a diferença…  

Passamos demasiado tempo fora do nosso lar. Nós pais e os nossos filhos. Nos casos de crianças com necessidades específicas, o horário deles com aulas e terapias, chega a ser superior ao de um adulto. Outros, neurotípicos, têm a mesma sobrecarga mas num ATL ou em atividades extra. A culpa é de um sistema em que vivemos que tem os mesmos horários para adultos e crianças – e nem sequer vale a pena falar de quem trabalha por turnos. Não temos avós reformados que possam ir buscar os netos à escola e estudar com eles – os avós de hoje ainda estão ao serviço; não trabalhamos ao lado da escola nem podemos levar os nossos filhos para os nossos trabalhos – logo, temos de arranjar quem fique com eles até sairmos… já deu para perceber a coisa. Não sei qual será a solução. Por aqui, optámos por algo low profile e com sacrifício profissional da minha parte para poder acompanhar as piolhas. Um dia, quando elas já não precisarem de mim, talvez eu consiga tratar da carreira, se ainda for a tempo.

 

Apesar do tom sombrio, eu sei que claro que há exceções! Não devemos tomar a parte pelo todo e generalizar cegamente. Há professores que, talvez utopicamente, ainda acreditam e tentam chegar a todos; há alunos que ainda querem mesmo aprender; há pais que se desdobram e funcionam como membros de uma equipa para um bem comum; há direções que se preocupam com todos, desde alunos a funcionários; há lugares onde ainda parece acontecer magia. Mas basta uma maçã podre para arruinar o cesto todo… E isso assusta. Não é essa a ideia que eu tenho – ou quero ter – da escola. Mas temos que voltar a cingir-nos pelos valores éticos e morais que deveriam reger comportamentos. As nossas ações – sejam elas quais forem – têm consequências. E, se eu não cumpro a lei ou respeito o outro, tenho de ser penalizada. E se vemos a escola como a tal sociedade em miniatura, por que não remarmos todos no mesmo sentido?

 

Lá do mundo dos unicórnios onde, às vezes, eu pareço viver, eu ainda quero acreditar que a escola – instituição e espaço – pode fazer a diferença pela positiva. E quero, eu e os meus, que nos sintamos seguros.

 

 

 

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publicado às 11:31

Como fazer um "telescópio" com uma lata

por t2para4, em 13.10.19

É o trabalho - ou projeto, se preferirem essa designação - de Físico-Química, agora que estão a dar o espaço. Devo confessar que aquele conteúdo é muito interessante e até eu me deixei prender.  Bem, a tarefa era construir um telescópio com uma constelação à escola a partir de um tubo. Escolheram-se, então, as constelações (Ursa Maior, para uma, e Ursa Menor, para outra) e tratámos de ver como iríamos fazer as coisas. Elas já sabiam que precisavam de um tudo, de meter a constelação furada no fundo e olhar para lá.

Então, de que precisamos:

- tubos (usámos os das pringles)

- spray preto

- verniz

- purpurinas prateadas

- cola quente

- furador com vários tamanhos

- x-ato

- folha preta

- impressão da constelação à medida da tampa

 

Como preparámos:

- Pintámos os tubos com spray preto e deixámos secar.

- Depois de imprimir as constelações, colocámos as folhas pretas por baixo, unimos com fita -cola, e com cuidado, furámos os pontos correspondentes às estrelas.

- Colámos com pingos de cola quente à tampa transparente do tubo e depois colámos a tampa ao tubo.

- Cortámos o fundo metálico do tubo com x-ato.

- Pulverizámos com verniz em spray, espalhámos purpurinas prateadas à toa e voltámos a colocar spray (fizemos isto dentro de uma caixa).

- Deixámos secar e identificámos com o nome da constelação e da autora.

A maioria do material necessário comprámos numa loja chinesa.

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O resultado final é algo de extraordinário e vale a pena fazer trabalhos destes porque, além da execução ser interessante, poder ver a constelação à contra-luz com definição, deixa-nos impressionados.

 

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publicado às 18:46

Fui buscar as avaliações das piolhas. E tratar das matrículas.

 

In https://uptokids.pt/opiniao/cronicas/a-escola/?fbclid=IwAR1qdVzobH9z6UrybAxuS5lcX0gddltCQPWYs1mRpPEqCo5HvzUxosbsbCE 

 

“You can be the greatest , You can be the best” – Hall of Fame, The Script

As piolhas terminaram mais um ciclo de escolaridade. Com sucesso. No próximo ano letivo irão frequentar o 3º ciclo de escolaridade, numa escola secundária pública.

Mais um ciclo que se fechou, que se completou. E mais uma vez contra as expectativas e vozes de velhos do restelo que ouvíamos, fechámos um ciclo com sucesso. Sem mais nem menos do que com o recurso ao que a lei prevê para situações como as das piolhas.

Não é facilitismo!

Eu trocava já, na hora com quem quisesse, a necessidade de “ao abrigo das alíneas x y z do Decreto-Lei 54 de 6 de julho de 2018”.

Não é favoritismo!

Um aluno com necessidades específicas requer respostas igualmente específicas e adaptadas à sua realidade, às suas competências, entre outros, de forma a colmatar as suas dificuldades e ter sucesso.

Não é privilégio!

É um direito, é o usufruir dos direitos que os vários decretos, portarias e despachos normativos – e, em última grande instância, a Constituição – preveem, sem retirar direitos a ninguém, nem usar mais do que aquilo que está previsto e salvaguardado.

Não é uma competição!

Apesar das suas notas incríveis e níveis altos, quando surgia um 51%, a minha reação era a mesma “parabéns, miúda! É só um teste, não é o espelho dos teus verdadeiros conhecimentos, não mostra o trabalho/tempo/estudo que dedicaste. É positiva. Melhorará numa próxima vez.

Não é dopping!

Não há nenhuma pílula milagrosa ou medicamento para a inteligência, o trabalho, o esforço, a dedicação.

Não é influência de ninguém!

Os pais, os professores, a lua, o sol, não têm influência nas notas a atribuir. São o que são, de acordo com os critérios aprovados. Não há notas inflacionadas nem notas mendigadas nem notas forretas.

Muitos foram os que duvidaram: saberiam um dia escrever? saberiam um dia ler sem ser por associação pictórica? conseguiriam um dia resolver os mesmos exercícios abstratos que os pares também realizavam? conseguiriam um dia andar de bicicleta? teriam um dia uma aula de educação física sem saltarem à vista comprometimentos motores e de equilíbrio? teriam um dia redução de horas de terapia de fala?

Mas, muitos foram também os que acreditaram.

E que nos ajudaram em todo este caminho árduo. E que estarão sempre do nosso lado, mesmo que a acompanhar-nos à distância.

Como também costumo dizer muitas vezes, parafraseando a personagem Locke, da série “Perdidos”: “Não me digam o que não consigo fazer!

Ergo o meu copo (com uma qualquer bebida lá dentro) e digo bem alto “Cheers!” porque, contra todas essas vozes, contra muitas estatísticas, com e sem apoio, com quem sempre acreditou em nós, chegámos mais longe, fomos mais.

Brindemos às piolhas, essas miúdas incríveis!

E, para terminar, pasme-se – até porque sou professora de profissão e adoro o que faço – que eu não dê a importância exacerbada às notas que seria suposto.

Que não veja a escola como único local de aprendizagem e que encare a escola como algo muito mais que aulas e avaliações. A escola quer-se um local de várias aprendizagens, a vários níveis, com vários intervenientes (professores, assistentes operacionais, assistentes técnicos, alunos, pais). A escola quer-se um lugar onde os nossos filhos estejam e sejam felizes.

Isso, para mim, vale muito muito mais do que qualquer número marcado numa qualquer pauta.

Agora, venham as férias em pleno. Para setembro, há mais.

 

publicado às 21:47


Não sou uma acérrima defensora do que é público nem entro em extremismos ou dicotomias "público vs privado".



Já trabalhei nos dois lados, cá em casa um de nós é do público e o outro do/para o privado, já usufruímos de serviços públicos e privados, conseguimos ver o que há de bom no público e no privado mas também sabemos identificar o que está há de bom e de mau no privado. Não vejo mal absolutamente nenhum em ter proveito nos dois mundos e, de alguma forma, contribuir (direta ou indiretamente) para esses dois mundos.

 



Mas, posso assegurar, que me faz muita comichão no lado esquerdo do cérebro, o incessante ataque aos serviços públicos, sejam eles quais forem. Não há perfeição em lado nenhum e sabemos perfeitamente que a nossa máquina pública tem graves defeitos e falhas. Mas também tem algo de bom, por exemplo: um SNS que vai conseguindo dar algumas respostas e até nem é mau de todo nas isenções e tem excelentes profissionais (eu consigo ter termos de comparação com o estrangeiro e, afianço, que temos excelentes médicos); uma escola pública que não pode nem deve negar a entrada de todos e tenta dar resposta a todos; uma segurança social que, a funcionar muito muito mal, com muitos muitos problemas e injustiças, ainda vai dando para abonos, pensões, reformas, etc; um Estado Social (a minha avó nunca descontou na vida mas recebe uma reforma... Como ela, há milhares de octagenários ou mais, na mesma situação...), etc.

 



Chamem-me "novinha", "otimista" ou digam que nunca me negaram nada (é mentira. Sabem lá as milhentas falhas que a segurança social já teve para comigo ou o atraso de 3 anos no diagnóstico das piolhas nas consultas de desenvolvimento numa Maternidade). MAS custa-me que se diga mal só porque sim sem se fazer algo.

Eu dou exemplos concretos:

- quando as piolhas foram para o Jardim de Infância, em algumas sessões de terapia, usava-se o computador que era do terapeuta... Não reinvindicámos material ou criticámos: o marido arranjou um computador que estava a um canto cá em casa e levámos para lá. E por lá ficou para usufruto. Se o JI precisava da nossa esmola? Não, mas nós precisávamos deste recurso e, além de apontarmos esta falha, resolvemo-la (mal ou bem, mas resolvemos).

- quando as piolhas entraram para a escola primária, não havia um canto TEACH para elas na sala. Em colaboração com os professores delas, nós pais e eles, criámos as condições necessárias para estarem na mesma sala de aula dos colegas: mesa organizada com PECs, cantinho de recursos sensoriais, material organizador, um horário visual acessível a todos, etc. Pedimos um recurso humano para duas (um docente de Ed Especial, uma Assistente Operacional, etc.).

- quando cortaram os horários das terapias, contestei e apresentei uma solução: em vez de terapias quinzenais em separado, passariam a ter terapias juntas semanalmente (e argumentei com a experiência do passado e os pontos fortes de uma e de outra como vantagem de trabalho);

- quando cortaram o tempo de terapias, foi proposta uma espécie de oficina de trabalho entre terapia da fala e ocupacional, de modo a poder tocar os dois mundos e não perder nada.



Na saúde? Apesar do sistema, sou eu a ponte entre Centro de Saúde (Médico de Família) e o Hospital Pediátrico de Coimbra, para as piolhas, para que caminhemos todos no mesmo sentido. E, no caso do meu pai, fui eu quem traduziu todos os relatórios médicos que anexei aos originais para colocar o médico a par da situação. Eu sei que há serviços para isto mas demoram, têm custos. Não me custa nada ajudar o sistema e desbloquear uma resposta.

 



Eu sei que há muita muita coisa errada, nós não queremos estar aqui a servir de exemplo para nada nem para ninguém, mas se não nos mexermos e não formos mais proativos e colaborantes, as coisas não funcionarão mesmo... Sei que vou ser acusada de estar a facilitar um sistema que deveria olhar por nós mas eu estou ciente que tenho direitos e também deveres. E sei que é muito mais célere e com mais hipóteses de sucesso quando nos envolvemos de forma positiva. Custa-me uma crítica só porque sim, sem um mínimo de esforço ou de empenho em que as coisas mudem.

 



E, agora, façam como quiserem. Não é uma defesa do público em detrimento do privado (eu fui curada das minhas lesões cerebrais pelo privado mas foi o público que me salvou as piolhas in utero com um tratamento que me pagaria a casa). É um desabafo de quem está farto de ver gente que se queixa de tudo e todos e que acha que o que é estrangeiro é que é bom mas nunca levantou a peida do sofá para fazer a diferença nem nunca se atreveu a sair deste retângulo à beira-mar plantado.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:06

Foi o trabalho do fim de semana: fazer um corte de um dente e legendar cada constituinte. Teria de ser um trabalho individual. Quis afastar as piolhas do típico desenho mas também não queria fazer nada de muito elaborado. As pesquisas online não deram grande ajuda pelo que fomos pelo mais simples, utilizando os materiais que havia cá em casa.

Perguntei quem queria fazer uma colagem com feltros e quem queria pintar em tecido. Cada piolha escolheu o que queria e pusemos mãos à obra.

 

Para o corte com feltros, precisámos de:

- feltros de várias cores (cru, amarelo torrado, vermelho, rosa avermelhado, branco)

- lápis e tesoura

- tintas (vermelho, azul e amarelo) e pincel fino

- cartolina branca

- cola quente

 

Desenhei as várias partes do dente de forma a conseguirmos sobrepô-las e a piolha recortou tudo. Também escreveu, imprimiu e recortou as legendas. Depois, eu juntei tudo com a pistola de cola quente e dei uma ajuda no delinear dos nervos e vasos sanguíneos.

 

 

Para o corte em tecido, precisámos de:

- tecido (pano cru)

- canetas de feltro, um lápis de cera (não tínhamos a cor certa noutros materiais), tintas acrílicas

- pinceis

- caneta de gel escura

 

Desenhei os constituintes do corte do dente e, seguindo as cores da figura no manual, a piolha pintou tudo. No final, desenhou as bolinhas como se fosse o corte de osso, ajudei no delinear dos nervos e vasos sanguíneos e ela escreveu as legendas. Feito.

 

 

Acabámos por dedicar, ainda assim, muito tempo aos trabalhos, apesar de serem simples. Mas são diferentes do habitual e elas gostaram.

 

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publicado às 13:29

Este final de semana, o meu feed pessoal, no facebook, era só fotos sobre o dia do diploma ou coisas do género - os nomes variam de escola para escola. 
Sob risco de ganhar novos amigos, aqui vai o que eu penso: eu sou totalmente contra. Aliás, se eu fosse parte de uma direção de alguma escola, a minha escola não teria dia do diploma. Sou a favor de promover uma competitividade saudável entre os alunos, de querer que eles se ultrapassem a si mesmos, de fazê-los ver que podem ir sempre mais além - mesmo quando o mundo lhes diz que não. 


Mas sabem o que eu realmente vejo?

Vejo uma competição feroz por notas que não contam para nada, a não ser passar de ano (desculpem, mas é verdade, até ao secundário, as notas não contam para média, nem para percurso académico que influencie escolhas no secundário). Um exemplo concreto que eu vivi - ninguém me contou: já tive várias alunas que ficaram completamente deprimidas e chocadas porque tiveram... 98% (sim, noventa e oito porcento) num teste. Foi 98% e não 100%, logo, a média dos testes que é somada para o raio da atribuição dos diplomas de sei lá o quê, ia ficar estragada. Serei eu a única a não achar isto normal??? Estamos a falar do ensino básico, pelo amor de Deus!


Além disso, e agora vem aquela questão: alunas como as piolhas poderão alguma vez estar no quadro de honra ou de mérito e receber um diploma? Não acredito que a "inclusão" vá tão longe. Porque depois vêm as questões de como é feita a avaliação, em que moldes, se tem adaptação ou não, blá blá blá.


Não leiam coisas que não estão cá e nem interpretem à Bocage: em lado nenhum eu digo que quero que as piolhas passem por esta pressão (absurda, já agora) ou que sinto algum tipo de inveja. Eu não concordo com isto e jamais sujeitaria as piolhas a esta pressão de ter boas notas só para ganhar um diploma bonito. Quero que sejam felizes na escola, que aprendam com naturalidade e gostem de estudar; não quero que se sintam frustradas porque um 98% não é um 100%. 


Eu sou a favor de premiar os valores, as atitudes, os comportamentos; não concordo com o premiar de notas e fazer disso uma gala. Não estamos a falar do ensino secundário onde a noção de responsabilidade e de mérito fazem perfeito sentido e são absolutamente necessárias para se poder ingressar num ensino superior. Falar disto no ensino básico e ouvir alunos a falar que um 98% num teste lhes estragou uma média (quando, no final do período até vai ter 5 na pauta), é ridículo e de uma pressão exagerada. 


(sejamos práticos: na vida real, não é a pauta das notas que um banco pedirá para que possamos comprar uma casa ou um carro... Estudar de forma saudável sim, exagerar até cair em frustração e depressão, nunca fez bem a ninguém...)

 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:22

É um trabalho para a escola. A professora de Inglês pediu que todos os alunos fizessem em casa uma de três opções: uma bruxa, um gato preto ou um monstro, com materiais recicláveis. 

As piolhas escolheram o que queriam fazer, pesquisámos ideias na internet e hoje pusemos mãos ao trabalho. Eu tratei de tudo o que envolveu colagens com pistola de cola quente e pouco mais. Elas trataram de quase tudo, como é suposto ser.

 

 

A bruxa

 

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Para a bruxa, precisámos de:

- uma bola (de um dos meus jogos das aulas ao pré-escolar; escolhemos verde como a bruxa de Oz)

- feltro

- cartolina

- paus e ráfia

- olhos goggles

- cola quente e agrafos

 

Fizemos um molde em cartolina (reaproveitámos uns pedaços que tinha guardado) em forma de cone (um maior para o vestido e outro menor para o chapéu), recortámos e agrafámos. Recortámos o mesmo molde em feltro preto e colámos com cola quente por cima da cartolina. 

Na bola, colámos pedacinhos de ráfia e o chapéu. Para disfarçar as "soldas" colámos por cima uma tira de cartolina brilhante.

A vassoura foi feita com um galho e ramos secos de um campo aqui ao lado do T2 e preso com ráfia.

Na bola, desenhou-se a boca e colámos os olhos.

 

 

O gato

 

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Para o gato, usámos:

- tubo de rolo de cozinha

- olhos goggles

- arames com brilhantes

- feltro

- cola quente preta e brilhantes

 

Pintámos o tubo do rolo de cozinha (que tive de enrolar noutro sítio porque não tinha cá nem um rolo vazio) com spray para ser mais rápido e cortámos um pouco em baixo para não ficar muito alto. Dobrámos em cima para trás e depois para a frente para ficar com o formato de orelhas. Cortámos um arame em dois e dobrámos para os bigodes que colámos com cola quente e um triangulo de feltro em cima. Para a cauda, usámos um arame enrolado na ponta que também colámos com cola quente. A boca foi feita com cola brilhante.

 

 

E assim rapidinho e com materiais que andavam esquecidos em gavetas cá por casa se fizeram os trabalhos que, modéstia à parte, estão giríssimos.

 

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publicado às 14:12

Momento ahhhhhh das piolhas #16

por t2para4, em 06.03.18

É "só" isto.

 

 

 

É ou não é de encher o coração? Mesmo que não dê em nada, houve a coragem de arriscar. Estou tão orgulhosa.

 

 

 

 

 

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publicado às 14:24

To go or not to go: as prioridades...

por t2para4, em 20.02.18
Inscrevi-me numa ação de formação com nome pomposo "Diferenciação Pedagógica & do programa às Aprendizagens Essenciais" por me parecer interessante e animadora e com a perspetiva de poder aprender algo para usar nas minhas aulas, com as minhas turmas.
18h30.
Em Coimbra.
As minhas aulas terminam às 18h mas era exequível.
Mas... também é dia de as piolhas irem à piscina... E elas estavam tão entusiasmadas... E, depois, ocorreu-me que amanhã não terei tempo para almoçar (só umas sandes rápidas) pois estarei tão longe de casa a dar aulas para chegar mais cedo a casa depois e as piolhas vêm almoçar a casa, quando eu cá não estou. E eu precisei de agilizar tudo para estar tudo pronto para amanhã. E preparar o saco de Educação Física porque amanhã também começam as aulas de natação.
 
 
E ponderei: no ano letivo anterior fiz imensas ações de formação. As quotas já preenchidas da avaliação de desempenho docente impediram que a minha nota fosse mais alta. As metas obrigam-nos a ir em determinadas direções que não me parecem corretas. Acabei por não aplicar quase nada do que fui aprender porque a minha realidade escolar não o permitiu e porque adoeci e porque não consigo mudar o mundo.
 
E dei prioridade ao que é realmente mais importante: a família.
 
 
Não fui à ação. Não terei Muito Bom ou Excelente na avaliação de desempenho docente. Esta avaliação não conta para absolutamente n-a-d-a (nem progressão, nem contagem de tempo de serviço, nem majoraçao, nem bónus de ordenado, nada, niente, zero, rien)
 
Não fui à ação. Fui ver as minhas filhas nadar na piscina grande, sem pé, sem ajudas quase nenhumas. Fui verificar os últimos retoques de autonomia para que amanhã se saiam bem nos balenários e depois da aula de Ed. Física. E aprendi o que nenhuma ação de formação me pode dar jamais: que só o tempo que dedico e o modelo que tento ser fazem com que as minhas filhas possam aprender o melhor possível e serem o mais autónomas possível.
 
 
E esta é uma tarefa que não posso delegar noutros.
 
 
 

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publicado às 22:00

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