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Não sou uma acérrima defensora do que é público nem entro em extremismos ou dicotomias "público vs privado".



Já trabalhei nos dois lados, cá em casa um de nós é do público e o outro do/para o privado, já usufruímos de serviços públicos e privados, conseguimos ver o que há de bom no público e no privado mas também sabemos identificar o que está há de bom e de mau no privado. Não vejo mal absolutamente nenhum em ter proveito nos dois mundos e, de alguma forma, contribuir (direta ou indiretamente) para esses dois mundos.

 



Mas, posso assegurar, que me faz muita comichão no lado esquerdo do cérebro, o incessante ataque aos serviços públicos, sejam eles quais forem. Não há perfeição em lado nenhum e sabemos perfeitamente que a nossa máquina pública tem graves defeitos e falhas. Mas também tem algo de bom, por exemplo: um SNS que vai conseguindo dar algumas respostas e até nem é mau de todo nas isenções e tem excelentes profissionais (eu consigo ter termos de comparação com o estrangeiro e, afianço, que temos excelentes médicos); uma escola pública que não pode nem deve negar a entrada de todos e tenta dar resposta a todos; uma segurança social que, a funcionar muito muito mal, com muitos muitos problemas e injustiças, ainda vai dando para abonos, pensões, reformas, etc; um Estado Social (a minha avó nunca descontou na vida mas recebe uma reforma... Como ela, há milhares de octagenários ou mais, na mesma situação...), etc.

 



Chamem-me "novinha", "otimista" ou digam que nunca me negaram nada (é mentira. Sabem lá as milhentas falhas que a segurança social já teve para comigo ou o atraso de 3 anos no diagnóstico das piolhas nas consultas de desenvolvimento numa Maternidade). MAS custa-me que se diga mal só porque sim sem se fazer algo.

Eu dou exemplos concretos:

- quando as piolhas foram para o Jardim de Infância, em algumas sessões de terapia, usava-se o computador que era do terapeuta... Não reinvindicámos material ou criticámos: o marido arranjou um computador que estava a um canto cá em casa e levámos para lá. E por lá ficou para usufruto. Se o JI precisava da nossa esmola? Não, mas nós precisávamos deste recurso e, além de apontarmos esta falha, resolvemo-la (mal ou bem, mas resolvemos).

- quando as piolhas entraram para a escola primária, não havia um canto TEACH para elas na sala. Em colaboração com os professores delas, nós pais e eles, criámos as condições necessárias para estarem na mesma sala de aula dos colegas: mesa organizada com PECs, cantinho de recursos sensoriais, material organizador, um horário visual acessível a todos, etc. Pedimos um recurso humano para duas (um docente de Ed Especial, uma Assistente Operacional, etc.).

- quando cortaram os horários das terapias, contestei e apresentei uma solução: em vez de terapias quinzenais em separado, passariam a ter terapias juntas semanalmente (e argumentei com a experiência do passado e os pontos fortes de uma e de outra como vantagem de trabalho);

- quando cortaram o tempo de terapias, foi proposta uma espécie de oficina de trabalho entre terapia da fala e ocupacional, de modo a poder tocar os dois mundos e não perder nada.



Na saúde? Apesar do sistema, sou eu a ponte entre Centro de Saúde (Médico de Família) e o Hospital Pediátrico de Coimbra, para as piolhas, para que caminhemos todos no mesmo sentido. E, no caso do meu pai, fui eu quem traduziu todos os relatórios médicos que anexei aos originais para colocar o médico a par da situação. Eu sei que há serviços para isto mas demoram, têm custos. Não me custa nada ajudar o sistema e desbloquear uma resposta.

 



Eu sei que há muita muita coisa errada, nós não queremos estar aqui a servir de exemplo para nada nem para ninguém, mas se não nos mexermos e não formos mais proativos e colaborantes, as coisas não funcionarão mesmo... Sei que vou ser acusada de estar a facilitar um sistema que deveria olhar por nós mas eu estou ciente que tenho direitos e também deveres. E sei que é muito mais célere e com mais hipóteses de sucesso quando nos envolvemos de forma positiva. Custa-me uma crítica só porque sim, sem um mínimo de esforço ou de empenho em que as coisas mudem.

 



E, agora, façam como quiserem. Não é uma defesa do público em detrimento do privado (eu fui curada das minhas lesões cerebrais pelo privado mas foi o público que me salvou as piolhas in utero com um tratamento que me pagaria a casa). É um desabafo de quem está farto de ver gente que se queixa de tudo e todos e que acha que o que é estrangeiro é que é bom mas nunca levantou a peida do sofá para fazer a diferença nem nunca se atreveu a sair deste retângulo à beira-mar plantado.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:06

Foi o trabalho do fim de semana: fazer um corte de um dente e legendar cada constituinte. Teria de ser um trabalho individual. Quis afastar as piolhas do típico desenho mas também não queria fazer nada de muito elaborado. As pesquisas online não deram grande ajuda pelo que fomos pelo mais simples, utilizando os materiais que havia cá em casa.

Perguntei quem queria fazer uma colagem com feltros e quem queria pintar em tecido. Cada piolha escolheu o que queria e pusemos mãos à obra.

 

Para o corte com feltros, precisámos de:

- feltros de várias cores (cru, amarelo torrado, vermelho, rosa avermelhado, branco)

- lápis e tesoura

- tintas (vermelho, azul e amarelo) e pincel fino

- cartolina branca

- cola quente

 

Desenhei as várias partes do dente de forma a conseguirmos sobrepô-las e a piolha recortou tudo. Também escreveu, imprimiu e recortou as legendas. Depois, eu juntei tudo com a pistola de cola quente e dei uma ajuda no delinear dos nervos e vasos sanguíneos.

 

 

Para o corte em tecido, precisámos de:

- tecido (pano cru)

- canetas de feltro, um lápis de cera (não tínhamos a cor certa noutros materiais), tintas acrílicas

- pinceis

- caneta de gel escura

 

Desenhei os constituintes do corte do dente e, seguindo as cores da figura no manual, a piolha pintou tudo. No final, desenhou as bolinhas como se fosse o corte de osso, ajudei no delinear dos nervos e vasos sanguíneos e ela escreveu as legendas. Feito.

 

 

Acabámos por dedicar, ainda assim, muito tempo aos trabalhos, apesar de serem simples. Mas são diferentes do habitual e elas gostaram.

 

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publicado às 13:29

Este final de semana, o meu feed pessoal, no facebook, era só fotos sobre o dia do diploma ou coisas do género - os nomes variam de escola para escola. 
Sob risco de ganhar novos amigos, aqui vai o que eu penso: eu sou totalmente contra. Aliás, se eu fosse parte de uma direção de alguma escola, a minha escola não teria dia do diploma. Sou a favor de promover uma competitividade saudável entre os alunos, de querer que eles se ultrapassem a si mesmos, de fazê-los ver que podem ir sempre mais além - mesmo quando o mundo lhes diz que não. 


Mas sabem o que eu realmente vejo?

Vejo uma competição feroz por notas que não contam para nada, a não ser passar de ano (desculpem, mas é verdade, até ao secundário, as notas não contam para média, nem para percurso académico que influencie escolhas no secundário). Um exemplo concreto que eu vivi - ninguém me contou: já tive várias alunas que ficaram completamente deprimidas e chocadas porque tiveram... 98% (sim, noventa e oito porcento) num teste. Foi 98% e não 100%, logo, a média dos testes que é somada para o raio da atribuição dos diplomas de sei lá o quê, ia ficar estragada. Serei eu a única a não achar isto normal??? Estamos a falar do ensino básico, pelo amor de Deus!


Além disso, e agora vem aquela questão: alunas como as piolhas poderão alguma vez estar no quadro de honra ou de mérito e receber um diploma? Não acredito que a "inclusão" vá tão longe. Porque depois vêm as questões de como é feita a avaliação, em que moldes, se tem adaptação ou não, blá blá blá.


Não leiam coisas que não estão cá e nem interpretem à Bocage: em lado nenhum eu digo que quero que as piolhas passem por esta pressão (absurda, já agora) ou que sinto algum tipo de inveja. Eu não concordo com isto e jamais sujeitaria as piolhas a esta pressão de ter boas notas só para ganhar um diploma bonito. Quero que sejam felizes na escola, que aprendam com naturalidade e gostem de estudar; não quero que se sintam frustradas porque um 98% não é um 100%. 


Eu sou a favor de premiar os valores, as atitudes, os comportamentos; não concordo com o premiar de notas e fazer disso uma gala. Não estamos a falar do ensino secundário onde a noção de responsabilidade e de mérito fazem perfeito sentido e são absolutamente necessárias para se poder ingressar num ensino superior. Falar disto no ensino básico e ouvir alunos a falar que um 98% num teste lhes estragou uma média (quando, no final do período até vai ter 5 na pauta), é ridículo e de uma pressão exagerada. 


(sejamos práticos: na vida real, não é a pauta das notas que um banco pedirá para que possamos comprar uma casa ou um carro... Estudar de forma saudável sim, exagerar até cair em frustração e depressão, nunca fez bem a ninguém...)

 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:22

É um trabalho para a escola. A professora de Inglês pediu que todos os alunos fizessem em casa uma de três opções: uma bruxa, um gato preto ou um monstro, com materiais recicláveis. 

As piolhas escolheram o que queriam fazer, pesquisámos ideias na internet e hoje pusemos mãos ao trabalho. Eu tratei de tudo o que envolveu colagens com pistola de cola quente e pouco mais. Elas trataram de quase tudo, como é suposto ser.

 

 

A bruxa

 

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Para a bruxa, precisámos de:

- uma bola (de um dos meus jogos das aulas ao pré-escolar; escolhemos verde como a bruxa de Oz)

- feltro

- cartolina

- paus e ráfia

- olhos goggles

- cola quente e agrafos

 

Fizemos um molde em cartolina (reaproveitámos uns pedaços que tinha guardado) em forma de cone (um maior para o vestido e outro menor para o chapéu), recortámos e agrafámos. Recortámos o mesmo molde em feltro preto e colámos com cola quente por cima da cartolina. 

Na bola, colámos pedacinhos de ráfia e o chapéu. Para disfarçar as "soldas" colámos por cima uma tira de cartolina brilhante.

A vassoura foi feita com um galho e ramos secos de um campo aqui ao lado do T2 e preso com ráfia.

Na bola, desenhou-se a boca e colámos os olhos.

 

 

O gato

 

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Para o gato, usámos:

- tubo de rolo de cozinha

- olhos goggles

- arames com brilhantes

- feltro

- cola quente preta e brilhantes

 

Pintámos o tubo do rolo de cozinha (que tive de enrolar noutro sítio porque não tinha cá nem um rolo vazio) com spray para ser mais rápido e cortámos um pouco em baixo para não ficar muito alto. Dobrámos em cima para trás e depois para a frente para ficar com o formato de orelhas. Cortámos um arame em dois e dobrámos para os bigodes que colámos com cola quente e um triangulo de feltro em cima. Para a cauda, usámos um arame enrolado na ponta que também colámos com cola quente. A boca foi feita com cola brilhante.

 

 

E assim rapidinho e com materiais que andavam esquecidos em gavetas cá por casa se fizeram os trabalhos que, modéstia à parte, estão giríssimos.

 

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publicado às 14:12

Momento ahhhhhh das piolhas #16

por t2para4, em 06.03.18

É "só" isto.

 

 

 

É ou não é de encher o coração? Mesmo que não dê em nada, houve a coragem de arriscar. Estou tão orgulhosa.

 

 

 

 

 

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publicado às 14:24

To go or not to go: as prioridades...

por t2para4, em 20.02.18
Inscrevi-me numa ação de formação com nome pomposo "Diferenciação Pedagógica & do programa às Aprendizagens Essenciais" por me parecer interessante e animadora e com a perspetiva de poder aprender algo para usar nas minhas aulas, com as minhas turmas.
18h30.
Em Coimbra.
As minhas aulas terminam às 18h mas era exequível.
Mas... também é dia de as piolhas irem à piscina... E elas estavam tão entusiasmadas... E, depois, ocorreu-me que amanhã não terei tempo para almoçar (só umas sandes rápidas) pois estarei tão longe de casa a dar aulas para chegar mais cedo a casa depois e as piolhas vêm almoçar a casa, quando eu cá não estou. E eu precisei de agilizar tudo para estar tudo pronto para amanhã. E preparar o saco de Educação Física porque amanhã também começam as aulas de natação.
 
 
E ponderei: no ano letivo anterior fiz imensas ações de formação. As quotas já preenchidas da avaliação de desempenho docente impediram que a minha nota fosse mais alta. As metas obrigam-nos a ir em determinadas direções que não me parecem corretas. Acabei por não aplicar quase nada do que fui aprender porque a minha realidade escolar não o permitiu e porque adoeci e porque não consigo mudar o mundo.
 
E dei prioridade ao que é realmente mais importante: a família.
 
 
Não fui à ação. Não terei Muito Bom ou Excelente na avaliação de desempenho docente. Esta avaliação não conta para absolutamente n-a-d-a (nem progressão, nem contagem de tempo de serviço, nem majoraçao, nem bónus de ordenado, nada, niente, zero, rien)
 
Não fui à ação. Fui ver as minhas filhas nadar na piscina grande, sem pé, sem ajudas quase nenhumas. Fui verificar os últimos retoques de autonomia para que amanhã se saiam bem nos balenários e depois da aula de Ed. Física. E aprendi o que nenhuma ação de formação me pode dar jamais: que só o tempo que dedico e o modelo que tento ser fazem com que as minhas filhas possam aprender o melhor possível e serem o mais autónomas possível.
 
 
E esta é uma tarefa que não posso delegar noutros.
 
 
 

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publicado às 22:00

Há dias e dias

por t2para4, em 24.01.18

No final da semana passada foi altura de assinar os Planos Educativos Individuais (PEI) das piolhas. Tive tempo para ler tudo muito bem, comparar com o PEI inicial (o elaborado no 1º ciclo) e com as minhas próprias observações. havia algumas falhas, nas datas de relatórios médicos, nos apoios dados às piolhas e num dos parâmetros de acompanhamento. Nada de grave mas o suficiente para requerer correção. 

Custa muito ler os parâmetros descritivos porque ainda se parte da dificuldade para a capacidade (cognitiva ou outra). E, de facto, para o bem ou para o mal, as descrições adequam-se às piolhas e são a realidade que temos em casa. 

Concordei com as medidas propostas - iguais às de PEIs anteriores - porque têm surtido efeito e fazem sentido.

 

Entretanto, também tive reunião com a equipa de técnicos (terapeutas) que as acompanha. Deixou um gosto agri-doce na boca, como qualquer destas reuniões deixa. A descrição de uma das piolhas foi a descrição do Sheldon, basicamente: muito racional, pouco emotiva, mais dada à lógica, com ímpeto de racionalizar tudo; a outra piolha é mais emotiva, mais sensível, menos racional. 

Falou-se de estratégias, dificuldades, expectativas e metas. Mais uma vez, receios colocados em cima da mesa e com a perfeita noção de que ainda temos muito para caminhar, concordei com as medidas propostas porque algumas têm surtido efeito e fazem sentido. 

 

Entretanto, com o fim de semana pelo meio, lá conseguimos organizar-nos e estudar um pouco, continuar a leitura da "Fada Oriana" e começar a mentalizar-nos para fazer resumos, pois a 1ª vaga de testes do 2º período está a começar. Testes que eu já comecei a dar às minhas turmas (para não juntar muitos conteúdos) mas que ainda me falta corrigir e cotar. Fora as aulas para preparar e os materiais. Fora as reuniões. Adoro o que faço mas ter que o fazer como um TPC desgasta-me. Tal como me desgastam as viagens entre escolas, entre horários quando não estou na escola, o mudar de ficha quando sai uma turma de 3º ano e entra uma explicação de 11º ano. E tal como também ainda me desgasta um ou outro comportamento disruptivo que surge vindo do nada e que não faço a mínima ideia de como a escola lida com isso, pois o único feedback que tenho está cheio de interferências e não passa bem a mensagem: as piolhas... Mas, um dia não são dias e, pronto, cá nos orientamos.

 

As piolhas já começam a ter pequenas tarefas para fazer em casa. Passámos da arrumação do quarto e do por a mesa para o arrumar louça da e na máquina, carregar a máquina da roupa (e separar as roupas), ajudar-me enquanto cozinho fazendo pequenos recados. Não gostam muito de fazer "tarefas domésticas" (palavras de uma das piolhas) mas não têm outro remédio pois a mãe é má e não deixa as meninas estarem com a fronha enfiada num tablet toda a tarde, vejam lá que até têm horários para essas coisas. 

 

Mas, tantas pequenas coisas e emoções para gerir sem tempo para o fazer de forma salutar, transformam-se numa coisa maior e acaba por nos deixar um pouco em baixo. Sinto-me cansada e dou por mim a ansiar uma semana sem fazer absolutamente nada que não seja ler, por exemplo, ou ver TV, algo que não obrigue a usar neurónios. Acho que não é pedir muito. Até lá, vou vendo videos de covers de músicas na bateria. Acabo de fazer o download de dois vídeos muito bons de músicas dos Queen de que gosto muito (as piolhas lá terão de se sujeitar ehehheheh) para experimentarmos em casa e ver como corre. Logo, quando sair do trabalho, experimentamos. Assim, à primeira vista, fazendo tudo como no vídeo, até parece simples... Cá nos orientaremos ;)

 

 

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publicado às 14:59

A felicidade nas pequenas coisas

por t2para4, em 17.01.18

A pedido, as piolhas estão inscritas e a frequentar uma atividade extra oferecida pela escola, o Clube de Etwinning (informações aqui). Fazem imensas coisas no computador e em inglês - duas áreas fortes das piolhas.

 

No Natal, trouxeram para casa uns textos em inglês de correspondentes de outros países, ao género, penfriend, e elaboraram postais de Natal para promoção da escola. Por regra, tudo o que precisam de fazer, é feito nesse horário, na escola.

No entanto, esta semana, uma das piolhas disse-me que recisava de umas imagens de iogurtes e praia e uma foto minha. Não percebi bem mas anuí ajudá-la. Disseram-me que era para o etwinning. Este mês, andam de volta do tema "felicidade". Como não se explicaram muito bem, lá investiguei junto de colegas e percebi o que precisam.  Portanto, em forma de imagem ou video, devem responder às questões: What does happiness look like? What does happiness smell like? What does happiness taste like? What does happiness sound like? (Com que se parece a felicidade, a que cheira, a que sabe, a que soa). 

Já munida destas informações, a piolha lá me disse que, para ela a felicidade cheira a iogurte, sabe a chocolate branco, soa a praia e parece-se com... a mãe, por isso, precisa de uma foto minha. 

Fiquei tão feliz e tão orgulhosa. Se a minha filha acha que a felicidade é ser algo parecido comigo, então, ando a fazer alguma coisa certa. Mesmo com tantas adversidades e contratempos. 

E depois pensei um pouco nas restantes respostas: iogurte, chocolate branco e praia... Tudo tão simples, tão verdadeiro, tão singelo... Não há dúvida nenhuma de que valorizamos mesmo as pequenas coisas, os pequenos nadas, aquilo que realmente nos deixa felizes.

 

E isso é fantástico. 

 

 

 

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publicado às 14:18

Um marco, um cargo, uma responsabilidade

por t2para4, em 04.10.17

Uma das piolhas concorreu para delegada de turma; a outra não quis saber de "politiquices" e pôs-se ao fresco. durante dias, lá em casa, ouviu-se muitas vezes a expressão "eleições" e "delegado de turma".

Antecipando-me, talvez erradamente, ao que são os miúdos numa sala de aula e às suas preferências eleitorais - leia-se, o melhor amigo ou o amigo mais fixe ou aquele mais cool da turma -, fui avisando a piolha que, se não ganhasse, para não ficar triste nem desiludida, que ser delegado de turma era uma grande responsabilidade e uma carga de trabalhos, que eu já tinha tido essa experiência e tive muitas coisas para fazer, etc. Na verdade, o que eu queria mesmo era que, saídos os resultados da votação, ela não estranhasse se algo não corresse tão bem.

Não sabia que havia "campanha" para fazerem. As piolhas não disseram nada e a diretora de turma também não. Foi um choque para mim - juro que até me tirou o sono - quando a piolha disse que tinha feito um discurso... Imaginei logo uma coisa à Sheldon ou à Raj da "Teoria do Big Bang" - ou seja, algo descontextualizado, muito no seu universo de entendimento, com todos os interlocutores de boca aberta a tentar perceber dali o sentido, vá, vejam dois ou três episódios da série e perceberão o que quero dizer. Ela estava tão otimista e contente e interessada e lisonjeada com a sua forma de chegar aos colegas que não me atrevi a dizer nada, apenas um "podíamos ter preparado um powerpoint ou um cartaz, com os teus colegas". Não faço ideia do teor do discurso.

Hoje contou-me, toda feliz - e a irmã também, já que lhe tinha garantido o voto - que não ganhara a eleição de delegada de turma mas ficara com o cargo de sub-delegada. Depois de a parabenizar, lá lhe disse que teria agora mais responsabilidades e que seria uma espécie de assistente da delegada de turma. O seu discurso algum efeito provocou na turma e alguma confiança inspirou. 

 

A minha partilha deste momento só tem a ver com o nível de desenvolvimento que ela conseguiu alcançar com este feito: não teve qualquer vergonha em improvisar um discurso em frente a uma audiência - ainda que aposte que não tenha feito contacto ocular ou mantido fiel a uma linha condutora de pensamento -, lutou por algo que gostaria de conseguir ter, reagiu bem à derrota e assumiu uma nova responsabilidade. Como será depois, logo se verá e se organizará. Este é um marco  - milestone, em inglês - que nunca pensei que alcançassem e vale o que vale mas, pela primeira vez, vejo uma das piolhas a ser escolhida em relação a outros pares e a ser encarada como uma semelhante - ainda que continue a manifestar falhas nas suas competências sociais, ainda que, por vezes, se alheie e se manifeste de forma "estranha" aos olhos de terceiros, ainda que as suas competências linguísticas e a sua compreensão da linguagem sejam um problema. Ela ousou e conseguiu.

E isto é priceless.

 

 

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publicado às 14:28

Entrada para o 2º ciclo

por t2para4, em 25.09.17

Volvidas duas semanas depois deste enorme marco, já dá para ter uma ideia do como foi e fazer um pequeno balanço.

A nossa preparação foi menor do que a que tivemos com a entrada no 1º ciclo, em grande parte porque toda a documentação já estava tratada, e em pequena parte porque as piolhas estão mais crescidas e não iriam mudar de escola. Eis o que tivemos em conta:

 

- Manuais e materiais

Todo o processo de encomenda de manuais, receção dos mesmos, escolha e compra de mochilas novas, compra dos materiais necessários para as disciplinas em geral e Educação Visual em particular, foi feito com as piolhas. Escolhemos mochilas de alças que estão bem ajustadas às costas (dei um nó na fita, na base onde se regula o tamanho das alças) porque os troleis não eram nada de jeito e porque elas assim pediram. As mochilas são largas, ou seja, com o volume dos livros e lanches, ela "estica" para a frente em vez de descair e obrigara a que forcemos os fechos para a fechar. Para as aulas de Ed. Física, levam as mochilas que costumam levar para a piscina, com o equipamento e guardam no cacifo.

Em vez de dossier com folhas soltas e argolas, optei por cadernos pretos que forrei com etiquetas de bookscrapping. Já imaginava o caos de folhas soltas e argolas estragadas e nem pensar passar por isso. Portanto, cadernos simples, dos agrafados e não dos de espiral, e um por disciplina.

Para arrumar o cartão, o telemóvel (fica para outro post), toalhetes íntimos e lenços de papel, horário e chave do cacifo, comprámos, à escolha delas, umas bolsas a tiracolo, giras e baratas, na Primark. 

 

- Cartão

As piolhas já estão numa escola que usa cartão desde sempre, por isso, desde que a frequentam que sabem utilizar o cartão e eu sou super fã. Só peca por não ter uma referência de carregamento online que me permita carregar com dinheiro também à distância. Através da plataforma https://www.giae.pt/cgi-bin/WebGiae.exe/mapa?codDistrito=11 , conseguimos, com código e password, ter acesso a todos - todos mesmo - os movimentos do cartão bem como consultar outro tipo de informações como refeições, ementas, gastos no bar e em quê, horas de entrada e saída, etc.

Claro que, ao longo destes 4 anos, já tive que comprar 2 segundas vias e pagar 5 euros por cada e pagar os devidos 0, 50 cêntimos pela utilização de um cartão provisõrio. Mas é um descanso não haver dinheiros envolvidos na forma física.

Por serem meninas, temos a vida facilitada pois trazem o cartão numa carteirinha a tira-colo.

 

- Cacifo

Por cá, a reserva de cacifos funciona muito bem. Uma das funcionárias faz o levantamento de todos os alunos daquele cuclo e atribui um por cada aluno, com a possibilidade de irmãos ou amigos poderem partilhar o mesmo cacifo. Não há custos envolvidos. O cacifo atribuído às piolhas fica no mesmo bloco onde têm aulas, pelo que, é muito prático. O único senão é o tamanho incrivelmente reduzido da chave. A primeira coisa que fiz foi mandar fazer 2 cópias e manter a chave original (temos, portanto, 3 chaves) e comprar um porta-chaves que se encontre com facilidade na carteirinha que usam.

 

- Documentação

O PEI (PLano Educativo Individual) já está na escola desde a sua realização e só carece de atualização que pode acontecer em junho do ano a terminar ou em setembro do ano a iniciar.

 

- Ação Social

Funciona de acordo com os escalões do abono e compreende oferta de manuais, transportes, refeições e material escolar em poroprção com que o for atribuído. Por exemplo, o 3º escalão do abono, o mais comum, receber apoio para compra de manuais apenas. Deve entregar-se a fatura dos manuais na secretaria da sede de agrupamento.

 

E como foram estas duas semanas?

Bem, não foram nada más. As piolhas adaptaram-se melhor e mais depressa do que eu à ideia (e do que eu com a idade delas no meu 5º ano) e estão sempre muito bem-dispostas. Sabem o que fazer em caso de furo (falta de um professor) e aproveitam as horas de Apoio ao Estudo para realmente estudar e fazer TPC. Usam e abusam do cacifo com a finalidade que lhe é devida e não têm qualquer problema nas aulas de ED. Física, embora, às vezes, quando as vou buscar as encontre com as sapatilhas do pavilhão nos pés ou as calças que não foram trocadas mas, de resto, já perceberam a questão prática da coisa. Algo que não mudou em 30 anos foi o sistema de aquecimento da água... As piolhas tomam duche se houver água quente ou limpam-se com a toalha se só houver água fria. Não lavam o cabelo na escola. Por vários motivos: ainda estamos a treinar isso, não as quero encharcadas todo o dia, não quero cabeça molhada com cabelos e roupa a pingar durante horas... Não deve trazer saúde nenhuma. 

Os primeiros testes já foram marcados e até temos uma folha-calendário no frigorífico. O contacto com a Diretora de Turma tem sido adequado e todas as minhas dúvidas acerca do apoio de Ed. Especial e da tarefeira respondidas. Ainda estamos em fase de adaptação e conhecimento das pessoas e das capacidades das piolhas pelo que ainda parece tudo um pouco etéreo. Mas o mais importante é elas estarem a gostar e estarem a adaptar-se muito bem.

 

O "problema" das horas de saída e tardes livres resolveu-se com coordenação entre nós pais e a minha irmã, já quem no 2º ciclo, naquela escola, não há serviço de ATL. Consigo ter horário para quase todos os dias as poder ir buscar e levar sem que fiquem tempo extra na escola à espera, sem fazer nada. Claro que tive aqui o meu anjinho da guarda a ajudar-me com o meu horário oficial e os meus miolos a elaborar o meu horário da minha atividade paralela, sempre com o das piolhas por base.

 

All in all, tudo está bem e espero que assim se mantenha. Estamos felizes e é o que interessa.

 

 

 

 

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publicado às 09:46

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