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Aquela vida de estudante...

por t2para4, em 22.11.22

Quem passou pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra nos finais dos anos 90 e inícios dos 00s nos cursos de Línguas e Literaturas Modernas com as várias variantes de estudos, apanhou, de certezinha absoluta, aqueles "professores" que guardavam a nota 20 para si mesmos e jamais avaliavam acima do 15, dizendo que este era o seu 20. Eu tive, na realidade, 10s que souberam a 20s, portanto, nada, naquela altura me espantava - a não ser a tremenda injustiça que grassava por lá. Tolerância nenhuma, inclusão pouca... outros tempos, não é verdade?
Por isso, volvidos quase os equivalentes aos anos das bodas de prata, quando algum tenrinho (como, carinhosamente chamo, à geração seguinte - sem ironias, ok?) me diz que adora a faculdade que delira com as aulas, que as notas são maravilhosas, eu, sinceramente, sinto que falamos de outro local.
A minha geração sofreu horrores naquelas salas e corredores. E sim Coimbra, teve mais encanto na hora da despedida. Fiquei muito desiludida, dececionada e magoada com a FLUC. Havia excelentes professores, não duvidemos, mas eram uma percentagem quase mínima... E poucos tinham vagas...
A minha nota mais alta, na FLUC, foi um 15 - o tal equivalente a um 20. Nem queria acreditar que seria possível. Mas chumbei 3 ou 4 vezes, à mesma disciplina, com 9. Sempre com 9. Definitivamente, Psicologia Educacional não era para mim. E chumbar sempre com 9 foi marranço puro da docente para comigo. Quando repeti a disciplina - com outro professor -, terminei com 15, mas adiante.
Consegui, no presente ano letivo, pela primeira vez, na FLUC, uma nota acima dos 15, justa e verdadeira. E sabe muito bem. É coerente, é real.
Tenho feito as pazes com o meu passado naquela instituição. Não tive sorte com a minha década de estudo nem com a escolha de alguns professores (eu ainda sou do tempo das noites dos horários e, estando aquele horário pretendido cheio, lá íamos nós para as opções seguintes... Desgraçado de quem chegasse na 2ª fase. Como eu...). Hoje a FLUC é uma instituição inclusiva, onde estudam pessoas com deficiências visíveis e invisíveis (há vários autistas ingressados num curso superior); adaptada à realidade do dia a dia e não presa num conservadorismo inexplicável; com um gabinete de apoio ao estudante e uma vontade de alargar a experiência universitária a todos. Hoje, a FLUC é a faculdade que eu desejava ter frequentado no final da década de 90; hoje a FLUC é a faculdade com que sonhei em adolescente; hoje é bom estar de volta à FLUC. Hoje, gostaria de apagar aqueles traumas, bullying puro de alguns docentes que já lá não estão (e ainda bem): a vergonha do meu nome ou da minha nacionalidade (eu que sou portuguesa sentia vergonha de não ser tratada da mesma forma que eram os meus colegas estrangeiros), de ter mais aptidão para uma área do que outra, do ser gozada por adorar estar num instituto de volta de livros ou trabalhos, do chorar desalmadamente na casa de banho, do quão difícil era conseguir estar à altura das expectativas de alguns docentes (nunca estava), da humilhação gratuita que nos faziam quando errávamos algo ou não tínhamos o mísero 10 ou de ainda hoje sonhar que me falta fazer uma disciplina para terminar o curso ou pagar a última prestação das propinas. Não me venham cá com mitos de que estudar por lá foi tudo rainbows and butterflies porque não acredito. Cruzei com dezenas de colegas assim. E, quando anos depois, nos encontramos por lá para fazer formação, todos falam disto. Não sou a única...
Hoje, estou feliz por estar na FLUC. Hoje gosto de ser alumni, de ser estudante na Universidade de Coimbra. Hoje sim, sinto-me integrada, incluída, respeitada e ensinada com pedagogia e respeito. Hoje, a FLUC é a "minha" FLUC. E é bom melhorar o passado e vivê-lo com carinho no presente. E eu estou feliz com a minha nota :D

 

 

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publicado às 15:46

Não sou um saco de pancada

por t2para4, em 20.10.22

As aulas começaram há um mês e uns dias. Estamos em meados de outubro e já li tantas tantas tantas notícias sobre agressões a professores que começo a perder-lhes a conta.
Eu não sou um saco de pancada.
Eu não sou o bode expiatório de ninguém.
Eu não um poço de descarga de frustrações alheias.
Eu não sou a culpada desta sociedade doente.
Eu não sou a super mulher.
Eu não sou mãe de centenas de alunos.
Eu não sou um saco de pancada.
Não sou nem tenho feitio para isso. Não admito a ninguém que me levantem a mão. Ou me ameacem. Ou me danifiquem propriedade. Eu dou muito de mim, todos os dias, todas as horas ao meu público presente mas jamais admiti ou admitirei faltas de educação, faltas de respeito ou ameaças tentadas ou concretizadas.
E não me venham com os blá blá blás do costume "ai só foste para professor porque quiseste" e "tu é que escolheste". Já falaram assim de um médico? Ou engenheiro? Ou advogado? Pois é. Critica-se o professor porque ganha bem (ahahahhahahaahahhahahahhahaha), tem 3 meses de férias (um dia, trocamos. Troco os meus 3 meses de férias por 1 mês de férias em época baixa), não trabalha (ahahahhahahahahah, vamoláaver: ontem tive 2 reuniões online e uma terminou às 20h; há conselhos de turma a serem marcados aos sábados; as secretarias cada vez empurram mais trabalho administrativo para professores, etc e tal), as editoras até dão prémios (ahahahhahahaah se derem uma pen que funcione com o livro interativo, já é uma sorte), não gastamos o nosso dinheiro em material (um dia, hão de falar com o meu marido. Ele vos dirá como eu faço com o material para a escola. E quanto gasto.) e mais um par de botas.
Eu não quero levar no focinho.
Eu não sou saco de pancada de ninguém, nem miúdos nem graúdos, nem sozinhos, nem em manadas.
Se não se desrespeitasse a classe docente (muitas vezes, a começar pelos próprios professores. Sim!!! Já este ano fui acusada de ser demasiado nova e não saber o que era a vida por um "colega", pouco mais velho que eu); se o Governo, em vez de fazer disparates atrás de disparates a querer ganhar opiniões públicas ignorantes e a querer fazer da escola um verdadeiro colégio interno público grátis e a desvalorizar as habilitações para a docência, governasse como deve ser e trouxesse de volta o respeito perdido, talvez, talvez, não se ousasse levantar a mão contra um professor ou injuriar um professor. Não precisamos de voltar ao tempo da "senhora professora" quase tão sagrada como o padre mas eu cá gosto muito de respeito pela minha pessoa, pela minha profissão e pelo que faço.
Eu não sou saco de pancada. Nem eu nem nenhum professor.
E escusam de vir com outros blá blá blás de "ai mas os professores também abusam". Certo. E para os abusadores existem mecanismos de contenção e de apuramento de responsabildades, ou não? Os médicos não abusam, são sempre certinhos, acertam nos diagnósticos todos, são todos muito humanos e maravilhosos, é isso? E os advogados também ganham sempre as causas todas e vão acabar com os crimes de pedofilia e violência doméstica em Portugal. E os engenheiros aeronáuticos vão colocar um satélite português em Júpiter só para rivalizar com a NASA. Ai não? Não é assim? Mas devia. Se eu tenho que fazer papel de progenitor na escola, de ser enfermeira e auxiliar, por que o médico não o faz também? Ou o engenheiro? Ou o farmacêutico? Não pode? Mas podem ser professores, não é? Ai isso, já podem? Ah, está bem. Mas têm habilitação para a docência? hã... o Governo diz que há uns créditos. Ok, e fizeram disciplinas educacionais ou estágios ou deram aulas assistidas avaliadas? Não? Mas podem ser professores... Eu sou mãe de duas meninas autistas. Posso ser médica do neurodesenvolvimento e autismo? Não? Mas porquê?? Tenho tantas formações e até tirei 3 cursos pela Universidade de Genebra! Não posso? Que coisa... Mas o neuropediatra pode ser professor (se estiver louco e desesperado, claro)? Está bem, então.
Minha gente. Eu não levo pancada. E, se, eventualmente, isso acontecer, ou eu estarei outra pessoa ou algo de muito grave e sério se passará a seguir.
Eu quero e exijo respeito. Podem não gostar de mim, mas têm de me respeitar. E com isso acresce a minha escolha profissional. Porque, no dia - e asseguro que falta muito muito pouco - em que todos os professores se fartarem de apanhar e desistirem, deixará de haver educação. E aí entraremos naquelas distopias orwellianas e o poder estabelecido rejubilará porque um povo burro é um povo controlado e obediente. Só não quero é as minhas filhas metidas nessa carneirada.

 

 

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publicado às 13:50

Este ano decidi não correr mais do que o estritamente necessário e, claro está, poupar também no combustível e nas refeições à pressa, fora de casa ou já feitas. Não estamos em época de vacas gordas e, muito sinceramente, estou farta de correr atrás de foguetes e de pagar para trabalhar. O que eu tenho este ano, como professora contratada em horário incompleto, sem acumulação, traz-me tudo aquilo de que eu - e, principalmente, as minhas filhas - precisamos. Os julgamentos que outros tecem a esta decisão conjunta - em família -, não me interessam até porque já diz o sábio do meu marido, pimenta no cu dos outros é refresco.
Assim, apesar de já estarmos quase no final de setembro, ainda estamos a organizar-nos. Os meus níveis de dopamina estão em alta quando se trata de preparar materiais e dar aulas mas muito em baixo quando preciso de tratar de burocracias, coisa que, pois claro, tenho arrastado até à exaustão mas de que não posso escapar. O começo das aulas tem sido tranquilo para todos os envolvidos e desejo profundamente que assim se mantenha. Já temos os nossos horários de atividades extra conjugados (e não me venham cá chatear com as atividades porque, à exceção das aulas de bateria, todas as restantes atividades são em forma de (fisio)terapia), tempo livre para descansar (sim, este ano faz parte das nossas prioridades) e espaço para termos tudo feito sem sacrifícios, sem dramas, sem roubar tempo a outras coisas.
As refeições são mais prazerosas de se pensar e de se preparar, há tempo para as fazer com calma, há até espaço à criação de lanches saudáveis e diferentes do habitual pão com manteiga e iogurte (opção nº 1 das piolhas). O mesmo vale para mim, claro. Continuarei a fazer as habituais marmitas, pois é económico, rápido e um excelente aproveitamento de sobras de refeições. E, na minha hora de almoço, poderei avançar com outras tarefas depois de comer, uma vez, que sobra tempo.
 
Será um ano diferente e exigente, com muitos desafios novos para todos. Eu voltei temporariamente à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (é desta que farei as pazes com os meus demónios do passado :D ) e quero fazer coisas novas na escola, as piolhas já têm ideias fantásticas de projetos para desenvolver e o marido anda entusiasmado com formação nova. E, continuamos a conjugar tudo com a nossa vida familiar, pessoal e laboral.
Setembro tem sabor a janeiro. Aliás, em janeiro não fazemos metade do que fazemos em setembro, igualmente longo, apesar dos seus meros 30 dias. É o mês dos regressos e das rentrées. Espero que sejam bons prenúncios.
 
A primeira semana de aulas foi uma semana intensa. Não tanto a nível de trabalho mas a nível emotivo. Tantas coisas novas e tantas expectactivas e tanta cautela... Mas também tanta coisa nova aprendida e apreendida! Idas para casa a pé; gestão de mochilas, que usam quando e se quiserem; utilização de novas app e plataformas; preparação para um amanhã que ainda dista no tempo mas para o qual já se organizam e tantas ideias boas.
O que nos surpreendeu mais e nos obrigou a ir buscar os babetes delas para colocarmos aos nossos pescoços foi grande, verdadeiramente grande: aprenderam a trabalhar em grupo... em separado, de forma voluntária; cada uma trabalha com uma equipa diferente e foi acordado entre elas, sem sugestão ou imposição dos professores, trabalharem separadas. E, com tudo o que isso acarreta, trabalhar e socializar com os novos colegas, traçar objetivos, atingir resultados - sem a influência uma da outra.
E, para além disso, lidar com o imprevisto de não poderem ir a casa almoçar quando já está tudo planeado e terem de encontrar alternativas extra escola. Acabaram por ir a um pequeno restaurante sozinhas, pela primeira vez, onde fizeram tudo direitinho, incluindo pagamentos e trocos. Até trouxeram o talão - coisa que soube porque, pois claro, acabámos por averiguar, mais tarde e sem elas saberem, como tinha corrido. E ouvimos muitos elogios.
Estou verdadeiramente feliz. Deram um pulo de crescimento em autonomia. Para pais típicos isto tudo serão peanuts mas para nós isto é algo mais do que sonháramos... é um esperado inesperado muito desejado e com um sabor a vitória indescritível. Temos as condições favoráveis para que este "pulo" tivesse ocorrido. E o desenvolvimento e a aprendizagem surgem. E isto vale tão mais e tem tanta importância que não dá para transmitir em palavras.
Elas estão de parabéns, nós estamos orgulhosos e todos estamos a fazer algo bem e bom. E as pessoas certas nas nossas vidas permitem que isto possa acontecer.
 
 
 
 
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publicado às 15:37

Um dia, a Educação implodirá

por t2para4, em 04.07.22

Um dia, mais cedo do que se possa imagina, a Educação implodirá. Este é um texto muito longo mas verdadeiro. E cru.
Do número excessivo – dizia-se, na altura – de cursos universitários voltados para a educação, turmas cheias e imensos alunos – a ponto de se encherem auditórios -, com o passar dos anos, alguns fecharam, outros desapareceram, veio o Bolonha, os novos alunos universitários não querem ser professores.
Do número excessivo – dizia-se, na altura – de candidatos ao concurso de professores, com o passar dos anos, vejamos o que veio afinal a acontecer para que, hoje, neste momento, não haja número suficiente de professores para colmatar as falhas sentidas e há, pasme-se, alunos que não tiveram uma única aula durante todo o ano letivo a algumas disciplinas (o futuro dirá o que colheremos dessa falta).
- temos de começar, obviamente, pela emigração sugerida por um Governo há anos. Professores a mais em Portugal  - > solução simples = mandá-los embora.
- cursos de ensino a mais  - > solução simples = terminar tudo ou quase tudo e limitar o ensino a quem tem mestrados ou semelhantes.
- aumento geográfico dos QZP (Quadro de Zona Pedagógicas) e mudança constante de regras de inserção nestes quadros que impacta diretamente no acesso de docentes aos QE/QA (Quadros de Escola/Quadros de Agrupamento).
- mudanças constantes e regras dúbias no acesso à Mobilidade por Doença, o que faz com que muitos professores não possam concorrer a determinadas escolas ou, pelo contrário, aproveitem alguns buracos na lei e concorram desmesuradamente para onde querem, apesar de estarem afetos a outros locais.
- congelamento na progressão da carreira, com acessos quotizados aos escalões e com um 10º escalão praticamente inalcançável.
- alteração do preçário e regras em relação ao ensino noturno.
- aumento salarial pouco significativo face às restantes profissões e ordenado mínimo nacional.
- duas tabelas salariais + dois horários (25h vs 22h) que discriminam educadores de infância e professores do 1º ciclo em relação aos restantes.
- reduções de horário (por idade, por artigo, por outros motivos) diminuída, número de dias de férias atribuído diminuído ao longo destes anos, possibilidade de utilização do artigo 102 diminuída ao longo dos anos também.
- proporção de trabalho relativo a exames vs dias de férias atribuídos
- calendário escolar completamente desfasado por ciclos
- estágios profissionais não remunerados e de apenas alguns meses, ao invés de um ano letivo e remunerado, como se fazia até ao início dos anos 2000.
- (não)renovação de contratos de professores contratados e injustiça criada com medidas como a Norma-Travão.
- concurso externo complicado, moroso, burocrático, desfasado que dura quase um ano letivo a concluir, onde ainda se verificam erros, ultrapassagens injustas, etc.
- alteração injusta na declaração de dias à Segurança Social para horários incompletos (abaixo de 15h, menos dias são declarados, ao invés de um mês inteiro como se fazia há pouco mais de 3 anos), o que, impacta diretamente no direito à atribuição de subsídio de desemprego;
- intervalo de horários a concurso injusto: são apenas 3 intervalos (8h-14h; 15h-21h; 22h) que diferem como o dia da noite em termos de remuneração e tempo de serviço e, obviamente, impactam diretamente na forma como um professor concorre.
- não atribuição de direitos a professores contratados com descendentes/ascendentes com deficiência (aproximação à residência, meia-jornada, baixa médica por deficiência, etc.)
- desconto salarial de quase 50% do ordenado em caso de atestado médico e sem esquecer os 3 primeiros dias sem qualquer retribuição.
- número de crianças inscritas na escola a diminuir, o que em algumas escolas, se traduz indubitavelmente em horários incompletos porque, simplesmente, não há alunos suficientes para que se possa ter um horário completo.
- profissão que trabalha fora do seu horário de 35h/semanais (22h são letivas) a preparar aulas e materiais ou reuniões para usar essa preparação na aula e depois volta a trabalhar fora desse período para correções, textos, etc. Horas extra, serviço excessivo que não é pago. E que é maioritariamente feito em casa, pois os recursos de que o docente necessita estarão em sua casa.
- quezílias eternas entre professores do quadro e contratados (“A menina é colega ou estagiária?” foi-me perguntado numa sala de professores)  -> desunião de classe
- sindicatos numerosos e, alguns, incompetentes.
- estratificação desnecessária e injusta: os professores de AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular) são técnicos, o seu tempo de serviço não é contabilizado para efeitos de concurso no caso de docentes não profissionalizados e o ordenado é miserável; alguns docentes do Ensino Profissional trabalham anos, na mesma escola, a recibo verde e a fórmula de cálculo de tempo de serviço é injusta.
- programas excessivamente complexos e longos, repetitivos e que obedecem a uma série de documentos que vão mudando consoante os ministros da educação e que assentam, maioritariamente, numa visão de empinanço de matéria para a vomitar em testes e exames, ao invés de verdadeiramente ensinar e preparar o aluno para o futuro.
- burocracia desmesuradamente inútil e excessiva em todos os aspetos que envolvem a escola, desde a avaliação dos alunos até aos projetos que são impostos às escolas.
- Avaliação de Desempenho Docente completamente inútil, quotizada, injusta e desnecessária sem qualquer impacto na vida ou carreira ou carteira de um professor contratado mas que impede a justa progressão de um professor do quadro porque há listas e quotas e não há vagas...
- trabalho de secretaria atribuído aos professores: matrículas, impressão de documentos, preenchimento de campos nos programas de gestão escolar, preenchimento de mapas (leite fruta, AECs, EMRC, devolução de manuais, etc.).
- escolas como depósitos grátis de crianças devido aos seus horários alargados e calendários letivos extensos
- existência de ameaças à integridade física e moral do professor (para não falar dos seus pertences).
- a tragicomédia que envolve atestados médicos, substituições e juntas médicas.
- ADSE – motivo de inveja para uns, motivo de horror para outros mas que pagamos por 14 vezes (12 meses, 1 subsídio de Natal e 1 subsídio de férias)
- outros (seguramente mais haverá mas já não consigo elencar e não vou falar sequer de motivação ou (in)disciplina de alunos)

Posto todos estes motivos, sejamos honestos, quem quer ser professor? Quem quer ingressar nesta profissão? Quem vier, virá definitivamente por gosto e vocação e, isso, lamento, não é valorizado. Eu não quero que as minhas filhas sejam professoras, apesar de eu adorar o que faço.
Um dia, e esse dia estará para breve, o ensino em Portugal implodirá e teremos soluções de pensos rápidos a tapar rachas em barragens, veremos a qualidade elogiada no estrangeiro do nosso ensino a desaparecer, teremos um acréscimo da indisciplina, um cada vez maior incumprimento de direitos dos alunos (alunos com necessidades específicas serão os primeiros alvos), veremos pessoas não qualificadas a fazer serviço especializado e teremos cada vez mais alunos sem aulas e profissionais de atestado médico.
Entristece-me um país que não valoriza a profissão que faz todas as outras profissões e que, constantemente, me maltrata, me agoira, me sobrecarrega, não desvaloriza, me arrasta durante anos sem vínculo. Entristece-me um país que sofrerá amargamente com as suas atitudes para com os professores e, até ao momento, navega à toa, sem um plano correto, justo e adequado para professores, alunos e pais.

 

 

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publicado às 10:29

Falta muito para as férias?

por t2para4, em 12.06.22

Não tenho memória de um ano letivo tão exigente e exaustivo como este. Talvez pelas acumulações, talvez pelo trabalho, talvez pelo excesso de burocracia.
São avaliações, rubricas, provas de equivalência à frequência, provas extraordinárias de avaliação, critérios de correção e critérios de classificação, informações-prova, provas orais, cotações. E repete a preparação das provas não uma, não duas, mas três ou quatro vezes porque as coisas não batem certo logo à primeira e há toda uma formatação excessivamente formal para manter.
São grupos de trabalho, aplicações, vigilâncias, correções, impressões, autoavaliações, grelhas, plataformas.
São festas e ensaios e poemas e desenhos e palcos e público.
São horas de downloads no IAVE para impressão de provas de treino para as piolhas e áudios e correção. E vai mais uma voltinha que, apesar de as provas não contarem para nada, sei lá eu o que o futuro nos reserva e se elas quererão fazer exames nacionais no secundário.
São conteúdos para terminar e é aquele velho malhar em ferro frio: eu já não aguento, os miúdos, então, estão de todo. Só me apetece fugir. Aulas? Rua. Todos, eu e eles. Jogos.
Almoços, jantares, lanches, café. E há almoço no frigorífico, liguem se tiverem alguma dúvida, está aqui uma lista de tarefas para fazer. Ficam sozinhas em casa mas já sabem as regras todas, em última instância, peçam ajuda aos vizinhos ou lojas ali da frente porque toda a gente vos conhece. Vão dando notícias durante o dia. E, no final das aulas, 45 km = 40 minutos.
E viroses. Puta que pariu. Eu já estou tão cansada... E ranhos e vómitos e bílis e alergias e viroses e dores de garganta e um calor que parece que estamos todos na menopausa e febre, a puta da febre, que não deixa ninguém dormir.
Estou exausta. É isto quando chego a casa. Preciso mesmo de parar um bocado, fechar os olhos, descansar a cabeça antes de me atirar ao trabalho, aquele que não se faz na escola, que não se vê, não se valoriza, ninguém conhece (a menos que seja prof) e não é, de todo, pago.
Tenho tentado acompanhar o ritmo e até pus aquele artigo para poder fazer tudo o que estava em atraso.
A coisa vai, só preciso de descansar um bocadinho.

 

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publicado às 13:36

A tendência para a História se repetir

por t2para4, em 27.02.22

Falamos muito de História cá em casa, pois é tema que nos fascina. E vêm-se muitos episódios sobre acontecimentos históricos. Mas também se fala muito de realidade por cá. As piolhas sabem que já trabalhei com alunos de nacionalidades israelita, síria, ucraniana, russa, e, mais recentemente, de PALOP. À exceção destes últimos, todos os restantes tinham algo em comum: eram refugiados de guerra. Fugiram, deixando tudo para trás, do barulho e perigo das bombas, dos ataques, da vida em bunkers, da morte.
Sempre que algum desses alunos deixava escapar uma memória (lembro-me de um que fugiu da Síria para o Egito antes de ir para França e depois para Portugal), a minha mente fazia um esforço gigantesco para tentar sequer visualizar como teria sido essa provação e o meu coração encolhia até quase não bater. Nenhuma criança merece passar por isto, nenhuma. Nenhum ser humano merece fugir de uma guerra que nunca pediu e não fez nada para a despoletar.
No dia em que a Ucrânia foi invadida, eu nem conseguia imaginar a dor com que uma amiga devia estar por ver o seu país a ser destruído (vamos deixar as razões para os verdadeiros entendidos), ou tentar contactar a família. E eu deixei as piolhas na escola, no meu país seguro, na minha vila segura onde conheço quase toda a gente e todos nos conhecem e ia olhando para todos aqueles miúdos e pensava com dor como seria termos todos de fugir à pressa, no meio do caos. E fui trabalhar com o coração apertado, a imaginar cenários dantescos e a agradecer estarmos neste cantinho.
Os meus alunos não estavam muito melhor que eu... A minha aula de Inglês foi substituída por uma aula de História recente e de Cidadania. Copiei descaradamente a ideia de um professor meu amigo sobre o que faríamos, sentiríamos, colocaríamos em menos de 5 minutos numa mochila antes de fugir na direção oposta ao avanço do inimigo. Todos os nossos pensamentos foram para a família. É o mais importante.
Não devíamos ter de vivenciar estas experiências, nenhum destes conflitos bélicos. Lembro-me da Guerra do Golfo e sentia medo de que, sei lá como, cá pudesse chegar. Jamais pensei que, em pleno século XXI, ainda houvesse cenários de guerra, fosse onde fosse.

 

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publicado às 20:47

Ensinar é evoluir

por t2para4, em 17.03.21

Quando se sentir vontade de criticar o ato de ensinar - e não me refiro apenas e somente às escolas - lembremo-nos unicamente disto. Porque foi isso que nos permitiu evoluir.


"Pode levar até oito ou nove anos um jovem chimpanzé aprender a partir uma noz. Ao ensinar, os humanos diminuíram esse tempo de aprendizagem. Esse é o passo que nos impulsionou para o ser humano." - Dr George Leader in Expedition Unknown S06E08.


Aprender e ensinar são um círculo, um circuito, um anel que se complementa. Uma criança aprende muito por imitação, por observação mas aprende muito ao ser ensinada, mesmo numa aprendizagem disfarçada de brincadeira. E com esse aprendizagem vem um ensinamento. Ensina-se e aprende-se. E aprende-se a ensinar. É algo inerente, constante. É nosso. É humano. É fundamental.
Por isso, não posso aceitar que se desvalorize o que se ensina a uma criança com necessidades específicas, só porque já sabe. Sabe porque aprendeu. Aprendeu porque ensinaram. Ensinaram porque aprenderam.
Todos os dias me orgulho do que as piolhas aprenderam e me ensinaram. Todos os dias ensino e aprendo algo.
Isto é grande.
Isto é um feito incrível.
Isto merece ser destacado. Jamais desvalorizado.

 

 

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publicado às 18:07

2ª feira continua a ser 2ª feira

por t2para4, em 14.03.21

Tudo ansioso por 2ª feira?
Aqui também mas não pelos mesmos motivos.


A abertura faseada das escolas implica que, professores multinível e multiflexíveis como eu, se desdobrem numa coisa híbrida entre ensino à distância e ensino presencial. Ou seja, o dobro do trabalho a juntar ao outro dobro que já era o E@D na totalidade.
E, a juntar a esta loucura educacional e pseudopedagógica, temos ainda os filhos que não andam no secundário mas também não andam no 1º ciclo e estão ali naquele limbo que a lei diz que são demasiado pequenos para ficarem sozinhos em casa mas que os decretos-lei destas medidas de desconfinamento faseado acham que está tudo bem os putos ficarem sozinhos em casa, afinal, já são maiores que 12 anos completos nem que seja na hora anterior. Mas, atentemos que, se algo acontecer, bem, seremos - no mínimo - julgados por negligência. O limbo legislacional deste país em algumas coisas é extraordinário.

Portanto, vamos para a escola e ficamos em casa - tudo ao mesmo tempo - ou estamos na escola no tal regime da coisa híbrida ou arranjamos um atestado para ficarmos com os miúdos ou espetamos com eles nos avós - pois, porque ATL e centros e afins só abrirão de acordo com a fase correspondente.
Portanto, há sim ansiedade pelo regresso à escola que se avizinha ainda mais trabalhoso do que o habitual.


E testes? E vacinas? Ui, todo um mundo novo que se desenrola em frente dos nossos olhos. Anunciar é fácil; já cumprir o que se anuncia, são outros quinhentos... Por isso, um dia de cada vez e com as habituais regras de proteção mais álcool gel aos litros, mais máscaras mais óculos embaciados (já tenho um pano xpto para evitar isso) mais distanciamento inexistente (desculpem lá mas nenhum professor digno desse nome se distancia de uma criança do pré-escolar ou 1º ciclo porque é impossível, ponto).

Mas, acima de tudo, apesar de tudo, um quê de felicidade por voltar. Nada substitui uma interação presencial e eu já sinto saudades dos alunos. Mas custa-me muito esta dualidade, ainda que temporária.


Coragem. E calma.

 

 

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publicado às 15:27

Os 15 desmandamentos do E@D

por t2para4, em 06.03.21

Ou a realidade do ensino à distância via online...

1. Terás micro AVC de cada vez que houver problemas de rede.
2. O som de uma música ou vídeo nunca funcionará em condições durante a aula síncrona para todas as turmas, mesmo que o testes antes.
3. Nunca terás 100% dos trabalhos marcados como "entregues" mesmo que tenham sido entregues.
4. Nunca terás uma única plataforma de trabalho: poderás até saltitar de plataforma em plataforma durante a semana (ou mesmo o durante o dia)
5. Começarás todas as tuas aulas à espera que os alunos vão pedindo para serem admitidos e terminarás as tuas aulas a pedir que saiam para poderes sair da sala.
6. Terás sempre a sensação de estar numa sessão espírita com uma tábua ouija quando começas a perguntar "Estás a ouvir-me?", "Estás aí?", "Usa o 'levanta a mão'"
7. Serás avaliado pela mãe (que podes não ver mas estará por perto), pai, avó e até senhora da limpeza.
8. Conhecerás todos os animais domésticos dos teus alunos. Às vezes, até a própria casa deles por dentro.
9. O que vês a mais com alunos do 1º ciclo nunca verás com alunos do secundário pois todos serão quadrados pretos com iniciais.
10. A noção de "lentidão" tomará todo um novo significado na tua vida de ensino online.
11. Apetecer-te-à, mais que uma vez, ter um ataque à Hulk e partir tudo
12. Respirarás fundo e lembrar-te-às que foste tu que pagaste todo aquele material e que o PC mixuruca que custava 250 paus custa agora 700.
13. Ficarás entupido, atolado, assoberbado em papel que nunca irás imprimir mas te ocupa gigas de espaço.
14. Tratarás os teus filhos como teus alunos quando te pedirem ajuda para fazer um trabalho de aula assíncrona.
15. Faças o que fizeres, nunca - mas nunca mesmo, vá, jamais - terás todo o teu trabalho em dia.

 

Bónus:
16. Trabalharás durante o sono na realização de formulários, preparação de reuniões e até elaboração de atas.
17. A cafeína é tua amiga: apoia-te nela várias vezes por dia; o álcool também é saudável no final do dia (ou antes...)

 

 

 

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publicado às 19:20

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O Estado falha e não dá o exemplo. Mas se eu estiver à espera, quem falha sou eu.

 

O Estado falha e não dá o exemplo. Mas se eu estiver à espera, quem falha sou eu.

Quando, em 2010, aquando do diagnóstico nos foi dito que as piolhas precisavam de “terapia da fala para ontem” (sic), a primeira coisa que fizemos foi tratar do assunto e questionar a intervenção precoce nesse sentido. Acontece que, como nos fomos habituando a ouvir ao longo destes anos, há casos mais graves (apesar de elas não serem verbais na altura), a lista de espera é grande, só nos puderam dispensar uma educadora de educação especial e depois uma psicóloga – e não em simultâneo.

Ou seja, face à falta de resposta do Estado – apesar do direito das piolhas a este serviço – fomos procurar fora o que precisávamos desesperadamente – e pagámos do nosso bolso. Sem apoios, sem subsídios, sem ajudas. E não foi por falta de tentativas. Os tempos eram outros, alguns dos apoios que há agora não existiam na altura, para os que há não éramos elegíveis.

Passou-se o mesmo com terapia ocupacional.

E passou-se o mesmo com reforço de terapia da fala.

E passou-se o mesmo com psicologia.

Procurámos fora a resposta de que precisávamos e pagámos. Apesar de a legislação em vigor prever um apoio.

Passa-se o mesmo, embora numa escala profissional e um pouco difícil de ver a comparação, com o trabalho de um professor.

E eu até arrisco a dizer “professor contratado”, o tal que, apesar de fazer a mesmíssima coisa que um professor do quadro, ganha menos, não progride, não é avaliado justamente (sim, eu nunca tive um Muito Bom apesar de quantitativamente o merecer), não usufrui em pleno dos direitos previstos no Estatuto da Carreira Docente e mais uns quantos diplomas legais. Por exemplo, não posso tirar uma licença para ficar com as minhas filhas, em caso de necessidade. Uma baixa, uma licença sem vencimento, por aí, ainda vá. Não posso concorrer para ficar colocada no cu de judas e pedir aproximação à residência por motivos de deficiência/apoio a descendentes. Mas adiante. São as opções que tomo e não me arrependo. No entanto, estas minhas opções acabam por me lançar em duas vertentes: a de professora com contrato por conta de outrem e a de trabalhadora independente.

Ora, para eu sentir e saber com toda a certeza de que estou a trabalhar com as condições a que me proponho e que proponho oferecer aos meus alunos com a preparação do meu trabalho, eu preciso de material. Logo, preciso de computador/es, projetor, monitor, tablet, smart pen, manuais técnicos de apoio, programas de tradução, impressoras, internet, etc. Ou seja, eu preciso de material para preparar e apresentar as minhas aulas, com base no que eu ambiciono ter como resultados.

Numa empresa – mesmo pública – teria esse material à disposição para uso profissional e faria todo esse meu trabalho no local. Requisitaria todo o material de que necessitasse. Não precisaria de fazer de casa a extensão do meu posto de trabalho.

E esse local chama-se “Agrupamento de Escolas de Unicornilândia”.

Num agrupamento de escolas do nosso país, na maioria das vezes, os computadores demoram quase 10 minutos a arrancar, não têm os programas de que necessitamos para ler um simples ficheiro audio, a conversão online demora mais de 20 minutos (se for autorizada pela rede e se a net estiver em dia bom), faltam canetas dos quadros interativos (se tiver a sorte de ter um na minha sala – coisa que não me acontece desde… bem, desde há uns bons 6 ou mais anos), o projetor está sempre ocupado e tem lista de espera, não há uma simples extensão elétrica, nem pensar em conseguir encontrar livros técnicos recentes na biblioteca escolar quanto mais programas licenciados de tradução ou educação e, não sendo eu de educação especial, desses muito menos, e do resto nem vale a pena falar. Tablets? Monitores auxiliares? É a gargalhada geral.

Pois bem, eu cá gosto pouco de ficar à espera e, tendo em conta a dualidade público-privada-desenrascada da minha profissão, eu tenho todo esse material. Mas é MEU. Comprado e pago por MIM, sem patrocínio ou apoio estatal algum. Pago inteiramente por mim. E, por isso, não empresto a ninguém (o que incluiu colegas) e reservo-me ao direito de usá-lo na sala de aula a meu bel-prazer, de acordo com o plano de aulas que tenho preparado.

Ora, mas agora estamos em teletrabalho e o Estado deveria comparticipar esses gastos ou, pelo menos, requisitar o teu material.

Sim, deveria. Mas eu sou uma mera professora contratada a quem foi atribuído um número gigantesco de identificação para efeitos de concurso, que ninguém conhece e de quem ninguém quer saber e que também trabalha por conta própria. E que não consegue lidar com as frustrações de não conseguir trabalhar com material obsoleto e não quer desconfinar à força. E que já usa todo este material para preparar as aulas e atividades e burocracias da sua atividade como trabalhadora independente.

Percebo, com toda a legitimidade, a posição de colegas que estão contra o uso da sua propriedade por parte do Estado. E também percebo, com toda a legitimidade, a posição de colegas que não estão para mexer num vespeiro.

Mas eu preciso destas coisas.

E preciso de um salário. Preciso de tempo de serviço. E não consigo deixar de me preocupar em não conseguir fazer as coisas minimamente quando, afinal, tenho tudo de que preciso. Meu mas ao serviço do Estado, é certo. Apesar de ser o mesmo Estado que me falha em relação aos meus direitos e aos das minhas filhas.

Do que eu não preciso é de críticas e de pseudosuperioridades por parte de colegas porque todos fazemos o mesmo: procuramos soluções quando não há.

Há quem, como eu, opte por investir e ficar com material que pode usar da forma como quiser; há quem opte por se sujeitar ao que o Estado tem – e não são os top do parque tecnológico escolar.

Se eu tivesse ficado à espera do Estado e não tivesse pago por fora, as minhas filhas nunca teriam passado de não verbais para verbais; se eu me recusasse a usar o meu material neste momento, teria de voltar à escola e deixar de as apoiar (professora contratada, remember?) e sofreria penalizações por ter trabalhar como independente mas não como contratada. Nada é fácil neste retângulo à beira-mar. Mas esta é a minha posição. Não me importa o que pensam os outros. O Estado falha.

O Estado falha e não dá o exemplo. Mas se eu estiver à espera, quem falha sou eu. E isso eu não suporto.

 

 

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publicado às 16:21

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