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in: https://uptokids.pt/educacao/o-ensino-a-distancia-a-escola-nunca-mais-voltara-a-ser-como-era-antes/?fbclid=IwAR1lynykS6AmxNo6G4_TGL-M_rZJtBP8ty3v_bpAMwFCF__0gSwopwd88IQ 

 

O ensino à distância.

A escola nunca mais voltará a ser como era antes.

Esta é a realidade que nos assiste desde o dia 16 de março de 2020. Foi uma reinvenção à pressa, sem preparação, sem aviso com a devida antecedência. Mas foi o desafio que acabámos todos, de uma forma ou outra, por abraçar e aceitar, apesar das inúmeras dificuldades e do acesso.

A escola que se quer inclusiva ainda não consegue chegar a todos agora – mas, se pensarmos bem, já antes não conseguia chegar a todos. Lembremo-nos das inúmeras batalhas travadas para que os direitos básicos de crianças com necessidades específicas sejam cumpridos na íntegra mas também dos que abandonam a escola. Sim, apesar da escolaridade obrigatória ser até ao 12º ano ou 18 anos, a verdade é que ainda há quem fique pelo caminho. E isto ainda não é a definição de escola inclusiva. Lá chegaremos, quero muito acreditar.

O ensino à distância

Na nossa nova realidade, com o ensino à distância, vejo os dois lados: o de professora – o meu lado – e o do aluno – as minhas filhas. Ambos os lados estão cheios de trabalho, a esforçar-se para cumprir o planificado, o proposto, o esperado; ambos os lados se sentam de manhã ao computador e saem ao final do dia. Não é fácil, não é o ideal, não é o desejado – mas é o que temos por agora e, que, de uma forma ou de outra, todos se esforçam para que funcione e para que chegue aos alunos.

Vejo um esforço imensurável de colegas que mesmo aos fins de semana enviam emails e notificações para que não se falhem prazos e vejo uma preparação de aula e planos semanais a delinear a serem feitos com uma semana de avanço, sem prejuízo do trabalho a desenvolver na semana anterior. O enfoque na avaliação padronizada e estruturada com fichas e testes e provas está diluído e transformado. E isto é uma coisa boa.

A adaptação

Mas não irei alongar-me em questões pedagógicas relacionadas com o ensino à distância. Não é a mim que compete essa avaliação. A mim compete-me adaptar-me e fazer os meus adaptarem-se. E isso tem corrido surpreendentemente bem, apesar de algumas dificuldades – técnicas e pessoais. A aprendizagem tem sido bem mais transversal e alargada do que estar apenas numa disciplina, numa qualquer classroom, em frente a um computador.

Deixo alguns exemplos:

– é necessário saber ler o horário enviado e gerir aulas síncronas e assíncronas, aproveitando as assíncronas para fazer os trabalhos pedidos;

– é necessário saber gerir algumas plataformas eletrónicas diferentes do que se usava habitualmente e saber fazê-lo em segurança (passwords, permissões, etc.);

– saber gerir o tempo para ter todas as tarefas feitas e entregues dentro dos prazos pedidos;

– é necessário continuar a ter rotinas saudáveis: levantar num horário, vestir como se fossemos para a escola, lanchar adequadamente nos devidos intervalos, auxiliar em pequenas tarefas em casa;

– saber usar todo um hardware à sua volta: computador, telemóvel, impressoras, scan, tripé, etc.

– é necessário saber ler nas entrelinhas dos chats de colegas o que é dito, como é dito e se há ali algo de relevante, de perigoso ou apenas conversa fiada;

– é necessário estarmos preparados para imprevistos e saber lidar com eles: a ligação que cai, a rede que tem oscilações, a impressora que só funciona depois de reiniciar o computador, o sistema operativo que é lento, etc.

O Bullying

No nosso caso, a melhor coisa que o ensino à distância nos trouxe – além da gestão pessoal das coisas no nosso espaço familiar – foi o fim dos episódios de bullying. Não há nada que valha mais do que isto. Não há vontade alguma de regresso a uma suposta normalidade escolar que me faça mudar de ideias. Eu sei que é importante ter a questão social resolvida, eu sei que a vida real é entre pessoas e não numa bolha no nosso espaço pessoal, eu sei que isto é apenas algo passageiro. Mas temos tido uma paz que não experienciávamos desde junho do ano letivo anterior.

Este é o nosso lado da história.

Sei, infelizmente, que ainda que a nossa casa seja mesmo o nosso castelo, outras há que são verdadeiros infernos e a escola seria o oásis de salvação. Daí a importância de se ver que a escola será sempre uma sociedade em miniatura, com os seus problemas e ações, com as suas especificidades tão particulares e tão abrangentes ao mesmo tempo. Mas, agora, em setembro deste ano, para o ano, daqui a 2 ou 5 anos, esta escola tem se se reinventar e jamais voltará a ser o que era. E nós adaptar-nos-emos.

 

 

 

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publicado às 21:15

Coisas que nunca pensei dizer na vida

por t2para4, em 24.04.20

1. "Vê se te despachas a comer que tens de ir ver televisão às 14h"

2. "Está aqui o horário das vossas aulas na RTP memória. Quero-vos em frente à televisão a tirar notas"

3. "Podem ir às gravações rever a aula da televisão"

4. "Uma tarde inteira em frente à televisão? Ah mas são aulas... Vá, vão lá, não se atrasem"

5. "É para estar em frente ao computador às 8:30."

6. "Linux é mais rápido que Windows nas vídeo chamadas, muda lá de sistema operativo"

7. "Obrigada marido por teres insistido em meter uma TV no quarto das piolhas"

 

E é isto. Vou morder a língua e pôr o cérebro de molho.

 

 

 

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publicado às 23:35

Ai tanta pressa!

por t2para4, em 08.04.20

Ora deixa cá ver, de acordo com as últimas notícias, negociações, treinadores de bancada, palpiteiros de sofá e "s'tôres" de gabinete, as escolas são para abrir, talvez em maio. Talvez para o secundário, ai não, é melhor ser para os mais pequenos antes, os putos até ao 9º são resistentes, ai não, é como o sol, é para todos, ai não, maio é que é, deve ser por ser o mês de Maria, vem aí um milagre, ai não, vamos pensar, ai não, ai a economia, ai os pais, ai os miúdos, ai os exames nacionais porque isso é que é importante, ai ai ai - ai o canário.


A Universidade de Coimbra que tem alunos e professores e funcionários acima dos 18 anos cancelou as aulas presenciais até ao final do ano letivo.
As festas dos santos populares, que são em junho, foram canceladas.
Os concertos, feiras populares e espetáculos de cultura até ao mês de junho, foram cancelados.
O Rock in Rio que era no final de junho, foi adiado para o próximo ano.
No estrangeiro, em Itália contam os dois terços do ano letivo e não há mais aulas presenciais, em França não há os exames de brevet e bac, no Luxemburgo fala-se em fazer um balanço letivo só no final de maio, em Inglaterra fala-se de contar o ano letivo até finais de março e suspender exames e trabalhos para a universidade.


Mas ai e tal vamos já encher as escolas e permitir tais ajuntamentos já em maio porque ai tem de ser, ai os pais têm de trabalhar, ai os professores estão a receber por inteiro (para esses linguarudos, tenho a informar que, tal como outros funcionários de tantas outras profissões, estamos em regime de teletrabalho, com os nossos materiais e recursos, já agora), ai vem aí uma crise, ai vamos é espetar os putos todos juntos numa sala onde nem 1 metro sobre livre e siga prá frente qu'atrás vem gente.


Comentadores de estantes cujos livros são só para enfeitar, comentadores que desconhecem a realidade de uma escola, comentadores só para não estarem calados, façam-me um favor: vão comer bolos e pão caseiro, engordem e não chateiem. Fazer futurologia é perigoso. Façam com quem quiserem mas com as minhas filhas não fazem. Se um adulto não está em segurança para trabalhar presencialmente num local com mais de x pessoas por m2, uma criança muito menos e não me venham com a cena das resistências. E muito menos num ambiente propício a viroses variadas como uma escola.

 

 

 

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publicado às 13:18

Falta muito para as férias?

por t2para4, em 07.02.20

- Quem acha que os miúdos de hoje têm férias a mais, certamente não era da geração dos anos 80, em que entrávamos na escola em outubro e acabávamos no inicio de junho;
- quem acha que os miúdos de hoje são todos iguais e uns grande langões, não conhece muitos miúdos - incluindo as piolhas - que se matam a estudar e a trabalhar e, no caso delas, ainda acrescem as horas de terapias;
- quem acha que temos um sistema educativo fantástico com os testes e os exames no topo da avaliação - como se avaliar conhecimentos e competências e aquisições fosse só possível através de testes padronizados -, nunca pensou fora da caixa nem nunca deu AEC na vida e sabe, por isso, que é possível perceber quem aprendeu, quem participou, quem adquiriu conhecimentos sem fazer um único teste;
- quem acha que a divisão de períodos letivos está maravilhosa, devia levar com três cadeiras pela cabeça abaixo - uma por cada período - para se calar e pensar que, nos seus empregos normais, saem e vão para casa e não estudam mais e podem meter férias quando querem - os bons alunos (aqueles que realmente estudam, não aqueles que têm apenas bons resultados) e os professores saem e vão para casa trabalhar mais um bocadinho como se fossem uns tolinhos workaholics e só podem tirar férias quando o MEC deixa, com sorte (se não nos derem uns exames para corrigir).

Para já, é isto. Podia acrescentar mais coisas, mas saí das aulas às 17h30 e estive até agora a estudar ciências com as piolhas - depois de mais uma temporada de testes e trabalhos e resumos e leituras e fichas e questões de aula. No meio das falhas e dobras geológicas, ainda tive de me organizar porque, mesmo que eu não precise de testes para avaliar os meus alunos, tenho de os fazer e, consequentemente corrigir e cotar e, para tal, é preciso tempo.
O meu horário ultrapassa largamente um horário de 35h.
O horário das piolhas ultrapassa largamente um horário de 35h.
O que não nos mata, torna-nos mais fortes, certo?

 

 

 

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publicado às 19:10

Ontem foi dia de descompensar. Foi complicado, muito complicado mesmo. Mas, pronto, entre muitas lágrimas e recriminações e dramas e ataques de adolescência pelo meio, tudo se resolveu e percebeu-se que, de vez em quando, há uns wake up calls para a vida - todos nós incluídos.
Adolescer não é fácil.
Andar na escola não é fácil (em especial quando parece que se promove a mediocridade em detrimento do esforço e do estudo e do empenho).
Encontrar a estratégia chave que funcione bem em casa E na escola não é fácil.
Estudar quando os outros não o fazem mas os pais assim o indicam, não é fácil.
Ser-se mãe e pai não é fácil.

As piolhas não são apaixonadas pela leitura - para meu grande desgosto. Na verdade, não gostam de ler. Mas têm de o fazer, não só para a disciplina que o pede como para si mesmas. E, para que não haja batotas, temos que ser criativos e inventar estratégias.
Em anexo, estão prints das nossas conversas sobre a leitura em curso. A piolha em casa, confortavelmente instalada no sofá, ao quente; a mãe a caminho do supermercado e a encostar o carro para responder ou a fazê-lo enquanto tratava das compras - o verdadeiro multitasking.
Se é o ideal? Não sei nem quero saber.
Se resulta? Sim, sem dúvida.
Se, no nosso caso, o telemóvel é tão bem mais que um simples telemóvel fonte de tantos problemas para tantos? Caraças, para nós, o telemóvel é uma ferramenta de trabalho. Mesmo através do WhatsApp.

 

No seguimento desta estratégia mui sui generis - de obrigar a piolha a ler, para sabermos quem roubou os cães - ou se eles fugiram -, eis algumas informações: o livro em leitura é da coleção "Uma Aventura", "Uma Aventura em Conímbriga", e pertence ao programa Ler Mais - uma das condições exigidas.

O que me ocorre, enquanto vamos trocando mensagens de forma a potenciar a leitura e fazer com que o trabalho seja apresentado com o devido conhecimento e rigor, é que estarei lixada com f se isto se mantiver quando chegarmos à fase do "Felizmente há luar" ou "Os Maias"...

 

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publicado às 17:32

O que aconteceu à escola?

por t2para4, em 22.10.19

Por estes dias, tenho medo da escola. Não das escolas onde trabalho ou de com quem trabalho ou da escola onde estão as piolhas ou das escolas que vejo no caminho. Tenho medo do que é a escola atualmente – “escola” como palavra que representa uma instituição. Já anteriormente referi que a escola é como se fosse uma sociedade em miniatura: os nossos filhos – e não só - estão a aprender a viver nessa espécie de sociedade. Mas, tal como na verdadeira sociedade fora dos portões da escola, há regras a cumprir e valores pelos quais nos regemos. E isso é válido para todos.

 

O que tenho visto, ouvido e tomado conhecimento nos últimos tempos ultrapassa os limites do assustador. Alunos agridem professores e funcionários; pais agridem professores e funcionários; professores perdem as estribeiras e agridem alunos; alunos agridem alunos. Isto parece uma arena de gladiadores onde não há regras, cada um escolhe a arma que quer e desfere os golpes que quer… vale tudo, incluindo arrancar olhos… E, contrariamente ao que fui lendo e vendo ao longo da minha vida, a caneta não é mais poderosa do que a espada… E, ainda que eu tenha a noção de que há sempre dois lados da história, este excesso de violência é isso mesmo: excessivo e violento.

 

Tenho medo da escola, do que anda a acontecer à escola, desde há uns anos. Está tudo – e todos - preso por arames, no limite, a passar mais tempo no local escolar do que na própria casa, a encarar aquele espaço (que deveria ser um espaço de várias aprendizagens – não somente académicas – e de felicidade e bem-estar) como um depósito ou a prisão daquele dia, a gerir (ou não) emoções variadíssimas ao longo daquelas horas, a sobreviver a mais um ano letivo. E isto é o que vejo em alunos, em professores, em funcionários.

 

Tenho medo da escola. Porque se desinvestiu nesta instituição. Porque se valorizam mais outros serviços, outros valores, outros campos, outras regiões. Porque esta instituição universal não é universal quando sai da área geográfica das duas únicas grandes cidades do país. Porque esta instituição foi sendo desrespeitada, insultada e humilhada sem que ninguém fizesse nada. Porque nem sequer se coloca a hipótese de investimento em áreas que não as académicas - as das notas, as das pautas, as dos quadros de mérito. Porque se desresponsabilizam atores importantíssimos no processo de educação. Porque se fazem leis que tantas vezes não são tidas em consideração nem respeitadas (exemplo simples: ratio funcionários-alunos; lei da iclusão)

 

Tenho medo da escola porque a violência continua a existir. Sem meios termos. Passámos dos abusivos anos ditatoriais em que era tudo corrido a reguadas e canas da índia e milho debaixo dos joelhos perpetrados pela figura autoritária do adulto para o domínio do pequeno ditador que, muitas vezes, nem sequer chega a ter uma dezena de anos mas já bate nos pais e consegue colocar uma turma de rastos e leva professores – e direções – a acionar mecanismos que não deveriam ser usados em criança alguma em circunstâncias típicas.

 

Tenho medo da escola. Porque em pleno século XXI temos de criar gabinetes e programas de combate ao bullying. E à violência escolar. E andar sempre com medo que nos deem cabo do carro ou que nos batam ou que um encarregado de educação nos aborde ou que um encarregado de educação picado por alguma coisa ou alguém aborde diretamente um aluno. Ou andar com medo que os nossos filhos cheguem a casa maltratados ou recebam mensagens de ódio no telemóvel. Imagine-se este medo exponenciado à enésima casa quando temos filhos com necessidades especificas. Ou quando os nossos filhos não são as vítimas mas sim os agressores. Ou quando só se parte para a culpa e não tentamos ver a causa…

 

Tenho medo da escola porque, por estes dias, a escola parece uma selva. E não é suposto ser assim. Como professores, não deveríamos ter medo de ir para o nosso local de trabalho, deveríamos ver nas direções colegas apoiantes e não déspotas autoritários, deveríamos sentir prazer em preparar materiais para as nossas aulas e ensinar, não deveríamos ter uma visão negra e burocrática e, por vezes, até limitada!, do ensino. É suposto sentirmo-nos bem com o que fazemos, não sermos apenas mais um a cumprir escrupulosamente um programa horrível e longo sem alternativas, não sermos apenas mais um apenas a “dar” umas aulas… deveríamos fazer a diferença…  

Passamos demasiado tempo fora do nosso lar. Nós pais e os nossos filhos. Nos casos de crianças com necessidades específicas, o horário deles com aulas e terapias, chega a ser superior ao de um adulto. Outros, neurotípicos, têm a mesma sobrecarga mas num ATL ou em atividades extra. A culpa é de um sistema em que vivemos que tem os mesmos horários para adultos e crianças – e nem sequer vale a pena falar de quem trabalha por turnos. Não temos avós reformados que possam ir buscar os netos à escola e estudar com eles – os avós de hoje ainda estão ao serviço; não trabalhamos ao lado da escola nem podemos levar os nossos filhos para os nossos trabalhos – logo, temos de arranjar quem fique com eles até sairmos… já deu para perceber a coisa. Não sei qual será a solução. Por aqui, optámos por algo low profile e com sacrifício profissional da minha parte para poder acompanhar as piolhas. Um dia, quando elas já não precisarem de mim, talvez eu consiga tratar da carreira, se ainda for a tempo.

 

Apesar do tom sombrio, eu sei que claro que há exceções! Não devemos tomar a parte pelo todo e generalizar cegamente. Há professores que, talvez utopicamente, ainda acreditam e tentam chegar a todos; há alunos que ainda querem mesmo aprender; há pais que se desdobram e funcionam como membros de uma equipa para um bem comum; há direções que se preocupam com todos, desde alunos a funcionários; há lugares onde ainda parece acontecer magia. Mas basta uma maçã podre para arruinar o cesto todo… E isso assusta. Não é essa a ideia que eu tenho – ou quero ter – da escola. Mas temos que voltar a cingir-nos pelos valores éticos e morais que deveriam reger comportamentos. As nossas ações – sejam elas quais forem – têm consequências. E, se eu não cumpro a lei ou respeito o outro, tenho de ser penalizada. E se vemos a escola como a tal sociedade em miniatura, por que não remarmos todos no mesmo sentido?

 

Lá do mundo dos unicórnios onde, às vezes, eu pareço viver, eu ainda quero acreditar que a escola – instituição e espaço – pode fazer a diferença pela positiva. E quero, eu e os meus, que nos sintamos seguros.

 

 

 

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publicado às 11:31

Como fazer um "telescópio" com uma lata

por t2para4, em 13.10.19

É o trabalho - ou projeto, se preferirem essa designação - de Físico-Química, agora que estão a dar o espaço. Devo confessar que aquele conteúdo é muito interessante e até eu me deixei prender.  Bem, a tarefa era construir um telescópio com uma constelação à escola a partir de um tubo. Escolheram-se, então, as constelações (Ursa Maior, para uma, e Ursa Menor, para outra) e tratámos de ver como iríamos fazer as coisas. Elas já sabiam que precisavam de um tudo, de meter a constelação furada no fundo e olhar para lá.

Então, de que precisamos:

- tubos (usámos os das pringles)

- spray preto

- verniz

- purpurinas prateadas

- cola quente

- furador com vários tamanhos

- x-ato

- folha preta

- impressão da constelação à medida da tampa

 

Como preparámos:

- Pintámos os tubos com spray preto e deixámos secar.

- Depois de imprimir as constelações, colocámos as folhas pretas por baixo, unimos com fita -cola, e com cuidado, furámos os pontos correspondentes às estrelas.

- Colámos com pingos de cola quente à tampa transparente do tubo e depois colámos a tampa ao tubo.

- Cortámos o fundo metálico do tubo com x-ato.

- Pulverizámos com verniz em spray, espalhámos purpurinas prateadas à toa e voltámos a colocar spray (fizemos isto dentro de uma caixa).

- Deixámos secar e identificámos com o nome da constelação e da autora.

A maioria do material necessário comprámos numa loja chinesa.

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O resultado final é algo de extraordinário e vale a pena fazer trabalhos destes porque, além da execução ser interessante, poder ver a constelação à contra-luz com definição, deixa-nos impressionados.

 

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publicado às 18:46

Fui buscar as avaliações das piolhas. E tratar das matrículas.

 

In https://uptokids.pt/opiniao/cronicas/a-escola/?fbclid=IwAR1qdVzobH9z6UrybAxuS5lcX0gddltCQPWYs1mRpPEqCo5HvzUxosbsbCE 

 

“You can be the greatest , You can be the best” – Hall of Fame, The Script

As piolhas terminaram mais um ciclo de escolaridade. Com sucesso. No próximo ano letivo irão frequentar o 3º ciclo de escolaridade, numa escola secundária pública.

Mais um ciclo que se fechou, que se completou. E mais uma vez contra as expectativas e vozes de velhos do restelo que ouvíamos, fechámos um ciclo com sucesso. Sem mais nem menos do que com o recurso ao que a lei prevê para situações como as das piolhas.

Não é facilitismo!

Eu trocava já, na hora com quem quisesse, a necessidade de “ao abrigo das alíneas x y z do Decreto-Lei 54 de 6 de julho de 2018”.

Não é favoritismo!

Um aluno com necessidades específicas requer respostas igualmente específicas e adaptadas à sua realidade, às suas competências, entre outros, de forma a colmatar as suas dificuldades e ter sucesso.

Não é privilégio!

É um direito, é o usufruir dos direitos que os vários decretos, portarias e despachos normativos – e, em última grande instância, a Constituição – preveem, sem retirar direitos a ninguém, nem usar mais do que aquilo que está previsto e salvaguardado.

Não é uma competição!

Apesar das suas notas incríveis e níveis altos, quando surgia um 51%, a minha reação era a mesma “parabéns, miúda! É só um teste, não é o espelho dos teus verdadeiros conhecimentos, não mostra o trabalho/tempo/estudo que dedicaste. É positiva. Melhorará numa próxima vez.

Não é dopping!

Não há nenhuma pílula milagrosa ou medicamento para a inteligência, o trabalho, o esforço, a dedicação.

Não é influência de ninguém!

Os pais, os professores, a lua, o sol, não têm influência nas notas a atribuir. São o que são, de acordo com os critérios aprovados. Não há notas inflacionadas nem notas mendigadas nem notas forretas.

Muitos foram os que duvidaram: saberiam um dia escrever? saberiam um dia ler sem ser por associação pictórica? conseguiriam um dia resolver os mesmos exercícios abstratos que os pares também realizavam? conseguiriam um dia andar de bicicleta? teriam um dia uma aula de educação física sem saltarem à vista comprometimentos motores e de equilíbrio? teriam um dia redução de horas de terapia de fala?

Mas, muitos foram também os que acreditaram.

E que nos ajudaram em todo este caminho árduo. E que estarão sempre do nosso lado, mesmo que a acompanhar-nos à distância.

Como também costumo dizer muitas vezes, parafraseando a personagem Locke, da série “Perdidos”: “Não me digam o que não consigo fazer!

Ergo o meu copo (com uma qualquer bebida lá dentro) e digo bem alto “Cheers!” porque, contra todas essas vozes, contra muitas estatísticas, com e sem apoio, com quem sempre acreditou em nós, chegámos mais longe, fomos mais.

Brindemos às piolhas, essas miúdas incríveis!

E, para terminar, pasme-se – até porque sou professora de profissão e adoro o que faço – que eu não dê a importância exacerbada às notas que seria suposto.

Que não veja a escola como único local de aprendizagem e que encare a escola como algo muito mais que aulas e avaliações. A escola quer-se um local de várias aprendizagens, a vários níveis, com vários intervenientes (professores, assistentes operacionais, assistentes técnicos, alunos, pais). A escola quer-se um lugar onde os nossos filhos estejam e sejam felizes.

Isso, para mim, vale muito muito mais do que qualquer número marcado numa qualquer pauta.

Agora, venham as férias em pleno. Para setembro, há mais.

 

publicado às 21:47


Não sou uma acérrima defensora do que é público nem entro em extremismos ou dicotomias "público vs privado".



Já trabalhei nos dois lados, cá em casa um de nós é do público e o outro do/para o privado, já usufruímos de serviços públicos e privados, conseguimos ver o que há de bom no público e no privado mas também sabemos identificar o que está há de bom e de mau no privado. Não vejo mal absolutamente nenhum em ter proveito nos dois mundos e, de alguma forma, contribuir (direta ou indiretamente) para esses dois mundos.

 



Mas, posso assegurar, que me faz muita comichão no lado esquerdo do cérebro, o incessante ataque aos serviços públicos, sejam eles quais forem. Não há perfeição em lado nenhum e sabemos perfeitamente que a nossa máquina pública tem graves defeitos e falhas. Mas também tem algo de bom, por exemplo: um SNS que vai conseguindo dar algumas respostas e até nem é mau de todo nas isenções e tem excelentes profissionais (eu consigo ter termos de comparação com o estrangeiro e, afianço, que temos excelentes médicos); uma escola pública que não pode nem deve negar a entrada de todos e tenta dar resposta a todos; uma segurança social que, a funcionar muito muito mal, com muitos muitos problemas e injustiças, ainda vai dando para abonos, pensões, reformas, etc; um Estado Social (a minha avó nunca descontou na vida mas recebe uma reforma... Como ela, há milhares de octagenários ou mais, na mesma situação...), etc.

 



Chamem-me "novinha", "otimista" ou digam que nunca me negaram nada (é mentira. Sabem lá as milhentas falhas que a segurança social já teve para comigo ou o atraso de 3 anos no diagnóstico das piolhas nas consultas de desenvolvimento numa Maternidade). MAS custa-me que se diga mal só porque sim sem se fazer algo.

Eu dou exemplos concretos:

- quando as piolhas foram para o Jardim de Infância, em algumas sessões de terapia, usava-se o computador que era do terapeuta... Não reinvindicámos material ou criticámos: o marido arranjou um computador que estava a um canto cá em casa e levámos para lá. E por lá ficou para usufruto. Se o JI precisava da nossa esmola? Não, mas nós precisávamos deste recurso e, além de apontarmos esta falha, resolvemo-la (mal ou bem, mas resolvemos).

- quando as piolhas entraram para a escola primária, não havia um canto TEACH para elas na sala. Em colaboração com os professores delas, nós pais e eles, criámos as condições necessárias para estarem na mesma sala de aula dos colegas: mesa organizada com PECs, cantinho de recursos sensoriais, material organizador, um horário visual acessível a todos, etc. Pedimos um recurso humano para duas (um docente de Ed Especial, uma Assistente Operacional, etc.).

- quando cortaram os horários das terapias, contestei e apresentei uma solução: em vez de terapias quinzenais em separado, passariam a ter terapias juntas semanalmente (e argumentei com a experiência do passado e os pontos fortes de uma e de outra como vantagem de trabalho);

- quando cortaram o tempo de terapias, foi proposta uma espécie de oficina de trabalho entre terapia da fala e ocupacional, de modo a poder tocar os dois mundos e não perder nada.



Na saúde? Apesar do sistema, sou eu a ponte entre Centro de Saúde (Médico de Família) e o Hospital Pediátrico de Coimbra, para as piolhas, para que caminhemos todos no mesmo sentido. E, no caso do meu pai, fui eu quem traduziu todos os relatórios médicos que anexei aos originais para colocar o médico a par da situação. Eu sei que há serviços para isto mas demoram, têm custos. Não me custa nada ajudar o sistema e desbloquear uma resposta.

 



Eu sei que há muita muita coisa errada, nós não queremos estar aqui a servir de exemplo para nada nem para ninguém, mas se não nos mexermos e não formos mais proativos e colaborantes, as coisas não funcionarão mesmo... Sei que vou ser acusada de estar a facilitar um sistema que deveria olhar por nós mas eu estou ciente que tenho direitos e também deveres. E sei que é muito mais célere e com mais hipóteses de sucesso quando nos envolvemos de forma positiva. Custa-me uma crítica só porque sim, sem um mínimo de esforço ou de empenho em que as coisas mudem.

 



E, agora, façam como quiserem. Não é uma defesa do público em detrimento do privado (eu fui curada das minhas lesões cerebrais pelo privado mas foi o público que me salvou as piolhas in utero com um tratamento que me pagaria a casa). É um desabafo de quem está farto de ver gente que se queixa de tudo e todos e que acha que o que é estrangeiro é que é bom mas nunca levantou a peida do sofá para fazer a diferença nem nunca se atreveu a sair deste retângulo à beira-mar plantado.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:06

Foi o trabalho do fim de semana: fazer um corte de um dente e legendar cada constituinte. Teria de ser um trabalho individual. Quis afastar as piolhas do típico desenho mas também não queria fazer nada de muito elaborado. As pesquisas online não deram grande ajuda pelo que fomos pelo mais simples, utilizando os materiais que havia cá em casa.

Perguntei quem queria fazer uma colagem com feltros e quem queria pintar em tecido. Cada piolha escolheu o que queria e pusemos mãos à obra.

 

Para o corte com feltros, precisámos de:

- feltros de várias cores (cru, amarelo torrado, vermelho, rosa avermelhado, branco)

- lápis e tesoura

- tintas (vermelho, azul e amarelo) e pincel fino

- cartolina branca

- cola quente

 

Desenhei as várias partes do dente de forma a conseguirmos sobrepô-las e a piolha recortou tudo. Também escreveu, imprimiu e recortou as legendas. Depois, eu juntei tudo com a pistola de cola quente e dei uma ajuda no delinear dos nervos e vasos sanguíneos.

 

 

Para o corte em tecido, precisámos de:

- tecido (pano cru)

- canetas de feltro, um lápis de cera (não tínhamos a cor certa noutros materiais), tintas acrílicas

- pinceis

- caneta de gel escura

 

Desenhei os constituintes do corte do dente e, seguindo as cores da figura no manual, a piolha pintou tudo. No final, desenhou as bolinhas como se fosse o corte de osso, ajudei no delinear dos nervos e vasos sanguíneos e ela escreveu as legendas. Feito.

 

 

Acabámos por dedicar, ainda assim, muito tempo aos trabalhos, apesar de serem simples. Mas são diferentes do habitual e elas gostaram.

 

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publicado às 13:29

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