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Os cuidados com o cabelo das piolhas

por t2para4, em 27.06.15

A minha intenção era manter o cabelo das piolhas o mais intacto possível, durante o máximo de tempo possível, sem necessidade de o cortar. Até ter começado um dos nossos grandes pesadelos (aqui e aqui).

Para disfarçar as áreas sem cabelo (peladas), fomos cortando sempre abaixo da nuca sem acertar totalmente senão a piolha ficava com um corte à tropa. A verdade é que, passados todos estes anos, o cabelo que nasceu de novo, diferencia-se muito bem daquele que foi sendo cortado pois, nas pontas, na parte onde não tinha cabelo, ainda se enrola como o cabelo de bebé... Vai certamente perder esse jeito na próxima ida ao cabeleireiro.

 

Neste momento, e há já uns tempos, que estamos numa fase muito muito boa, no  que diz respeito aos cuidados capilares. A tricotilomania parece ter desaparecido de vez e o objetivo bem marcado das piolhas é ter o cabelo tão ou mais comprido que o das amigas trigémeas (que têm pela cinta). Eu não me oponho nem me importo, apesar da trabalheira que dá...

 

 

Que cuidados temos para evitar que a estereotipia regresse, para que o cabelo se mantenha saudável, para que ele cresça:

- corte saúde no mínimo de 4 em 4 meses ou máximo 6 em 6 meses;

- champo suave para crianças (adeus Johnson's, que já não dava conta do recado);

- condicionador para adultos, edições "previne pontas espigadas", "especial verão", etc.;

- spray com mistura de amaciador e água para desembaraçar quando parece um ninho de ratos e é preciso pentear;

- cerca de 3 x/semana, aplico um óleo protetor de pontas espigadas;

- cabelo lavado todos os dias no verão e de 2 em 2 dias no inverno;

- no inverno, usamos secador; no verão, seca ao natural;

- o cabelo é penteado apenas depois do banho ou se estiver muito eriçado ou precisar de ser apanhado, de resto, não penteamos;

- usamos uns elásticos torcidos (que fazem lembrar os cabos dos telefones fixos) e verificamos que, ao tirá-los, raramente vêm cabelos agarrados (ao invés do que acontecia com os outros);

- quando fazemos prevenção ou tratamento contra piolhos, nunca deixo de ter em atenção estes cuidados e uso sempre imenso condicionador;

- quando vamos à piscina, por causa do cloro que seca o cabelo, levam sempre um apanhado, para evitar que se embarace e se enrede;

- vitaminas à base de geleia real 2 x/ano;

- evitamos penteados elaborados ou apanhados muito repuxados, uso de lacas ou gel (apenas um creme para caracóis/ondulados, em dias de festa);

- reforço positivo das intenções da piolha - ter um cabelo comprido;

- elogio do progresso até a momento e da tenacidade que têm.

 

 

Dá muito trabalho, é preciso estar atento aos produtos de qualidade no supermercado (e aproveitar as promoções), ter cuidados redobrados no verão por causa dos banhos piscina/rio/mar e pediculose, aperceber-me atempadamente se há um retrocesso na estereotipa ou perda de muitos cabelos e o que motiva a isso. Mas creio que os resultados valem bem a pena todo este esforço e dedicação.

Vejam por vocês mesmos! Fotografia sem edição (só recortei e nomeei).

 

IMG_6752.jpg

 

Pode parecer fútil e algo que não interessa a ninguém, mas, para mim, o facto de elas (principalmente uma delas), ter conseguido ultrapassar a estereotipia que tinha e ter recuperado de todas aquelas clareiras sem um único cabelo, é algo extraordinário. E, modéstia à parte, elas estão com um cabelo lindíssimo, super bem cuidado e que lhes fica lindamente!!

O próximo corte será em setembro, para apagar possíveis estragos do verão e porque está na altura de mais um corte saúde. Primeiro elas e depois eu.

 

 

 

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publicado às 20:29

Tagarelice #24

por t2para4, em 04.11.13

- O pai está de folga?

- Sim, está à nossa espera em casa. 

- Oh my gosh!!!!

 

"Oh my gosh"??!!? Pára tudo! Uau, simplesmente, uau! 

 

- Onde aprendeste isso? Está giro! 

- Foi o Pinkie Pie que disse (ah pois, os poneis...)

- Sabes o que quer dizer?

- Sim, "Oh meu Deus!!"

 

E pronto. Venham daí mais poneis! Quero lá saber das obsessões.

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publicado às 19:24

Nem tudo são boas notícias. A fase boa mantém-se, a tranquilidade e calma dos finais de dia também. Às vezes, não fosse a linguagem, até duvidaria de uma PEA... No entanto, os sinais estão lá, bem à vista dos meus olhos para não nos esquecermos que,  mesmo que se dilua com o trabalho, a maturidade e o crescimento, haverá sempre um ou outro comportamento mais estranho ou mesmo bizarro, característico desta patologia.

 

A maturidade que os seus quase 6 anos lhes permitem ter, nesta fase, já ajudam a suportar  o imediato dos acontecimentos. Um exemplo concreto: ontem foi a comemoração do dia da árvore. Por estes lados, estava imenso vento mas um dia de sol muito bonito e agradável. Juntaram-se imensos meninos de um ATL com o jardim de infância das piolhas e deve ter rondado, à vontade, uma boa centena de crianças de várias idades. À tarde, aproveitando o bom tempo, todos no campo a correr, dançar e brincar, com uma música tão alta quanto música de arraial. As piolhas estiveram lá e integraram-se mas, ao contrário das outras crianças, absorveram toda aquela informação sem gestão ou regras: os sons, as imagens e o movimento, o brilho imenso do sol, os cheiros. A certa altura, uma isolou-se e desatou a chorar. Depois ficou bem. A outra fê-lo mais tarde.

 

Este isolamento e choro foi a sua forma de gerir aquele excesso de informação. Não houve uma birra propriamente dita, não houve um episódio violento, apenas um choro descontrolado e sem razão aparente. Foi o seu momento de auto-regulação. E, para isto,  não há medicação nem terapias nem milagres. Há apenas muito carinho, muita paciência e muita compreensão, pois aquele mau momento passará e ela ficará melhor.

 

A ansiedade está diretamente ligada a algumas estereotipias menos graves e que se podem controlar. Uma das piolhas voltou à fase do enrolar o cabelo e a outra range os dentes quando dorme. Mas passa. Amanhã ou depois, já sei que não estarão assim. Não faço nada, exceto avisar para não enrolar o cabelo pois, quanto ao bruxismo, nada posso fazer.

Quando ficam doentes, a piolha que enrola o cabelo fica com uma das mãos completamente descontrolada - hei de referir isso na próxima consulta - e isso incomoda-a pois é involuntário e ela própria não consegue controlar e pede-nos ajuda. Não sei qual a relação. Nessas alturas, tentamos desviar o foco de atenção ou ocupar-lhe aquela mão com um brinquedo ou dar-lhe colo e segurá-la.

 

E, como já vem sendo hábito, de há uns anos a esta parte, é mesmo um dia de cada vez... 

 

 

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publicado às 10:26

Cabelo: ajuda? - Hair: help?

por t2para4, em 29.09.11

 

Umas das estereotipias que mais me preocupa é a de enrolar e puxar o cabelo até o arrancar. As falhas já se começam a notar e não tenho soluções práticas para evitar isto. 

 

Esta manhã, na minha cama, encontro isto:

 

 Pode não parecer muito mas imaginemos esta quantidade vária svezes ao dia... O resultado já se faz notar na cabeça dela:

 

Para já e de acordo com a sugestão da dermatologista que primeiro identificou este problema como algo compulsivo, anda de chapéu em casa mas nem sempre o tem na cabeça. 

 

 

Ideias? Agradecem-se.

 

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One of the stereotypy that worries me the most is that of rolling and pulling hair until it falls. The empty spots are visible and I don't have any practical solutions to avoid it.

 

This morning, in my bed, I found this:

It may not seem much but imagine this amount several times a day... The result is noticeable on her head:

 

For now and according to our dermatologist's suggestion (the one who first identified this as a compulsive problem) she is wearing a hat at home but she doesn't always has it.

 

Ideas? Thanks. 

 

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publicado às 10:08

 

E porque há coisas que simplesmente não se conseguem controlar, algumas das antigas manias ora vão ora regressam. O colocar tudo ordenado, em fila, em linha ou equilibrado está aí de novo. 

Começou cedo com a comida: a separação de alimentos por cores (ervilhas para um lado, milho para o outro, etc.) e o alinhar direitinho surgiu pouco depois da introdução do 2ª prato, por volta dos 13 ou 14 meses. Às vezes fazem-no com frequência, outras nem ligam. Neste momento, fico satisfeita por terem uma motricidade fina fantástica e por terem uma firmeza corporal fenomenal. Isso é muito bom.

 

 

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And because there are thing we can't simply control, some of the old manias come and go. Putting everything in order, in line, in a row or well balanced is here again.

It started very soon with the food: separating food by colours (peas on one side, corn on the other, etc.) and lining up food came up little after introducing the 2nd plate, around 13 or 14 months old. Sometimes they do it often, others they don't even remember it. At the moment, I'm gald they have an amazing thin motricity and astonishing body firmness. That's very good.

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publicado às 13:19

 

Pequenos comportamentos estranhos que era comum as piolhas fazerem e aos quais nunca dei muita importância e que acabei por esquecer, estão a regressar. É assustador... As suas mãos não param e abanam e esbracejam e esvoaçam e passa, tal como começa. Já não o faziam há muito tempo mas, agora, ainda que dentro de alguns contextos (frustração, negação), este comportamento regressou.

Espero que, tal como veio, desapareça rapidamente...

 

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Small strange behaviour communly made by my little girls and to which I never paid much attention and ended up forgeting, are coming back. It's scaring... Their hands don't stop and flap and fly and it goes away, just has it started. They didn't do this in a long time but, now, though it is in some contexts (frustration, denial), this behaviour returned.

I hope that, the way it came, it disappear quickly...

 

 

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publicado às 10:54

Novo visual - A new look

por t2para4, em 21.06.11

E lá fomos nós cortar o cabelo. Correu muito bem e, apesar da agitação normal de estar num cabeleireiro e ter uma bata à volta do pescoço e ter cabelos a cair, as piolhas portaram-se lindamente.

À piolha que tem o hábito de enrolar o cabelo fez-lhe confusão ver os seus caracóis cair e ter tanto cabelo à sua volta, no chão. Já a outra, parecia talhada para aquilo: muito bem sentada, muito atenta, perguntava de vez em quando se já estava e colaborou bastante com a cabeleireira.

 

O resultado final agradou-me imenso. Ficaram com um ar completamente diferente mas muito muito bonitas. Fui aconselhada a colocar ganchos dos dois lados da cabeça para não evidenciar a falha de cabelo e, no final, fomos comprar mais ganchinhos. Chegadas a casa, uma surpresa esperava-as na mesa da sala: uma barbie :-)

Estão a ficar crescidas, as minhas piolhas...

 

 

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And there we went to get the hair cut. It went very well and, though the regular excitement of being at the hairdresser's and have a robe around the neck and hair falling, my little girls behaved beautifully.

It was confusing to my liithe girl who curls her hair watching her curls falling and have so much hair around her, in the floor. The other one, though, seemed made for that: very well sit, very attentive, she asked now and then if it was done and cooperated a lot with the hairdresser.

 

The final result pleased me a lot. They have a tottaly different look and are very very pretty. I was told to use hairclips both sides of the head so we do not point the hair missing area and, at the end, we bought more hairclips. When we got home, a surprised was waiting for them in the coffee table: a barbie doll :-)

They are getting big, my little girls...

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publicado às 22:49

Corte de cabelo - haircut

por t2para4, em 21.06.11

Sempre gostei de ver as meninas de cabelo comprido, sem nunca o terem cortado, com os caracoletos iniciais, cabelinho de bebé. Pensava eu que poderia fazer o mesmo às piolhas mas os cortes começaram desde cedo na franja - não deixavam fazer puxinhos, pôr ganchinhos ou fitas e tive mesmo de pôr de parte o desejo da inexistência de franja -, pouco depois uma das piolhas começou a enrolar o cabelo com os dedos de tal modo que ficava todo embrulhado e ao fim de umas semanas, do lado esquerdo, quase não havia cabelo... Caia às mãos cheias...

Sem saber o que fazer e como impedir aquele comportamento consultamos uma dermatologista, a dra. Evelina Ruas, que, minutos depois de a ter examinado me explicou que o que a piolha fazia era tricotilomania, um distúrbio caracterizado por arrancar cabelos sem fins estéticos.

Receitou um champô fortificante,recomendou o uso constante de chapéus,lenços,toucas e marcou nova consulta para daí a 6 meses. Posso assegurar que piorou um pouco e depois melhorou significativamente e o cabelo nascia. Infelizmente e com muito desgosto, lá acabei por marcar cabeleireiro e cortar-lhe o cabelo... E cortando a uma, corto também à outra.

 

Em Agosto, após o diagnóstico de desvio do espectro autista, associamos este comportamento a uma estereotipia.

Um dia, do nada, ela pára de o fazer. O cabelo cresce forte e saudável naquela área e fazemos novo corte para acertar. Para nosso grande desconcerto, há umas semanas, recomeçou... Nota-se uma falha de cabelo enorme, misturada com os caracois do novo cabelo e punhados de fios caídos, com nós...

Desta vez, por muito que me custe, vai ser radical e ambas farão um grande corte de cabelo, do comprimento do novo para ficar tudo por igual. Como fica mais curto, esperamos que a estereotipia regrida ou desapareca. Fico triste por tê-las de cabelo curto mas o cabelo cresce e elas ficam giríssimas com qualquer corte.

 

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I always liked seeing girls with long hair, without ever had it cut, with its initial curls, baby hair. I thought I could do the same to my little girls but the cuts soon began in their fringe - they didn't let us do ponytails, put hairclips or ribbons and I really had to put aside my desire for the absence of fringe -, later one of my little girls started to curl her hair with her fingers in such a way that it was bundled and a few weeks later, on the left side, there was almost no hair... It fell off full hands...

Whitout knowing what to do and how to stop that behaviour we went to a dermatologist, dra. Evelina Ruas, who, minutes after examining my little girl explained me that what she does is trichotillomania, a disturb known for its hair pulling with no esthetics purposes.

She prescribed a restorative shampoo, she recommended the constant use of hats, scarves, caps and set a new appointement 6 months from then. I can assure she got a little worse and then got significantly better and her hair grew again. Unfortunately and with a lot of sorrow, I went to the hairdresser and got her hair cut... And when I had the hair cut to one of them, I had it cut to the other too.

 

In August, after the ASD diagnosis, we connected this behaviour to a stereotypy.

One day, out of nowhere, she stops doing it. Her hair grows strong and healthy in that area and we have a new haircut. To our big confusion, a few weeks ago she started doing it again... We notice a big miss, mixed with new hair curls and hands full of threads, with knots...

 

This time, as hard as it can be to me, it will be radical and both of them will have a big haircut, the length of the new one to make it even. As it gets shorter, we hope this stereotypy recedes or disappears. I am sad they have short hair but it grows and they look beautifully anyway.

 

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publicado às 10:30

Ansiedades - anxities

por t2para4, em 15.05.11

Uma das piolhas voltou a enrolar o cabelo até ficarem nós e perder alguns fios e começou a mordiscar o dedo, de modo a ficar com os dentes marcados. Hoje andou melhor e não teve muito essa tendência. Eu tenho que melhorar o meu humor e a minha própria ansiedade; como elas são muito sensoriais, acredito que sintam quando não ando muito bem e retornem a estes comportamentos...

 

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One of my little girls is rolling her hair again until the threads come out or tie to each other and she started to bite her finger, making teeth marks. Today she was fine and didn't do it. I have to improve my mood and my own anxity; as they are very sensorial, I believe they feel it when I am not very good and they come back to that sort of behaviour...

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publicado às 22:53

2ª consulta de desenvolvimento

por t2para4, em 17.02.11

Em Outubro recebo informação escrita por parte do hospital para nova consulta de desenvolvimento, já depois de dado o diagnóstico de desvio do espectro autista. A consulta correu mais ou menos e a triagem correu muito bem: peso semelhante nas duas (13, 200 kg) e altura semelhante (94 cm uma e 95 cm outra), perímetro cefálico normal. A espera não demorou quase nada. Entrámos e começou a festa: não pararam quietas, mexeram em tudo o que não podiam (principalmente pionaises – nem sei onde os viram com tanta nitidez), começaram a ficar extremamente eléctricas, com calor, a transpirar, a fazer todas as estereotipias possíveis até que a uma das piolhas morde os dedos e diz à médica que era um chupa (que nem sequer comem!). A psicóloga estava presente e verificou que, de facto, havia sinais que estavam a piorar. A médica apercebeu-se de que eu estava muito informada acerca dos nomes que se dão a determinados comportamentos e foi sempre muito aberta e franca connosco. Mantém-se o diagnóstico inicial e o encaminhamento para a equipa de autismo foi feito (demorará porque entraram de férias quando regressou a médica delas…), a avaliação para terapia da fala será em Novembro. Disse que lamentava ter incomodado com o telefonema que fiz mas sentia-me desesperada com a intensificação de comportamentos desviantes e falta de resposta. Ela respondeu que a partir de agora muito estava a ser feito.

Conversámos sobre esses mesmos comportamentos: as birras constantes, o soluçar absurdo no final da birra ou o vómito, o olhar vazio e alheado no final de uma birra, a irrequietude, a ausência cada vez mais marcada de medos, as associações de ideias brilhantes (do género: baleia-mar-fato de banho-praia e pôr isto num desenho – mesmo que seja na parede do corredor…), a ecolália (repetição exacta de frases ou palavras que memorizaram e utilizam nos mesmos momentos em que as ouviram, tipo, uma das piolhas deixa cair água na carpete e diz “olha pra isto!” no  mesmo tom de voz, gesto e expressão que eu, sem alterar para “oh, está molhado”, por exemplo), as constantes diarreias que nem com dietas rígidas passam, a automutilação (que era o que me andava a preocupar mais), a genialidade de desenhos iguais aos meus alunos do 1º ano de escolaridade. A médica diz que elas são muito inteligentes, com áreas nas quais são geniais mas com falhas na socialização (o estar sentado quando se almoça fora ou se conta uma história ou o dar a mão para atravessar a estrada, por exemplo) mas que estão muito destruturadas e que precisam de ser muito trabalhadas para melhorarem estes comportamentos. Dado o estado de nervos em que estavam, notou-se bem que tipo de comportamentos as gémeas têm quando se sentem assim. Receitou risperidona, dose mínima, para minimizar estas ansiedades (as diarreias finalmente foram embora. No Jardim de Infância, as auxiliares dizem que estam mais calmas)

Falei da tentativa de conciliação entre Infantário e HPC e a médica disse que iria fazer  o seu TPC e enviar-nos toda a documentação: recebi depois os relatórios gerais e os atestados médicos para mim e marido. O relatório geral diz que as meninas (individualmente, portanto, 2 relatórios) foram observadas em consulta de desenvolvimento em Agosto por alterações na linguagem. Apresentavam agitação psico-motora, ausência de contacto visual e estereotipias motoras, ecolália ocasional. O diagnóstico mais provável é de perturbação do espectro do autismo. Vão ser avaliadas para terapia da fala e encaminhadas para orientação pela unidade de autismo. Necessitam de intervenção directa e sistemática de Educação Especial e acompanhamento em terapia da fala e ocupacional, sinalizadas à equipa de apoio das escolas. Dada a agitação motora e por a irmã gémea apresentar quadro semelhante deverão ter o apoio de uma tarefeira no jardim de infância.

 

Saímos mais esperançados de dias melhores, de melhores vitórias, de apoios finalmente.

Todas as informações de que vou dispondo vou transmitindo à educadora que tem sido incansável nas suas tentativas de ganhar tempo e apoios. Conseguiu fazer o pedido de tarefeira à direcção do infantário e tratou da documentação para o PIIP (Programa de Intervenção Precoce - uma equipa de técnicos constituída por Educadores de Infância Especializadas, Psicólogos, Técnica de Serviço Social que fazem uma Intervenção centrada na Família, baseada na interligação dos Serviços Comunitários (agrupamentos de escolas, etc. e intervêm precocemente junto das crianças em situação de risco ou com atraso de desenvolvimento até aos 3 anos.)

A reunião informal com a professora de apoio do PIIP tem feito pressão para que se arranje a tal tarefeira e, agora com os documentos, trabalhará lado a lado com o HPC, podendo, se for nosso desejo, acompanhar-nos às consultas. Já falou com a equipa do PIIP que trabalha na nossa área de residência, pessoal altamente qualificado e, no mesmo dia, telefonou-me a informar de uma reunião da equipa connosco (eu e o marido apenas, para já) para nos explicarem como tudo se processa, onde e como se farão tratamentos/trabalhos/terapias, etc. Há a hipótese de ser 2 vezes por semana, em nossa casa e no infantário ou só no infantário. Por muita vergonha que eu tenha do estado da minha sala (e móveis) e paredes neste momento, acho que beneficiar de terapias em 2 espaços onde passam mais tempo é algo de muito valioso. Iremos, sem dúvida, optar pela 1ª hipótese.

 

Deixei os documentos que recebi (cópia porque temos sempre que apresentar esta documentação em sei lá quantos locais) no infantário para os dar à direcção e agrupamento de escolas para ver se vem a tal tarefeira, agora que já há um suporte real e fidedigno por parte do hospital.

 

Apesar de tudo isto parecer estar encaminhado, não ise imaginam quantos telefonemas estão por trás de tudo, quantas horas de reunião e conversas com educadora, prof de apoio, favores que se pedem (educadora à prof e vice-versa), o meu voluntariado (para poder ficar mais perto das gémeas e ir controlando o que se aprende), viagens entre hospital-infantário-correios-entidades patronais para entregar documentos e falar com superiores, o desespero que às vezes bate bem fundo quando se vêem injustiças, etc. É desgastante mas finalmente parece-me que começo a ver frutos de tudo isto. Nunca, por um segundo, me arrependi de ter inscrito as gémeas ali: é um infantário coladinho a uma escola primária da moda antiga, com recreios comuns, espaços simples mas com tanto tanto tanto profissionalismo, bons profissionais, boas pessoas e tanto empenho. Fico muito contente com isto. E acho que as próprias gémeas apaixonam qualquer um à sua maneira! Acho que tudo conjugado, abre-nos barreiras.

 

Não gosto da sensação de tempo perdido ou tempo de espera vazio. Sei que desde a 1ª consulta até agora não passou muito e até foi rápido mas para quem já vem a alertar médicos de sinais que aparentemente só eu via desde os 7 meses de idade, é muito tempo! O 1º sinal a ter em conta deveria ter sido logo a ausência de características de prematuridade e a dificuldade que o médico teve em avaliar o seu desenvolvimneto aos 7 meses de idade. Engonhou-se, não se deu ouvidos a dados importantes, não houve apoios… mas paciência, até aos 3 anos, ainda não é tarde. E isso, felizmente, esteve do nosso lado.

Quanto a mim, para os meus acessos de dor e choro e revolta e sei lá mais o quê, estou seriamente a pensar em contactar a APPDA : associação de pessoas com perturbação do espectro autista e obter ajuda, quanto mais não seja, ideias para lidar com os diferentes sentimentos que temos – como pais – e aprender a fazer terapias em casa com os filhos, ter uma ideia real do que será o futuro. Ainda não tive coragem para lá ir mas talvez não seja má ideia fazê-lo.

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publicado às 15:39

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