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Coisas que nunca pensei dizer na vida

por t2para4, em 24.04.20

1. "Vê se te despachas a comer que tens de ir ver televisão às 14h"

2. "Está aqui o horário das vossas aulas na RTP memória. Quero-vos em frente à televisão a tirar notas"

3. "Podem ir às gravações rever a aula da televisão"

4. "Uma tarde inteira em frente à televisão? Ah mas são aulas... Vá, vão lá, não se atrasem"

5. "É para estar em frente ao computador às 8:30."

6. "Linux é mais rápido que Windows nas vídeo chamadas, muda lá de sistema operativo"

7. "Obrigada marido por teres insistido em meter uma TV no quarto das piolhas"

 

E é isto. Vou morder a língua e pôr o cérebro de molho.

 

 

 

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publicado às 23:35

De acordo com este novo estudo, o autismo será tendencialmente genético, potencialmente hereditário, residualmente causado por outros (ambiental, trauma, clínico, etc).
Envolveu, maioritariamente o estudo genético de mais de dois milhões de indivíduos (cerca de 50% de sexo masculino), de vários países, nascidos entre um determinado período de tempo, vindo a validar um outro que envolveu gémeos idênticos e fraternos. Deste universo, estimadamente 1% tinha diagnóstico de PEA.

Aqui? Aqui, creio, à luz deste artigo cujo link para a revista está abaixo, que nós somos um verdadeiro cocktail que potenciou tudo isso: gémeos idênticos, peso genético hereditário via linha materna (não tenho autismo mas o meu lado está pejado de casos diagnosticados) e exposição de agentes intrauterinos (infeção, medicamentos, traumas, etc.). 
Não vou falar de supostas culpas. Já dei para esse peditório há muito. No meio destes números e do preto e branco cru que os artigos, grelhas, tabelas e relatórios mostram, o importante é seguir em frente e trabalhar, apostar em terapias fidedignas e criar uma equipa que fale a mesma linguagem. O resto são restos e de restos ninguém vive.

 

https://jamanetwork.com/…/jamapsyc…/article-abstract/2737582

 

 

 

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publicado às 17:00

Nas nossas últimas consultas, já havíamos falado deste estudo/pesquisa/investigação e da possibilidade de recolha dos dentes molares das piolhas para estudo. Em último caso, se não houvesse hipótese de usar os molares (que começam agora a abanar para cair em breve), faríamos a recolha pelos dentes do sizo (o que acabaria por envolver uma ida ao bloco para se fazer a recolha, coisa que, de pacífico e tranquilo, nada teria - a não ser a anestesia). 

 

Na nossa mais recente consulta no dentista, vimos que as raízes dos dentes molares das piolhas estão praticamente absorvidas e muitos deles já a abanar. Os dentes definitivos estão a nascer perfeitamente saudáveis e na correta posição. Assim, depois de já termos enviado alguns dentes de leite para análise no Instituto Ricardo Jorge (ler aqui em que consiste esse estudo), vamos agora enviar estes para análise para o Centro de Neurociências e Biologia Celular
Universidade de Coimbra. Para já, na nossa arca congeladora, estão dois tubinhos de ensaio fechados com um cocktail de células vivas e com a etiqueta "kit dentário" para que, assim que caia um dos molares das piolhas, possamos guardá-lo lá dentro (mesmo que tenha ainda restinhos de sangue, gengiva, saliva - quanto mais matéria biológica, melhor), telefonar ao médico, vir um estafeta e levar o kit.

 

Ora, e para que serve isto e por que estamos a participar neste estudo?

Vamos começar pelo final da pergunta: é uma espécie de "altruísmo esgoísta", para usarmos as exatas palavras que usámos na consulta - ajudamos a que se busquem mais hipóteses da descoberta de uma causa para o autismo e recebemos, ao mesmo tempo, respostas. Neste momento, mais importante do que consciencializar para o autismo através de formação ou palestras e ter que levar com pessoas que não aceitam, mesmo quando o autismo lhes entra pelos olhos dentro (profissionais de várias áreas, pais e terceiros), virámo-nos para esta parte e que, não sendo tão pública, acaba por ser mais útil e sabemos que, pelo menos aqui, conseguimos, mesmo e de facto, contribuir com e para algo concreto e que nos pode dar respostas - a nós e aos outros.

Este estudo aborda, assim de forma simples e sucinta, as sinapses (as ligações/transmissões entre neurónios) e a sua biologia. Este grupo de estudo, que envolve o trabalho dos Drs Ana Carvalho, João Peça e Paulo Pinheiro, "está interessado nos mecanismos celulares e moleculares da função sináptica e da plasticidade sináptica, e em como disfunção sináptica e dos circuitos neuronais está na base de doenças neuropsiquiátricas e neurodegenerativas."

Os nossos dentes irão parar às mãos do Dr. João Peça, que descreve resumidamente o seu trabalho em http://www.cnbc.pt/research/department_group_show.asp?iddep=1113&idgrp=1686&IdGrupo=1107&IdSeccao=&hash=39 

 

A descoberta do uso de células estaminais dos dentes (em especial dos molares e sizos) não é recente (alguns artigos jornalísticos datam de 2012) e, nesta tese, podemos ler em que consiste, características, etc. Aqui, em concreto, não se pretende dar o uso que habitualmente se dá às células estaminais do cordão umbilical, por exemplo, regeneração de tecidos ou órgãos. A ideia é mesmo estudar alterações e regulações em possíveis recetores das/nas tais sinapses, em especial, associadas ao autismo. É claro que a genética está em todo o lado por aqui... É tudo muito complexo e tudo se interliga, desde o gene, à enzima, à molécula e aos processos bioquímicos que gerem tudo isto. E claro, o ambiental também poderá dar aqui uma mãozinha pois lembremo-nos que é a partir dos dentes que conseguimos traçar o nosso percurso de vida (tal como nas séries policiais, sim).

 

Portanto,  vale o que vale, mas, para mim e na minha muito modesta opinião de alguém de Letras que muito pouco percebe de Biologia/Química/Bioquímica e afins, acho que todos estes estudos podem significar avanços. Não pretendo com isto prever ou augurar uma cura! Mas sim, para já, perceber o que causa o autismo; o que está no nosso corpo que causa, especificamente, o autismo; o que é o autismo, concretamente; se um diagnóstico de autismo, num futuro, poderá ser feito biologicamente e não apenas através da observação direta e de grelhas/escalas/questionários. E o que nos custa é só um dente molar de leite, mesmo, no nosso caso, desmineralizado e partido (mas há outros em melhor estado). Com a vantagem de podermos contribuir com dentes de dois sujeitos com um ADN igual (o mitocondrial não é para aqui chamado).

 

Não sei se outros hospitais do país (e fora do país) estão a participar neste estudo. Mas, em caso de interesse, é uma questão de perguntar ao médico da especialidade para saber.

 

E depois?

Depois, logo se vê. Para já, é aguardar que os dentes caiam, sejam enviados para o seu destino final e aguardar de novo pelos resultados do estudo. Demore o tempo que demorar. 

 

 

 

 

 

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publicado às 10:38

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