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Sei o que fizeram este Verão

por t2para4, em 07.09.21

São iniciativas que já contam com muitos anos e foram mudando de nome ao longo do tempo mas que eram, nos anos 80 e 90, "Ocupação de Tempos Livres" e agora são "Estágios". Destinados a jovens, geralmente dos 14 aos 18 anos, estes programas eram uma excelente mais-valia nas férias grandes para aprendizagem de algo novo, promoção da autonomia e uma maneira de tirar muitos de nós de casa para fazer algo útil.
Este ano, porque a idade permitiu, as piolhas participaram neste tipo de programas, durante as férias de verão, por duas semanas. Este programa, em particular, pretendeu possibilitar aos inscritos a oportunidade de ocuparem o seu tempo livre em ambiente de trabalho real, onde foram valorizados aspetos com a assiduidade, empenho, dedicação e responsabilidade, permitindo a aquisição de competências que venham a ser úteis para a sua vida adulta.
Se o primeiro dia foi passado a limpar livros e não foi a atividade favorita delas, os restantes foram bem melhores e trouxeram as aprendizagens que pensávamos serem alcançadas. E mostraram a possibilidade de que é possível "trabalhar" em contexto real e o que esperar de quem orienta e de quem executa. Cresceram elas e crescemos nós.
As férias são excelentes para muitas atividades e esta é, sem dúvida, uma a repetir. Há tempo para tudo. Setembro pode ter tudo a ver com (re)começos mas agosto foi um mês de crescimento e de aquisição de novas competências. Um começo diferente numa época do ano diferente - ou não fôssemos nós dados à diferença.

 

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publicado às 16:06

Pausa - time off

por t2para4, em 05.06.21

Estarão aqui atingidos todos os clichés? Posso acrescentar que também estava de chapéu de palha e óculos de sol 😛
Estou a adorar o livro. Afinal já tinha uma ideia de parte da trama, só não tinha associado a Oscar Wilde.
Quanto ao resto, eu cá dou-me muito bem com a boa vida. Ou a vida boa.

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E, nos entretantos, fizemos o Algarve de ponta a ponta - ou de costa a costa -, de Vila do Bispo quase na ponta de Sagres até Vila Real de Santo António.
A N125 já está percorrida, quase sem planear. Venham mais estradas icónicas que nós tratamos dos quilómetros! 😊😁
E como diz uma das piolhas "já fizemos a Route 66 do Algarve, yay!"

 

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publicado às 18:45

Falta muito para as férias?

por t2para4, em 07.02.20

- Quem acha que os miúdos de hoje têm férias a mais, certamente não era da geração dos anos 80, em que entrávamos na escola em outubro e acabávamos no inicio de junho;
- quem acha que os miúdos de hoje são todos iguais e uns grande langões, não conhece muitos miúdos - incluindo as piolhas - que se matam a estudar e a trabalhar e, no caso delas, ainda acrescem as horas de terapias;
- quem acha que temos um sistema educativo fantástico com os testes e os exames no topo da avaliação - como se avaliar conhecimentos e competências e aquisições fosse só possível através de testes padronizados -, nunca pensou fora da caixa nem nunca deu AEC na vida e sabe, por isso, que é possível perceber quem aprendeu, quem participou, quem adquiriu conhecimentos sem fazer um único teste;
- quem acha que a divisão de períodos letivos está maravilhosa, devia levar com três cadeiras pela cabeça abaixo - uma por cada período - para se calar e pensar que, nos seus empregos normais, saem e vão para casa e não estudam mais e podem meter férias quando querem - os bons alunos (aqueles que realmente estudam, não aqueles que têm apenas bons resultados) e os professores saem e vão para casa trabalhar mais um bocadinho como se fossem uns tolinhos workaholics e só podem tirar férias quando o MEC deixa, com sorte (se não nos derem uns exames para corrigir).

Para já, é isto. Podia acrescentar mais coisas, mas saí das aulas às 17h30 e estive até agora a estudar ciências com as piolhas - depois de mais uma temporada de testes e trabalhos e resumos e leituras e fichas e questões de aula. No meio das falhas e dobras geológicas, ainda tive de me organizar porque, mesmo que eu não precise de testes para avaliar os meus alunos, tenho de os fazer e, consequentemente corrigir e cotar e, para tal, é preciso tempo.
O meu horário ultrapassa largamente um horário de 35h.
O horário das piolhas ultrapassa largamente um horário de 35h.
O que não nos mata, torna-nos mais fortes, certo?

 

 

 

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publicado às 19:10

Foi um desejo meu de há alguns anos. E preparada com alguns meses de antecedência com pesquisas em grupos de viagens nas redes sociais e em sites de viagens. Foi assim que ficámos a saber os preços das entradas nos monumentos, se há ou não passe combinado, quais as distâncias entre pontos de interesse e até onde estacionar, aproveitando também para ver os preços do alojamento - que, para uma família, ficam um bocado fora do orçamento, daí termos optado pela ida e vinda no mesmo dia, pois os custos de combustível e portagens não chegam a metade do que seria o alojamento para todos nós.

Estes foram os dois sites que consultei e levei como backup de informação: aqui e aqui. Combinámos com a tia do t2 que a saída seria às 7h e a chegada prevista lá para as 21h. As únicas paragens seriam em áreas de serviço, até chegarmos a Mérida. De véspera, preparei as nossas coisas: carregar a bateria da máquina fotográfica/telemóveis/powerbanks; preparar as mochilas com águas/toalhetes/lenços de papel/protetor solar; separar as roupas que levaríamos (algo muito leve e confortável, chapéus de sol, óculos de sol e sapatilhas) + uma muda extra, just in case. No dia, verificar óleo e água do radiador do carro, atestar, levantar dinheiro, ligar o GPS e seguir. 

 

Descemos pelas encostas até começarmos gradualmente a ver quilómetros e quilómetros e quilómetros de erva seca, pequenas árvores (talvez chaparros?), muitas vacas castanhas e estradas quase sem curvas. Tão diferente das nossas estradas com curvas acentuadas e sinuosas, montanhas, árvores altas e tantos tons de verde desde o chão à copa das árvores e vacas malhadas. Umas simpáticas estavam a ver os carros passar à beira da estrada e não se afastaram para poderem ficar na fotografia. 

 

Chegámos por volta das 11h, cerca de 300 km depois. Estacionámos num parque pago mas  valeu a pena, pois assim sabemos que o carro ficaria seguro e bem estacionado durante o tempo que precisássemos. Seguimos as indicações de "aparcamiento" (a sinalização está muito bem adequada) e aquele parque fica perto de tudo, dando-nos a vantagem de podermos visitar e conhecer um pouco da cidade a pé.

 

Primeira paragem do nosso itinerário: Ponte Romana. É uma ponte proíbida ao trânsito mas com muito movimento pedestre. Optámos por visitar o parque e ver a perspectiva de debaixo, antes de a atravessarmos e depois irmos à Alcazaba (Alcáçova - onde comprámos bilhete integrado para visitar um conjunto de 6 monumentos - 15€ adulto e 7,5€ crianças até aos 12 anos). A vista é extraordinária. Fomos saudados por um ganso de voz forte, que nadava no Guadiana e, já em cima da Ponte, por uma conterrânea sorridente.
Logo ali, à entrada da Ponte, temos uma rotunda com a Lopa Capitulina que supostamente alimentou e cuidou dos gêmeos Rómulo e Remo, com Rómulo, mais tarde, fundador e rei de Roma. As piolhas reconheceram logo a imagem dos livros de História.
Já começava a fazer-se sentir o calor, que decidimos ignorar. Também decidimos ignorar a diferença horária e seguir a hora tuga, o que, a bem ver, quando fomos ao Teatro e Anfiteatro, puxou por nós pois fazia mesmo muito muito calor. Não se via quase ninguém nas ruas e brincámos com a hora da siesta. Nós calcorreámos as ruas em busca dos monumentos do nosso mapa e percurso já idealizado. Muito calor. Mas valeu a pena. Mérida é uma cidade incrível, com História em todo o lado e monumentos muito bem conservados. E, o mais fascinante, ainda com escavações e trabalhos em execução (e, fiquei a saber que "moléstias" são incómodos, pois estava escrito em todos os locais vedados por causa de trabalhos. Achei o máximo).

 

Como optámos manter-nos com o nosso fuso horário, de manhã visitámos a Ponte e o parque, depois a Alcáçova e ruas em direção à Plaza de España onde iríamos almoçar. Dentro do que é desconhecido, estranho, estrangeiro, longe da área familiar de conforto, optamos sempre por encontrar um fio condutor e algo que seja familiar. Eu adoro petiscar em restaurantes e ando a morrer por tapas há mais de 2 anos, desde que fomos a Vigo, mas as piolhas não vão muito nisso e, obedecendo ao nosso protocolo de segurança e conforto, enfiámo-nos no Burger King da Plaza e por lá estivemos um pouco a almoçar (e a arrefecer do calor). Costumamos levá-las a um shopping, se visitarmos alguma cidade, como recompensa; aqui, na ausência de um naqueles meandros, ficámo-nos pelo restaurante fast food.

Dali, seguimos para o centro da vila e emaranhámo-nos nas várias ruas - todas elas têm pontos de interesse turístico, quase todos grátis. O primeiro da tarde foi o Templo de Diana, deusa que uma das piolhas adora e monumento que queria visitar. Andou uns meses a pedir para ir a Évora porque queria ver o Templo de Diana. Mal pôde acreditar que em Mérida também havia um em homenagem a esta deusa que atira a associação de ideias para a Mulher Maravilhosa, deusa amazona, também ela Diana. Já soltava "uau" só ao ver a traseira do edifício mas ficou boquiaberta quando viu os pilares que o caracterizam e o excelente estado de conservação em que está.
É nestes pequenos nadas que vimos que está lá tanta coisa e que, no final de tudo e depois de tantos km (de carro e a pé), vale a pena insistir para que construam memórias, tenham vivências e usufruam muito destas oportunidades. 

 

O Museo Nacional de Arte Romano também estava na lista de locais a visitar, apesar de não fazer parte do conjunto de monumentos. A entrada é apenas de 3€ adulto e 1,5€ crianças até aos 12. É um museu enorme, com cerca de 5 pisos, incluindo uma estrada romana e uma cripta. Em comparação com ordenados e tarifas de entradas em monumentos, cá é tudo bem mais caro. Não é pior nem melhor, não é isso que estou a dizer, é mais caro.
A arquitetura do museu prende-nos mal entramos: os arcos, a profundidade, a luz. É um espaço muito agradável e bem organizado.
Uma das piolhas tem esse mesmo espaço e impacto como parte favorita da visita ao museu, a outra e eu perdemo-nos com as moedas dia vários governos (a numismática) e a joalheria.
A cripta ainda tem trabalhos e escavações em curso e o acesso mostrar-nos uma estrada romana em excelente estado de conservação.


Nunca falámos espanhol ou portunhol. As pessoas com quem cruzámos nas bilheteiras e restauração não pareceram minimamente incomodadas com o nosso recurso ao português. Ao contrário do que aconteceu em Vigo com um empregado que atirou logo ao "no te entiendo", aqui foi tudo muito fluido e natural. Mas divertimo-nos imenso a tentar ler com sotaque e dizer os nomes das ruas.

 

Depois de cumprida a planificação, regressámos estafados ao carro e fomos até aos arredores da cidade, abastecer de mais água, lanchar e ficarmos pasmos com as diferenças de preços em relação ao alguns produtos iguais aos que cá se vendem. E, dali, de volta à fronteira, ao Alentejo, à Beira Baixa e depois à Beira Litoral. Mais 300 km.

Correu tudo bem e vale a pena. Mérida é uma cidade apaixonante, cheia de luz, bonita e simpática. E cheia de História, a minha parte favorita.

 

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publicado às 18:36

A vida aqui no T2 é uma sucessão de danças e contradanças. Exemplos? Vamos lá.

 

* as piolhas acordam todos os dias às 7h, sem despertador. Simplesmente acordam. Às vezes, pregam-me um susto do caraças quando me vão dar um beijo à cama, outras vezes fazem de conta que não existo e vão logo tomar o pequeno-almoço (que fazem sozinhas) e brincar. Já eu posso acordar às 7h mas não me levanto às 7h. Não matei ninguém, tenham lá santa paciência.

 

* estamos no mês de férias oficial mas temos feito pequenas fichas de trabalho quase todos os dias. Quando acabaram as aulas deixei passar demasiado tempo até fazer alguma coisa e já nem contar pelos dias faziam em condições e pareciam as mãos de um mágico numa cena qualquer de magia arrebatadora.

 

* tenho lido tanto mas tanto que até me surpreendo. Já tive de ir à biblioteca municipal requisitar livros ou ainda acabava a ler rotulos de champôs e ingredientes de enlatados. No entanto, pediram-me que lesse e analisasse o projeto do Regime Legal de Inclusão Escolar e estive pior que alguns dos meus alunos (e que as piolhas, às vezes): fica para logo; amanhã; ainda há tempo, ohhh eu não quero fazer o TPC... E a acabar por fazer tudo de uma assentada só antes que me passe a vontade.

 

* tenho sido assídua nas redes sociais, escrevo que me desunho a fazer palavras-cruzadas mas fazer um apanhado das minhas ideias ao género resumo parece o equivalente a uma hora de ginásio...

 

* as minhas queixas mais frequentes este mês têm sido algo variável entre o "ahhh, está taaaanto calor" mas "não me tires o lençol que não consigo dormir destapada"; o "ando com a sensação de que passo os dias nas compras, como raio é possível haver sempre algo a faltar em casa, tenho de fazer uma lista" mas "meninas, bora, vamos comprar leite"; o "hoje é para fazermos 3 páginas de fichas de Português e de Matemática" mas, ao ver os exercícios de matemática, "vá, como trabalharam tão bem, vamos apenas fazer 2 páginas de deixamos esta para logo" ou saltar aqueles problemas manhosos que pedem muitas contas; o "ai, tanta claridade, os meus olhos, os meus olhos" mas "raios, tudo tão escuro hoje, anda fogo por aí ou estou a ver mesmo mal?"

 

* não vivo sem as piolhas e estar praticamente em casa com elas desde julho tem sido fantástico e sei que me vai custar horrores em saudades quando chegar setembro mas, às vezes, levam-me a um estado de loucura tal que só lhes rosno que se quiserem ter uma amostra de pais normais cá em casa, espeto com elas no ATL o resto do mês.

 

* a quantidade de roupa que há para lavar/estender/dobrar/passar/arrumar é universalmente e inversamente e impossivelmente oposta àquela que realmente temos. É impossível termos assim tanta roupa, o meu cesto nunca está vazio!

 

* as piolhas já sabem nadar, yay!, já aprenderam até a fazer bombas, yay!, mas "não vos quero aí para tão longe que eu não chego lá (que é como quem diz, não tenho pé e não sei nadar e ainda tenho medo...)" 

 

* os gelados são o novo must have cá do T2... As piolhas pedem gelado logo ao pequeno-almoço. Só não têm é essa sorte...

 

* estou a adorar as minhas férias, este suposto dolce far niente, mas a cabeça não para de pensar nas colocações de professores do final das férias...

 

* adoro agosto, as férias, as folgas, a família, o estar em casa, o não precisar de trabalhar por um mês mas o raio do mês é tãããããããão comprido que parece que estamos em agosto há 3 meses...(ou eu não habituada a férias...)

 

* A pergunta do dia é quase sempre "o que vamos fazer amanhã?". E quase sempre acabamos por fazer algo diferente do planeado. Vamos à praia   vamos à piscina   vamos fazer um picnic   ficamos em casa    logo se vê. 

 

* o fartar de avisar para não fazer zapping na TV quando está demasiado calor para andar na rua mas, na realidade, o que está a dar em direto não presta/já vimos/bah...

 

* o desenhar tanto tanto tanto que nos alagamos em papeis mas nada é para deitar fora!

 

*E, para terminar, às vezes, tal é a rabugice e o cansaço temos o rio-para-não-chorar-ou-choro-porque-não-me-apetece-rir-e-estamos-demasiado-crescidas-para-sestas assim tudo ao mesmo tempo. 

 

 

E é como diz o outro "estou bem aonde eu não estou mas eu só quero ir aonde eu nao vou..."

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:30

“104 dias que duram as férias”

por t2para4, em 30.06.16

 Ou o que fazemos durante este tempo todo que... são as férias grandes.

Como é expectável – e tendo em conta que ando o ano letivo inteiro a suspirar e a ansiar pelas férias grandes (se bem que, depois passo agosto e setembro a suspirar e a ansiar por uma colocação mas isso são outros quinhentos) -, nas nossas férias grandes fazemos tudo e não fazemos nada. Sim, temos momentos de seca e de monotonia mas ainda bem que os temos pois as piolhas têm de se aperceber que, muitas vezes, não há nada programado nem planeado e que apanhar umas secas faz parte da vida. Tal como deveriam fazer parte da vida momentos de nada, em que não há nada para fazer. Nos tempos em que tanto se apregoam “mindfulnesses”, não fazer nada só porque surja, não me parece mal.

 

Nas férias grandes, as piolhas têm desses momentos e momentos de agenda. Porque, apesar de férias, esses momentos de agenda são mesmo necessários.

No Verão, não há terapias. Pelo que, em casa, entre nós, temos que tentar colmatar – não substituir! – essa falha. O que nos impele em treino. Pode parecer muito animalesco falar deste modo mas, a verdade é que, há coisas que só se adquirem com treino (o que é o ABBA, senão treino?). Nesta fase, estamos em processamento de aquisição e consolidação de determinados conteúdos e até comportamentos. A conjugar com este processamento, temos também outras questões em mente.

E são eles:

- atravessar passadeiras sem ser pela nossa mão. Ainda temos muito trabalho a fazer aqui mas já conseguimos, em ruas de pouco movimento, que sejam elas a liderar o caminho, sem andarem pela nossa mão, nem sermos apenas nós a monitorizar a passadeira.

- andar pela rua sem ser de mão dada connosco – a menos que esteja muita gente ou muita confusão. Pouco a pouco, elas já começam a ir juntas sem precisarem de andar pela mão com um de nós. Obviamente que, por exemplo, quando subimos às muralhas de Óbidos ou fomos à feira afonsina em Guimarães, andaram connosco pela mão, quer por segurança quer porque sim (muita gente, muita confusão).

- autonomia às refeições/higiene. Outra batalha quase diária que se resume ao uso correto e adequado da faca. Ainda é uma complicação porque não seguram bem ou o garfo não está a picar corretamente ou ou ou ou... é um filme. 

O vestir/despir é feito com total autonomia e raramente há enganos mas o saber tomar banho sozinhas - ahahhahahahhahahah, tomara eu que lavem os dentes bem sozinhas - ainda não existe. Quer a questão do lavar os dentes sozinhas em condições quer o ensaboar o corpo sozinhas vai ser uma constante a treinar estes meses.

- saídas. Vão onde nós formos e ponto final. O maior problema é só sair de casa porque, uma vez dentro do carro, o humor e disposição delas muda e elas vão de boa vontade e com um sorriso. É só uma questão de preparação e de... ir.

- andar a pé. Ai que batalha mais inglória e injusta esta... Detestam andar a pé, inventam todas as desculpas e mais alguma para evitar andar a pé, perguntam sempre se podem levar o carro, enfim, um figurão. Para juntar a este gosto peculiar pela deslocação pedestre, as piolhas têm pouca resistência e fraco tónus muscular (o que se traduziu numa passagem muito tardia após um longo tempo entre piscinas...). O que fazem semanalmente nas sessões de motricidade ajudou um muitos aspetos mas não chega. Por isso, o que temos feito é sair, sempre que possível, a pé para uma voltinha de cerca de 2 ou 3 km, e, nas nossas saídas para mais longe, caminhar mesmo, fazer percursos, visitar áreas a pé. Porque, ao mesmo tempo que praticamos este aspeto, estamos, igualmente, a praticar o andar na rua, o atravessar passadeiras, etc. Ou seja, há uma série de atividades que vão complementar-se.

- consolidar conteúdos. A escola acabou mas não pode ter pausa total até setembro senão ninguém se lembrará de escrever palavras complicadas sem erros nem fazer uma mera conta de somar. Depois de 10 dias de absoluto nada relacionado com a escola e matéria, começámos a fazer pequenos trabalhos quase diários, que demorem no máximo 15 minutos a realizar. Começámos com uma fichinha de português, depois uma cópia, depois um ditado, depois umas perguntas de estudo do meio, três tabuadas escritas das duas maneiras, ler um livrinho. Algo rápido e que seja só com o intuito de rever e consolidar. 

- auxiliar nas tarefas domésticas. Fez migalhas? Varre para a pá. Já jantámos? Levantam a mesa e limpam os pratos. Pequenas tarefas deste género não são trabalho infantil nem escravatura (pior é pôr os putos a cozinhar e a mexer em fornos e fogões e chamarem-lhes de "chefes" de um qualquer programa de TV, serem criticados como adultos porque o arroz ficou empapado e acharem que enfardar pasteis de nata atrás uns dos outros não é compatível com a obesidade mas adiante que já estou a desviar-me do foco). Arrumar o quarto - e isso implica colocar os brinquedos nas devida scaixas e gavetas nas categorias a que pertencem -, preparar a roupa para vestir depois do banho, pôr ou levantar a mesa, arrumar a louça no lavaloiças, varrer migalhas para uma pá, limpar marcas de copos ou nódoas com um toalhete, fazer pequenos recados aos pais não matam ninguém. Se conseguem utilizar tecnologia de ponta sem ninguém as ensinar, também conseguirão perfeitamente pôr uma toalha na mesa ou arrumar as sapatilhas na sapateira que não requer arte nenhuma. Até porque, cá em casa, não há criados.

- experimentar coisas novas. No ano passado, experimentámos caracóis e foi um espetáculo vê-las a tirar o bicharoco com o palito e a comer. Gostámos muito e, este ano, vamos repetir. Hoje experimentaram comer salteado de pimentos. Não correu mal de todo. Temos arriscado viagens cada vez mais longas, que implicam sairmos de casa ao amanhecer e tem corrido bem. Ainda não arriscámos dormir fora ou passar uns dias sem vir a casa - num ambiente não familiar. Lá chegará a altura.

- proporcionar as melhores férias. Mesmo que isso implique apanhar secas. As melhores férias são, para mim, aquelas em que há momentos tão simples e tão bons que darão memórias fantásticas: picnics no chão da sala em dias de chuva, idas matinais ao rio com uma praia imensa só para nós, melgar a mãe de 5 em 5 minutos para ver se o verniz térmico mudou de cor para poderem ir à agua, lanches saborosos nos intervalos de banhos, pools parties (festas na banheira eehehheh) quando temos uma saída excecionalmente fantástica a nível de comportamento, marcas do bikini apesar das litradas de protetor solar que coloco. Acho que, olhando para trás, estas seriam memórias felizes... E isso inclui as secas que são impostas nos horários tecnológicos! Só se utilizam tablets ou computador cerca de 2h por dia (ou em viagem) e nem mais um minuto. Há muito mais para fazer nas férias do que ter o nariz enfiado num écrã.

 

 

O Verão, as férias grandes, os tais "104 dias que fazem as férias" são os nossos tempos de catarse, os nossos tempos de compensação. São os dias azuis do céu e do fundo da piscina, os dias esverdeados dos campos dos picnics e das água do mar ou do rio, são os dias tão luminosos que até nos obrigam a fechar os olhos, são as unhas pintadas de cores alegres e pindéricas - unhas das mãos e dos pés, num total de 60 unhas coloridas -, são calções e t-shirts e vestidos de tecidos confortáveis e esvoaçantes, são sestas e preguiças no sofá ou na areia, são programas de tv vazios de conteúdo e outros repletos de História, são comidas rápidas e saudáveis e leves, são amaciadores especiais para proteger o cabelo, são mimos do tempo, são coisas boas, são o recuperar de semanas e semanas de tanto tanto trabalho, são o estar em familia mais tempo... 

Precisamos destes momentos - ainda que isso implique "treinos" e outros trabalhos - para nós, para recuperar. E até me podem dizer que é muito tempo e e assim e assado. Nós fazemos esta gestão da melhor forma que podemos e conseguimos, por opção nossa. Mas, a par com as minhas filhas, também eu quero memórias boas e tempos felizes.

 

 

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publicado às 20:37

São as férias das piolhas

por t2para4, em 18.08.14

Não estamos de ferias. E há várias razões para isso, incuindo a económica.

Mas, independentemente do que nos impede de fazer malas e sair por um fim de semana que seja, quero que as piolhas achem que estamos de férias, melhor, quero que elas se sintam de férias.

Estas paisagens maravilhosas das fotos ño blog ou no facebook do blog são quase ao lado de casa, dentro do distrito de Coimbra. Numa manhã temos viagens e praia feitas, evitando assim as horas de sol a pique - aproveitando as horas de sol suave e saudável - e a confusão de pessoas que, entretanto, vem chegando.  
O marido tem trabalhado que nem um louco, em turnos completamente alucinados, pois o desemprego está de novo na minha pele... (que, apesar de tudo, espero ter resolvido já no próximo mês). Nessa altura, está prometido, iremos passar um fim de semana fora, agendado há imenso tempo e que aguardo com impaciência!!!
Seja como for, não deixa de ser bom para as piolhas perceber que a sociedade tem regras bastante distintas, que há profissões que não seguem o calendário escolar, que os pais fazem de tudo para lhes proporcionar memórias felizes e fantásticas. E, às vezes, como é o caso agora, é só uma questão de redescobrir o que existe aqui ao lado...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 (apesar de não identificadas, todas as fotos são da minha autoria)

 

E, as férias grandes, também são isto: passeio, trabalhos escolares para não se esquecer o que se aprendeu, almoços/jantares em casa da avó, brincadeiras até à exaustão no jardim, idas ao parque, visitas a monumentos, compras, aviar recados com a mãe e estarmos juntas 24/7 até ao regresso às aulas. Um regresso às minhas férias grandes da infância.

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publicado às 21:16

Em estado aquático

por t2para4, em 16.08.14

 

 

 

 

 

 

 

 

Vamos aproveitar as vagas de calor ao contrário do que faz a maioria das pessoas: praia, água, rio, whatever!, de manhã, pelas horas de sol em que nem é preciso colocar protetor solar, picnics, tardes de jogos, descanso e sestas.

Já voltamos.

publicado às 15:41

Ainda a aproveitar as férias grandes

por t2para4, em 24.08.13

Porque o tempo passa tão rápido e não tarda nada estamos já em setembro (já?!!!!!), estamos mesmo a aproveitar estes últimos dias de férias, nem que seja só para ficar em casa a vegetar ou a fazer sestas de muitas horas...

Tem havido muita água, muitos pulos, muito passeio, muito sono, algumas birrinhas e  maus-feitios, mas um verão, umas férias como já não vivia desde há uns 6 anos, desde que as piolhas nasceram. Apesar de alguns problemas e percalços pelo meio, lá temos conseguido dar a volta.

Por isso, don't stop ringing or writing, eu respondo! Só estou mesmo a aproveitar estes momentos finais tão bons...

 

publicado às 13:43

Passeio a Aveiro

por t2para4, em 21.07.13

Aceitámos o convite e fomos até Aveiro. Havia o desejo de conhecer alguns cantinhos daquela cidade - no que levar as piolhas connosco nos permitisse -, a começar pelo Museu de Aveiro.

 

O Museu de Aveiro fica numa zona bastante central e de fácil acesso. Não fosse o estacionamento pago do Fórum (shame on you! Em Coimbra, todos os estacionamentos de shoppings são gratuitos!) e até em estacionamento era uma beleza! Não há qualquer dificuldade en dar com o Museu que fica bastante perto da Sé e do Parque D. Pedro V.

 

Por partes: o Museu de Aveiro é um museu de História e Arte, instituído no antigo Convento de Jesus, da Ordem Dominicana feminina. A área monumental evidencia o traçado conventual que remonta ao séc. XV, designadamente da Igreja de Jesus e do claustro, concluídos no séc. XVI, o estilo Barroco do coro baixo, com o túmulo da Princesa Santa Joana (1693-1711), do coro alto e de diversas capelas devocionais, dos sécs. XVII e XVIII, e a fachada “apalaçada”, fisionomia do museu, do séc. XVIII.

A exposição permanente apresenta obras de Pintura, Escultura, Talha, Azulejo, Ourivesaria e Têxteis, dos sécs. XIV-XV ao séc. XIX, provenientes de conventos extintos de Aveiro e de outras regiões do país. Da colecção do Livro Antigo e dos Manuscritos, documentos da fundação do convento e da vida da Princesa Santa Joana (m. 1490), filha de D. Afonso V, figura incontornável na história do Convento.

Gostei bastante de ver as talhas douradas e algumas peças. Não tenho boas fotografias porque isso implicava usar flash - o que é proibido e para o qual fui chamada à atenção 3 vezes... -, mas sempre que a máquina tinha onde buscar luz e sem recorrer a tripé, lá arranjei algumas imagens bem bonitas.

Coloquei o meu telemóvel nas mãos das piolhas e elas fizeram a sua própria cobertura fotográfica. E até se safaram muito bem! Têm fotografias muito castiças entre (imensas!) mal tiradas.

 

 

 Utensílios de farmácia, em exposição logo à entrada do museu, perto da bilheteira (foto das piolhas)

 

 

Claustro do Museu (antigo convento) e escultura da exposição temporária (duas últimas imagens, autoria das piolhas)

 

 

Pormenor lindíssimo do teto de uma das capelas do Museu. Adoro aquelas estrelas.

 

Estas colunas e quadros estavam numa das alas com outras esculturas de cariz religioso e relicários. Adorei a conjugação.

 

Depois do almoço, em jeito de picnic, fomos dar um passeio ao Jardim D. Pedro V. Apesar de estar em recuperação, valeu a pena pois é muito bonito e agradável. Fica na zona ajardinada da Baixa de Santo António, densamente arborizada, com variadas fauna e flora, e ainda um lago de razoáveis dimensões. No seu interior destaca-se o coreto em ferro forjado do início do século, e o Museu de Caça e Pesca (que estava fechado e não visitámos).

 

 

Coreto que mostra a arquitetura do ferro forjado, do início do século XX

 

 

 

 

 

 

 

Depois de dar uma volta ao lago, fomos até outras bandas, à beira da Ria. 

 

 

 

 

O Centro Cultural e de Congressos é parte de um edifício emblemático da arquitectura industrial Aveirense.

Fábrica Jerónimo Pereira de Campos é a antiga designação deste edifício, que acentua o carácter, junto com outras marcas da indústria da cerâmica na região.

 

 

 

Fartámo-nos de rir com os dizeres destes moliceiros. Delicioso.

Havia passeios nestes barcos, tão típicos de Aveiro, mas não arriscámos. 

 

Estação de Aveiro. Adoro de paixão aqueles azulejos. A nossa estação de comboios também tem uns lindíssimos mas longe dos nossos olhos, de momento, por razões políticas. 

 

A Estação de Aveiro é uma das mais bonitas estações do país. Actualmente, o edifício antigo (talvez venha a tornar-se num edifício museu) fica ao lado de uma moderna estação ferroviária. Os painéis de azulejo presentes em todo o edifício recebem e despedem-se em tons de azul e branco de quem chega ou deixa Aveiro. Os painéis, que têm vindo a ser recuperados ao longo dos anos, contam histórias de Aveiro e das suas gentes, das suas profissões, da sua história e da sua paisagem. A estação de Aveiro faz parte da Linha do Norte da CP e nela começa a Linha do Vouga.

 

 

 

E, por toda Aveiro, se viam peças deste género - de que eu gostei bastante! - e que acho muito originais. Não deu para fotografar todas mas fica a ideia.

 

E não viemos embora sem comer os divinais ovos moles!

Para terminar o rol de fotos, ficam os "apanhados" das piolhas à mãe e vice-versa!

 

 

 

 

Balanço: foi uma saída na companhia da avó e da tia qque até correu muito bem. Tirando um ou outro stress no museu (insistir em mexer, muitos saltos e correrias, mas nada que uma boa palmada não tenha resolvido), as piolhas caminharam tanto tanto tanto a pé que até me admiro não terem melgado mais com as queixinhas do costume "eu quero o carro", "doem os joelhos", "mais pé não!". Estão mesmo numa fase em que conseguem usufruir do que vivenciamos, conseguem contextualizar com as devidas relações o que lhes é explicado com o que veem/sentem/ouvem/cheiram, acho que já conseguem perceber o objetivo de um passeio para fora da sua localidade.

Neste momento, as piolhas estão como qualquer menina que faz as delícias da mãe: companheiras.  

 

 

 

publicado às 19:24

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