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13 anos já cá c(o)antam!

por t2para4, em 27.07.20

Não vou demorar muito no relato, prometo, mas hoje, volvidos 13 anos, sinto que os clichés e frases feitas "o tempo passa a voar", " eles crescem tão depressa" são verdade.

Depois de muitos internamentos e tratamentos, na 6ª feira, dia 27 de julho de 2007, por volta das 11h, a médica manda-me para o bloco de partos para cesariana - a tal que estava programada para daí a 2 semanas e já antes do tempo devido - depois de perceber que já estavam masi que prontas para nascer e saber se havia vagas nas incubadoras (foi uma confusão tal que até meteu INEM), o que acabou por não ser preciso. Já estava a dieta 0 desde a véspera.


No bloco, a equipa de enfermeiros apresentou-se e tentou acalmar-me (estava um bocadinho nervosa e ansiosa por conhecer os meus bebés, ver as carinhas delas...) e começaram os preparativos. Havia música mas juro qu enão me lembro quem tocava... Os monitores e outros aparelhos não trabalhavam em Windows e eu até brinquei a dizer que, pelo menos, dali não viriam crashes. Entretanto, chegam os anestesistas que me perguntam se queria fazer a cesariana (estavam ambas em pélvica) com anestesia geral ou com epidural mas eu não fazia ideia! Expliquei-lhes que só tinha 2 exigências: não sentir dor alguma e que a gémea da minha esquerda era E. e a da minha direita a B. (escreveram os nomes nas pulseiritas que nos colocaram mal nasceram. E eu reforcei estas exigências umas quantas vezes!!! Eu já sabia bem quem era quem e nem as muitas mudanças de posições me enganaram, embora, deva confessar que, depois de nascerem, em casa, com privação do sono e cólicas, desconfiamos que possa eventualmente ter havido uma troca. Mas, assim como assim, o ADN é igual por isso, olhem paciência). Bem, o anestesista explicou-me que, em termos de recuperação, com epidural era muito mais rápida e que não havia interferência alguma com os bebés enquanto que a anestesia geral já comporta mais riscos a nível de reacções alérgicas, complicações cardíacas e recuperação mais lenta. Perguntei o que seria melhor para os bebés e ele respondeu-me que seria a epidural e eu decidi que o que era bom para elas, seria bom para mim.


O parto em si não custou nada (o pós-parto é que é todo um rosário diferente) e a sensação que eu tinha era que estava no dentista: sentia remexer e repuxar como se me estivessem a arrancar um dente mas na barriga. Tudo tranquilo! A certa altura, ouvi o aspirar de águas e a médica a perguntar-me o nome da 1ª gémea, a da minha esquerda, que nasceu às 12h46, com 2,430 kg, muito despachada. Não há palavras que descrevam o que senti nesse minuto... Eu queria tanto tanto tanto vê-la e pegá-la mas a enfermeira disse-me que a primeira pessoa a ver os bebés era sempre o pediatra (ainda não decidi se concordo muito com esta prioridade pois só pude pegar nas minhas bebés horas depois. Também não sei se concordo com cada bebé no seu berço mas, pronto, já lá vai e não se repete). Dois minutos depois nasce a 2º gémea com o mesmo peso da mana, 2,430 kg... e volta a sensação indescritível. Mostraram-me as meninas mais bonitas do mundo e, mais uma vez, nada descreve o que se senti no momento... É algo tão arrebatador, tão pleno, tão inundante de amor, que parece que vai rebentar o meu coração. Porra, agora era a sério! Íamos ser pais!!!!! No entanto, confesso mais uma vez que os nosso olhos (e cabeça) reparam em pormenores estranhos e eu questionei o porquê de ainda haver algum lanugo nas orelhitas a que me explicaram que estava associado à prematuridade, afinal, nasceram às 35s+5d. O pai viu-as pouquinho depois e deu logo colinho a uma de enquanto a avó C. deu colinho à outra. No intervalo, ainda tive uma dor de cabeça doida que passou em menos de um ápice com uma medicação milagrosa e o monitor decidiu apitar feito parvo só porque sim.

Descobrimos ambos medos que julgávamos não serem possíveis existir, descobrimos que é possível dois seres minúsculos nos ensinarem mais que um mestre, que o amor pode muito bem ser verdadeiro/repleto/sincero/indescritível, descobrimos forças que nem sabíamos possuir e descobrimos que sou definitivamente uma mãe ursa mas sem a parte boa do hibernar, parir na caverna sem dor e ficar 3 meses ao quente e só sair quando as crias já têm alguma autonomia.

Estas miúdas trazem luz, brilho e felicidade às nossas vidas todos os dias. Objetivo: serem felizes. Sempre.
Parabéns, já cá c(o)antam 13 anos.

 

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publicado às 08:45

A nós, ontem, hoje e amanhã

por t2para4, em 02.04.20

Somos de datas e datinhas, celebrações e comemorações, assinaladas ou não no calendário. Celebramos até o aniversário dos gatos (que também é hoje), assinalamos dias que nos tocam especialmente (hoje, coincidentemente, é dia mundial da conscientização do autismo), comemoramos os nossos dias. E, há 19 anos, começámos um caminho que encheu toda a gente de dúvidas e que todos viam demasiado atribulado. Mas mantivemo-nos fiéis a nós mesmos, com os nossos ideais e valores quase retrógrados e desatualizados neste mundo desconfiado e fomos ajustando o nosso caminho. Nem sempre o seguimos a direito, nem sempre as indicações de um qualquer GPS foram as mais corretas, mas, juntos adaptámo-nos e nunca desistimos. E ainda cá estamos. Começámos um namoro tímido, quase envergonhado, em 2001, e evoluímos para uma vida a dois que depois se tornou uma vida a quatro, assim de repente. Temos algo seguro, sólido, forte, quase inabalável.
Não mudaria nada.
Somos felizes à nossa maneira tola mas verdadeira. Completamo-nos.
A nós, ontem, hoje e amanhã.

 

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publicado às 16:46

Postal de Natal 2019

por t2para4, em 16.12.19

"Uma coisa amorosa do Natal é que é obrigatório, como uma tempestade, e passamos por isso juntos:"
(Garrison Keillor)

 

Como não podia deixar de ser, eis o nosso postal de Natal de oficial para 2019.
Não precisamos de dizer nada pois está lá tudo: a luz, os sentimentos, a cor, a união.
É o nosso desejo para todos.

 

 

 

 

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publicado às 22:00

14 anos and counting

por t2para4, em 09.08.19

Eu queria uma festa, um vestido de noiva, convidados, boda e todas essas coisas estereotipadas e clichés. Também queria aquela lua de mel à qual não tive direito quando casámos pela lei em janeiro. 


Foi tudo muito simples e fácil de preparar: a cerimónia foi numa capela na serra, o padre foi um senhor extremamente simpático que fomos buscar a Coimbra (ao lado da maternidade) e que me fazia lembrar o meu avô paterno ao usar a boina, a paisagem circundante proporcionou fotos lindas, o meu vestido (que ainda me serve) e acessórios vieram de uma loja à antiga de Coimbra, as alianças já tínhamos, o fato do marido veio da Zara Men (e ainda lhe serve) e casei de chinelos (de cor igual à do vestido, de fitas com brilhantes). 


Claro que tínhamos de ter a nossa dose de histórias para contar: o pároco local não achou piada nenhuma à minha ideia de casar no alto da serra e dificultou o acesso ao livro de assentos (que acabou por ficar à responsabilidade da minha irmã), havia estradas cortadas por causa da passagem da volta a Portugal em bicicleta, houve um incêndio perto do local da cerimónia na véspera (quando eu estava a enfeitar e a preparar a capela), a mãe do marido ameaçou não comparecer porque já tínhamos casado e ela tinha estado presente nesse casamento e não havia necessidade de repetir as coisas (mas lá acabou por ir), o livre trânsito e estacionamento do carro da noiva ficou no galheiro e ninguém respeitou, o restaurante não tinha ar condicionado (apesar da proprietária me ter garantido que sim) e não tratou da área da piscina (apesar de me ter garantido, igualmente, que sim), recebemos um envelope vazio como prenda e, apesar de tudo e de querer muito, não tive damas de honor nem pude tratar da decoração e o bolo, ainda que muito saboroso, era feio e parecia estar a desfalecer.


Apesar dos percalços e ameaças, religioso à parte, a cerimónia foi lindíssima, as fotos estão lindas, estávamos ambos muito bonitos e felizes e creio que podemos fazer um balanço positivo. E, festas e caganças à parte, a verdade é que consegui o que queria e, 14 anos depois, eis-nos aqui, against all odds. E é isso o que é o mais importante.

 

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publicado às 14:17

Há meses que as piolhas falavam do aniversário e de como era tão grande fazerem 12 anos (até a mim, ainda me espanta a rapidez com que estes 12 anos se passaram...). Já tinham planeado que queriam almoçar com os amigos (ideia que eu achei maravilhosa, logo ali na hora) e sugeri um restaurante muito cool e descontraído. E, como tem uma pastelaria, eu ficaria nessa área e elas com os amigos, sem mim à vista.

Mais próximo da data, convidaram os amigos em questão, asseguraram aos avós e tia de que estariam com eles à hora de jantar, pensámos no bolo e tratámos das reservas e encomendas. E foi, assim, simples tão simples! Simples demais... Por isso, na véspera, pelas 23h, aproveitando as sobras de uma caixa (onde vieram os manuais escolares), papel crepe e fimo com purpurinas, construí uma moldura para que tirassem fotos com os amigos e família. Ainda deu tempo de fazer uns dizeres que colei a paus de espetada, anunciando ao mundo letrado que, estas duas miúdas, já contam com 12 anos e são oficialmente adolescentes.

Chegado o dia, alguma ansiedade e muitas mensagens trocadas, e lá foram elas para o restaurante. E correu tudo maravilhosamente. A mãe apenas foi chamada para cortar o bolo, pagar a despesa e dar autorização para ainda irem ao parque uns minutos. Ah, e ajudar a meter os sacos das prendas na mala do carro. Voilà. Há lá coisa mais maravilhosa do que esta?

 

Foi das decisões mais fantásticas – e crescidas – que poderíamos ter tomado. O aniversário foi passado com as pessoas de quem mais gostam, com os seus pares, sem a pressão de tempo, sem a pressão de terem de convidar outras pessoas com quem não se identificam, sem exageros sensoriais, com tudo feito ao ritmo delas e da forma como tinham idealizado passar aquele momento. E foi isso mesmo: um momento rico, bem passado, que lhes ficará para sempre na memória, sem crises, sem ansiedades, sem se sentirem mal. Estiveram com quem as compreende e as aceita. Não precisaram de se justificar nem de aguentar uma festa de horas que lhes iria mexer com os circuitos neuronais e sobrecarregar. E tiveram, então, como vai sendo hábito, uma "festa" à sua maneira e medida.

Houve tempo para visitar a bivó e tirar fotos. Houve ainda tempo para ir buscar o segundo bolo, com o tema “música” e as baquetas de bateria a reforçar isso mesmo. Houve tempo para brincadeiras em casa dos avós no trampolim, na bateria e ainda mais fotos. Houve até tempo para lerem todas as mensagens e comentários de quem lhes desejou os parabéns e um feliz aniversário.

E, findo o dia, de coração cheio, felizes até à pontinha do nariz, deitaram-se e adormeceram logo. Foi mesmo um dia em cheio.

 

O day-after foi a descompressão. É normal, é comum, é habitual, já estava mais ou menos a contar com isso. Por isso, ficámos em casa. E elas puderam descompensar e fazer os habituais disparates (de que não se apercebem) sem ninguém a assistir, sem ninguém a julgar, sem nos enervarmos. Puderam estar no seu espaço familiar, a saltitar de atividade em atividade, a desenhar e ainda conseguirem agradecer a todos pelo carinho manifestado na véspera. Puderam descansar. E resmungar e fazer as fitas do costume por causa das férias e das tarefas e das chatices e da seca.

 

O rescaldo é o deixar essa fase passar e, depois, seguir em frente. Não há propriamente uma rotina, nos dias de férias, mas ainda há alguma estrutura. Decidimos agarrar-nos a ela e lá fomos ter as últimas aulas de bateria do ano letivo, aviar os habituais recados, encher a despensa, ir às compras a pedido (um relógio novo porque já vão para o  7º ano e não há toques + um vestido porque só têm jardineiras), almoçar fora com os pais (nem sempre nem nunca). Pelo meio, o reforço pessoal (da parte delas, em especial de uma delas) de uma consciência ecológica e a busca por materiais alternativos (por exemplo, escovas de dentes de bambu - que ainda não encontrei).

 

Porque, por cá, é assim que as coisas acontecem: um pouco em catadupa… Enquanto tentamos descortinar que tipo de verão é este que ainda não deixou que as suas sardas surgissem e por que razão a mãe insiste em querer viajar (o que lhes causa alguma ansiedade e dualidade de sentimentos – it’s a work in progress), há uma preocupação com a sua pegada ecológica e a vontade de querer mudar alguns comportamentos.

Never a dull moment, right?

 

 

 

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publicado às 16:48

Simples assim: 


"Feliz dia da criança" para as de corpo, as de mente, as de espírito, as de comportamento. 
"Feliz dia da criança" para todas as crianças, todas, sem exceção.
"Feliz dia da criança" para que nunca se esqueça que as crianças também têm direitos.

 

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O nosso vídeo em Língua Gestual Portuguesa aqui.

 

Utilizámos recursos que já nos ajudaram em tempos e que nunca custa reforçar em alguma aprendizagem mais complexa: gestos que podem fazer parte da nossa LGP e PEC (Picture Exchange Communication).

 

 

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publicado às 21:51

A propósito do dia de hoje

por t2para4, em 08.03.19

#repost

por t2para4, em 08.03.17

 

Num mundo e numa era muito comercial e com deturpação das origens e verdadeiras mensagens de datas importantes a assinalar, as piolhas achavam que seria mais uma festa com trocas de presentes, apesar da sua boa vontade e carinho de querer "premiar" as mulheres das suas vidas.

Lá lhes tentei explicar, em versão rápida e curta e sucinta, que a vida não corre de feição para as mulheres, ainda que vivamos num pedacinho de céu. E contei-lhes que a discriminação contra as mulheres ocorre em formas tão subtis que parecemos nem notar: ordenados mais baixos, cargos de chefia limitados, despedimentos por gravidez, ilegalidade nas questões em entrevistas de trabalho, trabalho doméstico, etc. E ainda lhes disse que, em muitos países, as mulheres nem sequer vão à escola, podem usar determinados tipos de roupa, votar ou tirar a carta de condução. Basicamente, it's a men's world though they need women...

 

Estou com a neura. E depois de o marido me ter chamado agorinha mesmo à atenção para uma publicidade do stand virtual sobre o dia da mulher e sensores de estacionamento, a neura aumentou ainda mais. Mas, enfim, não estou para isto.

 

Quero que as minhas filhas - que serão mulheres neste mundo e sociedade - nunca jamais em tempo algum deixem de se sentir bem na sua condição ou se sintam inferiores a quem quer que seja. Que continuem a ir à luta como têm ido até agora. E que saibam que há mulheres incríveis em todas as épocas, em todas as sociedades, em todos os lados - e que, independentemente dos entraves - nunca desistem e abrem pequenas brechas que se transformam em portas, mais tarde, para que outras mulheres possam seguir os mesmos caminhos. 

Não é feminismo, não é sufragismo, não é andar de maminhas ao léu e queimar soutiens: é ser-se mulher sem discriminação, é saber-se apreciar o esforço de uma mulher, apesar de tudo. A História reza de muitas mulheres que se transformaram nos chefes de família e nos trabalhadores da família, conseguindo não só mostrar o quão fantásticas elas são nos seus papeis multitasking, como também mostrar que são capazes. De tudo.

 

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-03-08-Carolina-votou-em-1911.-Foi-a-primeira-e-a-Republica-mudou-a-lei-para-impedir-o-voto-feminino 

 

Logo, será disto de que falarei às piolhas. E aos meus alunos também, se surgir. 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:33

Era uma vez um espectro...

por t2para4, em 11.12.18

Imaginemos um espectro de cores, tipo anúncio da Nós, estão a ver coisa, certo? Atente-se, agora, na variedade de tons e sobretons e nuances e misturas e luzes desse mesmo espectro. Tudo muito parecido assim de repente e à primeira vista, certo? Errado. Muito errado. Tal como, na informática, cada cor e tom e sobretom e nunce tem um código único, no espectro de cores também todas elas são únicas e diferentes embora extremamente semelhantes.



As piolhas são duas cores desse espectro de luz. Quase iguais mas diferentes, ali uma nuance de diferença.

 



Agora vamos falar de outro espectro, que não o de luz nem o do Harry Potter: o espectro do autismo. Voilà. Dá para perceber a metáfora que fiz à pressão?

 



Há autistas que procuram estímulos, que se dão bem em ambientes fechados e que adoram festas; há autistas a quem o mínimo som um décibel acima já provoca uma sobrecarga sensorial; há autistas que toleram festas e concertos ao ar livre de dia; há os que toleram isso em ambientes fechados. Tal como nós - os neurotípicos (sim, há um rótulo também para os não-autistas, ou pensavam que era só dar rótulos aos outros?) - toleramos e aguentamos determinadas situações melhor do que outras.

 



As piolhas não gostam de cinema - sim, já foram ao cinema e até já viram filmes 3D -, não toleram música em espaços fechados (o seu comportamento adaptativo passa a disruptivo em menos de um nada), não aguentam a confusão nem os sons ou luzes de um espetáculo ou jogo dentro de um pavilhão gimnodesportivo. Toleram minimamente festas ou eventos e até multidões em ambientes abertos longe das colunas de som (fomos à Volvo Ocean Race em Algés e correu lindamente mas evitámos as colunas e os amontoados de pessoas em espaços pequenos).

 



Não sou eu quem impede as piolhas de irem a uma visita de estudo ou a um espetáculo ou a um concerto; são elas que não querem ir porque sabem o quanto lhes custa. Elas nem sequer participam no espetáculo da escola de música e estão incríveis na bateria...



Enquanto elas não quiserem nem aguentarem nem souberem como reagir, eu não vou forçar a nada e serei a chata de serviço. Temos pena. O que os outros vêm são duas crianças aparentemente perfeitamente normais mas que começam a abanar-se ou a gritar ou a tapar os ouvidos ou a arrancar cabelo ou a morder-se e, esses mesmos outros, vão achar, seguramente, que elas estão a fazer uma birra ou a ser mal-educadas porque, vá lá, até já são tão crescidas...



Eu sei o que tenho em casa e, em caso de sobrecarga sensorial ou disrupção comportamental, no final do dia, quem tem que saber gerir tudo isso, sou eu e o pai.

E não temos ninguém para nos auxiliar ou até compreender sem desvalorizar.



 



 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:38


Estamos na época dos Pais Natal e dos elfos e das renas.



As piolhas nunca acharam piadinha nenhuma ao Pai Natal embora adorassem a ideia romantizada do Pai Natal a quem se escreve perguntando como está e pede prendas bem como segui-lo no dia 24 de dezembro pelo Google Track. A figura humana e real do Pai Natal assustava-as tremendamente e nunca quiseram estar por perto de uma. Nós nunca nos opusemos a isso e nunca forçámos, claro (além de que, aqui para nós - e não me batam, se faz favor -, a ideia de confiar as minhas filhas ao colo de um desconhecido, nunca me agradou assim tanto...).



Com o passar dos anos, a imagem humana do Pai Natal deixou de provocar medo e choro. Quando algum acena, elas escondem-se atrás de nós e acham aquilo estranhíssimo "por que está a meter-se connosco?". Esta semana, num centro comercial, um acenou-lhes e elas tiveram uma reação à adolescente: sobrancelha levantada e ar estupefacto do género "mas ele não vê que já somos demasiado crescidas?".

 



Hoje recebemos uma mensagem a informar da chegada do Pai Natal aos Paços do Concelho e a convidar para assistir e ir à animação nas várias ruas,  mas, além de estar assoberbada de trabalho e não conseguir sair, elas avisaram logo que não queriam ir. E ainda bem. Vi algumas fotos e tinham cabeçudos, algo que também sempre lhes provocou muita confusão e algum pavor...

 



Para elas, o Pai Natal faz parte de um imaginário mágico, de um mundo de fantasia que não deve ser posto no real porque esse real assusta-as. E eu não me importo nada. Vamos deixar o Pai Natal nesse plano imaginário, mágico, irreal, fantástico. Aí ele consegue fazê-las felizes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:30

Um dia com muitos dias...

por t2para4, em 01.10.18

Neste dia, a 1 de outubro…

 

Há 2 anos, desmarquei todas as aulas e sessões de formação e decidi passar o dia com a família mais próxima. Bateram-me no meu carro estacionado de tal forma que um farolim saltou, os restantes partiram, a mala torceu e o para-choques partiu pelos encaixes. A seguradora reparou tudo e foi só mesmo a chatice.

 

Há 5 anos era selecionada para um bom horário, a dar aulas mesmo ao lado de casa. O critério de seleção que levou ao desempate entre mim e outra colega foi exatamente a data de nascimento (eu era mais velha, logo, tinha prioridade).

 

Há 7 anos, passámos a tarde na praia a saltitar de pocinha em pocinha, a levantar os vestidos porque estava um dia de sol lindíssimo e um mar de uma cor esmeralda irresistível. Foram as melhores horas que nos poderiam ter sido concedidas e foi maravilhoso. Um dos melhores dias que já tive.

 

Há 8 anos, saímos. Fomos até à praia, a uma zona de passadiços e passeámos. As piolhas petiscaram qualquer coisa no McDonald’s, a única forma de nos conseguirmos desenvencilhar a uma hora de refeição, fora de casa, como uma família dita “normal”. Não foi uma celebração ideal, mas foi soube pela vida.

 

Há 11 anos, passava o meu primeiro aniversário como mãe. Tinha dois seres minúsculos com apenas 3 meses de vida que dependiam totalmente de mim e era avassalador tanto como incrível e encantador. Não se fez nada de especial, mas as piolhas estrearam uma roupa nova pindérica nas horas que deixou de servir em menos de um nada.

 

Há 15 anos tinha o meu primeiro emprego, o primeiro dos únicos 3 horários completos que obtive em todos estes anos de trabalho/descontos e já me metia na lufa-lufa do que era procurar casa, escolher casa, comprar casa – o que acabou por acontecer mês e meio depois.

 

Há 20 anos, entrava na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Letras, na 2ª fase. Foi uma felicidade pegada. Não entrava no curso que inicialmente queria e pelo qual ansiara todo o meu secundário, mas sim num curso bilinguístico que acabou por ser a minha primeira escolha por seguir à toa o guia de candidatura, depois de ter ficado de fora na 1ª fase. E quis o destino que gostasse imenso e seguisse a vida educacional.

 

Há 30 anos aprendia a celebrar aniversários via telefone (o telefone da casa da vizinha) pois o FMI e o desemprego e uma subida absurda dos juros sobre os imóveis levaram o meu pai à emigração. Só voltei a saber o que era ter uma celebração cara a cara com a família toda há coisa de uns 5 anos.

 

Há 33 anos, entrava na escola primária para o que na altura se chamava de 1ª classe. E uma turma enorme com muitos meninos e meninas cantou-me logo os “parabéns a você”, na mesma sala, onde uma geração depois, 28 anos depois, as piolhas foram ter as suas primeiras aulas do que agora se chama 1º ano.

 

Há 38 anos, a minha mãe, farta de uma gravidez de barriga proeminente e pernas de bebé até ao pescoço, no exato timing previsto pelos médicos da maternidade, inicia o mês de outubro com uma das maiores e mais complicadas aventuras da sua vida.

Há 38 anos, eu nascia.

 

 

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publicado às 00:05

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