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Chegámos àquela fase da revisão editorial do que se fez ao longo do ano - mas sem a vantagem (ou não) de se poder fazer alterações.
Ora bem, depois de me despistar no gelo, enfiada num local para lá de onde Judas perdeu as botas e o resto da roupa, sem rede de telemóvel, começou o medo, a ansiedade e o pânico que me levariam, em agosto, a pedir ajuda à minha neurologista. Pensando bem, muito aguentei eu, sem que quase ninguém se apercebesse.
Depois, duas semanas apenas, avançámos para um segundo confinamento logo em janeiro - depois de eu sempre ter dito que o ideal seria continuar as férias de Natal por mais uma semana ou duas - e, desta vez, avisei logo as escolas que não iria ter as piolhas - ou eu - a trabalhar noite e dia e muito menos a aceitar trabalhos de alunos via Facebook ou Messenger (como uma Encarregada de Educação insistia). Acabei por trabalhar o triplo por causa da restruturação dos horários do secundário (aulas práticas vs aulas teóricas) mas tudo correu lindamente. Os meus alunos assitiam às aulas, faziam os trabalhos todos e raramente entregavam material fora do prazo. O meu forno, actifry e cooki trabalharam arduamente, a máquina do café (oh meu deus, oh meu deus, isso não!!!) e a picadora avariaram. Voltei a poupar no combustível e no desgaste do carro, acordava cerca de 45 minutos antes das aulas, arranjava-me maravilhosamente só da cintura para cima, voltei a usar os meus batons. Mas foi intenso. Tinha aulas todo o dia. Regressámos pouco depois da Páscoa... A medo, novamente, sem saber bem o que nos esperava.
Vieram as vacinas. Os professores lá foram considerados trabalhadores essenciais e blá blá blá. Andei quase 3 meses a bater mal. Tensão arterial extremamente baixa, uma falta de ar tremenda, um cansaço atroz, uma viagem de INEM com saída da escola... Ponderei seriamente não levar a 2ª dose, afinal, o meu corpo tinha simulado ter tido covid. Mas lá fiz o plano aconselhado. No caminho descobri que o meu coração tem uma válvula mitral abaulada em fase II e que as minhas tensões arteriais de passarinho vêm daí. Quer o cardiologista quer a neurologista aconselham-me café (quase) sem restrições - o que foi coisa que me deixou muito triste, como devem calcular ;)
Descobri que tenho PHDA, o que trouxe imensas respostas e uma sensação de closure. Faz todo o sentido, até a minha mãe sentiu esse mesmo sentimento de closure porque ela sabia que o meu comporatmento não era típico. Pobre mãe: levou com uma maria-rapaz e outra tão sossegada que era preciso ir ver se respirava. Viva a neurodiversidade porque, tal como eu, ela levou com isso. E nos anos 80 e 90 do século passado, isso era dose.
Continuámos a participar em projetos e estudos relacionados com a Perturbação do Espectro do Autismo e consegui fazer dois cursos em francês, apesar de todo o trabalho e vida agitada. Ultrapassei o meu objetivo de leitura de 20 livros e acabei por ler cerca de 23 ou 24. Nada mau!!! E a leitura foi coisa que se manteve obrigatória cá em casa - para todos.
O Verão foi nosso amigo. Fizemos férias fora de casa!!! Pode parecer tão simples para outros mas para nós isto é gigantesco. 5 dias com as piolhas fora de casa, completamente entusiasmadas e a pedir mais? Jamais imaginaria que pudesse ser possível. Ia já de férias outra vez.
Setembro foi nosso amigo e começou com um horário mais que completo para mim (apesar de eu estar em 3 escolas diferentes) e suavemente para as piolhas. O seu último ano do 3º ciclo decorre sem incidentes - ao contrário de anos anteriores que até pensei em apresentar queixa nas autoridades policiais - e elas têm notas fantásticas. Ao longo destes anos de apoio e presença da mãe, aprenderam a saber como desenvolver hábitos e métodos de estudo autónomos e hoje só precisam de mim para lhes encontrar testes ou fichas ou exames de treino.
À semelhança do ano passado, não correu nafda mal. Dentro do possível, houve saúde, tivemos trabalho, mantemos os nossos empregos, a situação financeira é estável, conseguimos cumprir as metas a que nos propomos todos os janeiros. Continuamos uma família unida, segura e sólida. E não há nada de que me orgulhe mais. Todo o ano.
Agora é deixar vir 2022 e desejar que nunca pior ;)

 

 

 

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publicado às 10:24

Boas Festas 2021!

por t2para4, em 21.12.21
Começámos a fazer postais de Natal com as piolhas no ano em que nasceram. Nos seus dois primeiros natais ainda eram fotos oferecidas à família, depois passaram a ser postais elaborados por elas, cada ano melhor que o anterior, com mais detalhes, mais cor, mais significado, mais mensagem. É a nossa tradição de Natal mais antiga, em família, e da qual não abdicamos e elas próprias adoram fazer.
Assim, nas festas de 2021, este é o postal do nosso T2 para todos.
"Então... é Natal!
Celebremos a vida, brindemos às conquistas e cubramo-nos de esperança!"
 

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publicado às 09:53

Hoje somo 41

por t2para4, em 01.10.21

Gosto de fazer anos.
Gosto de ir somando os anos e de festejar mais um aniversário.
Gosto de pesquisar imagens de bolos e de escolher decorações, recheios e sabores.
Gosto de receber prendas, telefonemas, mensagens.
Gosto de sol no meu dia de anos.
Gosto de dias pacatos, sem chatices e sem complicações.
Gosto de refeições simples com a família e de cantar "parabéns a você".
Gosto do arroz-doce da bivó a acompanhar o bolo de aniversário.
Gosto de balões, bandeirolas, fitinhas, guirlandas e decorações em geral.
Gosto das coisas simples, com sentimento.
Gosto de fazer anos.
E, este ano, somo 41.

 

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publicado às 10:29

Feliz dia da mãe!

por t2para4, em 02.05.21

Um feliz dia para todas aquelas que perderam o nome próprio e ganharam um novo no momento em que apareceu um risco extra no pauzinho.
Se tiverem muita sorte, deixam de ser apenas "mãe" para passarem a ser "mãe das gémeas" ou algo assim do género.
É assim há 13 anos. Não o trocaria por nada (embora, às vezes, gostasse de ouvir o meu nome corretamente, vá. Não me parece que a Conservatória do Registo Civil aceite "mãe" como nome próprio - mesmo que o seja...)

Bónus: imagem do momento em que ambas tagarelavam sobre o assunto, já às 12 semanas. Isto já foi tudo combinado com muita antecedência, obviamente, não nos iludamos.

 

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publicado às 00:00

Já somos vintage

por t2para4, em 02.04.21

Conversas em viagens de combóio, leituras, amizades em comum. Um desespero com lágrimas porque risquei um carro com o espelho do carro da minha mãe, ao ser perfecionista demais para o estacionar. Um pagode na resposta dele porque já entrara uma escada pelo carro da mãe adentro. Uma amiga de infância de um e amiga de faculdade de outro, mas uma amiga para a vida, ali a ver que estava a passar-se algo. Horários de idas e vindas para a faculdade combinadas. Ele da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra, ela da Faculdade de Letras - o engraçado era ser ali que ele passava mais tempo. Idas ao cinema para aproveitar que se estava em Coimbra, baldas às aulas mais chatas onde não passava o papel das assinaturas. Histórias de encantar pelo meio com misturas de sonetos de "Sonho de uma noite de verão" de Shakespeare. Papel de carta com joaninhas nos envelopes. Horas de espera comigo para fazer uma simples matrícula no Palácio dos Grilos. Decisões que se foram tomando sem nos apercebermos ("se calhar, estudar e trabalhar nem é muito complicado. Aqueles seguranças ali não me parecem qu etenham uma vida complicada"). Um traje vestido anos depois só para fazer a vontade dela para as fotografias e cortejos de Queima das Fitas sui generis. Pequenos arranjos num computador que foi mais caro do que alguns carros que já comprámos. Esperas melosas entre aulas nos bancos dos corredores do São Jerónimo, no Jardim Botânico, no Parque, nos Departamentos de Física e Química, no novíssimo a estrear Polo II para onde se apanhava o autocarro (hoje é o 38 mas, na altura, ia jurar que era o 32). Idas às urgências dos HUC por causa de pequenas maleitas que surgiam durante o dia de aulas. Muitas ideias empreendedoras e de como começar uma vida. Planos a longo prazo. Casar, por que não? Um anel lindo. A idealização de compra de casa. A concretização de compra de casa.


Divido a minha vida em a.M. e d.M - antes do M. e depois do M. E é uma vida feliz, apesar de tudo. Tudo começou há 20 anos. Não mudaria nada. Talvez antecipasse uma vida conjunta. O meu d.M. tem sido uma viagem fantástica na qual não me arrependo de embarcar, nem por um minuto.

 

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publicado às 11:18

O nosso postal de Natal - 2020

por t2para4, em 22.12.20

É aquela altura do ano.
É aquela altura de colocar na lareira as nossas tradições familiares mais antigas - os postais elaborados, desenhados e coloridos pela Ester e Beatriz.
É aquela altura de imprimir, cortar na guilhotina, escrever e enviar por correio. Ou colocar dentro do saco das prendas. Ou enviar via messenger para todos.
É aquela altura do ano de partilhar o postal de Natal de 2020 da família do t2para4.
É aquela altura do ano em que desejamos umas festas felizes, plenas e iluminadas.

 

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publicado às 09:45

 

Aproximamo-nos aceleradamente daquela fase em que, em anos ditos típicos, começaria a loucura dos jantares e das festas e das celebrações - escolares ou não - de Natal.
Este ano, esta mãe horrível e sem princípios, regozija-se de NÃO haver festas, festinhas, celebrações, celebraçõezinhas, jantares, jantarinhos de Natal com trocas mais ou menos simbólicas de prendas e prendinhas, a cujos eventos "temos" de ir porque fica bem, parece bem e cai bem. E temos de usar uns modelitos vestuários que não combinam nada com o tempo atmosférico e eu ando sempre com frio. Ou fico quentinha ou fico sexy, as duas não dá.

Eventos sociais que eu de-tes-to.

Este ano, pela primeira vez, não preciso de justificar por escrito pela enésima vez que as piolhas não participam nestas coisas porque têm desregulação sensorial, porque são dias confusos e sem rotinas, porque há demasiada confusão. E ter de fazer uma mini palestra sobre autismo porque "não parece nada, elas andam tão bem na escola".
Este ano não há nada para ninguém e eu não estou absolutamente nada triste com isso. Na verdade, sou até gaja para brindar a isso.

 

 
 
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publicado às 10:11

13 anos já cá c(o)antam!

por t2para4, em 27.07.20

Não vou demorar muito no relato, prometo, mas hoje, volvidos 13 anos, sinto que os clichés e frases feitas "o tempo passa a voar", " eles crescem tão depressa" são verdade.

Depois de muitos internamentos e tratamentos, na 6ª feira, dia 27 de julho de 2007, por volta das 11h, a médica manda-me para o bloco de partos para cesariana - a tal que estava programada para daí a 2 semanas e já antes do tempo devido - depois de perceber que já estavam masi que prontas para nascer e saber se havia vagas nas incubadoras (foi uma confusão tal que até meteu INEM), o que acabou por não ser preciso. Já estava a dieta 0 desde a véspera.


No bloco, a equipa de enfermeiros apresentou-se e tentou acalmar-me (estava um bocadinho nervosa e ansiosa por conhecer os meus bebés, ver as carinhas delas...) e começaram os preparativos. Havia música mas juro qu enão me lembro quem tocava... Os monitores e outros aparelhos não trabalhavam em Windows e eu até brinquei a dizer que, pelo menos, dali não viriam crashes. Entretanto, chegam os anestesistas que me perguntam se queria fazer a cesariana (estavam ambas em pélvica) com anestesia geral ou com epidural mas eu não fazia ideia! Expliquei-lhes que só tinha 2 exigências: não sentir dor alguma e que a gémea da minha esquerda era E. e a da minha direita a B. (escreveram os nomes nas pulseiritas que nos colocaram mal nasceram. E eu reforcei estas exigências umas quantas vezes!!! Eu já sabia bem quem era quem e nem as muitas mudanças de posições me enganaram, embora, deva confessar que, depois de nascerem, em casa, com privação do sono e cólicas, desconfiamos que possa eventualmente ter havido uma troca. Mas, assim como assim, o ADN é igual por isso, olhem paciência). Bem, o anestesista explicou-me que, em termos de recuperação, com epidural era muito mais rápida e que não havia interferência alguma com os bebés enquanto que a anestesia geral já comporta mais riscos a nível de reacções alérgicas, complicações cardíacas e recuperação mais lenta. Perguntei o que seria melhor para os bebés e ele respondeu-me que seria a epidural e eu decidi que o que era bom para elas, seria bom para mim.


O parto em si não custou nada (o pós-parto é que é todo um rosário diferente) e a sensação que eu tinha era que estava no dentista: sentia remexer e repuxar como se me estivessem a arrancar um dente mas na barriga. Tudo tranquilo! A certa altura, ouvi o aspirar de águas e a médica a perguntar-me o nome da 1ª gémea, a da minha esquerda, que nasceu às 12h46, com 2,430 kg, muito despachada. Não há palavras que descrevam o que senti nesse minuto... Eu queria tanto tanto tanto vê-la e pegá-la mas a enfermeira disse-me que a primeira pessoa a ver os bebés era sempre o pediatra (ainda não decidi se concordo muito com esta prioridade pois só pude pegar nas minhas bebés horas depois. Também não sei se concordo com cada bebé no seu berço mas, pronto, já lá vai e não se repete). Dois minutos depois nasce a 2º gémea com o mesmo peso da mana, 2,430 kg... e volta a sensação indescritível. Mostraram-me as meninas mais bonitas do mundo e, mais uma vez, nada descreve o que se senti no momento... É algo tão arrebatador, tão pleno, tão inundante de amor, que parece que vai rebentar o meu coração. Porra, agora era a sério! Íamos ser pais!!!!! No entanto, confesso mais uma vez que os nosso olhos (e cabeça) reparam em pormenores estranhos e eu questionei o porquê de ainda haver algum lanugo nas orelhitas a que me explicaram que estava associado à prematuridade, afinal, nasceram às 35s+5d. O pai viu-as pouquinho depois e deu logo colinho a uma de enquanto a avó C. deu colinho à outra. No intervalo, ainda tive uma dor de cabeça doida que passou em menos de um ápice com uma medicação milagrosa e o monitor decidiu apitar feito parvo só porque sim.

Descobrimos ambos medos que julgávamos não serem possíveis existir, descobrimos que é possível dois seres minúsculos nos ensinarem mais que um mestre, que o amor pode muito bem ser verdadeiro/repleto/sincero/indescritível, descobrimos forças que nem sabíamos possuir e descobrimos que sou definitivamente uma mãe ursa mas sem a parte boa do hibernar, parir na caverna sem dor e ficar 3 meses ao quente e só sair quando as crias já têm alguma autonomia.

Estas miúdas trazem luz, brilho e felicidade às nossas vidas todos os dias. Objetivo: serem felizes. Sempre.
Parabéns, já cá c(o)antam 13 anos.

 

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publicado às 08:45

A nós, ontem, hoje e amanhã

por t2para4, em 02.04.20

Somos de datas e datinhas, celebrações e comemorações, assinaladas ou não no calendário. Celebramos até o aniversário dos gatos (que também é hoje), assinalamos dias que nos tocam especialmente (hoje, coincidentemente, é dia mundial da conscientização do autismo), comemoramos os nossos dias. E, há 19 anos, começámos um caminho que encheu toda a gente de dúvidas e que todos viam demasiado atribulado. Mas mantivemo-nos fiéis a nós mesmos, com os nossos ideais e valores quase retrógrados e desatualizados neste mundo desconfiado e fomos ajustando o nosso caminho. Nem sempre o seguimos a direito, nem sempre as indicações de um qualquer GPS foram as mais corretas, mas, juntos adaptámo-nos e nunca desistimos. E ainda cá estamos. Começámos um namoro tímido, quase envergonhado, em 2001, e evoluímos para uma vida a dois que depois se tornou uma vida a quatro, assim de repente. Temos algo seguro, sólido, forte, quase inabalável.
Não mudaria nada.
Somos felizes à nossa maneira tola mas verdadeira. Completamo-nos.
A nós, ontem, hoje e amanhã.

 

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publicado às 16:46

Postal de Natal 2019

por t2para4, em 16.12.19

"Uma coisa amorosa do Natal é que é obrigatório, como uma tempestade, e passamos por isso juntos:"
(Garrison Keillor)

 

Como não podia deixar de ser, eis o nosso postal de Natal de oficial para 2019.
Não precisamos de dizer nada pois está lá tudo: a luz, os sentimentos, a cor, a união.
É o nosso desejo para todos.

 

 

 

 

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publicado às 22:00

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