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Era uma vez um espectro...

por t2para4, em 11.12.18

Imaginemos um espectro de cores, tipo anúncio da Nós, estão a ver coisa, certo? Atente-se, agora, na variedade de tons e sobretons e nuances e misturas e luzes desse mesmo espectro. Tudo muito parecido assim de repente e à primeira vista, certo? Errado. Muito errado. Tal como, na informática, cada cor e tom e sobretom e nunce tem um código único, no espectro de cores também todas elas são únicas e diferentes embora extremamente semelhantes.



As piolhas são duas cores desse espectro de luz. Quase iguais mas diferentes, ali uma nuance de diferença.

 



Agora vamos falar de outro espectro, que não o de luz nem o do Harry Potter: o espectro do autismo. Voilà. Dá para perceber a metáfora que fiz à pressão?

 



Há autistas que procuram estímulos, que se dão bem em ambientes fechados e que adoram festas; há autistas a quem o mínimo som um décibel acima já provoca uma sobrecarga sensorial; há autistas que toleram festas e concertos ao ar livre de dia; há os que toleram isso em ambientes fechados. Tal como nós - os neurotípicos (sim, há um rótulo também para os não-autistas, ou pensavam que era só dar rótulos aos outros?) - toleramos e aguentamos determinadas situações melhor do que outras.

 



As piolhas não gostam de cinema - sim, já foram ao cinema e até já viram filmes 3D -, não toleram música em espaços fechados (o seu comportamento adaptativo passa a disruptivo em menos de um nada), não aguentam a confusão nem os sons ou luzes de um espetáculo ou jogo dentro de um pavilhão gimnodesportivo. Toleram minimamente festas ou eventos e até multidões em ambientes abertos longe das colunas de som (fomos à Volvo Ocean Race em Algés e correu lindamente mas evitámos as colunas e os amontoados de pessoas em espaços pequenos).

 



Não sou eu quem impede as piolhas de irem a uma visita de estudo ou a um espetáculo ou a um concerto; são elas que não querem ir porque sabem o quanto lhes custa. Elas nem sequer participam no espetáculo da escola de música e estão incríveis na bateria...



Enquanto elas não quiserem nem aguentarem nem souberem como reagir, eu não vou forçar a nada e serei a chata de serviço. Temos pena. O que os outros vêm são duas crianças aparentemente perfeitamente normais mas que começam a abanar-se ou a gritar ou a tapar os ouvidos ou a arrancar cabelo ou a morder-se e, esses mesmos outros, vão achar, seguramente, que elas estão a fazer uma birra ou a ser mal-educadas porque, vá lá, até já são tão crescidas...



Eu sei o que tenho em casa e, em caso de sobrecarga sensorial ou disrupção comportamental, no final do dia, quem tem que saber gerir tudo isso, sou eu e o pai.

E não temos ninguém para nos auxiliar ou até compreender sem desvalorizar.



 



 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:38


Estamos na época dos Pais Natal e dos elfos e das renas.



As piolhas nunca acharam piadinha nenhuma ao Pai Natal embora adorassem a ideia romantizada do Pai Natal a quem se escreve perguntando como está e pede prendas bem como segui-lo no dia 24 de dezembro pelo Google Track. A figura humana e real do Pai Natal assustava-as tremendamente e nunca quiseram estar por perto de uma. Nós nunca nos opusemos a isso e nunca forçámos, claro (além de que, aqui para nós - e não me batam, se faz favor -, a ideia de confiar as minhas filhas ao colo de um desconhecido, nunca me agradou assim tanto...).



Com o passar dos anos, a imagem humana do Pai Natal deixou de provocar medo e choro. Quando algum acena, elas escondem-se atrás de nós e acham aquilo estranhíssimo "por que está a meter-se connosco?". Esta semana, num centro comercial, um acenou-lhes e elas tiveram uma reação à adolescente: sobrancelha levantada e ar estupefacto do género "mas ele não vê que já somos demasiado crescidas?".

 



Hoje recebemos uma mensagem a informar da chegada do Pai Natal aos Paços do Concelho e a convidar para assistir e ir à animação nas várias ruas,  mas, além de estar assoberbada de trabalho e não conseguir sair, elas avisaram logo que não queriam ir. E ainda bem. Vi algumas fotos e tinham cabeçudos, algo que também sempre lhes provocou muita confusão e algum pavor...

 



Para elas, o Pai Natal faz parte de um imaginário mágico, de um mundo de fantasia que não deve ser posto no real porque esse real assusta-as. E eu não me importo nada. Vamos deixar o Pai Natal nesse plano imaginário, mágico, irreal, fantástico. Aí ele consegue fazê-las felizes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:30

Um dia com muitos dias...

por t2para4, em 01.10.18

Neste dia, a 1 de outubro…

 

Há 2 anos, desmarquei todas as aulas e sessões de formação e decidi passar o dia com a família mais próxima. Bateram-me no meu carro estacionado de tal forma que um farolim saltou, os restantes partiram, a mala torceu e o para-choques partiu pelos encaixes. A seguradora reparou tudo e foi só mesmo a chatice.

 

Há 5 anos era selecionada para um bom horário, a dar aulas mesmo ao lado de casa. O critério de seleção que levou ao desempate entre mim e outra colega foi exatamente a data de nascimento (eu era mais velha, logo, tinha prioridade).

 

Há 7 anos, passámos a tarde na praia a saltitar de pocinha em pocinha, a levantar os vestidos porque estava um dia de sol lindíssimo e um mar de uma cor esmeralda irresistível. Foram as melhores horas que nos poderiam ter sido concedidas e foi maravilhoso. Um dos melhores dias que já tive.

 

Há 8 anos, saímos. Fomos até à praia, a uma zona de passadiços e passeámos. As piolhas petiscaram qualquer coisa no McDonald’s, a única forma de nos conseguirmos desenvencilhar a uma hora de refeição, fora de casa, como uma família dita “normal”. Não foi uma celebração ideal, mas foi soube pela vida.

 

Há 11 anos, passava o meu primeiro aniversário como mãe. Tinha dois seres minúsculos com apenas 3 meses de vida que dependiam totalmente de mim e era avassalador tanto como incrível e encantador. Não se fez nada de especial, mas as piolhas estrearam uma roupa nova pindérica nas horas que deixou de servir em menos de um nada.

 

Há 15 anos tinha o meu primeiro emprego, o primeiro dos únicos 3 horários completos que obtive em todos estes anos de trabalho/descontos e já me metia na lufa-lufa do que era procurar casa, escolher casa, comprar casa – o que acabou por acontecer mês e meio depois.

 

Há 20 anos, entrava na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Letras, na 2ª fase. Foi uma felicidade pegada. Não entrava no curso que inicialmente queria e pelo qual ansiara todo o meu secundário, mas sim num curso bilinguístico que acabou por ser a minha primeira escolha por seguir à toa o guia de candidatura, depois de ter ficado de fora na 1ª fase. E quis o destino que gostasse imenso e seguisse a vida educacional.

 

Há 30 anos aprendia a celebrar aniversários via telefone (o telefone da casa da vizinha) pois o FMI e o desemprego e uma subida absurda dos juros sobre os imóveis levaram o meu pai à emigração. Só voltei a saber o que era ter uma celebração cara a cara com a família toda há coisa de uns 5 anos.

 

Há 33 anos, entrava na escola primária para o que na altura se chamava de 1ª classe. E uma turma enorme com muitos meninos e meninas cantou-me logo os “parabéns a você”, na mesma sala, onde uma geração depois, 28 anos depois, as piolhas foram ter as suas primeiras aulas do que agora se chama 1º ano.

 

Há 38 anos, a minha mãe, farta de uma gravidez de barriga proeminente e pernas de bebé até ao pescoço, no exato timing previsto pelos médicos da maternidade, inicia o mês de outubro com uma das maiores e mais complicadas aventuras da sua vida.

Há 38 anos, eu nascia.

 

 

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publicado às 00:05

Oh meu rico São João

por t2para4, em 24.06.18

Foram anos a fugir ao São João e às suas celebrações. Ou passávamos as festas entre portas, com tudo fechado para não se ouvir nadinha (abençoados vidros duplos) ou íamos para longe (no ano passado, estávamos por esta altura em Espanha... ai saudade). O que nos levou a este comportamento foi tão doloroso que, mesmo sem o dizermos em voz alta, acabámos por desistir... Podem ler tudo aqui. Foi em 2012. No ano seguinte, ficámos em casa mas a avó e a tia lá fizeram um milagre acontecer e conseguiram pôr as piolhas a andar de carrossel (de tarde, claro, com a feira vazia...)

 

Este ano, depois de muitas discussões e avisos sérios da minha parte em relação ao comportamento de férias, informei que, tal como habitualmente e independentemente do meu cansaço, onde eu e o pai fossemos, as piolhas iriam também e ponto final na discussão. Assim sendo, "meninas, amanhã vamos ao São João. À noite. E não quero ouvir mais nada."

Fomos à praia de manhã, almoçámos fora, voltámos à praia para brincar na areia até estar demasiado vento para lá estarmos. Viemos para "casa" ver se o recinto da feira estaria aberto e ir aos carrinhos de choque. Não estava, logo, decidiu-se, entre os quatro, que o faríamos no final de jantar, quando ainda não houvesse muita gente por lá. 

Jantámos e, por volta das 20h45, estávamos a sair de casa, a pé, super confortáveis e eu de mochila pronta para todas as ocasiões e imprevistos. As piolhas confessaram-se ansiosas mas dissemos que era como se fosse um dia normal mas mais longo porque estávamos na noite mais curta do ano e haveria luz até mais tarde, que não haveria horários e poderiam deitar-se muito tarde e levantar-se muito tarde (spoiler: levantaram-se às 7h30).

 

No caminho até ao recinto da feira, o que mais surpreendeu as piolhas foi terem encontrado imensos colegas de escola. O choque foi tal que, a certa altura, uma delas, dizia que queria sair à noite com os amigos e perguntou-nos se podíamos ir ao bairro das tasquinhas (onde basicamente se enfiam em duas ruas estreitinhas toda a nossa localidade e concelhos vizinhos). 

 

A noite foi incrível. Conseguimos empoleirá-las num muro a ver as marchas populares, com vista de camarote; conseguimos andar nos carrinhos de choque e passear pelo recinto da feira sem confusões; encontrámos imensa gente conhecida e até pediram para tirar fotos com um manjerico iluminado gigante de fundo. No final, antes da invasão saudável e da folia do pessoal, fomos às tais ruas estreitinhas ver o ambiente e sentir o cheiro a sardinha assada e bifanas. Ainda vivemos um momento caricato no caminho: uma senhora sozinha ia à nossa frente a caminho do bairro das tasquinhas e o grupo dessa senhora (aí dos seus 70 anos) vinha atrás de nós. De repente, ela avista uma tasquinha, pára e pergunta para o ar: "Queres sardinhas?". Uma das piolhas, que vinha diretamente atrás da senhora, responde "Não obrigada, não somos grande fã de peixe." Não sei se a senhora ouviu mas eu achei o máximo. Depois lá lhe explicámos que a senhora estava a dirigir-se ao grupo dela, atrás de nós; ela não nos conhecia de lado nenhum para estar a perguntar por sardinhas...

 

O comportamento das piolhas foi de tal forma incrível que vínhamos felizes e extasiados para casa. É certo que chegámos a casa pela meia-noite qual Cinderela (mas toda a gente de sapatilhas nos pés, ninguém perdeu nada), é certo que ainda ouvimos muitos mimimimimi e muitos "que horas são" e muitos "tenho sono, estou sonolenta" mas aguentaram e usufruíram e verificaram que conseguem fazer o que fazem muitos muitos outros conhecidos - os amiguinhos incluídos. E que felizes elas ficavam quando encontravam algum e as cumprimentavam. 

 

Pasito a pasito, um de cada vez, conseguimos. Hoje estão um pouco descompensadas mas já o esperava. Não se pode ter tudo. Mas nada que se compare ao que vivemos há 6 anos. Nada mesmo. Parecem - e nós igual - outras pessoas. 

Hoje estou histericamente feliz. Com disse uma amiga "Devagar, devagarinho, se vai ao longe. Eh pá, já vos perdi de vista". E eu não poderia estar mais grata por isso.

 

 

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publicado às 15:43

2017 em retrospetiva

por t2para4, em 30.12.17

Foi um ano generoso para connosco.

Estivemos quase sempre bem de saúde, fiquei colocada na mesma escola do ano letivo anterior, não houve confusão com a atribuição de terapias para as piolhas, conseguimos ultrapassar os problemas que surgiram lá para meio do ano, passámos dois fins de semana fora, revisitámos a nossa adorada Sintra e até fomos a Espanha.

As piolhas começaram a aprender bateria, a pedido. E continuam a adorar, cada vez mais.

Deu-se a entrada das piolhas no 2º ciclo e tem sido uma agradável e fantástica surpresa.

Viajámos q.b. e visitámos áreas de serra a perder de vista onde não havia qualquer contacto com o mundo digital e chorámos quando o fogo dizimou exatamente uma semana depois, perdemos noites de sono em vigília a (tentar) proteger as nossas posses.

Vivemos novas experiências e as piolhas passaram a poder andar no banco da frente nos carros. 

Cuidámos de nós e dos outros, crescemos muito, errámos e aprendemos muito, vivemos, amámos, desiludimo-nos e voltámos a seguir em frente. 

Apesar de algumas adversidades, erguemos as nossas taças e brindamos a um bom ano. E desejamos que o novo ano seja igualmente bom ou ainda melhor. 

 

 

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 (em caso de curiosidade, estas fotos são de locais tão diversos como serra da Lousã, Góis, Figueira da Foz, Lisboa, Sintra, Santiago de Compostela, Pedrogão Grande e Constância)

 

Um excelente ano para todos. Basta acreditar e desejar muito. 

 

 

 

 

 

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publicado às 12:46

Carta ao Pai Natal - a resposta

por t2para4, em 19.12.17

Acreditar no Pai Natal é, na minha opinião, mágico. E custa-me fazer o papel de assassina de sonhos e matar a ideia romântica e mágica em torno desta figura. As piolhas já não acreditam na Fada dos Dentes e nunca foram muito fãs do Coelho da Páscoa. Mas o Pai Natal é outra história... Sabem que o Natal é a celebração do nascimento de Jesus e que os pais natal que vêem pelos centros comerciais e afins são pessoas normalíssimas disfarçadas e recusam-se terminantemente em ir para perto deles, quanto mais sentar no colo a pedir seja o que for.


Neste momento, com 10 anos, a crença no Pai Natal está a começar a sofrer algumas transformações mas, pelo sim pelo não, pediram para escrever uma carta ao Pai Natal no início de dezembro para que fosse enviada a tempo. Avisei que deveriam ser simpátiicas e perguntar como ele se sente e não disparar pedidos exorbitantes. As piolhas até são umas queridas e perguntaram muito pela oficina e até pelos elfos e o que pediram não foi nada de surreal. No entanto, não receberão parte dos pedidos porque decidimos - nós pais - não oferecer mais brinquedos. Claro que receberão brinquedos, afinal, aos 10 anos, apesar de pré-adolescentes, ainda são crianças e gostam (e devem!) brincar. Os avós e tia encarregar-se-ão dessa área.


Como já o fiz num destes últimos anos, este ano, encontrei uma frame maravilhosa na net e decidi escrever uma resposta em nome do Pai Natal, dirigida às piolhas. Acho que vai ser o delírio. É um pequeno nada mas que adiciona só mais um pozinho mágico nesta época.

 

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Estou desejosa de lhes entregar a carta - que porei no correio, com carimbo e tudo - e de ver os olhinhos delas a brilhar. Esta sim é a verdadeira magia, seja no Natal ou noutra altura qualquer.

Experimentem. É fantástico ver os nossos piolhitos com uma carta que lhes é dirigida. Eles adoram.

 

 

 

 

 

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publicado às 09:51

Em preparativos

por t2para4, em 17.07.17

Eu sei que ainda falta pouco mais de uma semana para o aniversário das piolhas mas, hei!, passa a voar!!! E são dez anos - dez!!!!!!! Uma dé-ca-da!!!!!!!!

 

Cá ando nas minhas pesquisas pois, este ano, no ATL, a celebração com os coleguinhas de sempre terá como tema "gatos". Ora, conheço uma gatinha fantástica que fará as delícias das piolhas (e as minhas!) - e não, não é a Hello Kitty, já passámos essa fase.

O que já tenho pronto? A moldura - e porque não fui eu quem a fez... Estamos bem, não é? Mas cá me arranjo: falta apenas fazer a pinata, encomendar os bolos com a imagem que quero e fazer a gata para colocar na moldura para as fotos.

Comecei há pouco, por aqui. E, entretanto, distraí-me...

 

 

 

 

Já deu para perceber que vai ficar fantástico, não vai? Adooooramos aquela gatinha...

"we think you oughta, no you really gotta see the bright side of the dark side"... 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:37

O pai

por t2para4, em 19.03.17

O pai é a versão masculina da mãe mas em versão menos acelerada e mais ponderada.

 

 

O pai do t2 é, também ele, um pilar. E é muito mais divertido e muito menos falador que a mãe. E não fala tão alto (mas, a bem dizer, não sofre do mal da profissão da mãe). 

 

O pai é hoje aquilo que ele mostra ser todos os dias, com a diferença de que, num qualquer calendário se decidiu assinalar o dia 19, dia de S. José, como dia do pai. E eu até nem me importo.

 

O pai não vai sofrer revezes comerciais hoje: vai ter a nossa visita no seu local de trabalho, muitas prendinhas homemade and DIY e muitas surpresas docinhas.

 

O pai do t2, mesmo que diga o contrário, mesmo que fizesse algo totalmente diferente numa viagem ao passado, nasceu para ser pai. E fá-lo o melhor que sabe, sem livro de instruções e sem conselhos de quem já foi pai.

 

O pai foi o primeiro amor das piolhas e era com ele que queriam casar, de tutu cor de rosa enfiado na cabeça como um véu e bouquet de poneis a fazer de flores.

 

O pai será sempre um dos homens da vida das piolhas - mesmo quando encontrarem o homem das suas vidas - num lugar inalcançável, num pedestal, num trono.

 

O pai será sempre o protetor incançável e insubstituível das piolhas.

 

Aos olhos e no coração do pai, as piolhas serão sempre as meninas do papá.

 

O pai é O pai e mais nada. 

 

 

 

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publicado às 11:09

O Carnaval das piolhas 2017

por t2para4, em 28.02.17

Não somos grandes celebradores do Carnaval e, até já o tinha dito aqui, há uns anos, só comecei a dar-lhe alguma importância quando as piolhas já eram toddlers e estavam na creche. E, à exceção dos seus primeiros dois anos em que, de facto, comprei roupinhas a preços de achado, daí em diante, fui sempre fazendo e conjugando coisas para lhes dar um ar festivo e carnavalesco na 6ª feira anterior à Terça-feira Gorda.

Então, recapitulando:

- em 2011, foram umas simpáticas joaninhas (as tais do fatinho que durou uns 2 ou 3 anos, até não caberem mesmo dentro dele)

- em 2012, foram Doras, as exploradoras (viva o improviso, já que foi uma altura particularmente complicada; também voltaram a ser joaninhas)

- em 2013, foram umas fadinhas rosa (nada de especial apenas um conjunto de asas, varinha de condão e antenas pindéricas  com roupa cor de rosa normalíssima, pois, foi - again - uma altura complicada)

- em 2014, foram trabalhadoras alusivas aos poneis (nem quero acreditar que foi o 1º ano delas na escola... Tema profissões antigas que, com algum engenho, lá consegui misturar com as profissões dos poneis de My Little Pony)

- em 2015 e 2016, foram de Equestria Girls (com a totalidade dos acessórios feita em casa mais alguma roupa normal a compor a coisa. Adoraram e seria mais um ano a repetir mas enough is enough)

 

Então, para este ano, 2017, após muito pensar e sem grande tempo para me dedicar a projetos DIY, as piolhas lá se decidiram pela Marinette que tem a Miraculous Ladybug por alter-ego. Para tal, foi fácil decidir o que fazer e onde arranjar o que faltava. Assim, em casa, no roupeiro das piolhas já tínhamos as leggings, as camisolas (polares que aqui faz frio), os casacos cintados (apesar de terem cores diferentes do da personagem), sapatilhas (está demasiado frio para sabrinas), as carteirinhas rosa a tira-colo.

Do que precisei:

- mascarilha, que comprei no Espaço Criança por 1,25€ e depois pintei com as cores e manchas da LadyBug

- perucas azuis (daquele tom de azul Marinette) que comprei numa loja chinesa, por 3 euros (e que, depois de fazer os puxinhos e atar com fita vermelha, cortei a jeito)

- fita vermelha já tinha, de outros trabalhos

- feltro e linha de atar chouriços, que também já tinha de outros trabalhos, para fazer uma Tikki (o amuleto vivo, por assim dizer, da Marinette e que a transforma em LadyBug)

 

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 (apesar de eu achar que elas ficaram um pouco estranhas - sinistras, vá, por causa dos olhos -, as piolhas disseram que estavam fofinhas)

 

E o resultado final, que já tinha partilhado no Facebook do blog, ficou bem melhor do que eu inicialmente imaginara. Tudo se arranja, com alguma imaginação e boa vontade. As piolhas ficaram felizes e eu também, por vâ-las felizes.

 

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publicado às 17:22

Pequenos grandes gestos

por t2para4, em 15.02.17

No dia em que se diz celebrar o amor, por excelência, há apenas a constatação do que se vem vivendo nos restantes dias do ano, sem festividade associada. Não saímos, não jantámos fora, não fomos passear. Estivemos - os 4 - a trabalhar. E o dia começou bem cedo, ainda antes das 7h, com as piolhas bem despertas pelos seus próprios relógios biológicos tão ajustados aos seus desejos quanto elas querem (sim, se decidirem acordar às 6h30, elas conseguem. Sem qualquer tipo de despertador. Aí está algo que poderão ensinar-me, um dia destes...). Começou com passinhos miúdos no chão, com vozes murmuradas de "hoje é dia de São Valentim" e "o pai está cá?" (às vezes, o pai faz o turno da noite e só chega de manhã) e ainda "o pai e a mãe têm de estar juntinhos para desejar feliz dia de São Valentim". E nós a distribuirmos milhentas bejocas matinais, tão boas, os 4 no miminho bom. 

 

E, de tanta coisa que fiz e falei - e ainda estou em fase de realização - com os alunos acerca dos afetos, continuo a fazer notar - a nós e aos outros - a importância das pequenas coisas que, todas juntas, fazem muito. E quando digo pequenas coisas, são mesmo pequenas coisas, que, independentemente dos dias, podemos fazer sempre que nos apeteça. Em casa, além de um postalinho pindérico todo meloso que adore no computador (deu nas vistas pois o portátil estava fechado e eu nunca o deixo fechado), tinha a casa arrumada e o marido estava a passar a ferro - um alívio de trabalho acrescido para o resto da semana em que estou cheia de aulas e consultas. A minha retribuição melosa foram umas garrafinhas de Sumersby e um arrozinho malandro com moelas. As piolhas não receberam prendinhas da escola ou assim (receberam um caderno de desenho da nossa parte) e estavam, todas airosas, a descansar na sala - gazetando, mais uma vez, a ida à piscina -, depois de dois dias de fichas de avaliação e muitas horas de estudo e trabalho. E o melhor de tudo é, à medida que vamos conversando e que vamos passando o dia, haver ainda mais pequeninas coisas que nos deixam de sorriso bom. Afetos, carinho, amizade, cumplicidade, amor, sim. Também mas não só.

 

Uma piolha decidiu escrever um bilhetinho de carinho ao avô. E até pediu ajuda à tarefeira para fazer um envelope e poder guardá-lo em segurança, sem se amassar. Quando nos contou que iria aguardar até setembro para oferecer o bilhete ao avô (altura em que regressa a Portugal), perguntei o que ela achava de lhe enviar amanhã, por correio. Fez-lhe um pouco de confusão ter que escrever uma morada em língua estrangeira - que não o inglês - mas já temos correio para despachar amanhã e, certamente, um sorriso muito feliz na cara do avô quando o receber.

 

O dia acabou um pouco mais tarde do que eu previra, depois de nos termos enroscado no sofá a ver "A Bela e o Monstro" (e eu a estranhar pois sou do tempo do lançamento em VHS, em versão brasileira; posteriormente, já com piolhas bebés, a versão originbal em inglês, pelo que, a versão portuguesa é, para mim, uma novidade. E, para que conste, não há nada de errado com a minha noção temporal, os anos 90 foram mesmo há 10 anos, ok? Sim, porque eu lembro-me que foi no ano em que abriu o CoimbraShopping e o Continente, local onde comprei a cassete. Portanto, dizia eu, há pouco mais de 10 anos.).

 

A felicidade está mesmo nas coisas simples, no bem que podemos fazer uns aos outros, no que sentimos quando estamos felizes. E, ainda que em dias negros, amaldiçoemos o termos que nos contentar com as "pequenas coisas", a verdade é que, ninguém as valoriza como nós - nós e alguém como nós.

 

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publicado às 23:39

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