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As mães também ficam doentes

por t2para4, em 16.12.21

Fiquei sem a minha ferramenta de trabalho mais importante. Não posso substituí-la, nem pedir emprestado, nem arranjar outra. Fruto do tempo ou das -ites e -oses características desta altura, a verdade é que me faz muita falta. E sem ela não posso trabalhar.
Estou sem voz.
Consegui, sabe-se lá como, ter uma faringite vírica e uma laringite bacteriana, tudo num só, o que me deixa aqui as vias aéreas completamente feitas num 8. E escusam de vir as piadolas sem piada nenhuma "agora lá em casa é um sossego" como se lá em casa mais ninguém falasse 😕
Na impossibilidade de falar - e porque tenho indicações médicas para descanso absoluto da voz -, tive de encontrar outras formas de me expressar e comunicar. A quantidade de entraves é fenomenal. Desde usar gestos básicos, a sussurrar, a escrever no bloco de notas do telemóvel, o que notei, de um modo geral, apesar das estratégias diversificadas, foi pressa. Enquanto eu escrevia o que se passava, já tinha passado o momento... O que me levou a questionar várias vezes, ao longo destes dias, o que fará uma pessoa surda (profunda ou não) ou muda para se fazer entender. E como agem os seus interpelados.
Parece que tudo em catadupa: o nome que não é bem lido e sai errado, as indicações clínicas que já vão escritas mas precisam de ser repetidas mais vinte vezes nem sei bem porquê, o fazer a pergunta mas nem dar tempo de responder ou de seguir as indicações médicas, o pressuposto de que se somos professoras devíamos ter alguma especialização em saber como usar a voz sem ter voz, enfim. O que me voltou a despoletar as tais questões "como fará alguém que precise de comunicar efetivamente e não consegue se não dão tempo?". Acredito que se arranjaria uma solução e tudo se resolveria mas, às vezes, temo viver no país dos unicórnios.
Apesar da minha dificuldade em fazer-me entender (as máscaras não ajudam nada para se fazer leitura labial, por exemplo), considero que fui muito bem tratada e cuidada. Eu sei que há muitas queixas e muitos maus serviços mas também sei que há muito bons profissionais e pessoas incansáveis. E eu acredito que, apesar de doente, o nosso SNS ainda vai conseguindo fazer alguns pequenos milagres.
Afinal, as mães e as professoras também ficam doentes e precisam de algo com "poderes especiais" para ajudar. Eu ainda quero acreditar no nosso serviço de saúde. Agora é cuidar destas -ites e -oses.

 

 

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publicado às 18:02

Sempre assinalei o dia internacional da deficiência nas escolas por onde fui passando, contando histórias (em português ou em inglês), vendo apresentações ou discutindo ideias com o propósito principal de sensibilizar para a diferença e para a sua aceitação em sociedade.
Os alunos reagem bem a estas propostas e acabamos por descobrir diferenças entre nós, muitas delas invisíveis, e que, mesmo que condicionem as nossas vidas de alguma forma, lutamos para que o seu impacto seja o menor possível e consigamos ser incluídos e aceites como pessoas que somos, antes e acima de tudo.


Nas faixas etárias mais novas, uso sempre dois livros: "Uma lição de amor", da A mãe imperfeita e "Somos todos diferentes" de Emma Datson. Quer um quer outro vou traduzindo para adaptar à minha realidade escolar. No final, fazemos debates ou exercícios.
Para alunos mais velhos, começo por usar um powerpoint sobre as diferenças humanas entre os vários super-heróis do universo Marvel e DC e vou gradualmente trazendo essas diferenças humanas para a vida real, terminando com Fernando Pessoa, Stephen Hawking e Greta Thunberg. Depois, passo um curto vídeo com testemunhos reais, de quem tem sido a minha village nestes anos mais recentes, entre outros: a Tânia (O Mundo do Gonçalinho) e a Marta (Diário de uma pequena guerreira).
No final, depois de falar sucintamente da legislação inclusiva (o DL 54/2018, a Declaração de Salamanca, a própria Constituição da República), há uma breve reflexão privada sobre o assunto abordado.


"We can be heroes" tem sido aquilo que passa em looping na minha cabeça desde que apresentei, há 3 anos, na turma das piolhas, para que todos visse que há diferenças em todos nós, que todos somos divergentes e isso não é certo nem errado.
Não sei como reagirão mas desejo muito e com muita força que algo fique, algo toque nas suas almas e nas suas vidas e a verdadeira inclusão possa ser possível. E todos nós desempenhemos o nosso papel nesse caminho.

 

(posso partilhar o ppt, é só avisar)

Vídeo em:  https://www.facebook.com/t2para4/videos/1073681813463716

 

 

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publicado às 12:36

Incluir (toda) a diferença

por t2para4, em 05.09.20

Das muitas publicações que vamos fazendo, já devem ter percebido que eu, a autora A Família Neurodiversa e a autora do O Mundo do Gonçalinho vamos falando e discutindo temas variados. Há pouco tempo, surgiu em conversa a questão da discriminação e aceitação do que é “diferente” - seja ao nível de deficiência, género, cor da pele ou outros. Hoje, vamos as três lançar textos ao longo do dia (um por cada página).

Quando falamos em escola inclusiva e, por acréscimo sociedade inclusiva, a nossa tendência imediata é pensar em deficiência. E ainda bem pois significa que já estamos a chegar a algum lado na consciencialização para a diferença. No entanto, sob a capa da diferença cabem muitas outras coisas, desde etnia, religião, cultura, género, etc. E é de género que falo hoje. Mais especificamente de transgénero.
Vi recentemente um filme que me marcou. Abordava a questão do transgénero há anos atrás, numa altura em que ninguém falava do assunto e em que a marginalização era superior. Era um adolescente que sempre se sentiu diferente no corpo que lhe calhou biologicamente. E, por isso, por se recusar também a fingir ser alguém que não se sentia ser, assumia-se naturalmente. E isso trouxe imensos dissabores pois implicou mudança de escola devido a escalada dos episódios de bullying, mudança de morada por ameaças à sua integridade física, sentimentos muito difíceis de gerir devido ao não querer decionar a mãe mas querer ser o que sentia ser, entre outros.

Nos meus tempos de estudante, tive alguns colegas assim. Eram chamados de muitas coisas, sendo “exuberante” o mais simpático. As histórias que tentavam justificar os seus comportamentos eram do mais rocambolesco que se imagine. A escola não foi totalmente inclusiva para estes alunos. Quantas vezes foram vítimas de humilhação, de agressões... E eles, tal como os que seguem as regras sociais – seja lá o que isso for -, também têm direito ao seu lugar na sociedade. E liberdade de poderem escolher serem quem querem, serem quem se sentem ser. Por que isso incomoda tanto? Por que temos nós – ou outros – de achar que tal ou tal comportamento, tal ou tal convenção estão certas ou erradas? De novo, por que incomoda tanto que um rapaz queira ser uma rapariga ou vice-versa ou não se identifique com nenhum género?

Costumo dizer que a escola é uma sociedade em miniatura com as suas regras e grupos. Então, é aí que o respeito pela diferença, seja ela qual for, deve começar. As escolhas pessoais, os sentimentos profundos de uma pessoa só a ela lhe dizem respeito. Não temos que opinar sobre isso, em especial se não sabemos do que se trata.

Ostracizar, segregar, discriminar a diferença, seja ela qual for, não é ser-se inclusivo. E se a inclusão é palavra de ordem nos tempos que correm, todos devemos fazer a nossa parte.

 

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publicado às 09:01

Eu, tu, nós e os outros

por t2para4, em 13.08.19
 
Esta manhã fomos à piscina. Preço extremamente acessível; espaço cuidado, limpo, vigiado e aprazível; de manhã porque há bem menos confusão e fez menos calor.
A par connosco, e muito provavelmente, com a mesma linha de pensamento, estava um grupo de pessoas mais velhas. Uma parte do grupo preferiu ficar à sombra, nas cadeiras ou espreguiçadeiras, com as suas t-shirts vestidas mas a outra parte optou por ir para a água e curtir ao máximo. E que bem que estavam, pois, ouviam-se risos de pura felicidade, chapinhados contentes, fotografias para a posterioridade. E muita muita água!!! As senhoras sentavam-se, com a água a bater pela barriga, de olhos risonhos e boa disposição. Uma delas, tinha as unhas pintadas de vermelho e surpreendeu-me ficar tão bem a quem já tem uma certa idade e mãos rugosas. A outra continuava a divertir-se na água. O colega delas, já só de calções de banho, é que não partilhava do meso estado de espírito e preferia que o tivessem deixado no seu cantinho. Dava para ver que não estava nada confortável sem a t-shirt e que os pés descalços na borda da piscina deixavam perceber que a água não estava na temperatura mais desejada por ele… e repetiu muitas vezes quando o incitavam a entrar na água “Não quero!”. Voltou sozinho, com calma, para junto dos colegas que estavam à sombra – mas afastados da água.
Passado um pouco, fizeram uma pausa. Tal como nós – que aproveitámos para lanchar e apanhar sol nas espreguiçadeiras. E, depois, tal como nós, voltaram à carga com os passeios à beira da água e os chapinhados felizes dentro da piscina, a rir de felicidade e a entrar nas brincadeiras dos miúdos com a bola, a perguntar quando iam embora. E, tal como nós, não estavam propriamente sozinhos: eu vigiava as piolhas enquanto elas se divertiam mas à distância de uma corridinha rápida em caso de necessidade e sem nunca as perder de vista (aliás, a nossa máxima nestes espaços é mesmo “vão e ficam onde eu vos veja”) e duas mulheres mais jovens vigiavam este grupo de pessoas mais velhas. E dava para perceber, se ser necessário dizer por palavras, “vão só onde eu vos veja”. E eles estavam verdadeiramente felizes por estarem ali! Tal como nós e todos os outros! Uma manhã de sol, algum calor e água!
 
Se apenas lessem o que escrevi e não tivessem visto ou ouvido o que vimos ou ouvimos, nada vos diria que este grupo de pessoas mais velhas eram todos indivíduos com algum tipo de deficiência mais ou menos profunda. A maioria era, à primeira vista, criança dentro de um corpo de 50 ou 60 ou mais anos. Não houve, nem por um minuto, aquilo que podemos chamar de comportamento disruptivo (ao contrário da família que estava ao nosso lado que montou um circo e uma fanfarra tal que só me apetecia bater com um almanaque de educação nas trombas da gaja até ela começar a pedir “por favor”, “obrigada”, “com licença” e “desculpa” em 4 línguas estrangeiras), nem sequer dificuldade de acesso ao espaço ou ao usufruto do espaço. Fiquei genuinamente feliz por ver que estas pessoas estavam genuinamente felizes e bem cuidadas e ali connosco. E ninguém julgou, ninguém teve acessos de coitadinhice, ninguém ligou a nada disso porque eram apenas pessoas a aproveitar um dia de sol, na piscina. E isto, para mim que já passei por tantos olhares de esguelha e sussurros, é inclusão. Isto sim é, para mim, um exemplo de como deveria ser sempre.
 
Numa ótica muito minimalista e muito simplista, inclusão é, na minha modesta opinião, entre outras coisas, ter acesso aos mesmos espaços e serviços que os demais e usufruir dos mesmos espaços e momentos que os demais. Um exemplo concreto da nossa manhã: ir à piscina. Eu, nós, as minhas, eles, os outros. A aproveitar um dia de sol, algum calor e água, sem entraves nem parvoíces de terceiros.
 
 
 
 
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publicado às 14:59

A inclusão, ai , a inclusão.

por t2para4, em 16.01.17

É a panaceia que se quer atribuir aos atuais sistemas, sejam eles de saúde, educativo ou até social. Promover a inclusão, falar de inclusão, proporcionar meios de inclusão é muito discutido e fica bem em qualquer documento - principalmente em relatórios ou atas de reuniões escolares. É, assim, tipo, chique, sei lá.

 

Mas, vamos começar do início, sim?

Comecemos pela definição mais básica, aquela que qualquer dicionário conteria:

 

a.jpg

b.jpg

 

 (gosto particularmente, da origem "encerramento" - leia-se a ironia

 

Portanto, é basicamente aceitar, abranger, incorporar como se de uma receita se tratasse, do género, "agora inclua os ovos e mexa. Ta-da! É só levar a massa ao forno, et voilà, l'inclusion parfaite". 

 

 

Avancemos, agora, para um conceito do que é inclusão. Também é algo que fica bem num trabalho de secundário quando os alunos precisam de falar de algo muito abstrato e complicado e saem coisas assim:

http://conceitos.com/inclusao/

 

(inclusão por oposição a exclusão, nunca teria pensado nisso... Ironia, again)

 

Agora vejamos este artigo, na minha opinião, muito bem escrito e que mostra o lado perverso da inclusão tal como nos parece imposta nos dias que correm.

https://www.publico.pt/2014/03/17/sociedade/noticia/o-que-e-a-inclusao-1628577

 

 

E, agora, as minhas considerações:

De vez em quando, vou espreitar as piolhas à escola, nas horas do intervalo. E o que vejo são duas crianças perfeitamente incluídas na rede escolar e na turma. O que também vejo são duas crianças a passear sozinhas pelo recinto escolar porque não se sentem incluídas nas brincadeiras ou nas atividades dos colegas, embora estes as aceitem como são, ainda que com dificuldade em entender o patamar de desenvolvimento em que estão - uns e outros. A realidade é que, se, na sala de aula, as piolhas até podem estar mais à frente na compreensão imediata e direta dos conteúdos - esta é outra coisa que o nosso sistema gosta de perverter, como se o escolasticamente adquirido fosse alguma vez aplicável e aplicado no contexto da vida real sem sermos professores -, naqueles momentos de amostra real do que é a vida social, elas estão bem atrás dos colegas. Ainda não estão na fase parvinha mas normal das meninas apaixonadas pelos coleguinhas ou com conversas tolinhas mas normais sobre a família, as roupas, o drama que é ser-se criança nesta idade. E, honestamente, por muito que me doa vê-las sozinhas naquela escola enorme - e que seria o mesmo numa escola pequena -, até prefiro que assim seja pois não sofrem com a pressão do ter que estarem incluídas à força num grupo onde todos os sinais sociais são difíceis de interpretar e para os quais não possuem filtros, maturidade, leitores e lhes causaria uma ansiedade incontrolável. 

Neste momento, na minha ótica, a verdadeira inclusão passa por uma coisa tão simples quanto básica e fundamental: a aceitação. A aceitação de que não podemos nem devemos ser todos iguais, de que há determinados apoios - nomeadamente terapias - que são necessários como de pão para a boca e não deveriam ser alvo de cortes cegos, de que a escola deveria ser bem mais do que apenas um poço de despejo de conteúdos e conteúdos onde não há tempo para mais nada a não ser livros e papéis e folhas e programas e metas e reuniões. Não há espaço nem aceitação pela diferença no criar, pela diferença do que é estar alheado daquele lugar mas ainda assim capaz de perceber o que se pretende aprender, pela diferença que é sermos quem somos, por estarmos mais atentos hoje do que alguma vez estivemos a direitos básicos .

Eu não quero crianças formatadas, zombificadas, incluídas sei lá em quê só porque há uma suposta norma do que é socialmente aceita fazer agora; eu quero crianças felizes e tolerantes, capazes de perceber que todos somos humanos, que todos temos direitos, capazes de respeitar e tolerar, de compreender o ser-se ou não parte integrante e incluída de um grupo, de um contexto, do que quer que seja.

De forma simplista, é esta a minha versão de inclusão. Não pretendo panaceias nem desdéns nem coitadinhices. Só pretendo que nos aceitem como somos. Simples, assim.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:47

Estivemos em mais um evento

por t2para4, em 16.11.14

No 4D&Friends, como tinha referido anteriormente. E os motivos prendem-se com questões pessoais, profissionais, de lazer e porque sim.

Raramente vamos a eventos e, na definição da palavra, poderemos incluir concertos, festas populares, algumas festas de aniversário, casamentos/batizados, festas de aldeia, mercados centrais. E as razões são as do costume: muita gente, muita confusão, ambientes barulhentos e com muitos estímulos (cheiros, sons, imagens, luzes), imprevistos impossíveis de antever, ausência de locais onde possamos refugiar-nos na iminência de um meltdown. Por isso, todos os locais onde vamos em passeio ou festas a que levamos as piolhas são bem ponderadas para que não seja estranho nem para elas, nem para nós, nem para os outros, em caso de crise.

 

As piolhas têm ido a algumas festas de aniversário e eventos públicos que seguem alguns dos trâmites mentalmente impostos por mim ou pelo pai: espaços amplos, pessoas conhecidas, mínimo de confusão, som controlável.

O evento do passado dia 2 de novembro encheu-nos as medidas. A Quinta da Pousada de São Pedro é um local fantástico, com um salão completamente amplo e sem pilares a meio; ida direta ao bar sem termos que fazer um percurso de obstáculos; disposição dos expositores das marcas muito bem pensado e organizado de forma a não nos baralhar nem forçar a passar pelos mesmos locais duas ou três vezes; espaços privados para mamãs que amamentam/aleitam e muda-fraldas, separados dos habituais wc; um espaço exterior maravilhoso perfeitamente adaptado e adequado a carrinhos de bebé, cadeiras de rodas ou andarilhos; piscina vedada com a proibição de utilização durante eventos (adorei a medida); estímulos exteriores saudáveis de forma a minimizar o aglomerado de pessoas no interior. E o insuflável fez as primeiras delícias das piolhas.

Passei a valorizar muito muito mais pessoas que têm em consideração o acesso a espaços que tenham determinadas condições para receber todas as pessoas. E enche-se-me o coração de alegria quando verifico que um evento preparado para uma escala bem maior do que o esperado, tem tudo aquilo que me/nos permite usufruir de tudo: compras, espaço, serviços, brincadeiras, sem esquecer áreas dedicadas às crianças como individuos com vontades próprias e não apenas os acompanhantes dos pais.

As más-línguas podem acahar snobismo ou esquisitice da minha parte pois quem vai a shoppings vai a todo o lado. Errado. As nossas idas ao shopping foram treinos e seguem rotinas que não podem ser quebradas (visitas por aquela ordem àquelas lojas para ver aqueles produtos e comer aquelas comidas, única e exclusivamente) mas que servem de preparação para a confusão facial, de vozes, sons, luzes, que incomodam muito quem tem autismo. Ir ao um congresso ou evento num salão sem acesso ao exterior - um exterior seguro - não é a mesma coisa e implica uma preparação prévia exaustiva da nossa parte. Não vale a pena o esforço. E, em caso de crise/meltdown, onde poderemos refugiar-nos? Num wc do género balneário?

Continuaremos com as nossas opções que, até ao momento, não têm sido más de todo.

 

As piolhas maravilharam-se com a mousse de chocolate do bar e com a conversa fiada da Concha e do Afonso, que, sem as conhecerem de lado nenhum, se meteram logo com elas por causa dos brinquedos e dos blogs. E a pobre da minha mãe sem perceber nada da conversa mas encantada com o à-vontade deles e delas!

Eu confesso-me maravilhada com o expositor da Catavento e, ao passar por ele umas poucas de vezes, pois estava mesmo ao lado da zona infantil onde as piolhas pintavam as caras e se divertiam com balões e jogos da macaca, namorisquei uns quantos jogos. Como já vem sendo hábito no t2, a maioria dos jogos didáticos que se aplicam às piolhas nesta fase já os temos (story cubes, puzzles em histórias, livros sociais, etc.) mas, ainda assim, acabei por comprar um puzzle de 200 peças com um mapamundo onde nos continentes estão desenhados os animais característicos de cada zona do globo, com poster incluído. Fiquei fã.

No espaço exterior, as maravilhas de um insuflável dão uns bons minutos de sossego aos pais. Pude sentar-me e conversar com a minha mãe enquanto as piolhas saltavam e atacavam com pulos a vaca e as latas do leite. E até havia um ponei!!!!! A única grande desilusão é que, além de cheirar mal (a ponei, pois...), não era colorido nem tinha cabelos compridos nem a magia da amizade para espalhar. Mas fizeram-lhe muitas festinhas e visitaram o cavalo ao lado que também recebeu miminhos.

 

E, depois de mais uma voltinha no relvado e umas fotos, beijinhos dados à Sofia e mais uns quantos enviados para a família e lá fomos nós de regresso a casa.

Este tipo de saídas costuma correr bem devido à variedade de hipoteses em caso de "indisposição" das piolhas. E, à medida que elas vão crescendo e adquirindo mais capacidades e competências sociais, mais fácil se torna para nós também. Para já, só tenho a agradecer a pessoas como a Sofia que, mesmo sem se aperceberem, têm aquela sensibilidade especial para criar algo a que posso chamar inclusivo.

 

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publicado às 18:09

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