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"Estavas linda, Inês, posta em sossego..."
Poucas serão as pessoas que não conhecem a história de amor de Inês e Pedro, em terras de Coimbra, os namoros e beijos na Fonte das Lágrimas, as suas gotas de sangue, a vingança terrível de D. Pedro contra os assassinos de Inês, a rainha que foi Inês depois de morta.
Isabel Stilwell traz-nos uma visão mais completa de Inês: a mulher bela que foi espia, amante (barregã) e rainha. A sua história está intrinsecamente ligada à de Pedro de Portugal e os pormenores das suas vidas esculpidos no túmulo de D. Pedro, no Mosteiro de Alcobaça onde encontrava refúgio e aconselhamento (e compreensão) devido à sua perturbação da comunicação, uma vez que D. Pedro tinha gaguez.
Romance histórico de extrema qualidade, com aquele sentimento de pertença, em especial para quem vive na zona de Coimbra. Inês, a galega que é tão portuguesa e tão trágica, Inês, a protagonista de uma historia de amor que não deveria ter terminado de forma tão cruel... A roda da fortuna não para de girar...

 

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publicado às 20:17

Leitura leve, sem grande aprofundamento histórico, embora bem contextualizado e que nos dá uma noção do que se poderá ter passado. Peca por não desenvolver toda a trama que levou à Restauração da Independência e passa muito pela rama.
D. Sebastião, se vivo na altura já seria idoso, é constantemente invocado, tal é o desejo de liberdade, de reconquista da coroa portuguesa.
É uma boa leitura de férias para quem quiser perceber minimamente o que se passou ao longo de 60 anos de subjugação espanhola até à independência mas não é um tratado histórico. Fica a sensação de que falta ali algo mais.

 

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publicado às 17:37

"Luís Vaz faz do verbo amar o seu verbo maior".
A vida de Camões, mais do que a sua obra, aos olhos das mulheres que o amaram com toda a profundeza das suas almas: da sua mãe de leite até à Condessa de Linhares.
Luís Vaz, que tantas arrelias e preocupações, deu à sua mãe, Ana de Sá, desde miúdo, passando pelos seus tempos na Universidade de Coimbra, o seu tempo de soldado em Ceuta (onde foi ferido no olho, acabando por perdê-lo), à sua viagem para a Índia, à escrita apaixonada da sua epopeia e ao seu regresso a Lisboa.
Luís Vaz, cheio de amor sem saber bem o que era o amor, para si, algo plural, pois o seu amor maior seria a Pátria, que se finou no mesmo tempo que o Poeta.
Luís Vaz, que desde tenra idade, sabia que iria escrever uma epopeia, uma que estaria na mesma prateleira que a Ilíada e, ao longo de tantos anos, foi compondo os cantos, em versos decassilábicos, salvando os cantos que já conseguira escrever na Índia do naufrágio onde perdeu Dinamene, um grande amor.
Luís Vaz que conseguiu "levar à estampa" a sua obra e que, apesar dos elogios, não foi arrebatada por D. Sebastião, aquele rei tão desejado e que tanto perigou o país ao recusar matrimónio e descendência, e apenas ficou a receber uma vença mínima em comparação com outros do Reino.
Luís Vaz, que tanto amou e tanto foi amado, morreu por causa da peste, tendo ao seu lado a sua mãe adotiva, o seu criado jau, o velho Chiado (poeta vagabundo e citadino) e D. Manuel de Bragança, que lhe deu o lençol onde foi embrulhado a sepultar, sem que por ele dobrassem os sinos, numa sepultura destinada às vítimas da peste, pobre e esquecido. A sua morte coincide com a perda do Reino para D. Filipe II, rei de Espanha, a malfadada e desgraçada campanha militar em Alcácer-Quibir onde se perderam o rei reinante e os possíveis herdeiros, a morte do cardeal D. Henrique antes de dispensa papal para contrair matrimónio e assegurar descendência, com "Os Lusíadas" impressos mas pouco divulgados, apesar de já estarem em Espanha e Itália.
A 10 de junho morre o Poeta. E o seu verdadeiro valor, como em quase tudo, surge depois da sua morte. Hoje, volvidos mais de 500 anos, o Poeta, seguramente, estará feliz e saberá que a sua epopeia é a nossa grande obra e é leitura obrigatória e faz parte dos programas escolares nacionais. A sua epopeia e a sua lírica, apaixonada, ardente, única.

"Até que o amor me mate", de Maria João Lopo de Carvalho, é leitura obrigatória para quem quiser saber mais deste nosso bon-vivant que tinha tanto amor para dar e tanto para versar.

 

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publicado às 13:33

Fazem parte da nossa geração. O Chico, o Pedro, o João e as gémeas Teresa e Luísa são eternamente adolescentes e vivem as mais variadas aventuras, nos mais variados locais. Desta vez, vão até aos lados do deserto, lá para as arábias, como amigo Omar que conheceram numa aventura anterior, e convidados a passarem umas semanas naqueles países exóticos e quentes, não se fizeram rogados.
Viajamos com o grupo através das histórias de Xerazade e da rainha do Sabá, falaremos de livros e escritos antigos como o tempo e, claro, viveremos uma nova aventura - ou não fosse esse o mote.
Não desilude, não importa a idade.

 

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Asterix é o mesmo. Nunca desilude e as suas aventuras mantêm a sua essência, ainda que eu preferisse os nomes originais das traduções dos anos 90. 

 

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publicado às 21:30

Ninguém esperava que o herdeiro direto do poderoso rei Henry VIII, o seu filho Eduardo morresse tão jovem e, mais grave do que isso, sem herdeiros. Resta, numa Inglaterra conturbada religiosamente, subir ao trono a fanática Mary e depois a teimosa Elisabeth I. Elisabeth não autorizava casamentos das suas aias ou familiares de forma leve, não tolerava ser deixada para segundo plano, não queria casar porque não podia fazê-lo com quem queria e, principalmente, não queria nomear um herdeiro.
Esta é a história de três princesas Tudor que nunca viram o trono, apesar de serem as herdeiras legítimas, sucessoras por direito de Elisabeth. Elas e Mary, Rainha dos Escoceses, todas primas e, a certa altura das suas vidas, todas elas prisioneiras sem razão aparente, por capricho de Elisabeth.
Jane Grey, protestante assumida, é tratada na primeira parte. E deixa, antes da sua morte, a morte a que foi condenada, uma mensagem às suas irmãs.
Katherine Grey ousa casar, sem autorização com um Seymor, de quem teve dois meninos -meninos!!! - com uma linhagem fortíssima Tudor-Seymor, acaba na Torre e dali numa série de casas, como prisioneira. Ela, o marido e os dois filhos.
Maria Grey, segue os passos da irmã do meio e também casa sem permissão da rainha. Acabam, ela e o marido, prisioneiros separados, até que a morte dele dita, mais tarde, a liberdade dela. Quando ela já não é um perigo para a coroa de Elisabeth nem uma ameaça pois é a última princesa Tudor e a rainha ainda tem muito que fazer no que respeita à sua outra prima, Mary, a Rainha dos Escoceses.

É uma leitura extremamente rica, que nos faz viajar até ao tempo dos Tudor e tudo o que rodeia a corte e faz a Londres daquela época. De uma das minhas autoras favoritas, Philippa Gregory, de um dos tipos de romance favorito, romance histórico. Lido em inglês. Muito recomendado, claro.

 

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publicado às 18:10

Um exemplo real em como não se deve julgar um livro pela capa - nem pelo título. A capa e o livro não deixam antever como ele é bom. É um livro excelente e de uma leitura rica, interessante, com pinceladas históricas da década de 40 do século XX, que não conseguimos pousar de ânimo leve porque apetece continuar a ler. E tem um plot twist incrível.
A história saltita entre os anos 1940s e 2011. Laurel pretende descobrir um segredo (ou segredos...) que a mãe guarda para que possa, agora que já está nos 50s e a mãe à beira da morte, finalmente perceber porque ela, a sua mãe tão boa, tão doce, tão cuidadosa, tão meiga, matou um homem com a faca dos bolos, aquela faca especial. Laurel tinha 14 anos mas nunca esqueceu o que viu embora também nunca tenha culpado a mãe...
Viajamos. Este livro faz-nos viajar dentro da Londres em escombros e da Londres moderna; dentro das casas senhoriais protegidas com fita adesiva nos vidros e sujeitas a requisição civil onde funcionavam os serviços de comunicações do Governo no passado e das ruas cheias de turistas e das universidades com bibliotecas imensas onde não faltam entusiastas no presente; da mãe de Laurel, jovem, e da mãe de Laurel, idosa. É um livro que recomendo muito. Gostei mesmo bastante.

 

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publicado às 22:20

"Spectrum Women - walking to the beat of autism" é um livro que deveria ser lido por todos: neurodiversos (os tais que são diferentes e cujo cérebro parece conectar-se de forma diferente) e os neurotípicos (os tais que acertam todas as caixinhas nas grelhas de desenvolvimento na faixa etária adequada).
O desconstruir de mitos associados ao sutismo, em especial ao autismo no feminino, é transversal a todos os textos. Mais importante é referir que o livro é escrito por mulheres autistas e comentado com insights de uma médica. Podemos ver, na prmeira pessoa, que é possível alcançar etapas que os neuotípicos também alcançam: escolaridade, independência, trabalho, família, etc. mas com o senão da dificuldade e do esforço acrescido. Também podemos ter acesso ao lado negro do que é ser-se e saber-se diferente sem diagnóstico, sem apoios: dependências de droga e alcool, sexo, violência.
O diagnóstico de autismo no feminino é algo difícil de se conseguir e, muitas vezes, vem tardiamente, comparativamente aos seus pares masculinos. Apesar de apresnetarem as mesmas dificuldades na tríade comunicação-interação-comportamento, as meninas tendem a ser mais observadoras e imitar o que vêem, logo, mascaram muitos dos sinais e aparentam ser e comportar-se de forma a que não aponta diretamente para autismo. Sendo ainda raro o recurso a análises genéticas específicas à microdeleção ou duplicação de determinados genes, a avaliação assenta numa série de entrevistas, preenchimento de grelhas exclusivas para despiste de autismo e avaliação visual.
A mensagem que passa, depois de tantos testemunhos e de aconselhamentos, é a de que "belonging is being accepted for you. Fitting in is being accepted for being like everyone else." (pertencer é ser aceite por quem és. Acomodar-se é ser aceite por ser como todos os outros - tradução livre). Não temos que nos misturar ou alterar quem somos ou adaptarmo-nos ao que os outros nos impõem mas sermos quem somos e como somos. Não há nada de errado nisso e há espaço para todos se todos fizermos a nossa parte: aceitar a diferença e respeitar os direitos de todos.

 

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publicado às 10:14

Em torno de enredos secretos e confissões ainda mais secretas, a trama é em torno do que achamos que conhecemos da Bíblia ou da vida de Cristo. Toca em achados reais como os pergaminhos do Mar Morto em Quram ou as ossadas que datam do século I, em Jerusalém ou até a procura do local exato do nascimento de Cristo, ali a roçar os episódios de "Expedition Unknown" do Travel Chanel.
É um livro de consumo imediato sem nos trazer nada de novo, na minha opinião. Intrigas, segredos, pouco desenvolvimento em torno do que é historicamente comprovável, muito confuso entre capítulos pois há uma série imensa de ações a decorrer ao mesmo tempo com diversas personagens, em espaços diferentes. Perdemo-nos um pouco a saltitar entre elas e obriga-nos quase a ir atrás, bem lá atrás, rever o que andou aquela personagem a fazer. Este saltitar de ação em ação baralha e é algo cansativo. No entanto, lê-se bem e dá vontade de continuar a ler. Sem spoilers, obviamente que não se espere um closure total sobre os assuntos abordados e não se espere que termina tudo em finais felizes.
É o indicado para ler na praia ou na piscina ou para desanuviar do stress do dia a dia. Não apaixona.

 

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publicado às 22:55

"O Velho e o mar", de Hemingway, faz parte do Plano Nacional de Leitura do 9º ano, nas escolas portuguesas. Surpreendeu-me "ver" Hemingway no 3º ciclo, em especial, porque só o "conheci" na Faculdade.
É uma leitura muito envolvente, cativante, fluida e sentida. Ora torcemos pelo velho, ora torcemos pelo peixe. Ambos muito tenazes, muito persistentes. Acompanhamos os monólogos do velho nos seus três dias em alto mar, num singelo esquife, a capturar um enorme espadarte, depois de 84 dias sem conseguir pescar nada. O velho não ganha dinheiro nenhum com o fruto da sua pesca, mas conquista a admiração, orgulho e respeito de todos os restantes pescadores (e até turistas) da aldeia onde vive.
Fico muito satisfeita - e mais rica - por ter feito esta leitura.
 
 

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publicado às 11:46

"Uma velha e o seu gato" e "História de dois cães", de Doris Lessing, leem-se de uma assentada só. É fantástico folhear as folhas grossas do livro e as histórias, surpreendentemente, prendem-nos, apesar do seu choque frontal e brutal com a realidade, com a vida, com a morte.
A primeira faz-nos doer o coração. Hetty é uma outsider, não se encaixa nos padrões típicos da sociedade. Nem ela nem o seu gato, Tibs. O gato que olha por ela e lhe traz alimento, que nunca a abandona e que sabe como sobreviver. São ambos sobreviventes, pouco dados às normas sociais. A (não) relação de Hetty com os filhos choca-me e aperta-me o coração. A sua relação com o gato impressiona-me.
A segunda é um regresso às origens mais primitivas, não importa o pedigree. Somos o que somos - na visão dos comportamentos de dois cães, nas fazendas inglesas em África. Menos emotiva que a história anterior, não menos rica em detalhes e na relação dos animais um com o outro ou com os humanos. Comportamentos humanos e animais que, hoje, chocariam as associações de defesa dos animais.
Leitura que faz parte do Plano Nacional de Leitura nas escolas portuguesas e que me surpreendeu pela positiva não só pela sua fluidez mas pelo agarrar do leitor ao longo da narrativa.
 

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publicado às 13:49

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