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"O Velho e o mar", de Hemingway, faz parte do Plano Nacional de Leitura do 9º ano, nas escolas portuguesas. Surpreendeu-me "ver" Hemingway no 3º ciclo, em especial, porque só o "conheci" na Faculdade.
É uma leitura muito envolvente, cativante, fluida e sentida. Ora torcemos pelo velho, ora torcemos pelo peixe. Ambos muito tenazes, muito persistentes. Acompanhamos os monólogos do velho nos seus três dias em alto mar, num singelo esquife, a capturar um enorme espadarte, depois de 84 dias sem conseguir pescar nada. O velho não ganha dinheiro nenhum com o fruto da sua pesca, mas conquista a admiração, orgulho e respeito de todos os restantes pescadores (e até turistas) da aldeia onde vive.
Fico muito satisfeita - e mais rica - por ter feito esta leitura.
 
 

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publicado às 11:46

"Uma velha e o seu gato" e "História de dois cães", de Doris Lessing, leem-se de uma assentada só. É fantástico folhear as folhas grossas do livro e as histórias, surpreendentemente, prendem-nos, apesar do seu choque frontal e brutal com a realidade, com a vida, com a morte.
A primeira faz-nos doer o coração. Hetty é uma outsider, não se encaixa nos padrões típicos da sociedade. Nem ela nem o seu gato, Tibs. O gato que olha por ela e lhe traz alimento, que nunca a abandona e que sabe como sobreviver. São ambos sobreviventes, pouco dados às normas sociais. A (não) relação de Hetty com os filhos choca-me e aperta-me o coração. A sua relação com o gato impressiona-me.
A segunda é um regresso às origens mais primitivas, não importa o pedigree. Somos o que somos - na visão dos comportamentos de dois cães, nas fazendas inglesas em África. Menos emotiva que a história anterior, não menos rica em detalhes e na relação dos animais um com o outro ou com os humanos. Comportamentos humanos e animais que, hoje, chocariam as associações de defesa dos animais.
Leitura que faz parte do Plano Nacional de Leitura nas escolas portuguesas e que me surpreendeu pela positiva não só pela sua fluidez mas pelo agarrar do leitor ao longo da narrativa.
 

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publicado às 13:49

Mary Higgins Clark é uma das minhas leituras favoritas. Para quem gosta de thrillers, crimes, suspense e muitos plot-twisters, é o ideal.
"The Cinderella Murder" leva-nos a respeitar a vítima e a usar o seu nome, Susan, apesar de a imprensa a tratar por Cinderela por ter perdido um sapato quando foi assassinada.
Laurie consegue perfeitamente colocar-se no lugar da vítima porque também ela - e o seu filho - foram vítimas de tentativa de assassinato, depois de concretizado o do seu marido. Ela dirige uma produção de um reality show, "Sob Suspeita" cujo objetivo, não é resolver o crime, mas trazer factos novos, uma nova visão e o não esquecimento de crimes arquivados e que merecem uma nova luz de análise.
Sempre que começamos a suspeitar de uma personagem, lá vem um plot-twister que nos faz mudar de suspeito. E quando finalmente acertamos no culpado, se fôssemos a personagem, seria tarde demais.
É o género de leitura leve - é mesmo, acredite-se - que nos remete para as séries de crime. Recomendo, quando se pretende desanuviar e perceber se seríamos bons detetives.
 

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publicado às 14:24

Já tinha algumas edições especiais das aventuras de Astérix e Obélix mas, mais tarde, decidimos fazer a coleção completa e, sempre que sai mais um volume, compramos logo.
"O papiro de César" não desilude e até tem um final muito surpreendente a fazer durar a tradição "boca-orelha" para que nunca nos esqueçamos das histórias.
Os nomes dados às personagens continuam hilariantes, mesmo traduzidos para português, o Astérix continua impulsivo e sagaz, o Panoramix continua sábio e paciente e o Obélix continua ingénuo e dado a birrinhas 😃 A Boapinta, mulher do chefe dos irredutíveis Gauleses, dá um ar de sua graça mais longo desta vez e é de rir.
Como disse, nunca desilude e continua irresistível. Mesmo que seja uma leitura super rápida.
 
 

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publicado às 14:13

Isabel Stilwell é das minhas escritoras favoritas. Gosto muito de a ler e é fácil seguir as histórias das personagens históricas que escolhe. "D. Amélia" não foi exceção. Queria saber mais sobre a última rainha de Portugal e como foi a sua vida, que começou e terminou no exílio - com Portugal pelo meio, no seu casamento por amor com D. Carlos. Há mais na sua vida do que o regicídio e a morte dos seus dois filhos.
D. Amélia era muito alta (mais alta do que o marido- aqui identifico-me muito -), culta, preparada para reinar, algo que não pode fazer em pleno pois a mentalidade portuguesa da altura não estava preparada para que ela assumisse esse papel, não depois da sua sogra gastadora e pouco preocupada com as andanças do país onde veio casar.
É uma leitura muito interessante, muito próxima cronologicamente e muito visual. À medida que lia as descrições e objetos que tinha no Palácio da Pena, recordava-me das suas fotografias - a de D. Carlos e filhos, por exemplo - e dos seus aposentos e paço.
Fica a dica de leitura.

 

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publicado às 13:37

Para quem gosta de thrillers e suspense, este é um excelente candidato a leitura. É uma compilação de 3 romances com Itália como denominador comum, a par com um enredo que nos impele a continuar a ler.
"Casamento em Veneza" leva-nos a viajar entre Paris, Xangai e Veneza. E é emocionante do início ao fim, com vislumbres de investigação criminal.
"Viagem a Capri" remete-nos para cenas à Poirot na tentativa de descobri o assassino. Pode ser a perfeita homenagem a Agatha Christie, com a diferença de que... se passa em Itália, claro. A minha história preferida, neste livro.
"Regresso a Itália" é diferente das narrativas anteriores e o mistério não é tão adensado como esperava. Lê-se bem mas não me prendeu.
Leitura de descontração, é o que sinto. Lê-se bem, é interessante, é emocionante.
 

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publicado às 20:56

"Contos policiais" de Edgar Allan Poe foi a porta aberta e o modelo que vemos em grandes nomes associados aos romances detetivescos como Sherlock Holmes ou Hercule Poirot. Aliás, a primeira história que deu início à literatura policial na sua raiz mais pura e mais clássica é "Os Crimes da Rua Morgue" aqui presentes.
É uma leitura algo sombria, ou não se tratasse de Poe, e que nos espanta pelas lógicas reviravoltas das ações de dedução e de racionalismo.
Alguns contos leem-se de uma assentada só por serem mais lógicos e simples, mas outros custam um bocadinho mais pela sua complexidade e informações.

 

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publicado às 17:37

Afonso II, neto de D. Afonso Henriques, terceiro rei de Portugal, era um rei doente com uma doença que se supõe, nos dias de hoje, ter sido lepra, pela interpretação dos registos que sobreviveram. Apesar do seu aspeto corpulento, foi um rei muito inteligente, perspicaz e muito reconhecido na sua governação pelas suas ordens de repovoamento, aplicação de justiça e que ousou questionar e controlar os abusos do clero e da nobreza. Mais importante, foi um rei inovador na legislação e na estratégia, o que lhe permitiu também aumentar o território.
A parte que mais me chamou a atenção foi na página 302 onde se desenrola um episódio de secretismo no Castelo de Arunce (o atual Castelo da Lousã) e se evoca o fantasma da Princesa Peralta, com conversas e receios transmitidos pelo povoado que vivia perto do rio com o mesmo nome.
Uma leitura histórica que se faz com fluidez e muito interesse nos primeiros anos de vida do nosso país como reino independente e reconhecido.

 

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publicado às 19:09

"A Governanta - D. Maria, companheira da Salazar", de Joaquim Vieira, mostra-nos vários aspetos domésticos e familiares do ditador português pelos olhos da sua inicialmente empregada e depois governanta, D. Maria, oriunda de Penela, aqui tão perto. Ela governou as casas por onde passou - e São Bento durante 40 anos - como ele governou o país: despoticamente, desconfiadamente, excessivamente, avaramente, mostrando preferências por esta ou aquela personagem, com acessos de mau feitio e outras coisas.
É uma leitura muito interessante pois mostra uma faceta quase desconhecida do ditador mas com laivos perturbadores pois a sua visão familiar, a sua adoração e cuidados por algumas das empregadas que aprenderam a servir na sua casa quase - quase - nos remetem para alguém típico e é isso que perturba pois Salazar foi um ditador. Só no final do livro, as palavras de D. Maria, acabam por revelar a verdadeira natureza ditatorial, perigosa e mortal dele e, assim, colocamos os nossos pensamentos na devida ordem.
É uma leitura interessante e que mostra como, de facto, havia tantas diferenças sociais (fora todas as outras) num país tão pequeno.

 

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publicado às 18:24

Duas barcas, dois destinos opostos, uma sociedade para embarcar - assim é o final da humanidade: uma viagem para o Inferno, na Barca do Inferno, ou uma viagem para o Paraíso, na Barca da Glória.
Uma obra intemporal que ainda hoje revela o que de pior existe na sociedade, os seus vícios relatados numa linguagem crítica.
Obra de Gil Vicente que também faz parte do Plano Nacional de Leitura do 9º ano. E que se lê com alguma fluência, apesar do seu português arcaico.

 

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publicado às 14:43

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