Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Spoiler alert: Não tem nada a ver nem com autismo nem com Covid-19

Voltamos à personagem principal, o médico legista com laivos de investigador forense, Jack Stappleton e a sua esposa (agora diretora do OCME, o Instituto de Medicina Legal de Nova Iorque) que, recentemente recebem o diagnóstico de autismo da sua filha Emma, de três anos e não sabem bem como gerir tudo isso, em especial depois de passarem por algo já tenebroso com o filho mais velho. Infelizmente, o autismo não tem cura e eles aprenderão a lidar com isso. Há referências breves ao estudo muito desacreditado de que autismo é causado por vacinas e que há terapias milagrosas e explica-se sucintamente a possibilidade genética e/ou epigenética do autismo.
Neste turbilhão, ocorrem mortes surpreendentes no metro e, mais tarde, algures em vários países da Europa. Pensa-se numa pneumonia citogénica, semelhante à da epidemia de 1918 e teme-se que o mundo esteja à beira de uma nova pandemia... Acabamos envolvidos numa rede poderosíssima de transplantes de órgãos onde a genética desempenha um papel crucial e onde, mais uma vez, a ética é varrida para debaixo do tapete em busca de mais dinheiro, mais glória, mais respostas rápidas - se possível, contornando a legislação e protocolos legais. E é "a brincar" com a genética que se fazem sabotagens virais sem se pensar ou antecipar consequências... O futuro? Quiçá bem mais próximo do que pensamos (ou antecipamos).
Robin Cook, médico e escritor, publicou "Pandemia" em 2018, sem imaginar que, um ano depois, o mundo entraria em lockdown e o cenário seria bem pior do que o imaginado no livro.

Nota: li em formato edição de bolso porque é leve, prático e, acima de tudo, bem mais barato.

 

a.jpg

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram -----------

publicado às 20:29

Victoria Hislop traz-nos a continuação de "A Ilha" com este seu recente "Uma noite de Agosto". Centra-se, mais uma vez, nas personagens centrais da sua última obra: Anna, Manolis, Maria e personagens alargadas: Nikos, Andreas, Giorgios, por exemplo.
A ilha de Spinalonga acaba de perder os seus habitantes, aí enviados, não para morrer, mas para viver com a lepra. A cura foi descoberta, as pessoas exiladas recuperaram e voltaram às suas terras natal. Alguns com marcas, outros sem nada que denuncie a condição curada mas todos o estigma.
A lepra não é uma epidemia, nem uma praga bíblica e pode estar dormente durante décadas. Erradicada na Europa e países desenvolvidos, é ainda muito frequente em países mais pobres e subdesenvolvidos, onde ainda grassa a vergonha e toda a ostracização associada, o que impede o rápido e correto acesso ao medicamentos que, de facto, curam.
Maria, curada, regressa à sua aldeia, Plaka, de onde se vê a ilha onde esteve exilada, deveria estar agora pronta para retomar a sua vida, ao lado do médico que a salvou. Mas, quis um crime passional ditar-lhe uma mudança radical na sua vida e ela terá de se adaptar e tomar uma decisão muito difícil.
Manolis, amante da sua irmã, sai de Creta e recupera do seu coração partido no continente, antes de embarcar de vez e para sempre, para a Austrália, onde já vive uma grande comunidade grega.
De vivências da ocupação nazi, às anteriores invasões otomanas, à lepra, temos uma panóplia de temas que são abordados de forma humana e quase palpável. Porque as memórias ainda vivem.
Uma escritora notável. Recomendo.

 

descarregar.jpg

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 22:32

Qual a linha que separa a ética da evolução científica e genética? Até que ponto, o ser humano pode manipular genes e fazer experiências entre humanos e animais em troca de qualidade de vida, de salvação humana?
O cromossoma 6 constitui cerca de 6% do genoma humano, está relacionado com o complexo de histocompatibilidade (muito necessário, por exemplo, em transplantes de órgãos) mas também é o responsável pelo desenvolvimento e evolução humana. Quer isto dizer que, se transferirmos o cromossoma 6 para um, digamos, bonobo (uma espécie de chimpanzé muito semelhante ao humano), há a possibilidade real de podermos vir a assistir a uma evolução de milhares de anos em apenas algumas gerações...
Ficção? Realidade? As personagens principais, de duas histórias paralelas intrinsecamente interligadas, vão descobrir o objetivo desta experiência e o seu resultado real...

Recomendo. É o tipo de livro que nos prende, nos ensina e nos faz pensar que a ficção pode ser realidade e que talvez não estejamos tão longe quanto isso de experiências deste género, se já se fazem xenoenxertos (geralmente válvulas cardíacas de porco) com sucesso... Fica a recomendação.
"Chomossome 6" de Robin Cook, médico e escritor.

 

1.jpg

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 21:20

"Estavas linda, Inês, posta em sossego..."
Poucas serão as pessoas que não conhecem a história de amor de Inês e Pedro, em terras de Coimbra, os namoros e beijos na Fonte das Lágrimas, as suas gotas de sangue, a vingança terrível de D. Pedro contra os assassinos de Inês, a rainha que foi Inês depois de morta.
Isabel Stilwell traz-nos uma visão mais completa de Inês: a mulher bela que foi espia, amante (barregã) e rainha. A sua história está intrinsecamente ligada à de Pedro de Portugal e os pormenores das suas vidas esculpidos no túmulo de D. Pedro, no Mosteiro de Alcobaça onde encontrava refúgio e aconselhamento (e compreensão) devido à sua perturbação da comunicação, uma vez que D. Pedro tinha gaguez.
Romance histórico de extrema qualidade, com aquele sentimento de pertença, em especial para quem vive na zona de Coimbra. Inês, a galega que é tão portuguesa e tão trágica, Inês, a protagonista de uma historia de amor que não deveria ter terminado de forma tão cruel... A roda da fortuna não para de girar...

 

w.jpg

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 20:17

Leitura leve, sem grande aprofundamento histórico, embora bem contextualizado e que nos dá uma noção do que se poderá ter passado. Peca por não desenvolver toda a trama que levou à Restauração da Independência e passa muito pela rama.
D. Sebastião, se vivo na altura já seria idoso, é constantemente invocado, tal é o desejo de liberdade, de reconquista da coroa portuguesa.
É uma boa leitura de férias para quem quiser perceber minimamente o que se passou ao longo de 60 anos de subjugação espanhola até à independência mas não é um tratado histórico. Fica a sensação de que falta ali algo mais.

 

294695106_778950896879695_7496019654026380349_n.jp  

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 17:37

"Luís Vaz faz do verbo amar o seu verbo maior".
A vida de Camões, mais do que a sua obra, aos olhos das mulheres que o amaram com toda a profundeza das suas almas: da sua mãe de leite até à Condessa de Linhares.
Luís Vaz, que tantas arrelias e preocupações, deu à sua mãe, Ana de Sá, desde miúdo, passando pelos seus tempos na Universidade de Coimbra, o seu tempo de soldado em Ceuta (onde foi ferido no olho, acabando por perdê-lo), à sua viagem para a Índia, à escrita apaixonada da sua epopeia e ao seu regresso a Lisboa.
Luís Vaz, cheio de amor sem saber bem o que era o amor, para si, algo plural, pois o seu amor maior seria a Pátria, que se finou no mesmo tempo que o Poeta.
Luís Vaz, que desde tenra idade, sabia que iria escrever uma epopeia, uma que estaria na mesma prateleira que a Ilíada e, ao longo de tantos anos, foi compondo os cantos, em versos decassilábicos, salvando os cantos que já conseguira escrever na Índia do naufrágio onde perdeu Dinamene, um grande amor.
Luís Vaz que conseguiu "levar à estampa" a sua obra e que, apesar dos elogios, não foi arrebatada por D. Sebastião, aquele rei tão desejado e que tanto perigou o país ao recusar matrimónio e descendência, e apenas ficou a receber uma vença mínima em comparação com outros do Reino.
Luís Vaz, que tanto amou e tanto foi amado, morreu por causa da peste, tendo ao seu lado a sua mãe adotiva, o seu criado jau, o velho Chiado (poeta vagabundo e citadino) e D. Manuel de Bragança, que lhe deu o lençol onde foi embrulhado a sepultar, sem que por ele dobrassem os sinos, numa sepultura destinada às vítimas da peste, pobre e esquecido. A sua morte coincide com a perda do Reino para D. Filipe II, rei de Espanha, a malfadada e desgraçada campanha militar em Alcácer-Quibir onde se perderam o rei reinante e os possíveis herdeiros, a morte do cardeal D. Henrique antes de dispensa papal para contrair matrimónio e assegurar descendência, com "Os Lusíadas" impressos mas pouco divulgados, apesar de já estarem em Espanha e Itália.
A 10 de junho morre o Poeta. E o seu verdadeiro valor, como em quase tudo, surge depois da sua morte. Hoje, volvidos mais de 500 anos, o Poeta, seguramente, estará feliz e saberá que a sua epopeia é a nossa grande obra e é leitura obrigatória e faz parte dos programas escolares nacionais. A sua epopeia e a sua lírica, apaixonada, ardente, única.

"Até que o amor me mate", de Maria João Lopo de Carvalho, é leitura obrigatória para quem quiser saber mais deste nosso bon-vivant que tinha tanto amor para dar e tanto para versar.

 

293431544_4179132248878660_1209714810331141311_n.j

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 13:33

Fazem parte da nossa geração. O Chico, o Pedro, o João e as gémeas Teresa e Luísa são eternamente adolescentes e vivem as mais variadas aventuras, nos mais variados locais. Desta vez, vão até aos lados do deserto, lá para as arábias, como amigo Omar que conheceram numa aventura anterior, e convidados a passarem umas semanas naqueles países exóticos e quentes, não se fizeram rogados.
Viajamos com o grupo através das histórias de Xerazade e da rainha do Sabá, falaremos de livros e escritos antigos como o tempo e, claro, viveremos uma nova aventura - ou não fosse esse o mote.
Não desilude, não importa a idade.

 

285809636_1102629343624394_453817228424862849_n.jp

 

Asterix é o mesmo. Nunca desilude e as suas aventuras mantêm a sua essência, ainda que eu preferisse os nomes originais das traduções dos anos 90. 

 

transferir.jpg

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 21:30

Ninguém esperava que o herdeiro direto do poderoso rei Henry VIII, o seu filho Eduardo morresse tão jovem e, mais grave do que isso, sem herdeiros. Resta, numa Inglaterra conturbada religiosamente, subir ao trono a fanática Mary e depois a teimosa Elisabeth I. Elisabeth não autorizava casamentos das suas aias ou familiares de forma leve, não tolerava ser deixada para segundo plano, não queria casar porque não podia fazê-lo com quem queria e, principalmente, não queria nomear um herdeiro.
Esta é a história de três princesas Tudor que nunca viram o trono, apesar de serem as herdeiras legítimas, sucessoras por direito de Elisabeth. Elas e Mary, Rainha dos Escoceses, todas primas e, a certa altura das suas vidas, todas elas prisioneiras sem razão aparente, por capricho de Elisabeth.
Jane Grey, protestante assumida, é tratada na primeira parte. E deixa, antes da sua morte, a morte a que foi condenada, uma mensagem às suas irmãs.
Katherine Grey ousa casar, sem autorização com um Seymor, de quem teve dois meninos -meninos!!! - com uma linhagem fortíssima Tudor-Seymor, acaba na Torre e dali numa série de casas, como prisioneira. Ela, o marido e os dois filhos.
Maria Grey, segue os passos da irmã do meio e também casa sem permissão da rainha. Acabam, ela e o marido, prisioneiros separados, até que a morte dele dita, mais tarde, a liberdade dela. Quando ela já não é um perigo para a coroa de Elisabeth nem uma ameaça pois é a última princesa Tudor e a rainha ainda tem muito que fazer no que respeita à sua outra prima, Mary, a Rainha dos Escoceses.

É uma leitura extremamente rica, que nos faz viajar até ao tempo dos Tudor e tudo o que rodeia a corte e faz a Londres daquela época. De uma das minhas autoras favoritas, Philippa Gregory, de um dos tipos de romance favorito, romance histórico. Lido em inglês. Muito recomendado, claro.

 

1.jpeg

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 18:10

Em torno de enredos secretos e confissões ainda mais secretas, a trama é em torno do que achamos que conhecemos da Bíblia ou da vida de Cristo. Toca em achados reais como os pergaminhos do Mar Morto em Quram ou as ossadas que datam do século I, em Jerusalém ou até a procura do local exato do nascimento de Cristo, ali a roçar os episódios de "Expedition Unknown" do Travel Chanel.
É um livro de consumo imediato sem nos trazer nada de novo, na minha opinião. Intrigas, segredos, pouco desenvolvimento em torno do que é historicamente comprovável, muito confuso entre capítulos pois há uma série imensa de ações a decorrer ao mesmo tempo com diversas personagens, em espaços diferentes. Perdemo-nos um pouco a saltitar entre elas e obriga-nos quase a ir atrás, bem lá atrás, rever o que andou aquela personagem a fazer. Este saltitar de ação em ação baralha e é algo cansativo. No entanto, lê-se bem e dá vontade de continuar a ler. Sem spoilers, obviamente que não se espere um closure total sobre os assuntos abordados e não se espere que termina tudo em finais felizes.
É o indicado para ler na praia ou na piscina ou para desanuviar do stress do dia a dia. Não apaixona.

 

1.jpg

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 22:55

"O Velho e o mar", de Hemingway, faz parte do Plano Nacional de Leitura do 9º ano, nas escolas portuguesas. Surpreendeu-me "ver" Hemingway no 3º ciclo, em especial, porque só o "conheci" na Faculdade.
É uma leitura muito envolvente, cativante, fluida e sentida. Ora torcemos pelo velho, ora torcemos pelo peixe. Ambos muito tenazes, muito persistentes. Acompanhamos os monólogos do velho nos seus três dias em alto mar, num singelo esquife, a capturar um enorme espadarte, depois de 84 dias sem conseguir pescar nada. O velho não ganha dinheiro nenhum com o fruto da sua pesca, mas conquista a admiração, orgulho e respeito de todos os restantes pescadores (e até turistas) da aldeia onde vive.
Fico muito satisfeita - e mais rica - por ter feito esta leitura.
 
 

271044291_1309046969610667_4171297793022630463_n.j 

 

 

-------------- Estamos também no Facebook e no Instagram ------------

publicado às 11:46

Direitos Reservados

Algumas das fotos publicadas neste blog são retiradas da Internet, tendo assim os seus Direitos Reservados. Se o autor de alguma delas discordar da sua publicação, por favor informe que de imediato será retirada. Obrigada. Os artigos, notícias e eventos divulgados neste blog tem carácter meramente informativo. Não existe qualquer pretensão da parte deste blog de fornecer aconselhamento ou orientação médica, diagnóstico ou indicar tratamentos ou metodologias preferenciais.


Mais sobre mim

foto do autor







Parceiros


Visitas


Copyright

É proibida a reprodução parcial/total de textos deste blog, sem a indicação expressa da autoria e proveniência. Todas as imagens aqui visualizadas são retiradas da internet, com a excepção das identificadas www.t2para4.com/t2para4. Do mesmo modo, este blog faz por respeitar os direitos de autor, mas em caso de violação dos mesmos agradeço ser notificada.

Translate this page


Mensagens