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"Mães Cansadas Precisam de Ajuda e Não de Palpites"

Possibilidades ínfimas de enfiar este motto p'los olhos 'adentro' de algumas pessoas:
- impresso em t-shirts
- ímans de frigorífico
- distribuição viral e exaustiva nas redes sociais
- outdoors (desde os habituais de papel aos iluminados estilo Lefties em centros comerciais)
- cartões de visita
- pequeno merchandising do estilo réguas, porta-chaves, blocos de notas, autocolantes
- faixas luminosas
- suportes de matrículas para carros
- carimbos
- mensagens em talões de supermercado
- tatuagens
- etc etc etc

Portanto e como se vê, as possibilidades são inúmeras.
Já a minha paciência não é assim tão extensa.

#ohhajapaciência #raiospartam #palpiteirosdeserviço #gentesabichonasemnadasaber #euquerovivernumabolha #paremomundoquerosair #eujánascicansada #anotemeparemdemechatear #t2para4

 

 

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publicado às 00:42

Evolução de mentalidades: precisa-se

por t2para4, em 07.05.19

Somos um povinho hipócrita e moralmente falível. Discriminamos - negativamente e até positivamente - e abusamos do "coitadinho". Aceitamos, toleramos e até desculpabilizamos uma deficiência qualquer, desde que se veja, que entre p'los olhos dentro porque, afinal, está ali, vê-se tão bem, valhamedeuscoitadinho. Achamos que perturbações neurológicas são resultado destes tempos tecnológicos e que entram todas no grande saco sem fundo das doenças mentais e enchemos a boca para voltar a sacar do "coitadinho" ou para acusar de má-educação o próprio, os pais, os avós e até o cão e o gato. Abusamos da inimputabilidade da nossa ignorância - mesmo quando, diariamente, há mensagens subliminares, indiretas, diretas e até espalhafatosas do que é autismo/epilepsia/incapacidade cognitiva/síndromas raros/etc. - porque, na realidade, ter de aprender, ao fim destes anos todos, uma coisa que todos os outros dizem "no meu tempo não havia nada disto" e "é só modernices", dá trabalho, obriga a pensar e, mais grave ainda, força-nos a mudar os nossos comportamentos e atitudes. Criticamos até ao tutano as atitudes e esforços de pais informados e preocupados que não olham a medidas para cuidar dos filhos e chamamos a isso "frescura" (como se uma alergia mortal o deixasse de ser porque "eu sempre comi disso e nunca morri"). Tratamos de igual para igual, sem pensar duas vezes, uma criança como se fosse um adulto e despejamos numa criança as nossas frustrações e arrogâncias de gente crescida (mas só crescida de corpo porque a mentalidade, essa, é pequenina pequenina como um grão de areia e não há graus académicos nenhuns no universo que confiram humanidade e humildade a adultos presunçosos). Somos tendencialmente juízes e carrascos do que nos escapa, do que é diferente e, indiretamente, de nós mesmos pois, sem nos apercebermos, acabamos enredados na mesma corda com que queremos enforcar os outros.

 

As minhas filhas não engolem sapos e falam, na hora, o que pensam, cedendo a algum impulso, talvez. Talvez o tenham aprendido com o pai, talvez tenham herdado o mau feitio da mãe, talvez sejam a ausência de filtros sociais e excesso de racionalidade associados ao autismo. Talvez seja isso e muito mais.
As minhas filhas são crianças em fase de transformação - a mesmíssima transformação por que todos todos nós passámos, há 20 ou há 150 anos - e ,nesse campo, são iguais a nós.
As minhas filhas merecem ser tratadas com o devido respeito, a devida moralidade, a devida ética em todo o lado, sozinhas ou acompanhadas, sem desvalorização da sua capacidade cognitiva e, nesse campo, são iguais a nós.
As minhas filhas continuam - e continuarão - a ter uma mãe e um pai que as defenderão acima e contra tudo e todos.

 

#presunçãoeáguabenta #asnumveteranum #doutoresouanalfabetos #agenialidadetambéméumaperturbaçãoneurológica #nãomefodam #euaindanãoestoudoida #quemsaiaosseus #averdadedoi #t2para4

 

 

 

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publicado às 14:30

A ignorância, ai, a ignorância...

por t2para4, em 24.05.18

Ora, antes de eu contextualizar o que me leva a escrever, vamos a umas definiçõezitas básicas, assim, coisa pouca e leve.

 

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 Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitas pessoas de uma ignorância atroz no que respeita ao autismo."

 

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Por exemplo, numa frase: "Ainda há muitos locais de uma incompetência atroz no que concerne às deficiências, em especial, as neurológicas, como o autismo."

 

c.jpg

Por exemplo, numa frase: "Choca-me a inércia de algumas pessoas em relação à forma como os seus filhos, que podem ou não ter autismo, são tratados."

 

 

Ora, depois destas breves considerações, vamos a pontos-chave na compreensão destes vocábulos:

- o mal do mundo não é o autismo, lamento desiludir os iluminados que acham que é bonito e prático utilizar esta palavra para caracterizar e desculpabilizar uma série de coisas. Há que ter um certo cuidado e brio na utilização das palavras. E do que significam. Por exemplo, eu sei que sou alta e sou alta; por que é que as pessoas estúpidas e burras não têm essa noção, de que são estúpidas e burras?

 

- autismo e violência estão tão relacionados um com o outro como crianças e violência. Não perceberam? Eu explico: miúdos neutotípicos (rótulo para crianças ditas normais, ou pensavam que eram só os nossos a ter rótulos?), de vez em quando, independentemente do seu berço e educação, podem pegar-se ou mandar umas bocas, certo? Reprovável ou não, ninguém vem a correr dizer "sabe, ele é assim porque é neurotípico, desculpe-o lá". Se não acham isto normal por que raio acham normalíssimo associar autismo a atos de violência? 

 

- o autismo é uma desordem neurológica que tem de ser médica e clinicamente comprovada e diagnosticada. A vizinha do lado ou a professora não são experts nesse assunto - a menos que lhes toque. Justificar o nariz vermelho do Rudolfo, os sapatos de rúbi da Dorothy ou a fome do Scooby Doo como sinais de autismo é como eu dizer que o Bruno de Carvalho é neurotípico porque tem dois braços e duas pernas. Além disso, continuo a não ver a relação entre autismo e violência.

 

- as moscas têm asas; os morcegos têm asas; logo, os morcegos são insetos. Bela falácia, hein? Ora, então, se o autismo gera violência, todos os que são violentos são autistas. Puxa, afinal os americanos tinham razão e estamos perante uma pandemia! Na volta, ainda sofremos com outro dilúvio para limpar o mundo. 

 

- aceitar que uma tal justificação possa pegar sem que contestemos e nos indignemos é pior que inércia, é compactuar. Não ando - eu e tantos ainda mais que eu - há uma data de anos a batalhar para a aceitação da diferença, a consciencializar, a explicar como são as coisas para virem pasquins, políticos acéfalos, pais sem a noção de parentalidade ou escolas sem a noção de inclusão estragar todo um caminho árduo que tem vindo a ser desbravado! E não falo só de autismo!

 

 

 

Gente ignorante, inútil, falsa, incompetente e hipócrita ide-vos fecundar mas sem vos procriardes que mal já vai o mundo e a geração seguinte não tem culpa nenhuma. Lede sem a ironia que grassa pelo texto e interiorizai sem o sarcasmo que o caracteriza.

 

 

A nossa vida -  a vida de pessoas com autismo e os seus familiares - já é suficientemente complicada sem que precisemos de - ainda - nos preocuparmos com a estupidez e ignorância alheia. Deixem-se de casas de degredos e reality shows decrépitos e estudem, leiam, cultivem um espírito. Não há nada pior nem mais perigoso que gente acéfala ignorante. É o pasto ideal para a carneirada. E eu, lamento, não faço parte da carneirada. Nem as minhas filhas. Já no outro dia o disse: não me ponham à prova senão até o diabo aprende coisas novas. 

 

 

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publicado às 13:11

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