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A nossa recriação de arte

por t2para4, em 31.03.20

Vi imensas recriações de quadros e pinturas célebres e decidi que também queríamos participar. Já fizemos duas recriações: esta, Girl with a balloon de Bansky, e Siamese Twins de Leah Saulnier (que não publicarei aqui porque as caras delas estão bem visíveis).
Nota-se muito que já estamos há muito tempo em casa? O que vale é que as piolhas acham imensa piada a estas coisas e alinham nas minhas doideiras.

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publicado às 16:42

9 anos de blog e olhos no futuro

por t2para4, em 11.02.20

Em fevereiro de 2011 aventurei-me na blogosfera, depois de muito pensar, pesquisar, ler, me confundir, encontrar algumas respostas mas ter muitas perguntas ainda.
Uma das premissas por que me tenho pautado ao longo destes anos é não me envolver em polémicas. Não escrevo sobre assuntos na moda ou sobre quem procura notoriedade (mesmo ao abrigo do "falem bem ou falem mal, o importante é que falem") e, muito menos, procuro provocar discussões que acabem em ataques de trolls, insultos, bloqueios, etc. Nunca corri atrás de likes, nunca patrocinei posts, nunca fiz publicidade paga para o que quer que fosse (e eu já me envolvi em tanta coisa, desde workshops a formações) e sempre me regi por escrever como as coisas são e como as sinto no momento em que as escrevo.
Acontece que escrever sobre como as coisas são é escrever sobre assuntos sérios e as pessoas não gostam de coisas sérias. Tal como também parecem não gostar muito de algum anonimato e, eu, apesar de dar a cara - literalmente - à causa, não dou a cara das piolhas pois acho que a exposição a que as sujeito no blog já é suficiente - e eu já filtro muita coisa. Daí a minha recusa em ir a programas de TV, por exemplo. Se eu puder complementar informação da história de outra família com a nossa experiência via telefone ou Skype, terei todo o gosto em auxiliar; levar as piolhas à TV, não. Nesta fase de desenvolvimento delas - cujas competências sociais estão mais comprometidas do que a linguagem ou o comportamento - ninguém veria dois indivíduos no espectro do autismo como seria expectável, porque, lembremo-nos de que o especto é muito vasto e há muitas situações sociais/muitos individuos/muitos comportamentos díspares que não são aquilo que estereotipadamente temos em mente. É mais uma polémica que prefiro não alimentar e menos uma razão para dar azo a bullying.
Porque ele existe contra quem é diferente, não sejamos ingénuos.

Estes anos também permitiram aprender imenso com outras pessoas e conhecer também pessoas fantásticas. Porque a internet também tem coisas positivas e boas. Obrigada.

Olhando para trás, quase nem acredito que passámos por tantas dificuldades, tanto trabalho e nem sei bem como conseguimos fazê-lo mas, a verdade, é que estamos aqui e isso deu frutos. No outro dia partilhei um excerto sobre a importância da intervenção precoce. Somos um de muitos exemplos que há por aí de que funciona - ainda que, no nosso caso, esta intervenção realmente precoce só tenha surgido depois dos 3 anos de idade.

Comecei o blog com um discurso muito negro, perdido, algo desesperado, confuso, sobre o nosso percurso. Eu nem sabia o que era o autismo... E não fazia ideia de que necessitávamos de compromentimento de uma tríade (comunicação, interação e comportamento) para termos um diagnóstico de PEA. DSM-IV ou V, ADI-R, ADOS, M-CHART, Griffiths, TEAACH, ABA, DIR, Floortime, etc etc etc eram apenas algumas das siglas que me baralhavam pois se já tínhamos um diagnóstico, para quê mais avaliações e estudos?
Posso assegurar que ao longo destes 9 anos ainda não parei de estudar este assunto e estou, atualmente, a fazer uma formação à distância sobre a perturbação. O meu discurso também se tornou mais ponderado, menos emotivo e muito menos negro. Consigo, neste momento, ver o copo sempre cheio e, apesar do cansaço extremo que, por vezes, nos assola, conseguimos continuar o nosso caminho com os devidos ajustes. As nossas prioridades continuam muito bem definidas.

Escrevo sem obrigações, sem correr atrás de reconhecimento, sem esperar nada em troca - exceto uma maior sensibilização e conhecimento do que é o autismo. E, neste assunto, vou insistir. Uma criança com autismo crescerá e tornar-se-à num adulto com autismo. E este processo de consciencialização e de sensibilização é para sempre.
Por respeito.
Por direito.
Porque sim.

 

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publicado às 16:42

"No time to die", já diz o outro

por t2para4, em 10.12.19

Faz hoje um mês, mais coisa menos coisa, que fui assolada por uma crise severa de enxaquecas. A maioria das pessoas tende a desvalorizar porque afinal, são "só" dores de cabeça e, com um paracetamol ou ibuprofeno, a coisa cura-se e nada justifica estarmos com ar de sofrimento ou a faltar ao trabalho. Não tive entraves nenhuns das minhas entidades patronais mas já ouvi estas coisas todas.

Estou habituada a ter dores de cabeça. Mas aquela foi diferente e acordei logo mal, com um latejar palpitante (passo a redundância) na nuca, do lado esquerdo. Tomei a medicação. Não surtiu efeito. Reforcei. Não surtiu efeito e piorou. O descanso ajudava ligeiramente. Mas eu tinha tanto tanto frio e quanto mais me aquecia, mais pioravam as dores. Aguentei quase 4 dias e fui ao médico de família. Mantivemos o triptano (que é muito bem tolerado nestas crises e o meu SOS desde há muitos anos) e mudou o analgésico. Em casa, piorei consideravelmente e, juro que, a certa altura, no meio do inferno e do desespero que eram as dores, todo o lado esquerdo da cabeça em dor excruciante, eu pensei que teria um aneurisma pronto a rebentar. Pensamos em coisas parvas e ilógicas mas é assim...
Fui para as urgências do hospital central. Apanhei frio ao entrar e ao esperar pela triagem, sentada no chão, a morrer de dores, porque não havia lugares nem espaço, nada. E aquela luz tão brilhante num dia tão cinzento, de onde raio vinha toda aquela luz??? Melhorei a ponto de conseguir abrir os olhos - a neurologista explicou-me, depois, que foi do frio que ajudou a aliviar a vaso-dilatação. Pulseira amarela, 7h de espera. Medicação intravenosa, não sem antes, ao colocar o cateter, ter esguichado sangue para todo o lado, ao estilo CSI. Diazepan debaixo da língua e aquilo amarga como o caraças. Momentos depois e eu já conseguia tolerar a luz, já não sentia palpitar na nuca, a minha narina esquerda já não parecia prestes a explodir, o meu ouvido esquerdo já não ardia por dentro. Vim embora, capaz de beijar a médica, com indicações de combinar triptano e diazepan, parar com a sobredosagem de paracetamol, não dar boleia à dor e atacar logo ao mínimo sinal (mesmo que fosse aquele cheiro estranho a água que senti no nariz na véspera) e descansar mal sentisse uma crise a regressar. E receitou o loflaqualquercoisa em SOS para a ansiedade.

Marquei consulta com a minha neurologista. Era suposto eu estar "curada" disto, certo? Até fiz um tratamento... Verificámos os sinais vitais e avaliação neurológica, a medicação (que fiz ainda por mais duas semanas), EEG antigos (e a comparação com o da piolha que é muito semelhante ao meu) e Doppler, falámos muito. Tive uma crise muito grave, mal migranoso pois não passou em 48h e aumentou a dor... E tentámos descobrir o gatilho da crise. Bem... além do trabalho - que até levo bem -, sinto-me cansada mas tenho tudo controlado. Fico exasperada em viagens longas com mau tempo no meio da serra e sem rede e tive uma pequena crise de ansiedade que me obrigou a encostar o carro e a forçar-me a respirar. "E as meninas? Como estão?" e o meu coração parou uns segundos e a tal dormência na nuca voltou... São miúdas fantásticas mas, por serem diferentes, este ano letivo, a coisa não está fácil. "Então?" Foram vítimas de ciberbullying - que conseguimos controlar com a escola - mas agora estão a ser frontalmente atacadas pelos colegas porque são boas alunas. E um deficiente não pode ter sucesso académico. A nossa mentalidade pequena acha isso anti-natura. E elas que adoravam a escola, agora perguntam se têm mesmo que ir e eu começo a ficar farta e cansada disto porque, sinceramente, apetece-me dar dois bofetões nos miúdos e nos pais destes - que nem sabem o que têm em casa. Eu só quero filhas felizes e o seu percurso obrigatório escolar o mais típico possível, sem chatices adicionais, já basta o que basta com apoios e terapias e timings e burocracias. Passamos a vida na escola a tentar resolver estas coisas... "Aí está o gatilho..."
Portanto, durante 3 meses, estou a fazer um tratamento profilático para a enxaqueca que vai ajudar a colmatar alguma sequela causada pela dor. Esta é a parte fácil.
Tenho medicação para fazer em SOS e reconheço os mínimos sinais porque pode voltar. Esta também é a parte fácil.
Descansar mais e tentar resolver as coisas. Já é mais complicado.
Podia ter descambado em burnout. Informação retida.

"No time to die". Título de filme mas também o que passava em looping na minha cabeça. Eu não confio no mundo. E as piolhas estão a crescer e a saber contornar as dificuldades mas ainda precisam de nós. Por isso, descanso, mais calma, fluraziqualquercoisas nos próximos tempos + triptanos e diazepans e flotaroqualquercoisa em SOS.
E não me f*derem o juízo. Só isso já faz mais que qualquer medicamento.


Avisos à navegação:
* esta página não aparece como sugestão para menores de 18 (o que é irónico pois, "teoricamente" temos de ser maiores de 18 para criar um perfil no FB);
* trolls terão comentários eliminados (ou denunciados, dependendo da gravidade da coisas) e serão banidos;
* pessoas que coloquem em comentários dados pessoais sobre o t2, os seus elementos, escola e informações confidenciais, terão os seus comentários printed, enviados e denunciados às devidas entidades e serão banidos;
* que não gosta de vir cá que não venha.

 

 

 

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publicado às 14:30

"Mães Cansadas Precisam de Ajuda e Não de Palpites"

Possibilidades ínfimas de enfiar este motto p'los olhos 'adentro' de algumas pessoas:
- impresso em t-shirts
- ímans de frigorífico
- distribuição viral e exaustiva nas redes sociais
- outdoors (desde os habituais de papel aos iluminados estilo Lefties em centros comerciais)
- cartões de visita
- pequeno merchandising do estilo réguas, porta-chaves, blocos de notas, autocolantes
- faixas luminosas
- suportes de matrículas para carros
- carimbos
- mensagens em talões de supermercado
- tatuagens
- etc etc etc

Portanto e como se vê, as possibilidades são inúmeras.
Já a minha paciência não é assim tão extensa.

#ohhajapaciência #raiospartam #palpiteirosdeserviço #gentesabichonasemnadasaber #euquerovivernumabolha #paremomundoquerosair #eujánascicansada #anotemeparemdemechatear #t2para4

 

 

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publicado às 00:42

14 anos and counting

por t2para4, em 09.08.19

Eu queria uma festa, um vestido de noiva, convidados, boda e todas essas coisas estereotipadas e clichés. Também queria aquela lua de mel à qual não tive direito quando casámos pela lei em janeiro. 


Foi tudo muito simples e fácil de preparar: a cerimónia foi numa capela na serra, o padre foi um senhor extremamente simpático que fomos buscar a Coimbra (ao lado da maternidade) e que me fazia lembrar o meu avô paterno ao usar a boina, a paisagem circundante proporcionou fotos lindas, o meu vestido (que ainda me serve) e acessórios vieram de uma loja à antiga de Coimbra, as alianças já tínhamos, o fato do marido veio da Zara Men (e ainda lhe serve) e casei de chinelos (de cor igual à do vestido, de fitas com brilhantes). 


Claro que tínhamos de ter a nossa dose de histórias para contar: o pároco local não achou piada nenhuma à minha ideia de casar no alto da serra e dificultou o acesso ao livro de assentos (que acabou por ficar à responsabilidade da minha irmã), havia estradas cortadas por causa da passagem da volta a Portugal em bicicleta, houve um incêndio perto do local da cerimónia na véspera (quando eu estava a enfeitar e a preparar a capela), a mãe do marido ameaçou não comparecer porque já tínhamos casado e ela tinha estado presente nesse casamento e não havia necessidade de repetir as coisas (mas lá acabou por ir), o livre trânsito e estacionamento do carro da noiva ficou no galheiro e ninguém respeitou, o restaurante não tinha ar condicionado (apesar da proprietária me ter garantido que sim) e não tratou da área da piscina (apesar de me ter garantido, igualmente, que sim), recebemos um envelope vazio como prenda e, apesar de tudo e de querer muito, não tive damas de honor nem pude tratar da decoração e o bolo, ainda que muito saboroso, era feio e parecia estar a desfalecer.


Apesar dos percalços e ameaças, religioso à parte, a cerimónia foi lindíssima, as fotos estão lindas, estávamos ambos muito bonitos e felizes e creio que podemos fazer um balanço positivo. E, festas e caganças à parte, a verdade é que consegui o que queria e, 14 anos depois, eis-nos aqui, against all odds. E é isso o que é o mais importante.

 

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publicado às 14:17

... ou em como perdi o juízo de vez...

Parte do que eu faço nas férias, na impossibilidade de melhor, é ler e ver séries ou filmes como se não houvesse amanhã - maratonas mesmo. Estou, neste momento, entre sagas literárias (Clifton Family, de Jeffrey Archer), cinematográficas (Marvel e DC) e séries (Candice, The Spanish Princess, La Casa de Papel - a nova temporada -, as top da HBO já as vi).
Ora, é neste ponto preciso que estou assim tipo meh... A ver se me faço entender sem parecer muito nerd:
- adoro a vestimenta, gadgets, car rides e tudo e tudo do Batman mas não sou lá grande fã do Super Homem;
- adoro a Wonder Woman e toda aquela ideia da deusa amazona por trás e força girl power yeah baby yeah mas não posso com o Aquaman (true story, não dá, não vai, matou a minha ideia romantizada de uma Atlântida);
- gosto imenso dos manos Loki e Thor, o Iron Man terá sempre um lugar especial no meu coração a par com a Viúva Negra mas não acho piada nenhuma ao Spider Man. Sorry boys (é aqui que os meus alunos nunca mais me respeitam)...
- gosto de todo o simbolismo oculto dos X-Men e, embora perceba a ideia do Professor X em fazer uma escola especial para jovens especiais e os ideais de inclusão dele, a verdade é que a inclusão não é bem assim e o Magneto também tem ali alguns pontos interessantes - apart from the killing and taking over the world part;
- acho o Flash um querido (aquela expressividade dele com o olhar é qualquer coisa), acho o Cyborg o máximo (boo-yah!!) mas não tenho grande simpatia pelo Capitão América (que me parece um bocadinho pãozinho sem sal e certinho demais, físico atlético à parte, ok?), gosto da pancada da Harley Quin mas detesto aquela obsessão dela pelo Joker que, no fundo, a maltrata...
- capas. Adoro capas em super heróis ahahahahah só estilo daquilo em combate - não dá jeito nenhum, não é prático nem por um minuto, aquilo embrulha-se tudo mas, pensemos na coisa ao estilo Neo - The Matrix - a fazer uma pirueta no hall do edifício dos sentinelas enquanto apanha as armas (não era uma capa mas era um casaco bem comprido). Preto. Capa de super herói na cor preta - desculpa lá isso, Super Homem.
 
Portanto, estive a ver "Justice League" e gostei muito. O que me levou a ver os filmes que levaram a isso. E, ainda bem que poupei dinheiro do cinema, pois detestei "Aquaman". Nem a Nicole Kidman nem o Momoa nem a personificação da Ariel da Disney safam aquilo. Detestei "Suicide Squad", fiquei muito desiludida, afinal, não há recompensas para as boas ações... E da série Marvel que vai desembocar no "The Avengers, the endgame" há ali uma data de filmes pelo meio que não dá, não vá, ná ná...
 
O mais engraçado? As piolhas adoram os Teen Titans, acham imensa piada à ideia da Wonder Woman e a Escola de Super Heróis. MAS... detestam os filmes e cenas malucas de que a mãe fala, de vez em quando...
 
Posto isto, já deu para ver que estou a precisar que me levem para longe de um computador com ligação à internet e me deixem algures numa praia paradisíaca, com pontos de interesse para visitar nas manhãs nubladas, e um serviço de bar que me ponha uma margarita ou um gin nas mãos. 
 

 
 
 
 
 
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publicado às 23:05

Gostamos de carros.
Gostamos de ver carros, de ouvir motores a roncar e de perguntar por cilindradas e cavalos.
Gostamos daquele cheiro a gasolina quando alguém faz um daqueles arranques a fundo com o turbo a assobiar.
Gostamos de participar em encontros de carros - cujas marcas nos digam algo ou nos sintamos bem.
Gostamos de carros onde prevaleça a mecânica.
Gostamos de tratar bem dos nossos carros, apesar de os euros não abundarem e de terceiros nos olharem de lado ou engelharem o nariz.
Gostamos de conduzir carros gandes e pesados.
Gostamos quando as piolhas nos dizem "aquele carro tem um motor com o som do mar" ou "eu quero conduzir este carro" ou "que carro tão giro".
Gostamos de colocar as piolhas a experimentar os carros: abrir e fechar portas com e sem comando, pôr o carro a trabalhar (nós estamos ali ao lado e o carro está em ponto-morto e travado), fechar tetos de abrir ou janelas, etc.
Gostamos que as piolhas gostem do que temos cá por casa e todos os nossos carros são carinhosamente tratados por "ferros velhos do aço" porque, vejamos, o mais velho é de 1993 e o mais novo de 1998. Todos adotados :D
As piolhas gostam de fazer wheeeeeeeeeeeeeeeee quando o pai estica as mudanças para acelerar.
Gostamos de cuidar dos nossos carros e modernizá-los sem os xunar ou perder essência: um auto-rádio atual e discreto, uns faróis led, umas películas, por exemplo (tudo em livrete). Quando os conduzimos não nos sentimos nos anos 90 porque temos tudo atualizado.
Não gostamos nada de ruídos parasitas nos carros, nem plásticos foleiros, nem luzinhas a mais no interior e eu confesso que me faz confusão não ter um conta km fixo em vez de um écrã.
 
O carro favorito do marido é um Mercedes-Benz S 500 [série W140] de 1995 e eu perco-me de amores por um Audi A8 6.0 w12 de 2005 (sim, igual ao filme "Transporter 2"). As nossas grandes exigências são preto de chapa, preto de interior, preto de estofos, vidros fumados. Minha nossa, carros assim, até nos param o coração. (OK, o carro que o Redington da série "The Blacklist" tem também me apaixona mas a eletrónica que há de ter - e os problemas que depois daí advêm - já não me atrai nem pouco mais ou menos. É um Mercedes-Benz S 550 [W222] lindíssimo, preto por dentro e por fora, obviamente). Um dia ainda havemos de fazer o gosto ao dedo e conduzir maquinões desses.
 
O meu carro - o meu primeiro carro e do qual sou incapaz de me desfazer - é um Audi 80 TDi 1.9 de 1993, edição básica: tem um sistema de segurança sem airbag (Procon ten) mas semelhante; não tem ar condicionado e tem os estofos e forras claros. Os anos de garagem estrela não perdoaram e a pintura linda e brilhante foi-se esbatendo (resolvemos nós, para já, temporariamente, pintando de preto mate e registando em livrete), tem uma racha no tablier e as forras das portas caíram (tratámos da pele por baixo e não colocámos nada ainda). Mas ainda não fez 200 mil km, tem um bom motor, nunca deu uma única chatice, trabalha sem quadrante e até pega de ligação direta. Um maquinão, é o que é :D é um carro confortável, apesar de alto. Como puxa à frente, já me deu um susto ou outro (atravessei-me...) mas posso ir à neve com ele :D é um pouco alto e torna-se menos aerodinâmico mas, ainda assim, faz um bom consumo: 5 ou 6l/100 (expertise do marido).
Ora, sendo um carro do início dos anos 90 e com pouca eletrónica, obviamente que tem muita coisa old school. Apesar de ter teto de abrir (arranjado posteriormente por nós mesmos, na nossa garagem) e a trabalhar impecavelmente), fecho centralizado e vidros da frente elétricos, os vidros de trás são para serem usados com a ajuda do instrumento da foto abaixo. Um clássico, hein? E sabem o que eu acho mais incrível? É que, apesar de, desde que as piolhas nasceram, andarmos (maioritariamente eu e elas) num outro carro (sim, outro ferro velho do aço, de 1996, no qual eu me sinto extremamente segura (e que só troco pelo A8 ou pelo S550 lá de cima), já todos cheio de luzinhas no tablier e de mariquices e queixumes iluminados no conta km, botõezinhos para tudo e mais alguma coisa, bloqueios infantis em botão (em vez de ser com chave de fendas na porta mesmo), as piolhas sabem para que serve aquela manivela e como se usa. Não gostam lá muito, calro, mas sabem o que é. E, daqui por apenas 6 anos, será neste carro que darão umas voltas. Não me batam já porque, obviamente que quero que elas tenham a hipótese de conduzir carros recentes, mas também queremos que saibam como funciona e se usa um travão de mão mecânico (puxá-lo e baixá-lo, ou, no outro carro, carregar com o pé e puxar a alavanca para destrancar), como levantam o capô ou abrem a mala manualmente, como podem verificar o aspeto e quantidade de óleo na vareta, como abrir e fechar o vaso de expansão, etc. São coisitas mais ou menos básicas que podem perfeitamente experimentar num ferro velho do aço e que num carro recente já nem existem (no caso da vareta do óleo). Além disso, queremos mesmo muito que elas saibam usar... uma chave. E colocá-la na ranhura e rodar para as diferentes posições. Bem, mas esta parte elas já sabem :D mas possam ver que há espaço para tudo: podemos perfeitamente conduzir modelos mais novos e até gostar deles (o S550 é de 2014) mas não há mal nenhum em gostar ou até conduzir carros antigos, desde que gostem e se sintam seguras.
 
Contem-me coisas (para não me sentir sozinha): quais foram os vossos primeiros carros? Ainda os mantêm? Como reagem os piolhitos às ideias dos carros que os avós conduziram? Sabem o que é e para que serve a manivela da imagem? Preferências? Carros de sonho?
 
 
 
 

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publicado às 19:06

Há coisas giras que gosto de ler e que não me importo de recriar. Apesar de muitas coisas estarem um bocadinho dispersas por aqui ou pelo blog, a verdade é que, apesar de tudo, 21 coisas sobre mim fizeram-me pensar um bocado.
Bem, aqui vão elas, a pedido da O Espírito da Mula 
 
 
1 – Sempre fui o que se chama de “menina certinha”, “rato de biblioteca”, “croma”, “marrona” – e não me arrependo nem por um segundo;
2 - Adoro ler, sou mesmo bookaholic assumida e tenho alguma dificuldade em livrar-me de livros, mesmo que não os leia;
3 – Descobri medos irracionais e imprevisíveis e incompreensíveis desde que fui mãe;
4 – Quando engravidei, de forma espontânea, tinha 3 bolsas;
5 – Comprei casa aos 23 anos, 2 meses depois de começar a trabalhar, quase 1 ano antes de casar;
6 – Casei 2 vezes com o mesmo homem, em datas díspares;
7 – Já andei de speedboat no Tejo, com uma mão a segurar-me e outra a segurar uma piolha, enquanto dizia ao pai para agarrar a outra piolha, que delirava com aquilo;
8 – Tenho uma bucket list tão longa e surreal que preciso de viver 2 vidas para a cumprir;
9 – Detesto burocracia e papelada, não quero cargos de coordenação ou direção, não ambiciono uma posição de efetiva com a casa às costas – do que gosto mesmo mesmo é de dar aulas;
10 - Já vivi uma experiência “paranormal”, chamemos-lhe assim, em que eu me vi a mim mesma, fora do meu corpo, vista de cima;
11 – Em 2016 estive tão doente que julguei que ia morrer;
12 – Já sobrevivi a duas depressões diagnosticadas (uma delas associada a um burnout) e, estou desde 2013, sem qualquer tipo de medicação;
13 – Estive quase quase para tirar uma nova licenciatura – pós-Bolonha, com mestrado e tudo mas outros valores se impuseram na altura;
14 – Já dei aulas a todos os níveis e idades – só me falta mesmo o Ensino Superior;
15 – Adoro conduzir (em especial, carros grandes e pesados… atrapalho-me com carros pequeninos e citadinos), acalma-me, ajuda-me a pensar e a organizar ideias e decisões;
16 – A maioria dos acabamentos no T2 foram feitos por mim (pintura em paredes, quadros, decoração, almofadas do sofá, etc.);
17 – Adoro tirar fotografias mesmo sabendo que não tenho muito jeito e que, às vezes, me falha o olho para a coisa;
18 – Há coisas da minha infância que me forcei a esquecer ou que estão agora envoltas numa névoa. Não vivemos tempos fáceis naquela altura.
19 – A minha atenção saltita e, muitas vezes, só consigo lembrar-me de coisas que não servem para nada. Considero que tenho uma larga cultura geral inútil;
20 - Sou autodidata em imensas coisas;
21 – And last but not least, vivo para as minhas filhas - não me importam as teorias que contradigam isto.
 
 
 
Bónus – por motivos muito alheios à minha (enorme) vontade, nunca fui às noites da Queima.
 
 
 
 

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publicado às 15:13

Flashback - ou recordar é viver

por t2para4, em 10.04.19

Nasci em 1980. A minha infância foi nessa década. Foi uma década horrível, diga-se de passagem… Pelo menos, na minha realidade: o dinheiro não abundava; o meu pai emigrou; a minha mãe passou de mãe-galinha a mãe natureza toda ela omnipotente e omnipresente; as roupas fariam qualquer coleção da Zippy suspirar por menos polémica e eram uma herança passada de geração em geração de forma genderless; fazia 4 km a pé para ir à escola porque os transportes eram só para quem vivia a mais de 3 km da escola; a minha mãe não tinha carro ou carta de condução e não havia papa-reformas; levava mudas de roupa/calçado extra para trocar na escola por causa das condições atmosféricas que não se compadeciam de ninguém;  não tínhamos telefone em casa e tínhamos de ir à vizinha (e privacidade zero quando queríamos falar com o nosso pai, uma vez por semana)… só para falar em algumas. Estes são os perfeitos exemplos do que eu e o marido nunca quisemos que as nossas filhas vivessem, que não passassem os sufocos nem as necessidades por que passámos. Mas não precisam de vivê-las para saber que existem: costumamos falar disto várias vezes e, a par com a série “The Goldbergs” que elas veem, falamos da nossa realidade – nós não éramos classe média alta.

 

Claro que ainda vivemos a parte romântica dos anos 80: as bolachas maria - da quétara que oferecia canetas – com manteiga; o leite aquecido nos bicos do fogão a gás (e os recados constantes da minha mãe “cuidado com o fogo!”), as brincadeiras de verão no tanque de lavar a roupa (que era em cimento e não em plástico!), o nesquik e o tulicreme (caríssimo sem promoções comprado na mercearia e cujo sabor hoje não é igual); ver os desenhos animados aos fins de semana, cedíssimo, e descobrir que o Poupas afinal não era cinzento mas sim amarelo; correr pelo quintal fora e andar de bicicleta (daquelas que tinham um aro metálico atrás do banco preto); comer iogurtes caseiros que nem sempre ficavam bem porque a iogurteira tinha lá um tique qualquer; ouvir “eu vi um sapo” a par com “a minha alegre casinha”; partir poças de gelo no Inverno, ver os girinos em transformação na Primavera e lamas no Verão; usar botas de borracha antes de se tornarem moda e lhes chamarem galochas; gostar de fazer trabalhos manuais na escola mesmo sem ter grande jeito para aquilo; os verões intermináveis que nos amorenavam a pele sem precisar de ir à praia; as quezílias com a irmã mais nova porque irmão que não pega com o irmão não sabe o que é viver com irmãos; as brincadeiras com as bonecas e as suas refeições de lama e ervas e pétalas… acho que já deu para ter uma ideia, certo?

 

TUDO isto foi contado e/ou mostrado às nossa filhas. As piolhas acham algumas coisas estranhas porque não é mesmo, de todo, a realidade delas mas há coisas tão giras que podemos fazer com a geração seguinte… Sim, embora não se recordem, as piolhas já viram episódios da Rua Sésamo; brincaram no tanque; comeram iogurtes feitos naquela iogurteira manhosa; usaram galochas cor de rosa; já viram leite ferver em cafeteiras de alumínio; os verões amorenam-lhes tanto a pele que até ficam com sardas no nariz; as barbies também comem cenas do quintal e viva a imaginação.

 

Há – e acredito que haverá sempre – um generation gap mas isso não impede que aprendamos uns com os outros. Por exemplo: eu sei que a minha mãe viveu os tempos do racionamento e da obrigatoriedade de dar parte das culturas ao Estado; eu sei que o meu avô trabalhou nas minhas de volfrâmio para ser enviado para a Alemanha durante a II Guerra. As piolhas também sabem isso embora, lá está, de novo, nem sequer consigam visualizar esta realidade tão distante.

 

Sempre detestei esta fotografia. Quem me conhece, felizmente, não me reconhece ali pois não há ali nenhum traço meu. Aquele cabelo curtinho sem jeito nenhum, a falta dos dentes da frente por mudança de dentição, aquela camisola que serviu 3 gerações e ainda deve ter sobrado para a minha irmã, aquele conjunto de cores que nem no arco-íris combina bem, eu a destoar de todo o grupo restante. Senti vergonha desta foto quase toda a minha vida. Mas, hoje, depois de ter lido os posts da Carmen e da Susana, eu olhei para aquela fotografia com olhos de ver, de forma externa. E sabem o que eu vi? Uma miúda gira, embora desdentada e mal penteada e malvestida, mas FELIZ! A única criança daquele grupo que, mesmo sem dentes, sorria de orelha a orelha e com olhinhos brilhantes. Isso tem de ser uma coisa boa, não? Aquela miúda adorava ir à escola. Não parava quieta um minuto, saltitava de atividade em atividade em menos de um flash (ainda hoje sofro um bocado disso…) mas adorava aprender, tinha boas notas, era feliz na escola mesmo sendo um pouco rebelde. E, apesar da infância tão complicada, aquela fase nem foi assim tão má quanto eu a recordava. Talvez tenha feito parte do caminho que me moldou e ajudou a tornar no que era hoje, afinal, mau-feitio, sempre tive.

 

Correndo o risco de soar a fútil, esta fotografia serviu para eu nunca deixar as piolhas terem fotos assim. As fotografias delas, no 1º ano de escola, com a mesma idade que eu, são tão lindas, tão profissionais, as piolhas estão tão fofinhas, tão queridas, tão lindas… Parece um mundo abismal de diferenças. Exceto numa única coisa: tal como eu, independentemente e apesar de tudo, são miúdas felizes, de sorrisos largos e olhinhos brilhantes.

 

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publicado às 11:00

A propósito do dia de hoje

por t2para4, em 08.03.19

#repost

por t2para4, em 08.03.17

 

Num mundo e numa era muito comercial e com deturpação das origens e verdadeiras mensagens de datas importantes a assinalar, as piolhas achavam que seria mais uma festa com trocas de presentes, apesar da sua boa vontade e carinho de querer "premiar" as mulheres das suas vidas.

Lá lhes tentei explicar, em versão rápida e curta e sucinta, que a vida não corre de feição para as mulheres, ainda que vivamos num pedacinho de céu. E contei-lhes que a discriminação contra as mulheres ocorre em formas tão subtis que parecemos nem notar: ordenados mais baixos, cargos de chefia limitados, despedimentos por gravidez, ilegalidade nas questões em entrevistas de trabalho, trabalho doméstico, etc. E ainda lhes disse que, em muitos países, as mulheres nem sequer vão à escola, podem usar determinados tipos de roupa, votar ou tirar a carta de condução. Basicamente, it's a men's world though they need women...

 

Estou com a neura. E depois de o marido me ter chamado agorinha mesmo à atenção para uma publicidade do stand virtual sobre o dia da mulher e sensores de estacionamento, a neura aumentou ainda mais. Mas, enfim, não estou para isto.

 

Quero que as minhas filhas - que serão mulheres neste mundo e sociedade - nunca jamais em tempo algum deixem de se sentir bem na sua condição ou se sintam inferiores a quem quer que seja. Que continuem a ir à luta como têm ido até agora. E que saibam que há mulheres incríveis em todas as épocas, em todas as sociedades, em todos os lados - e que, independentemente dos entraves - nunca desistem e abrem pequenas brechas que se transformam em portas, mais tarde, para que outras mulheres possam seguir os mesmos caminhos. 

Não é feminismo, não é sufragismo, não é andar de maminhas ao léu e queimar soutiens: é ser-se mulher sem discriminação, é saber-se apreciar o esforço de uma mulher, apesar de tudo. A História reza de muitas mulheres que se transformaram nos chefes de família e nos trabalhadores da família, conseguindo não só mostrar o quão fantásticas elas são nos seus papeis multitasking, como também mostrar que são capazes. De tudo.

 

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-03-08-Carolina-votou-em-1911.-Foi-a-primeira-e-a-Republica-mudou-a-lei-para-impedir-o-voto-feminino 

 

Logo, será disto de que falarei às piolhas. E aos meus alunos também, se surgir. 

 

 

 

 

 

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publicado às 09:33

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