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São tão minhas...

por t2para4, em 10.02.22

É seguro dizer que encontrei a minha tribo. Aquele grupo de mulheres maravilha que me permite ser eu mesma, que me permite ser atípica, que me permite ser mãe atípica e que me dá espaço quando não quero (ou não consigo socializar).
Durante toda a primeira infância das piolhas não tive saídas ou vida social - porra, pá, não tive "amigas" (só podia contar, com duas ou três pessoas e a distância não ajudava. A minha adorada L. fez tanto por mim... já não amigas assim). Era impossível sair para um simples jantar e custava-me muito pedir aos avós que ficassem com elas quando eu sabia o quão cansativas e exigentes elas eram e o quão mal (e pouco) dormiam. Um dia, mais crescidas, a minha lourinha favorita, como carinhosamente lhe chamo, convidou-me para um jantar e foi como se renascesse. A minha melhor amiga emigrara e, apesar de o marido ser sem dúvida o meu melhor amigo, há coisas que só se discutem com gajas. São a minha tribo, sem dúvida, mesmo quando eu não quero uma tribo.
Uma das coisas que mais ânimo me dá é poder ter uns minutinhos e tomar um café com elas antes de ir para as aulas. Não sei colocar por palavras o quão importantes são e o quanto gosto delas, por estes pequenos momentos que me dão porque, para mim, sabem a muito e são grandes. E posso ser eu mesma, com todas as minhas características estranhas e mau feitio e sempre a acelerar que elas não me julgam, nem me criticam, nem se importam. E isso vale ouro. Já me viram rir até às lágrimas e também já me enxugaram lágrimas. E também já as fiz chorar comigo (desculpas à minha professora de matemática favorita - que é mesmo, senão eu nunca diria isto).
Sei, no meio desta melice toda, que sou afortunada por ter bons corações ao meu redor. Obrigada.

 

 

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publicado às 14:47

"Tu não tens vida!"

por t2para4, em 02.02.22

"Tu não tens vida!"
"Vais acabar o curso e casas-te logo, é?"
"Queres acabar como os teus pais?" (O meu pai era emigrante mas a minha mãe não).
Ouvi isto tantas vezes em miúda. Magoava-me profundamente mas eu não desgostava de todo de como as coisas corriam. Com muita dificuldade, é certo, mas os meus pais estavam lá para mim, apesar de serem muito conservadores em relação a algumas coisas. Se tivesse uma vida como a deles, em que alcançaram com sucesso os seus objetivos, não estaria mal.
Quanto ao ter vida, tenho a vida que escolhi e adaptei-me ao que me foi imposto. Casei mal fiz o estágio, é certo, mas deveria ter casado mais cedo - afinal até já estava a pagar casa e tudo. Foi uma das melhores decisões da minha vida
Ontem, disseram às piolhas que não tinham vida e que estavam fartos delas. Pois, temos pena. Eu também estou farta de gente parva e, no entanto, eis-nos aqui.
As piolhas, ainda estavam na minha barriga, e já tinham coleções de Beatrix Potter e idas à praia, por exemplo. Sempre nos regemos por sermos uns pais rigorosos, presentes e esforçados. Nunca lhes faltou absolutamente nada e têm vivências incríveis, desde as mais loucas (speedboat no Tejo ou rappel nos bombeiros ou idas à neve acabada de cair) às mais comuns (um fim de semana fora, um almoço na praia, ver o pôr do sol à beira mar) às do momento (tomar o pequeno almoço na praia a ver o nascer do sol ou levar um termo com café para a serra ou almoçar chinês em casa). Elas têm experiências únicas, são amadas até doer, são miúdas esforçadas e educadas. Isto é vida. Isto é viver.
Doeu muito ouvir isto. Doeu tanto que fiquei com tanta raiva e tanta mágoa que, à noite, eu estava exausta.
Os miúdos conseguem ser cruéis. E conseguem ser maldosos. O que elas ouviram foi dito com maldade, não foi na brincadeira.
Mas, como lhes costumo dizer, elas são superiores a isso. Tal como eu fui superior às bocas foleiras que me mandavam antes. Como também costumo dizer, o verde fica mal a muita gente.

 

 

 

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publicado às 13:30

Oh janeiro interminável...

por t2para4, em 28.01.22
Estamos em janeiro há tanto tempo que andei a semana toda a escrever o dia do mês erradamente. Hoje até pensei que já eram 29. Nope, not yet, ha-ha, nem pensar. Ainda só são 28.
O Ano Novo parece ter sido há 20 luas, preciso de fazer resoluções novas porque já me esqueci do que congeminara fazer para 2022 e juro que era gaja para fazer um fast forward nisto e passar já para 2023. Mesmo ficando um ano mais velha na década de 40 (e ter as piolhas com 15 😱)
Já fiz tanto este mês que quando penso no início do ano sinto que estamos a falar de algo que parece ter ocorrido há meses.
Portanto, é isto. Com espírito Grinch e tudo.
 

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publicado às 23:19

É só amor... ohhhh....

por t2para4, em 30.12.21

Antes de terminarmos o ano temos mesmo que falar de algo de que ninguém fala: esse flagelo que (i)afetou a nossa TV por cabo nos últimos tempos e que raramente falha ao longo do ano. Sim, falamos dos filmes da Hallmark. As piolhas partem-se a rir com aquilo, o marido adora "não há mortos, não há feridos, todos se dão bem, é só paz e amor ao bicho... melhor que essas porcarias que vocês veem" - entenda-se, séries criminais, policiais e afins (geralmente, envolvendo uma ou outra cena de morgue).
É de mim ou quem vê um filme destes, vê todos os filmes destes? Vejamos lá, então: há sempre um progenitor que faleceu e a criança fica sempre órfã de mãe ou de pai (geralmente de mãe o que enfurece as piolhas que dissertam logo sobre justiça divina) e a hipoteca paga, pois claro, pois só assim é que conseguem manter ou pagar sozinhos a prestação para o empréstimo de uma habitação daquele género. Além disso, são pessoas bem sucedidas e dadas às humanidades (geralmente escritores, editores, donos de livrarias ou de lojas de arte/música, um ou outro chef ou doceiro) que vivem em locais com paisagens idílicas no outono (vinhas, há sempre vinhas) e no inverno (há sempre uma casa rústica, na mesma localidade onde vive o Pai Natal e ele tem a sua oficina de elfos). E as crianças? Bem, são educadas segundo modelos de parentalidade positiva berra-me baixo: não fazem birras, não têm ciúmes do/a amigo/a da família que se torna mais próximo, são obedientes e até lavam os dentes antes de ir para a cama, arrumam os brinquedos e os adolescentes não têm crises existenciais. Também se dão todos bem com a geração anterior: os pais são uns fixes, cheios de sabedoria e sapiência, dão conselhos muito sábios e não há nunca desentendimentos e muito menos segredos obscuros de família de que ninguém pode saber.
E, tem de se referir o que acontece sempre, sempre mas sempre: o beijo que nunca chega a ser beijo porque é interrompido... ohhhhhh que beleza...
Do que eu gostava mesmo mesmo mesmo de saber é onde podemos comprar o que eles tomam, a sério que sim. São todos calmos, serenos, bem sucedidos e com os seus objetivos sempre concretizados. Oh vida maravilhosa. tal e qual a realidade, não é?
Atribuo aquela estrela só para não ficarem tristes, afinal é Natal e, de vez em quando, lá mato uns quantos neurónios com isto. Ou a TLC, vá. Quem diz não a um "Say yes to the dress?" Ah, pois é. Nem as piolhas.

 

 

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publicado às 22:43

"E se vivêssemos mais devagar?"

por t2para4, em 24.11.21

O marido mostrava-me um pacotinho de açucar onde se lia "e se vivêssemos mais devagar?". Ficámos um bocado a pensar naquilo. Ele consegue, uma das piolhas consegue. Eu não consigo e a outra piolha não me parece que consiga.
Os espaços em branco, o tempo não preenchido faz-me confusão. Sinto a necessidade de o encher com uma atividade qualquer, nem que seja dormir ou ler ou ver um episódio de uma série. As piolhas, enquanto uma, mais racional, acaba por ir levando uma coisa de cada vez, a outra, mais distraída, já se perde e não tem bem a noção do espaçamento do tempo.
Sempre fui assim: despachada, direta, sempre a andar, rápida, a entregar as coisas bem antes dos prazos, a sair de casa bem antes do tempo para chegar a horas (e acabar eu por ficar à espera), a acelerar, a querer chegar a todo o lado, a ser perita em multitasking. Vieram as piolhas, gémeas ainda por cima, e multitasking passou a ser o meu nome do meio, com letras maiúsculas. E elas, sempre a lidar com esta mãe hiperativa e despachada, que só fica parada quando está para lá de exausta ou doente. Mas, se o corpo até para, a cabeça tem sempre muito que fazer, até durante o sono. Creio que as piolhas viverão um pouco depressa, com momentos em que andarão devagar, fazendo uma reverência às heranças maternas e paternas.
Importa-me muito que sejam miúdas despachadas, desenrascadas e capazes de saber lidar minimamente com os imprevistos. Já não há meltdowns mas há alguma ansiedade, frustração e posterior descompensação - maravilhas do nosso caríssimo -ismo. Mas são miúdas que já perceberam que podem pensar um pouco para além de, um pouco fora do que é típico e que não há nada de errado em fazer uma coisa de cada vez ou muitas ao mesmo tempo. Podem perfeitamente dominar o multitasking ou quererem ser perfecionistas e demorar o tempo de que precisarem.
O meu cérebro neurodiverso não me deixa ter essa experiência do devagar, do dolce far niente na sua verdadeira essência, mas não me importo com isso. Os 40 já me trouxeram alguma desaceleração, acredito que outros -entas me trarão esse "viver mais devagar".
Não me importo que assim seja. Sempre me conheci assim. Não me imagino de outra forma. Mas gostava de, realmente, não chegar ao final do dia com a sensação de bateria gasta. Mas é assim que sou. Além disso, a cafeína é minha amiga ;)

 

 

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publicado às 16:58

Hoje somo 41

por t2para4, em 01.10.21

Gosto de fazer anos.
Gosto de ir somando os anos e de festejar mais um aniversário.
Gosto de pesquisar imagens de bolos e de escolher decorações, recheios e sabores.
Gosto de receber prendas, telefonemas, mensagens.
Gosto de sol no meu dia de anos.
Gosto de dias pacatos, sem chatices e sem complicações.
Gosto de refeições simples com a família e de cantar "parabéns a você".
Gosto do arroz-doce da bivó a acompanhar o bolo de aniversário.
Gosto de balões, bandeirolas, fitinhas, guirlandas e decorações em geral.
Gosto das coisas simples, com sentimento.
Gosto de fazer anos.
E, este ano, somo 41.

 

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publicado às 10:29

O corpo é meu.

por t2para4, em 11.06.21

Demorei anos a aceitar-me como sou, foi um percurso que demorou os meus quase 40 anos.
Durante muitos anos, em especial na adolescência, não tirava fotos a sorrir porque o queixo era comprido, os caninos acentuados e parecia um vampiro.
Durante muitos anos, esforçava-me ao máximo por esticar o cabelo (o que era, afinal, contraproducente) porque todos tinham cabelos esticadinhos e bonitos e o meu era tão rebelde que quase tinha vida própria e impulsos assassinos.
Durante muitos anos, tentei imitar estilos de atrizes da moda a ver se também me ficavam bem e deixava de ser tão gozada.
Durante muitos anos, deixei de usar saltos altos porque todos eram mais baixos que eu.
Durante muitos anos, já casada e mãe, desisti(ra) de usar calções, saias, vestidos porque a celulite pusera-me as pernas feias. Usar bikini era uma exceção pois não me sentia tão mal no mundo real com outros corpos reais por perto.


Em quase todas estas situações houve gozo, bocas foleiras, humilhação, body shaming. Ou era alta demais ou magra demais ou comprida demais ou "com corpo bem feito mas nada gira de cara" ou "bonitinha mas demasiado magra" ou "fazia-te bem mais uns kg" (algo que ainda hoje ouço) ou "isso já é celulite" ou mais uma data de merdas sem nexo e sem jeiteira nenhuma.
Não quero isto para as minhas filhas. Elas são lindas, magras, altas, morenas, etc ao jeito delas. E são como são e não há mais nada a fazer.


Demorei demasiado tempo a aceitar que o meu corpo é resultado de uma vida vivida, de batalhas travadas, de conquistas feitas. O meu corpo não é de plástico, não sou um manequim de loja, não sou nem quero ser perfeita.
Não quero ceder nem voltar a ceder a pressões sociais. Não tenciono limar os dentes caninos nem fazer cirurgias plásticas, não tenciono pintar os meus brancos (cada vez em maior quantidade), não tenciono fazer cenas estranhas para acabar com a celulite (que mito tão grande...), não tenciono esfalfar-me num qualquer ginásio x/h/dia para culto do corpo - sou demasiado preguiçosa e estou demasiado cansada para isso e não vejo objetivo nisso.


Sou como sou, alta, magra, com rugas de expressão cada vez mais vincadas, com pernas com celulite, uma barriga a mostrar alguma flacidez (em especial ao final do dia), um cabelo rebelde que não gosta de ser penteado, os meus característicos dentes de vampiro e um queixo comprido. Sou assim e mais nada, quem não gosta põe no bordo do prato.
Abracei vestidos, calções, saias, fatos de banho. Mostro a perna e ainda ponho pulseiras nos pés. Uso batons vermelhos/castanhos/roxos/púrpura escura. Não penteio o cabelo. Fiz mais furos nas orelhas. Uso calções justinhos por baixo de saias e vestidos para as pernas não roçarem uma na outra. Uso saias de escritório com sapatilhas e calções com sandálias. E ainda pinto as unhas dos pés a combinar com as das mãos. E até uso calças curtas com botins, se me apetecer, e leggings com DocMartens. Não saio de casa sem lápis nos olhos e usei sempre baton no ensino à distância. Detesto caras cheias de betume em que tudo é igual a tudo e demasiado artificial.
Não pretendo agradar a mais ninguém a não ser a mim mesma e esquecer que, um dia, cedi ao body shaming e às pressões do "não uses", "não faças". Não quero que as piolhas sintam vergonha de si mesmas e peçam para serem diferentes do que são - como eu o fazia. Porque nada disto, absolutamente NADA disto é natural.
Como é que dizia o anúncio: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?". Autoestima é importante, os outros não. As opiniões destrutivas e discriminativas não dão ordenado nem tempo de serviço.

 

 

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publicado às 15:53

É só mais um brinco!

por t2para4, em 09.06.21

Sempre que passo por um sufoco de saúde daqueles que me obriga mesmo a repensar a vida e me força a tomar opções muito difícieis, faço um furo extra (ainda preciso de mais um furo extra (provavelmente na outra orelha)).


Não me custa nada, faço-o na farmácia ou numa ourivesaria e a cicatrização costuma ser traquila, embora desta vez tenha precisado de algo mais pois inflamou um pouquinho. Acabei por trocar por um brinco mais pequeno (em tamanho e comprimento) porque me picava quando me deitava.
As piolhas não querem furar as orelhas, nunca o fizemos pois achamos que deve ser uma escolha pessoal. Eu fi-lo aos 12 anos, pela 1ª vez. E depois já entradota nos 30 e agora aos 40. Só o faço onde ainda há "chicha" e está fora de questão furar cartilagem. Por isso, devo ficar-me por aqui, até porque, como gosto de usar brincos maiorzinhos, não gosto de furos muito próximos.


Todos os loucos têm uma hora por dia, eu tenho algumas dispersas que se juntam 😛

 

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publicado às 12:47

2020, uma surpresa, em vários sentidos

por t2para4, em 28.12.20

2020 tinha (tem?) tudo para ser um ano muito bom e acabou por se revelar um ano terrível.
Podemos começar pelo óbvio: estamos a viver História - tivemos uma pandemia declarada logo no primeiro trimestre do ano; passámos a ter de cumprir escrupulosamente determinadas regras; a máscara passou a ser um acessório tão banal (que, pessoalmente, já a coloco por impulso e até me esqueço que a estou a usar); tivemos um confinamento forçado (algo que nunca me passaria pela cabeça); sentimos medo puro - daquele que paralisa mesmo - e, por momentos, quisemos acreditar que iria ficar tudo bem com os nossos arco-íris; tivemos meses sem contacto físico com os avós, primos, tios e demos graças pela tecnologia do século XXI, mesmo que deficitária; descobrimos que é possível fazer algo que eu ando a dizer há anos - trabalhar à distância, em determinadas situações; regressámos à escola - a medo mas com coragem - e conseguimos levar um período inteiro (cerca de 4 meses) sem fecharmos escolas no país inteiro (algumas houve que fecharam, turmas inteiras em casa mas não foi a nível nacional); descobrimos forças e empatias que surgiram; a batalha e a busca por uma vacina conseguida rapidamente... Os media não facilitaram e ainda hoje cobrem e esmiúçam números, milhares foram infetados (incluindo amigos nossos), houve mortes a lamentar. E houve outras doenças não diagnosticadas, serviços postos em pausa, uma burocracia que se aumentou exponencialmente. E negacionistas e pessoas do contra só porque sim e sem qualquer fundamento científico. Entre tantas mas tantas outras coisas.


Foi - todos concordam - um ano completamente atípico.


No entanto, felizmente, para nós, 2020 não foi um ano horrível. Esse título, o de annus horribilis cabe a 2016. Começou mal e acabou ainda pior. Foi um ano muito exigente, demasiado doloroso, terrível, sem férias, de desemprego ali no limite final do subsídio, redução das horas de terapia, o falecimento de uma colega de faculdade, a avó que teve problemas sérios de saúde... Pensámos que chegara mas ainda houve espaço e tempo para um aborto espontâneo logo em janeiro (doeu tudo, desde o corpo à alma... e a reação das pessoas à notícia não ajudou nada) e uma nevrite intercostal tão grave em novembro que não me recordo do tempo de convalescença. Não me recordo de quase nada, é tudo uma névoa e não sei como fizemos para cuidar das piolhas nessa altura. Juro que pensei que ia morrer. E foi terrível perceber que as minhas filhas pensaram o mesmo e ouvir uma delas dizer-me sofridamente "mãe, eu não quero que tu morras". Morremos um bocadinho por dentro, isso é certo. A parte boa foi o diagnóstico, apesar de tudo, porque inicialmente, além de burnout, os sintomas apontavam para problemas cardíacos e muitos alertas para AVC. Suspendi ali a minha vida por quase 2 meses. Recuperação lenta e dolorosa. Ordenado inexistente (porque um professor contratado de baixa recebe 55% do seu ordenado com os 3 primeiros dias não pagos e eu tinha um horário de 10h/semanais), marido a trabalhar incansavelmente e a ter de gerir a casa e as piolhas, na altura ainda no 1º ciclo. Chegámos à conclusão, no final do ano que, se aquilo que vivemos não nos matou nem nos mandou para um hospício, já nada o faria. 2016 foi definitivamente o pior ano de que tenho memória. Fuck 2016, sem sombra de dúvida.


2020 foi um ano bom para nós. Foi um ano de estabilidade, de recuperação, de aceitar novos projetos profissionais, de aprendizagem e de estudo (tirei bastantes formações), de crescimento (nosso e das piolhas), de introspeção (parece cliché mas é verdade), de escolhas. Tivemos saúde. Tivemos emprego. Estamos juntos. Apesar de se supor o pior - e foi, de facto, um ano extremamente atípico -, 2020 foi um ano generoso para connosco. (Se bem que, qualquer ano melhor que 2016, já é um excelente ano).


Se antes já valorizávamos as pequenas coisas, as pequenas vitórias, as pequenas conquistas, os pequenos nadas que aprendemos a acumular ao longo dos anos, 2020 veio provar que temos muito para continuar a agradecer, a valorizar e a acumular como conquista, vitória.


É cliché, mas é verdade: haja saúde e tudo se arranja. O resto são restos e de restos ninguém vive, já dizia a prima.

 

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publicado às 22:58

A nossa recriação de arte

por t2para4, em 31.03.20

Vi imensas recriações de quadros e pinturas célebres e decidi que também queríamos participar. Já fizemos duas recriações: esta, Girl with a balloon de Bansky, e Siamese Twins de Leah Saulnier (que não publicarei aqui porque as caras delas estão bem visíveis).
Nota-se muito que já estamos há muito tempo em casa? O que vale é que as piolhas acham imensa piada a estas coisas e alinham nas minhas doideiras.

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publicado às 16:42

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