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As escolas nunca fecham

por t2para4, em 19.01.21

A escola não é apenas um lugar de aprendizagem, de ensino, de experiências. Sabemos - ou deveríamos saber - que, em muitas situações - situações até demais, infelizmente, e que deveriam estar totalmente identificadas e resolvidas - funciona como centro de apoio, como porto de abrigo, refúgio até. Sim, muitas vezes, é na escola que algumas crianças têm as únicas refeições decentes do dia.


Mas, atenção quando se escreve dando exemplos generalistas descontextualizados como justificação do não encerramento atual das escolas face aos casos de covid! Fechar as escolas agora, parar as escolas no Natal, parar no Carnaval (sim, aqueles 3 habituais dias), parar na Páscoa e parar quase 3 meses para alguns anos de escolaridade vai manter as mesmas desigualdades, vai manter em risco algumas crianças, vai trazer problemas de violência e fome. Porque as escolas não funcionam 24h/dia! Mas também não fecham na totalidade! Não é só por conta do covid! Que não se use essa desculpa para não se proceder ao que deverá ser ética e medicamente mais correto neste momento!


As escolas não funcionam sozinhas. Há protocolos com juntas de freguesia, câmaras municipais, entidades (semi)públicas e privadas e mais, para que, nas pausas letivas, essas crianças não morram de fome, frio ou violência! Há CPCJ para os casos graves. As mesmas premissas que usam agora para justificar o manter as escolas abertas enquanto morrem aos Boeings cheios de gente por dia em Portugal! Estas situações manter-se-ão nas férias grandes, sabem? Ou nas férias grandes já não há problema de aulas+covid+desigualdades+etc e tal?


Para os ignorantes de serviço, tenho uma novidade: houve escolas que NUNCA fecharam de março até agora! E houve até crianças que tiveram SEMPRE aulas presenciais, com professores a sério, lá dentro de uma sala de aula! E havia SEMPRE refeições garantidas para crianças carenciadas! E havia comunicação estreita com as famílias na tentativa de se apurar se estaria tudo a correr bem - aulas à parte. E, pasme-se, as escolas sede NUNCA fecham nas férias grandes!
As escolas têm muitos defeitos mas, porra, por regra, não costumam deixar estes casos graves e sinalizados para trás, nem nas férias grandes.
Não me venham é usar esses argumentos mal usados, gastos, deturpados que até já cheiram mal como desculpa porque não há dinheiro para fechar as escolas. Assumamos que é isso! Não há! E eu percebo! Nem imagino a cratera fenomenal que a nossa paupérrima Segurança Social deverá ter. Mas não se invente que é a fome e a violência que impedem de fechar as escolas. Para esses, as escolas nunca fecharão. Terão sempre a sua refeição, terão a sua vigilância.


E, aviso desde já que se começarem os insultos, vierem mimimis desagrados ou teorias da conspiração, vão logo àquele sítio com três cestos - serão banidos e bloqueados e até denunciados. Não tenho a mínima pachorra para aturar gente acéfala quando se morre às centenas em hospitais, quando faltam ambulâncias, quando se escolhem vidas como se estivéssemos numa guerra civil do século XIX, quando há enfermeiros a alimentar doentes em ambulâncias que esperam horas para entrar nos hospitais. Querem acreditar que a Terra é plana é lá convosco mas não neguem que está a ser cada vez mais difícil escapar a um vírus que existe. E que está cientificamente provado.

 

 

 

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publicado às 23:18

Chega esta semana ao fim o remendo possível, a solução encontrada e longe de ser a ideal mas, de novo, a solução possível, do ensino à distância, 13 semanas depois. Um período completo ao longe mas com os professores por perto, a fazer o necessário para que os alunos não fizessem apenas mas, algures no processo, também aprendessem.
Aqui, além desse esforço do fazer mas também aprender alguma coisa, do verificar se o apoio de educação especial estaria a resultar, foram 13 semanas de absoluta paz, 13 semanas sem um único episódio de bullying e, por mais incrível que pareça, 13 semanas sem um único de cyberbullying (algo que começou logo no verão passado, ainda as aulas não tinham começado, mal saiu a relação de turmas).

Numa das suas muitas fichas de autoavaliação, uma das piolhas queria escrever "gosto mais destas aulas do que na escola". Não deixei que escrevesse. Doeu-me um pouco o coração ao ler aquilo. Tanto que daqui se pode interpretar... E não venham com a tradicional atribuição de culpas à mãe porque vai já com os cães! Quantos de nós, apesar dos horários mais esticados, não descobriram que o teletrabalho pode ser uma pequena maravilha porque não há deslocações, não temos que aturar um mau ambiente, não precisamos de lidar com colegas parvos?
Foi um ano atípico desde o início e que ficou ainda pior quando só faltavam 3 meses para terminarmos. Houve muitas muitas mudanças: de escola, de ciclo, de colegas, de professores, de quantidade de disciplinas, de abordagens aos conteúdos, de pedidos de trabalho e, quando se pensava que não poderia ser pior, ainda veio uma pandemia...

A escola - a nossa escola - sempre colaborou connosco na tentativa de minimizar problemas, de resolver os episódios de bullying, de conversarmos sobre estratégias, etc. Fizemos tanto. Houve momentos de interregno e pensávamos "ok, o pior já passou, vai melhorar". Foi um choque para nós - para elas mesmas - passar das coqueluches da turma, da escola, onde toda a gente as mimava e acarinhava para as apontadas a dedo, sem percebermos muito bem o que raio se passou nesta transição. No entanto, tenhamos em mente que esta é apenas uma de muitas questões sociais do autismo no feminino e que já aqui partilhei algumas vezes.

O ensino à distância não foi o ideal e não é a solução perfeita mas foi o que se pôde arranjar à pressa, apesar das milhentas críticas que já li ao longo destas 13 semanas. O engraçado é que não li nem uma única proposta de solução além da "enfiem-se os miúdos todos dentro da escola de novo". Não vou tecer comentários sobre esta dinâmica online, muito já se falou sobre isso. Não é o ideal, ponto assente; é o que se pode arranjar num instante. Sobre o próximo ano letivo, suposições há muitas, certezas nem por isso, portanto, temos que aguardar, ainda nem sequer saíram os respetivos despachos.

Mas, de novo, para nós, para as piolhas, foi a calma necessária para que pudessem sentir-se elas mesmas novamente. Foi a aprendizagem paralela de gestão de tempo e conteúdos, de autonomia, de literacia digital, de interpretação até da personalidade de alguns professores mediante as respostas dadas às suas perguntas. Foi paz e sossego, no verdadeiro significado da palavra. Foi trabalharem sem batota (porque eu não posso nem é correto fazer os trabalhos por elas, não sou eu a aluna. Supervisionar e ajudar, sim, fazer não). Foi sentir um orgulho imenso quando chegavam à 5ª feira e já tinham os trabalhos da semana todos concluídos. Foi conviver com os colegas à distância sem um único ataque, sem uma única boca foleira, sem um único foco de gozo, sem uma única forma de insulto.

E a questão social?, podem perguntar-me. Tendo em consideração que desde que as piolhas frequentam a escola - desde os 2 anos - que, todos os verões, por mais ou menos 3 meses, o contacto com os colegas é zero (não por falha da parte delas), eu acho que elas sobrevivem bem a este contratempo escolar e a questão social é a última das minhas preocupações neste momento.

O texto já vai longo e eu quero apenas rematar: foi um ano extremamente longo, exaustivo, cansativo, trabalhoso, atípico, difícil. Mas foi um ano de aprendizagens profundas, de viragem na história - social, pessoal, escolar, académica. Porque a nova realidade já foi alterada. Já temos muitas coisas que estão a ser feitas de forma diferente e que assim continuarão. Nada ficou igual ao que era antes.
E, de alguma forma, conseguimos sobreviver a isso. Não foi da forma ideal mas da forma possível.
E, assim mesmo, de repente, chegámos ao 8º ano. Estamos todos de parabéns.

 

 
 
 
 
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publicado às 09:07

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